Magazine Luiza

Bem Vindo ao Blog!

Pesquise no Google:


http://sites.google.com/site/jogosdinheirointernet/magazineemocione
Anuncie aqui - Planos a partir de R$200,00 por mês.

1 ano : R$2.400,00 (R$200,00 mensais)
6 meses : R$1.350,00 (R$225,00 mensais)
3 meses : R$750,00 (R$250,00 mensais)
2 meses : R$550,00 (R$275,00 mensais)
1 mês : R$300,00

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Alguns textos/vídeos/músicas e fotos sobre as Manifestações por todo país. Chega!

Já dizia  em 1988 Humberto Gessinger, Roqueiro e Poeta Gaúcho:

é impossível repetir
o que só acontece uma vez
é impossível reprimir
o que acontece toda vez
que chega a hora
de dizer chega...

...a hora...
...de dizer chega...


Pois Bem: CHEGA!












Afasta de nós este cale-se!' Texto de Selma Sueli Silva

'Afasta de nós este cale-se!' Texto de Selma Sueli Silva

Publicação Site da Rádio Itatiaia 29/06, 11:47 Blog do José Lino Souza Barros.

As fumaças do gás lacrimogêneo e do spray de pimenta estão baixando e já é possível enxergar melhor. Com uma pauta de reivindicações que vai desde a volta da tomada de dois pinos até o fim da impunidade e corrupção, as manifestações seguem, há quase um mês, por todo o país, causando espanto aos especialistas que tentam explicar o fenômeno: como tudo começou sem a gente saber, sem a gente prever? Como tanta gente foi mobilizada sem uma liderança clara e definida?

Desde que o mundo é mundo sabemos que mudanças vem da ousadia do jovem mas que foco e equilíbrio vem da experiência da idade madura que conquistamos após muita, muita vivência. Portanto, é inútil querer descobrir um ponto certo onde tudo começou. Na verdade, tudo pode ser apenas uma sequencia.

Quem acompanha as redes sociais sabe que a insatisfação vem crescendo: é escândalo do mensalão, denúncias diárias de corrupção, casos apurados e comprovados seguidos da mais vergonhosa impunidade, casas legislativas infiltradas por bandidos, Renan Calheiros no comando do Senado, e por aí vai, tornando difícil achar trigo em meio a tanto joio. Mas, como disse o poeta, há o dia em que “de tão usada, a faca já não corta”. Os donos do poder esqueceram-se disso. Eles estavam tão acostumados com a nossa aparente apatia que acharam que tudo que sempre acabou em pizza, agora ia terminar em Copa. Mas o caldo entornou e o povo foi às ruas dizer NÃO a uma longa, larga e funda lista de palavras de ordem:

Brasil vamos acordar, professor vale mais que o Neymar;
Isso é mais que um protesto contra o aumento das tarifas, isso é o grito de quem não aguenta mais tanta corrupção;
Por favor não nos machuque, nós não temos hospitais;
Desculpem o transtorno, estamos mudando o país;
Já que a bomba é de efeito moral, joga no Congresso Nacional;
Fome, miséria e opressão, nisso o Brasil é pentacampeão,
Quando seu filho ficar doente, leve-o a um estádio;
O povo acordou, o povo decidiu. Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil;
Queremos hospital e escola no padrão FIFA;
Vandalismo é destruir escola e museu para construir estacionamento;
Não é por 20 centavos é por 40, pois a viagem é de ida e volta;
Jogaram mentos na geração coca cola;
Nossos sonhos são a prova de balas;
Spray de pimenta em baiano é tempero;
Enfia os 0,20 centavos no SUS;
Prender por manifestação é mole, quero ver prender por corrupção.
Se vão importar médicos de cuba para melhorar a saúde, então que importem políticos suecos para acabar com a corrupção;
O povo unido protesta sem partido;
Direita? Esquerda? Eu quero é ir pra frente.
É, "Tem tanta coisa errada que não cabe em um cartaz."

No início, governo até ensaiou um pulso firme e disse não à redução das tarifas. Depois percebeu que a coisa era mais séria do que parecia. Imaginou esvaziar as ruas eliminando os 20 centavos de aumento. Tarde demais. O povo queria muito mais.
O gostinho da cidadania já havia se alastrado, apesar de bandidos terem se aproveitado da aglomeração de pessoas para fazer o que bandido faz de melhor: agir na covardia. E dá-lhe depredação, fogo e pânico nas ruas. Mais a verdadeira manifestação acontecia com gente de bem e continuou.

E de repente, não mais que de repente, a máquina política, emperrada pelo ferrugem da corrupção, do individualismo, do oportunismo, se mostra ágil, produtiva, azeitada. Em dois dias, os nobres parlamentares aprovaram projetos que dormiam, há anos, nas gavetas do legislativo.
Mesmo que no ano que vem tenhamos eleições, como bem disse Son Salvador, as manifestações alteraram a saúde dos políticos: 'vossas excelências ficaram com a pressão alta das ruas'.

E o corre corre começou. Nos últimos dias, pela primeira vez, o noticiário esteve repleto de declarações, discursos e propostas de suas excelências, as autoridades do país. Corrupção virou crime hediondo, a educação vai, enfim, receber mais dinheiro, haverá confisco de propriedades flagradas com escravos, a PEC 37 foi para o espaço... além, é claro, da possibilidade de o povo ser ouvido através de um plebiscito.

Mas, e sempre há um mas, muitas das propostas dependem de uma Reforma Política. E onde é que o avanço do Brasil sempre fica travado? É isso! No Congresso Nacional. Não na Instituição, tão necessária à democracia, mas em quem colocamos lá dentro.
O eleitor elege um deputado ou senador que possa representá-lo e, há muito, isso não acontece mais. A distância entre o eleito e o eleitor ficou enorme, graças a ação dos intermediários, dos lobistas de setores da indústria, do comércio, dos bancos, das empresas, de segmentos religiosos e até de times de futebol.
Sai de cena a bancada do povo para entrarem as bancadas ruralista, evangélica, da bola, do bingo e outras mais.

E é aí que surge a pergunta: em que ponto a criatura se virou contra seu criador? Em que momento de nossa história, partidos políticos tão necessários à democracia, se distanciaram dos anseios populares? Em que ponto o deputado passou a valer mais do que quem o elegeu e começou a promover uma vergonhosa dança das cadeiras, de acordo com interesses que garantissem sua reeleição ad infinitum, se transformando em político profissional, até que um escândalo o empurre a uma renúncia e a renúncia a uma polpuda aposentadoria.

Mas o gigante acordou e grita: "Se vão importar médicos de Cuba para melhorar a saúde, então que importem políticos suecos para acabar com a corrupção."

Protestar é preciso, para que viver seja possível.

Calados, nunca mais! "Direita? Esquerda? Não. Nós queremos é ir pra frente!


