Magazine Luiza

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Céu e inferno

“Um homem, seu cavalo e seu cão, caminhavam por uma estrada.
Depois de muito caminhar, esse homem se deu conta de que eles haviam morrido. A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados e com muita sede.
Precisavam desesperadamente de água.
Numa curva do caminho, avistaram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de ouro. No centro, havia uma fonte de onde jorrava água cristalina.
O caminhante dirigiu-se ao homem que, numa guarita, guardava a entrada.
“Bom dia!” – disse. “Que lugar é este, tão lindo?” – perguntou.
“Isto aqui é o céu”. – Foi a resposta…
“Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita sede…”.
O guarda avisou: “O senhor pode entrar e beber água à vontade.”
O homem pediu: “Meu cavalo e meu cachorro também estão com sede e…”.
Foi interrompido: “Lamento muito, mas aqui não se permite a entrada de animais”.
O caminhante ficou muito desapontado. Mas ele não beberia, deixando seus amigos com sede. Assim, prosseguiram no caminho.
Depois de um longo tempo, com a sede e o cansaço multiplicados, chegaram num sítio, com uma porteira velha semi-aberta.
A porteira se abria para um caminho de terra, com árvores dos dois lados que lhe faziam sombra.
À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapéu, parecia que estava dormindo:
“Bom dia!” – saudou o caminhante. “Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro…”.
O homem respondeu: “Há uma fonte naquelas pedras” “Podem beber à vontade”.
O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede.
“Muito obrigado” – disse ao sair.http://www.blogger.com/img/blank.gif
“Voltem quando quiserem” – respondeu o homem.
“A propósito – indagou o caminhante – qual é o nome deste lugar?”.
“Céu!” – respondeu o homem.
“Céu?” – Mas o homem na guarita ao lado do portão de mármore disse que lá era o céu!
“Lá não é o céu: aquilo é o inferno”.
O caminhante ficou perplexo.
“Mas então – comentou – essa informação falsa deve causar grandes confusões”.
“De forma alguma!” – respondeu o homem, explicando:
“Na verdade, eles nos fazem um grande favor, porque lá ficam aqueles que são capazes de abandonar seus amigos…”.

Postado dia 15 de Junho de 2011 na coluna do José Lino no site da
Rádio Itatiaia