O Gigante Acordou - Hino da Revolução dos Vinte Centavos




Esse gigante acordou, mas levantar assim não é de uma hora para outra; alguns já estão fazendo barulho a muito tempo para ver se o gigante levanta... um deles é o Luciano Pires, do PodCast Café Brasil, Ele apareceu a uns 7 anos com o Melô do Pocotó, onde um burrinho dançava de forma ridícula e jogava na cara do "Gigante" que um país onde a televisão fica o domingo todo dançando eguinha pocotó tem a educação, saúde e políticos que merecem... Esses são trechos dos últimos PodCasts sobre as manifestações, além de um artigo dizendo de onde vem esses gritos... mais detalhes em:
http://www.lucianopires.com.br/
http://www.portalcafebrasil.com.br






357 - Nunca serão


Download do programa 26 MB
Bom dia, boa tarde, boa noite. E ai? Já foi pra rua? Fez a sua parte? Fez o seu cartaz? Teve a sensação de participar de um movimento cívico? Ou ainda está desconfiado? Bem...eu to. Eu to muito desconfiado. Por um lado, feliz com a movimentação, com o fim da pasmaceira. Por outro preocupado com o que vem pela frente. No programa de hoje vamos tentar entender o que é que anda acontecendo com o grito das ruas.
Pra começar, outra frase de Mahatma Gandhi:
Temos de nos tornar a mudança que queremos ver.

a Izabela, que comentou assim o programa SOLTO NAS RUAS: 
“Luciano, boa tarde. Confesso que fiquei meio desapontada com seu texto.
Em 1977 você escreveu: "Se não houver a participação agora da classe considerada “pensante” (e portanto “perigosa”) na resolução dos problemas nacionais, não como causadora (como se quer fazer parecer), mas como apresentadora de possíveis soluções, como esperar que mais tarde aqueles que hoje são impedidos de se manifestar e, portanto, de errar e acertar, possam resolver outros problemas, quiçá mais complicados?"
Confesso que fiquei desapontada porque...você não fez isso...tenho buscado, tenho lido...e poucos têm feito isso! Poucos têm apresentado soluções. O que é normal, já que a realidade é complexa, está em constante transformação e não dá pra olhar pra o presente com o olhar e a lente do passado.
É preciso atualizar e o ritmo está tão acelerado que ninguém dá conta de responder prontamente a ele. É normal, e seria leviano e pretensioso sair apontando soluções.
Mas eu, como parte dessa geração, me sinto cobrada, inclusive por você, quando fala que se orgulha "de ter, de alguma forma, ajudado a fazer a história do Brasil. Agora é a sua vez."
Me sinto cobrada e sem amparo, sem o amparo que você mesmo viu necessário quando viveu sua vez. Temos recebido críticas, temos sido chamados de vazios, baderneiros, inconstantes, massa de manobra.
O que não temos recebido é cuidado, dessa massa pensante.
Passaram o bastão e estão pagando pra ver. Procurei pelos meus referenciais, mas estou quase pensando como na música:
"Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal..."
Eu gosto muito dos seus textos, te tenho como referencial, e isso não mudou. Mas eu e minha geração precisamos de algo mais do que ouvir que é nossa vez. A gente já sabe! Com respeito, que sempre tive por você.
Obrigada.”
Izabela, neste momento, o máximo que posso dar é alguns conselhos, mesmo assim com o pé atrás. Ainda não consegui entender direito o que está acontecendo. É claro que os indícios superficiais a gente conhece, mas há muito mais por trás dessa movimentação toda do que podemos saber. Como eu disse no programa passado, neste momento, prudência me parece ser o melhor conselho. Não por conservadorismo, por medo ou por falta de iniciativa. É por inteligência mesmo.
Povo novo
Tom Zé
"A minha dor está na rua
Ainda crua
Em ato um tanto beato, mas
Calar a boca, nunca mais!
O povo novo quer muito mais
Do que desfile pela paz
Mas
Quer muito mais
Quero gritar na
Próxima esquina
Olha a menina
O que gritar ah, o
Olha menino, que a direita
Já se azeita,
Querendo entrar na receita, mas
De gororoba, nunca mais
Já me deu azia, me deu gastura
Essa politicaradura
Dura,
Que rapa-dura!"
Olha só o Tom Zé, com sua POVO NOVO, que acaba de ser lançada... O povo quer muito mais que passeata pela paz...
Muito bem. Depois de 15 ou 20 dias de protestos nas ruas já é possível começar a fazer algumas avaliações. Vejamos o que disse o ex-governador do Rio de Janeiro Cesar Maia:
“As eleições de 2012 mostraram números recordes de não voto (abstenção + brancos + nulos), algo em torno de 35% pelo Brasil todo, num crescimento de uns 10 pontos sobre os últimos anos. Era certamente um sinal. No Rio, apenas 14% dos jovens entre 16 e 18 anos com direito a voto se inscreveram para votar. Era outro sinal.
O governo federal - desde Lula - entendeu como ‘paz social’ cooptar os movimentos sociais (sindicatos, associações, UNE, ONGs e até intelectuais) com generosos - digamos - subsídios. O governo federal resolveu comprar partidos e políticos ideologicamente conflitantes e transformar o Congresso num departamento do executivo ao qual chamou de base aliada. Apoiou e contratou um partido novo (PSD) para minimizar a oposição. Mensalões se espalharam. Externalidade de riqueza de políticos idem. Os respiradouros institucionais de opinião pública foram obstruídos. Era outro sinal.
A onda de desqualificação do setor público e exaltação do setor privado como cogestor dos governos, com consultores substituindo governantes, privatizações, terceirizações, construíram um ambiente autoritário em nome da técnica e da modernidade, reprimindo as manifestações das corporações de servidores. Era outro sinal.
A ideia que o povo era o problema e que os governos deveriam reprimir hábitos e substituir a prevenção pela repressão - apelidando de choques de tudo -, da urina à exponenciação dos “pardais” de trânsito, foi criando uma sensação de sufoco. Era outro sinal.
O uso e abuso da publicidade pelos governos com gastos bilionários foram gerando a certeza que se tratava tudo de uma fraude, tentando iludir as pessoas. O que se mostrava não correspondia à realidade. Era outro sinal.
A blindagem dos governos que a imprensa - especialmente no Rio - fazia, destacando números e fatos positivos e omitindo tantos outros, sem equilíbrio entre os apologistas e os críticos, apontou na mesma direção de divergência entre a opinião publicada e a opinião pública. Isso foi se esgotando. Era outro sinal.
Sem canalização institucional, tudo isso foi sendo canalizado para as redes sociais. A vaia em Dilma na abertura da Copa das Confederações foi o primeiro ato. O aumento no preço das passagens de ônibus foi a gota d´água. No Rio, a coincidência com a proibição de vans na zona sul no mesmo momento do aumento, foi uma imprudência. Era outro sinal que a reação não seria uma procissão.
A leitura dos dados econômicos por especialistas e pela imprensa não percebe o mundo fora dos mercados. Por exemplo: O IBGE apresenta taxa de desOcupação e não de desEmprego. O subemprego e o emprego precário nas tabelas do IBGE somados aos 5,8% de taxa de desocupação, somam 26% de - aí sim - desemprego.
Jovens são a maioria nas redes sociais. Mas eles têm pais, professores, parentes, amigos, colegas e chefes de trabalho... Jovens são a grande maioria nas ruas, não porque sejam a grande maioria dos Indignados, mas pela característica, até natural, de energia e ousadia. Quem traduzir como movimento jovem apenas, vai se iludir.”
Chega ( Não é pelos 20 centavos)
Seu Jorge
Gabriel Moura
Pretinho da Serrinha
"Chega"
Chega de impunidade,
Chega de desigualdade,
Chega, todo mundo tá chegando,
Não é pelos 20 centavos que estamos lutando.
Chega de não ter casa pra morar,
Chega de não ter grana pra pagar,
O povo não está brincando,
Não é pelos 20 centavos que estamos lutando.
Chega, todo vai pra rua,
Você vai ficar na sua,
É uma falta de respeito,
Canta forte pelos seus diretos.
Brasil, tá na sua hora.
Brasil, tem que ser agora.
Não é pelos 20 centavos que estamos lutando.
Brasil, pinta sua cara.
Brasil, é uma chance rara.
Não é pelos 20 centavos que estamos lutando.
Chega todo mundo quer saúde.
Chega vamos mudar de atitude.
Não estamos aguentando.
Não é pelos 20 centavos que estamos lutando.
Chega de violência
Chega de vandalismo
É pela paz no país que estamos marchando.
Chega, precisamos de escola.
Não vivemos só de bola.
É o povo brasileiro que sustenta o país inteiro.
Brasil, tá na sua hora.
Brasil, tem que ser agora.
Não é pelos 20 centavos que estamos lutando.
Brasil, pinta sua cara.
Brasil, é uma chance rara.
Não é pelos 20 centavos que estamos lutando.
Você está muito enganado se é isso que está pensando.
Chega de blah...blah...blah....Chega...blah...bla­h...blah
Que bom ouvir o pessoal gritando CHEGA! Você está ouvindo, CHEGA (NÃO É PELOS 20 CENTAVOS), de e com Seu Jorge, Gabriel Moura e Pretinho da Serrinha. Que tal?
O sociólogo espanhol, Manuel Castells também falou sobre os protestos que tomaram as principais cidades do Brasil. Ouça:
“Todos estes movimentos, como todos os movimentos sociais na história, são principalmente emocionais, não são pontualmente indicativos. Em São Paulo, não é sobre o transporte. Em algum momento, há um fato que traz à tona uma indignação maior. O fato provoca a indignação e então, ao sentirem a possibilidade de estarem juntos, ao sentirem que muitos que pensam o mesmo fora do quadro institucional, surge a esperança de fazer algo diferente. O quê, hein? Não se sabe, mas seguramente não é o que está aí.
Porque, fundamentalmente, os cidadãos do mundo não se sentem representados pelas instituições democráticas. Não é a velha história da democracia real, não. Eles são contra esta precisa prática democrática em que a classe política se apropria da representação, não presta contas em nenhum momento e justifica qualquer coisa em função dos interesses que servem ao Estado e à classe política, ou seja, os interesses econômicos, tecnológicos e culturais. Eles não respeitam os cidadãos. É esta a manifestação. É isso que os cidadãos sentem e pensam: que eles não são respeitados.
O que muda atualmente é que os cidadãos têm um instrumento próprio de informação, auto organização e automobilização que não existia. Antes, se estavam descontentes, a única coisa que podiam fazer era ir diretamente para uma manifestação de massa organizada por partidos e sindicatos, que logo negociavam em nome das pessoas. Mas, agora, a capacidade de auto-organização é espontânea. Isso é novo e isso são as redes sociais. E o virtual sempre acaba no espaço público. Essa é a novidade. Sem depender das organizações, a sociedade tem a capacidade de se organizar, debater e intervir no espaço público.
Nunca serão
Gabriel O Pensador
Eu caminhava no meu Rio de Janeiro quando alguém me parou e falou:
"Aê parceiro, me dá tua mão que eu quero ver se tá com cheiro
Porque eu sou um cara honesto e detesto maconheiro"
Eu tinha acabado de sair do banheiro e dei a mão pra ele cheirar
Mas foi uma cena bisonha
Ele cheirou a minha mão por um tempo e eu disse:
Espera, tu não é o Capitão Nascimento?
Que vergonha, meu capitão
Procurando maconha no calçadão
Qual é a tua missão?
Eu vi teu filme mas não me leva a mal
Não me tortura assim não que eu sou um cara legal
Em certas coisas eu concordo contigo
Mas não é assim que você vai achar os grandes bandidos
Esse país tá fodido
Ele falou: 'Eu sei disso
Quando eu entrei na PM, eu assumi um compromisso, eu luto pela justiça'
Eu também
Sem justiça não tem paz e sem paz eu sou refém
A injustiça é cega e a justiça enxerga bem
Mas só quando convém
A lei é do mais forte, no Bope ou na Febem
Na boca ou no Supremo
Que justiça a gente tem, que justiça nós queremos?
Os corruptos cassados?
Nunca serão!
Cidadãos bem informados?
Nunca serão!
Hospitais bem equipados?
Nunca serão! Nunca serão!! Nunca serão!!!
Os impostos bem usados?
Nunca serão!
Os menores educados?
Nunca serão!
Todos alfabetizados?
Nunca serão! Nunca serão!! Nunca serão!!!
Capitão, não sei se você soube dessa história
Que rolou num povoado peruano se não me falha a memória
Um político foi morto pelo povo
Um corrupto linchado por um povo que cansou de desrespeito
E resolveu fazer justiça desse jeito
Foi um linchamento, foi um mau exemplo
Foi um mau exemplo mas não deixa de ser um exemplo
Eu sou contra a violência mas aqui a gente peca por excesso de paciência
Com o "rouba mas faz" dos verdadeiros marginais
Chamados de "doutor" e "vossa excelência"
Cujos nomes não preciso dizer
A imprensa publica, mas tudo indica que a justiça não lê
Diz que é cega, mas o lado dos colegas ela sempre vê
Capitão, isso é um serviço pra você!
Deputado! Pede pra sair!
Pede pra sair, deputado!
Sabe o que você é? Um muleque, é isso que você é
Senador, pede pra sair!
(Desisto!)
Mais alto senador!
(Desisto!)
Vagabundo, cadê o dinheiro que você desviou dessa obra aqui?
(Eu não sei não!)
Fala, Vossa Excelência, é melhor falar!
(Eu não sei!)
Cadê a verba da merenda que sumiu?
02, o corrupto não quer falar não! Pode pegar o cabo de vassoura!
(Tá bom, eu vou falar, eu vou falar!)
Os corruptos cassados?
Nunca serão!
Cidadãos bem informados?
Nunca serão!
Hospitais bem equipados?
Nunca serão! Nunca serão!! Nunca serão!!!
Os impostos bem usados?
Nunca serão!
Os menores educados?
Nunca serão!
Todos alfabetizados?
Nunca serão! Nunca serão!! Nunca serão!!!
Conversei com o Nascimento que não pensa como eu penso mas pensando nós chegamos num consenso
Nós somos vítimas da violência estúpida que afeta todo mundo, menos esses vagabundos lá da cúpula corrupta hipócrita e nojenta
Que alimenta a desigualdade e da desigualdade se alimenta
Mantendo essa política perversa
Que joga preto contra branco, pobre contra rico e vice-versa
Pra eles isso é jogo, esse é o jogo
Se morre mais um assaltante ou mais um assaltado, tanto faz
Pra eles não importa, gente viva ou gente morta
É tudo a mesma merda
Os velhos nas portas dos hospitais, as crianças mendigando nos sinais
Pra eles nós somos todos iguais
Operários, empresários e presidiários e policiais
Nós somos os otários ideiais
Enquanto a gente sua e morre
Só os bandidos de gravata seguem faturando e descansando em paz
Enquanto esses covardes continuam livres, nós só temos grades
Liberdade já não temos mais!
Nunca serão!
Nunca serão!
Nunca serão! Nunca serão !! Nunca serão !!!
Nunca serão!
Nunca serão!
Nunca serão! Nunca serão !! Nunca serão !!!

Boa 06, também atirando com o meu fuzil fica fácil, né?
Caveira!
Uau, Gabriel o Pensador, com NUNCA SERÃO... A minha esperança, cara, é que depois dessa aqui, um dia serão...
Perplexidade. É esse o termo: perplexidade. Passei por algumas das mais importantes manifestações populares deste país, do movimento estudantil de 1977 às Diretas Já e depois o Fora Collor. E eu nunca vi nada igual. Algumas reflexões:
1.A emoção dos que estão nas ruas em busca de um país melhor. Não há o que pague ver o entusiasmo de meu filho mostrando as fotos do protesto, contando da emoção de ver pessoas sinceramente em busca de um país melhor. Do alívio de finalmente soltar o grito! Se não houver nenhum outro mérito na sucessão de protestos, esse amadurecimento político da garotada já terá valido a pena.
2. Me lembro de uma frase de Washington Olivetto que cabe como uma luva neste momento: “Se ninguém se incomoda, todo mundo acha que está tudo correto, tudo certinho, a chance de não acontecer nada é muito grande.”  Esse tem sido o papel do governo: insistentemente nos lembrar que está tudo bem. Mas não está. E uma hora a paciência acaba. Parabéns a você que levou seu grito legítimo às ruas.
3. A presença dos vândalos. De cada 10 manifestações, 8 acabam em vandalismo. Isso coloca por terra a explicação de que “são exceções, são minorias”. Podem ser minorias entre os que vão às ruas, mas estão longe de ser exceções. O vandalismo é coisa de bandidos ou de gente interessada em radicalizar as manifestações. Qualquer que seja a intenção, a resposta tem que estar na ponta de um cassetete. Não existe argumento que justifique incendiar uma concessionária, um ônibus, uma banca de jornal. Isso é coisa de bárbaros, que só entendem a linguagem da porrada. Rezo diariamente para a polícia perder o medo da imprensa e baixar o cassetete nos vândalos.
4. A perplexidade dos políticos, do governo. Atarantados. Desapareceram. E só quem aparece é Dilma Roussef para dizer que está ouvindo o grito das ruas e oferecer como solução um programa requentado do PT publicado em 2007 e que faz parte de sua estratégia para manter-se indefinidamente no poder. Lula desapareceu. E a bagunça é tão grande que o porta voz do governo passa a ser Aloizio Mercadante, o Ministro da Educação com seu lero lero costumeiro. A única coisa que o governo mantém é a pose. Infelizmente pose não resolve crises.
5. Nada como um bafo na nuca, não é? O Executivo, o Legislativo e o Judiciário já fizeram em uma semana mais do que em dez anos. A classe média nas ruas despertou o senso de urgência e melhor ainda, destruiu a sensação de onipotência, de impunidade dos políticos. Pensarão duas vezes antes de defender os absurdos costumeiros. E olha que os pobres ainda não saíram às ruas...
Então... estamos vivendo um momento histórico. Eu fiquei preso em congestionamentos, tive que mudar minha rotina e acho que haverá um prejuízo imenso ao Brasil por conta das manifestações. Mas eu já pensei bastante sobre o tema e acho que não havia outra forma. Tudo que aconteceu nos últimos dias foi necessário. Era o choque que faltava para o grito de BASTA ser ouvido. E repito o que eu disse no programa anterior:Já mostramos que queremos mudanças, acuamos os políticos. Agora é hora de usar a inteligência, cirurgicamente, atingindo quem tem a responsabilidade de fazer e não faz. A caminho de um novo Brasil.
Espero que melhor...
Brasil em cartaz
Thiago Corrêa
Saí do Facebook para mostrar como se faz
Tem tanta coisa que não cabe em um cartaz
O Brasil era um país muito engraçado, não tinha escola, só tinha estádio
Ninguém podia protestar não, porque a PM sentava a mão
O Brasil é o país do futebol porque o futebol não se aprende na escola
Mas agora colocaram Mentos na geração Coca-Cola
E olha só, que coincidência, não tem polícia não tem violência
O transporte público é pior que a Tim
Me chama de Copa e investe em mim
Vem pra rua, vem comigo
Mas seu guarda, seja meu amigo
A bomba sobe, a gente abaixa
Me manda um Halls, odeio bala de borracha
'The jiripoca is going to pew pew'
Queremos formatar o Brasil
É uma vergonha, a passagem está mais cara que a maconha
Então é assim, ao som de BRASIL EM CARTAZ, que o músico Thiago Corrêa fez com os dizeres dos cartazes das manifestações, que este Café Brasil ainda perplexo vai saindo de mansinho.
Com o manifestante Lalá Moreira na técnica, a agitadora Ciça Camargo na produção e eu, o sempre perplexo Luciano Pires, na direção e apresentação.
Estiveram conosco a ouvinte Izabela, Tom Zé, Gabriel o Pensador, Thiago Corrêa, Seu Jorge, Gabriel Moura e Pretinho da Serrinha.
O Café Brasil chega até você com o suporte do Auditório Ibirapuera, um lugar planejado para receber todos os tipos de ideias e manifestações relacionadas á cultura, mas que no fundo tratam de como vemos e queremos nosso país. Visite www.facebook.com/auditorioibirapuera, dê uma olhada na programação e vá até lá. Você tem que conhecer!
E para terminar, uma frase dela:
A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada. E ela não pode ser confundida com o barulho e a truculência de alguns arruaceiros.









356 - Solto nas ruas








Download do programa 26 MB
Bom dia, boa tarde, boa noite! Meu, o bicho tá pegando! A estudantada foi às ruas e o povo foi atrás, em manifestações que explodem por todo o país! OU   será que o povo está acordando? Ou será que é tudo mais uma grande manipulação com interesses políticos - eleitorais, como aquelas que fazem parte da história do Brasil? Eu acho que só o tempo dirá, mas to adorando ver que a turma seguiu aquele conselho do Lula: tirem a bunda da poltrona! O programa de hoje vai nessa linha.
Pra começar uma frase do ex presidente norte americano Abraham Lincoln:
Pode-se enganar a todos por algum tempo pode-se enganar alguns por todo o tempo mas não se pode enganar a todos todo o tempo.
 
E o exemplar de meu livro NÓIS...QUI INVERTEMO AS COISA, mais o kit especial DKT vai para... para... Zuleide Giraldi, que comentou assim o programa Maioridade Penal 2:
“Então, Luciano... Concordo que a gente tem que exigir o que é dever do estado. Mas como estariam as coisas se o que existe hoje no papel estivesse sendo cumprido? Se crianças e adolescentes tivessem o atendimento estabelecido em lei, se as penitenciárias tivessem a lotação máxima respeitada, se os menores infratores fossem submetidos às medidas sócio educativas desde as menores infrações e não apenas quando o pepino já está torto demais... enfim. Se o que está escrito hoje, nas leis e na própria constituição, estivesse valendo na prática. Será que estaríamos discutindo a redução da maioridade? Eu penso que não. Por isso, não acredito em nenhuma mudança de lei, que não passe pelo cumprimento das outras que continuarão a ser necessárias. (...)
Um jovem que estava pichando o muro da escola na madrugada, na região de Curitiba, ficou a noite toda na sala do delegado e pela manhã, pra não ser "fichado", teve que pintar o muro da escola. Detalhe: na hora da entrada pro colégio, pra que os amigos dele vissem. Não sei se vai resolver pra esse jovem, mas eu achei ótima a ideia! Uma verdadeira medida sócio educativa! Mas leva tempo e dá trabalho (o policial teve que voltar na escola com o jovem, o delegado gastou um tempo no sermão e deve ter comprado a tinta com o próprio bolso). Não dá pra deixar as questões práticas de lado na discussão. Reduzir a maioridade sem garantir a efetivação das medidas, é aumentar o tamanho do castigo e ficar só na ameaça. Vale enquanto eles têm medo. Mas se a impunidade continua, o medo acaba.”
Pois é Zuleide, fazer valer as leis que já existem! Se fosse assim, nem teríamos que estar discutindo uma porção de assuntos que estão nas primeiras páginas, não é? Esse é o grande nó do Brasil: somos incapazes de cumprir o que dizemos que temos que fazer. O exemplo que você deu no final, do garoto pintando o muro na frente de todo mundo é genial! E eu também tenho certeza que o delegado pagou a tinta e o pincel do bolso dele... Esse é o Brasil que tem que mudar.
Então...o Brasil está em ebulição. Tenho sido cobrado para manifestar minha opinião sobre o movimento, mas me recusei a escrever qualquer coisa antes de entender o que se passa. E eu não entendi ainda. Por todo lado vejo gente que tenta explicar, quebrando a cara. De um lado deslumbrados neo marxistas, de outro enraivecidos ultra conservadores, no meio os...digamos...os sonháticos... Todo mundo quebrando a cara. Então, pra não falar besteira, preferi observar.
Moda da revolução
Cornélio Pires
Arlindo Santana
A revolta aqui em são paulo
Para mim já não foi bão
Pela notícia que corre
Os revoltoso tem razão
Eu estou me referindo,
A essa nossa situação
Se os revoltoso ganhar
Aí eu pulo e rolo no chão
Quando cheguei em são paulo
O que cortou meu coração
Eu vi a a bandeira de guerra
Lá na torre da estação
Encontrava gente morto
Por meio dos quarteirão
Dava pena e dava dó,
Ai era só judiação
Na hora que nós seguimos,
Perseguindo o batalhão
Saimo por baixo de bala,
Sem ter aliviação
E a gente ali deitado
Sem deixar levantar do chão
De bomba lá de são paulo,
Ai roncava que nem trovão
Zidoro se arretirou
Lá pro centro do sertão
Potiguara acompanhou
Ai prá fazer a traição
Zidoro mandou um presente
Que foi feito por sua mão
Acabaram com potiguara
E acabou-se o valentão
Nós tinha um 42
Que atirava noite e dia
Cada tiro que ele dava
Era mineiro que caía
E tinha um metralhador
Que encangaiava com pontaria
Os mineiro com os baiano
Ai c´os paulista não podia
Que tal a MODA DA REVOLUÇÃO, de Cornélio Pires e Arlindo Santana com Mineiro e Manduzinho? Olha só, esta deve ter sido composta em 1924...
Muito bem. Tenho uma regra de ouro: sempre espero a poeira assentar antes de tirar conclusões sobre os grandes acontecimentos, pois a verdade desaparece sob as cortinas de fumaça e o ruído das ruas. Além disso, centenas de textos são escritos a respeito e eu acabo me sentindo mais um, repisando argumentos que já estão espalhados aos quatro ventos. Mas estão me perguntando o que acho, então vamos lá vai, escolhi um texto que diz exatamente o que penso. É um Editorial do Jornal Análise. No final dou a dica sobre esse jornal. Aqui vão os principais trechos.
“Antes de tudo, há que se questionar a validade ou não do movimento em si, tomando por base suas reivindicações e seu significado, assim como o momento em que surge. (...)
A inquietação das autoridades perante os acontecimentos, demonstrada pela inabilidade com que foram ou são tratados alguns problemas (vide as bombas desnecessárias, ou a proibição em péssima hora das manifestações públicas, assim como a violência adotada – violência negada pelas autoridades – para “deter” os estudantes, etc), é facilmente compreensível. Afinal de contas, quantas vezes houve uma contestação de tal vulto desde os idos de 68? Como aceitar passivamente o risco de uma mobilização popular de consequências imprevisíveis? Como resolver esse problema?
Se levarmos em consideração que o diálogo foi transformado em monólogo, que as vias burocráticas já provaram e comprovaram sua ineficácia (...), veremos que é plenamente justificável a saída às ruas, as concentrações estudantis e populares, como forma de expressar a inquietação popular relativa aos problemas que afligem a nação.
Se não houver a participação agora da classe considerada “pensante” (e portanto “perigosa”) na resolução dos problemas nacionais, não como causadora (como se quer fazer parecer), mas como apresentadora de possíveis soluções, como esperar que mais tarde  aqueles que hoje são impedidos de se manifestar e portanto, de errar e acertar, possam resolver outros problemas, quiçá mais complicados?
São constantes os apelos das autoridades, alertando sobre a infiltração, ou infiltrações no movimento. Não negamos que existam infiltrações de esquerda ou direita, ou mesmo de agitadores em potencial...
Onde não existe? Qual a manifestação popular em que não existe infiltração?
Deve-se deixar claro que, se as infiltrações existem, estas apenas subsistirão se houver condições para tanto, o que, neste caso, não corresponde à realidade. Pelo contrário. É fácil perceber a disposição das lideranças em não permitir a agitação, a conturbação, a inversão de valores, a descambada do movimento para a esquerda ou a direita.
Mas se a desmoralização do movimento não está conseguindo bons resultados, menos ainda está conseguindo a repressão. Será que os responsáveis pela violência contra os estudantes não percebem que os estão transformando em heróis? (...) Será que não percebem para onde está convergindo a opinião pública? Será que não veem a hostilidade com que o aparelho repressivo é recebido pelo povo, mesmo em campos de futebol? Será que não veem que seus próprios filhos podem estar (se não estão ainda) participando da movimentação?
Por isso, e depois de analisar as posições, é que nós (...) estaremos ao lado do movimento enquanto demonstrar maturidade e firmeza de propósito.
Conservamos, porém, a integridade e liberdade de transformar nossa posição de apoio em ferrenho antagonismo diante de qualquer tendência do movimento em deixar a bandeira das liberdades democráticas, da volta ao estado de direito, optando por objetivos tendenciosos, assim como radicalismos e violências, que não coadunam com o espírito estudantil e com as formas de expressão utilizadas até o momento.
Resta-nos, finalmente, trabalhar para que toda essa movimentação atinja seus objetivos, deixando como saldo a ressurreição de uma classe.”
Eu quero é botar meu bloco na rua
Sérgio Sampaio
Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender
Ah...que clássico! EU QUERO É BOTAR MEU BLOCO NA RUA, de e com o Sérgio Sampaio. Meu, já passou da hora de receber um Café Brasil só pra ele...
Então, o texto que eu li é um tanto óbvio, repetindo vários argumentos que temos ouvido e lido por todo lado, não é? Pois é. Mas agora vem a surpresa: o texto que acabo de ler foi escrito por mim mesmo, Luciano Pires, como editorial do Jornal Análise, do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Mackenzie, em Maio de 1977! É, você ouviu certo, 1977! Quando explodia o movimento estudantil que levou milhares de estudantes às ruas com reivindicações de caráter político, como a defesa das liberdades democráticas, o fim das prisões e torturas e a anistia ampla, geral e irrestrita. Aquele movimento, em plenos anos de chumbo, se tornou a grande mobilização inicial do processo de redemocratização do Brasil. Ele abriu caminho para os metalúrgicos do ABC, que iniciaram as grandes greves, angariando a simpatia popular que espalhou pelo país o grito de mudança. Foi nessa época que surgiu um barbudo grosso e nervoso chamado Lula...
Pois é. Eu era o editor do Jornal Análise e estava lá, no olho do furacão, gritando palavras de ordem contra o Coronel Erasmo Dias...
Você prestou atenção no texto? Pensou que tinha sido escrito a semana passada e não quase 40 anos atrás, não é? Pois é. Continuo assinando embaixo do que escrevi quando tinha 21 anos de idade: a energia da moçada me fascina, tem mesmo é que ir às ruas, mas largou a bandeira das liberdades democráticas e partiu para o radicalismo e a violência, to fora!
Minha experiência de 1977 se deu sob uma ditadura. Eram tempos sombrios, sabíamos que as consequências de expressar nas ruas o que verdadeiramente sentíamos, poderiam ser muito sérias. E havia motivo de sobra para odiarmos os “agentes da repressão”. No entanto... não quebramos bancas de jornal. Não incendiamos ônibus. Nossa energia estava canalizada para combater a repressão. E me lembro perfeitamente do cuidado que tínhamos em não deixar que alguns malucos se passassem por estudantes e radicalizassem Era quase uma obsessão e com razão. Estávamos rodeados de gente interessada em usar os estudantes como bucha de canhão... Me orgulho do barulho que fizemos e de ter, de alguma forma, participado de um pouco da história do Brasil.
Hoje vivemos sob uma democracia. A garotada de 1977 está no comando. Os que tomaram borrachada nas ruas estão no poder, são eles os políticos, os donos de empresas, os empresários, os advogados, os que estão de boca aberta com a força das manifestações atuais. São eles os que fazem as promessas não cumpridas.
O Brasil se transformou numa panela de pressão. Todo mundo está de saco cheio com a imagem de um país de corruptos, incompetentes, ladrões e miseráveis explorados. O governo aposta suas fichas no que um dia foi “luta de classes”, mas que hoje não passa do surrado “dividir para conquistar”. Por outro lado, um discurso triunfalista e nacionalista bocó é utilizado à exaustão, com a copa do mundo sendo o cúmulo da atitude populista que quer fazer com que nos achemos os maiores do mundo, enquanto coisas básicas como educação, saúde e infra estrutura permanecem a miséria que conhecemos.
Mimimi aqui, mimimi ali, mas o povo feliz com o preço da TV LCD 3D de 55 polegadas que não parava de cair. Até que o preço da carne, do pão e do leite começa a subir. É impossível entrar num supermercado sem se escandalizar. Não dá para comer a TV. E a Presidente e o Ministro só repetem: está tudo sob controle! Tá tudo sob controle! Impunidade. Incompetência. Arrogância... Pronto! Chegamos ao ponto em que faltam 20 centavos para corda arrebentar.
A indignação popular com os desmandos, a incompetência, a desonestidade, a corrupção e o descaso dos políticos, nunca teve força para reunir mais que 3000 manifestantes em protestos que se desfaziam em minutos. Eu sei. Participei de pelo menos quatro passeatas ou atos contra os desmandos e a corrupção, só para ver acontecer... nada.
Ah, sim, e tem a imprensa. Que quer saaangueeee....
Faltavam ao menos dois elementos: um objetivo palpável, de alto alcance popular, que não fosse algo difuso como “abaixo a corrupção”. Vinte centavos, por exemplo...
E faltava um claro inimigo comum. A polícia se encarregou disso. Vamos todos às ruas contra a repressão do estado.
Vinte centavos mais o estado repressor. Isso eu compreendo. Isso me indigna. Pronto. Jovens, velhos, ricos, pobres e bebês e cachorros nas ruas.
Pois é... os partidos políticos perderam o bonde da história. Mas...será? Essa mobilização toda nasceu em meio à militância dos PSOL e PSTUs da vida, radicais anacrônicos que pregam ideias do século 19.
Não se engane: eles estão maravilhados com a repercussão e antenados para conduzir as manifestações na direção de seus objetivos. Não deixe!
Acessando as páginas das redes sociais que fazem a crônica do movimento, é possível ver críticas à Dilma, Lula, Haddad, Alckmin, Rede Globo, Estadão, Record, Folha de São Paulo, Felipão, Copa do Mundo, Roberto Carlos, MC Anitta e Madre Teresa de Calcutá. Os vinte centavos ficaram para trás. O movimento é outro. É o “chega de bandalheira”!
Que bom! Dia 17 de Junho de 2013, com manifestações por todo o país, com as bandeiras de partidos políticos sendo impedidas, vai entrar na história. O movimento conseguiu o que queria: mostrou sua força e tem toda a visibilidade do mundo. Botou os políticos na parede. E eu acredito sinceramente que a imensa maioria das pessoas que estão nas ruas quer protestar, não quer vandalizar. Pois agora é hora de usar Inteligência.
Foco. Agir como sombra dos políticos. Organizadamente e sem violência, ocupar as galerias das Câmaras de Deputados e de Vereadores durante as sessões abertas ao público. E se as sessões forem fechadas, que as manifestações aconteçam do lado de fora. Ocupar a frente da Prefeitura e do Palácio do Governo. Sem quebrar vidros. Ocupar os espaços nos quais os políticos fazem seus discursos marqueteiros. Sem tacar pedras. Fazer um corredor de manifestantes entre a residência do político e seu local de trabalho. Sem agredir. Inundar os órgãos de imprensa com emails. Aliás, como a imprensa não dá destaque para protestos pacíficos, fazer as manifestações na frente das sedes dos jornais, rádios e emissoras de televisão. Sem incendiar os veículos. E especialmente, ser absolutamente intolerante com quem tentar descambar o protesto para a violência,para o quebra-quebra. O movimento precisa de uma milícia radical contra os radicais. A radicalização só serve a quem quer deixar as coisas como estão.
Ah, sim! E marchar para Brasília, não é? É muito confortável para eles assistir a movimentação pela televisão.
O mais difícil foi feito. Agora é hora de fazer o inteligente.
O som aí embaixo é o instrumental de COME TOGETHER dos Beatles...
Muito bem... Depois das batalhas campais de 1977, mudamos a história do Brasil duas vezes, com o Movimento diretas jaá e com os carapintadas, colocando centenas de milhares – se não milhões - de pessoas nas ruas de todo o país. Sem queimar ônibus, sem depredar. Sem sangue. Dá pra fazer de novo. É preciso que seja feito de novo. Começou a ser feito de novo. Mas tem que ser feito com inteligência, cirurgicamente, atingindo quem tem a responsabilidade de fazer e não faz. Você sabe quem são e onde eles estão.
Um leão está solto nas ruas
Rossini Pinto
Um leão está solto nas ruas
Foi descuido do seu domador
Sei que ele está faminto
Não come desde ontem
Preciso encontrar o meu amor
Um leão está solto nas ruas
Já faz um dia que ele fugiu
A turma está aflita
Pra vê-lo outra vez
Na jaula de onde ele saiu
Você, que está em casa, um conselho vou dar:
Feche as janelas, tranque bem o portão
Pois num dado momento sem ninguém esperar
Pode aparecer o tal leão, ha
Mas um leão está solto nas ruas
Calamidade igual nunca vi
Jamais terá problemas
De alimentação
Se ele encontra o meu broto por aí
Você, que está em casa, um conselho vou dar:
Feche as janelas, tranque bem o portão
Pois num dado momento sem ninguém esperar
Pode aparecer o tal leão, ha
Um leão está solto nas ruas
Calamidade igual nunca vi
Jamais terá problemas
De alimentação
Se ele encontra o meu broto por aí
Se ele encontra o meu broto por aí
Então é assim, ao som de UM LEÃO ESTÁ SOLTO NAS RUAS, na versão original que Roberto Carlos gravou em 1964, que este Café Brasil que vale mais que vinte centavos, vai saindo de mansinho.
Com o ativista Lalá Moreira na técnica, a revolucionária Ciça Camargo na produção e eu, que acho que nestes momentos a prudência é sinal de inteligência, Luciano Pires na direção e apresentação.
Estiveram conosco a ouvinte Zuleide Giraldi, Mineiro e Manduzinho, Rildo Hora, Sérgio Sampaio, um finalzinho da Rita Lee, Roberto Carlos e... Os Beatles!
E pra terminar, uma frase de Aristóteles:
As revoluções não concernem a pequenas questões, mas nascem de pequenas questões e põem em jogo grandes questões.






De onde virá o grito?

Em junho de 2007 publiquei um artigo que rodou a internet, especialmente depois que foi atribuído a Arnaldo Jabor, que mais tarde classificou meu texto como “gay”. Mas à luz dos acontecimentos recentes, acho que vale ler de novo:
Num texto anterior introduzi o conceito de “Ressentimentos Passivos”. Para relembrar, lá vai um trecho:


“Você também é mais um (ou uma) dos que preenchem seu tempo com ressentimentos passivos? Conhece gente assim? Pois é. O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Sabem do roubo do político e falam “que vergonha”. Vêem a  fila de aposentados ao sol e comentam “que absurdo”. Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem “que baixaria”. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram ”que medo”. E pronto!  Pois acho que precisamos de uma transição “nestepaíz”. Do ressentimento passivo à participação ativa.”

Pois recentemente estive em Recife e em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou.  Em Recife, naquele centro antigo, história por todos os lados. A cultura pernambucana explícita nos out-doors, nos eventos, vestimentas,  lojas de artesanato, livrarias. Mobilização cultural por todos os lados. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém. 
No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa. Abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra!

“Como a aurora precursora / do farol da divindade, / foi o vinte de setembro / o precursor da liberdade”



Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem. Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é “comunidade”. Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é... Foi então que me deu um estalo. Sabe onde é que os “ressentimentos passivos” se transformarão em participação ativa? De onde virá o grito de “basta” contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo. Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem “liga”. Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes.
Penso que o grito – quando vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa “liga”. A mesma que eu vi em Recife e em Porto Alegre. Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Ou talvez os Pernambucanos. Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo. 


Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles.

Pois vieram. Foi em Porto Alegre, em março de 2013 que começou a mobilização que explodiu em São Paulo e no Brasil em junho. Espero sinceramente que a época dos ressentidos passivos seja deixada para trás. Agora são ressentidos ativos que, se agirem com inteligência e responsabilidade, podem colocar o Brasil nos eixos.

Mas não vai ser mole.

Luciano Pires


E essa máscara do filme V de vingança? Porque ela virou febre. É um outro culpado por acordar o gigante... Desde 2004 que a idéia do grupo mascarado que representa o povo brasileiro sem liderança, sem querer levantar o nome de ninguém e sim melhorar o país. com planejamento inteligência e  ações bem arquitetadas.
http://www.anonymousbrasil.com/  




  https://www.facebook.com/anonymousbra...

Grupo de discussão Anonymous: https://www.facebook.com/groups/anony...



'Jamais achei que ele fosse atirar', diz repórter da Folha atingida durante protesto


DE SÃO PAULO 16/06/2013 - 20h00

O "TV Folha" deste domingo foi às ruas acompanhar as manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo.
A jornalista Giuliana Vallone, atingida no olho direito por uma bala de borracha disparada por um policial durante manifestação na quinta-feira passada relatou como foi atingida.
"Eles já tinham mirado em mim outras vezes. Jamais achei que ele fosse atirar", diz.


Além de Giuliana, outros 14 jornalistas foram atingidos por policiais enquanto realizavam a cobertura das manifestações --seis são da Folha.
Segundo o colunista Gilberto Dimenstein, a manifestação é uma resposta ao "vandalismo metropolitano". Para ele, a educação, a saúde e o transporte não funcionam como deveriam. "Com a polícia não poderia ser diferente".
Para o colunista Luiz Felipe Pondé, as manifestações estão revelando um "saudável hábito de reclamar das coisas" --processo esse, considerado lento e trabalhoso para o também colunista Contargo Calligaris, "porém é um projeto de melhoria econômica do país", afirma.
O vereador de São Paulo e ex-capitão da Rota Conte Lopes (PTB) defendeu a ação da polícia durante os protestos. Para ele, a Tropa de Choque "não foi feita para dialogar".
De acordo com o coronel da PM Reynaldo Simões Rossi, a atuação da PM não admite excesso de conduta de seus pares. "Não houve nenhum interesse em impedir a cobertura jornalística", alegou.







 
Outro instituto que nasceu antes dos protestos e que foi mais um grito pra tentar acordar o gigante é 
o Instituto País Melhor , um dos principais componentes é o Luiz Nobre, brasileiro naturalizado canadense que lá do Canadá fica criando vídeos que compara o Brasil com o Primeiro mundo tentando nos abrir os olhos...
http://www.paismelhor.com.br/

Sobre o Instituto

O Instituto País Melhor é uma instituição apartidária, sem fins lucrativos e não-governamental. Criada em dezembro de 2011, é destinada a ser mais uma ferramenta para o fortalecimento dos valores da liberdade, da democracia e da cidadania no Brasil. A denominação “Instituto” compõe parte de seu nome fantasia.
Difundir os valores da Liberdade, da Democracia e da Cidadania através de ativismo virtual e acadêmico. Promover o debate político e social no Brasil.
Se tornar uma instituição consolidada e de referência no Brasil nas próximas décadas.

Princípios, Objetivos e Atuação

1
PRINCÍPIOS
  • A liberdade individual.
    Não há sociedade saudável sem a valorização do indivíduo. O respeito às escolhas, à condição e à vontade individual é imprescindível para a dignidade humana. Acreditamos que não cabe ao Estado ou qualquer autoridade civil ou militar atropelar as liberdades individuais. O indivíduo não pode ser um meio para objetivos coletivos, mas sim a finalidade. Destacamos a liberdade de expressão, de religião e de associação algumas das mais importantes liberdades individuais. A liberdade econômica também é uma faceta importante da liberdade individual.
  • A liberdade econômica.
    Entendemos que a liberdade econômica é a garantia de que o indivíduo é o único dono do seu trabalho, e que portanto poderá usá-lo da maneira que achar conveniente, inclusive podendo fazer trocas voluntárias com os demais indivíduos de forma livre. Quando o Estado impõe demasiadas dificuldades para o trabalho, o comércio e a livre-iniciativa dos cidadãos, se projeta automaticamente um ambiente prejudicial para a prosperidade e toda a sociedade acaba empobrecendo. Defender a liberdade econômica significa compreender que as trocas comerciais livres e entre indivíduos foram, são e serão fundamentais para o progresso da humanidade. Aquele que rejeita a liberdade econômica recusa o fato de que o trabalho é, assim como o corpo, uma propriedade privada individual.
  • A democracia.
    A democracia é um dos conceitos mais debatidos e subjetivos dos últimos tempos. Entendemos que um regime democrático saudável do século XXI deve envolver amplo respeito às liberdades individuais, descentralização administrativa, transparência e consulta à população para os atos governamentais. Deve-se compreender que apenas o respeito às minorias é o que diferencia a democracia de uma tirania.
  • A cidadania.
    Todos os cidadãos devem gozar de igualdade jurídica sem distinção de qualquer natureza. A cidadania envolve não apenas equidade de direitos e deveres, como também a garantia de que todos os indivíduos tenham a consciência das normas jurídicas e do funcionamento do Estado. Onde houver alguém que não saiba dos seus direitos, haverá espaço para a construção da cidadania.
OBJETIVOS
  • A promoção das liberdades, da democracia e da cidadania.
    Nossos princípios merecem ser divulgados com veemência. Algumas instituições já se prezam na propagação das ideias da liberdade, da democracia e da cidadania, mas cada uma a sua maneira. O Instituto País Melhor busca reforçar esse grupo, sendo uma ponte entre o indivíduo comum e a reflexão sobre a importância desses conceitos. Artigos produzidos ou não por nós, entrevistas, vídeos, ou até mesmo indicações de livro são maneiras com as quais queremos reforçar a consciência política dos cidadãos.
  • A incitação do debate político e social no país.
    Não há ideias redondas e indiscutíveis, porque não há verdade absoluta. A capacidade de se questionar e debater incansavelmente visões e projetos para o país é o que alimenta a necessidade de se incitar um debate de forma contínua. Entrevistas ou outras iniciativas que visem o debate serão abraçadas pelo IPM e constituem um dos seus principais objetivos. Entendemos que o debate é, portanto, fundamental para o aperfeiçoamento de ideias e propostas.
  • A pesquisa e o desenvolvimento de soluções aos problemas do Brasil.
    Todos os países tem problemas, e com o Brasil não poderia ser diferente. Estudá-los, pesquisá-los e colaborar na construção de soluções aos problemas do nosso país é uma contribuição valiosa que este projeto também quer deixar como legado. Boas soluções não partem apenas do governo, mas também (e principalmente) da sociedade. Podemos ser uma ferramenta para aprimorar e divulgar novas ideias ao Brasil.
ATUAÇÃO
  • Produção de conteúdo próprio.
    O Instituto País Melhor não é uma instituição jornalística, muito embora possa, eventualmente, atuar como. Visa-se principalmente aqui, portanto, a produção de conteúdo próprio. Nosso time de colunistas e editores produzem artigos e entrevistas que procuram cumprir os objetivos supracitados. Também poderão ser criados vídeos, newsletters, podcasts ou qualquer outro material próprio para que se cumpra essa missão.
  • A constante sugestão de conteúdo.
    Se um dos objetivos do IPM é a promoção das liberdades, da democracia e da cidadania, jamais poderíamos nos restringir neste trabalho de conscientização política apenas ao nosso conteúdo. Por isso sempre quando possível sugerimos aos nossos leitores artigos, vídeos, livros ou outros materiais que julgarmos interessante.
  • Eventos, Seminários e Palestras.
    Para cumprir seus objetivos, o Instituto País Melhor poderá organizar, promover ou participar de eventos, seminários e palestras, seja apresentando a concepção e criação deste Instituto, ou ainda em mesas de debate sobre inúmeros temas.





 
 Boataria no Facebook  
No calor das manifestações que se sucedem no país e Região Metropolitana de Belo Horizonte nunca se viu tanto buzz de informação nas redes sociais. Como separar o joio do trigo?

Publicação: Jornal Estado de minas 27/06/2013 Repórteres Shirley Pacelli e Marlyana Tavares 
 

Do dia 24 até ontem, às 11h, pouco antes do fechamento deste caderno e da manifestação marcada para as 12h, na Praça Sete, as mensagens postadas nas páginas #bhnasruas e #acordabh impactaram 127,3 mil pessoas. Foi o que mostrou pesquisa feita, a pedido do caderno Informatic@, ao Grupo Máquina/Brandviewer, o mesmo que analisou os principais efeitos das ondas de protestos nas redes sociais entre os dias 19 e 21, quando as manifestações estavam quentes em São Paulo, Rio, Brasília e ainda engatinhando em Belo Horizonte. Segundo Leandro Bortolassi, editor de conteúdo da pesquisa do grupo, o estudo é feito por um robô de busca. A equipe lança os termos e o software procura em todas as redes sociais. Depois é feita a análise dos dados. A ferramenta faz monitoramento só de perfis públicos, logo há muitas outras menções que não entraram na conta.

A pesquisa mostrou ainda que 70,4% das mensagens estão no Twitter e 29,6% no Facebook, e que as cidades mais impactadas são, além de Belo Horizonte, Contagem, Ribeirão das Neves e Nova Lima, embora no mesmo dia tenham ocorrido passeatas em São João del-Rei e Montes Claros. Por esses números, dá para entender a proporção que tomaram as manifestações nas ruas de todo o Brasil, convocadas, reportadas e replicadas por voluntários que recorrem a ferramentas tecnológicas nas redes sociais como principal estratégia de informação.

Se as convocações são feitas pela internet em ritmo crescente, os boatos se espalham na mesma proporção e fica difícil separar ficção de realidade. O sumiço de postagens e avisos de segurança do Facebook enviados para usuários que participam das manifestações são vistos por eles como censura ou até indício de espionagem de conteúdos em perfis. Além disso, fatos duvidosos replicados velozmente confundem quem acompanha as manifestações, gerando até uma espécie de paranoia.

 
NO BRASIL
A pesquisa nacional mostrou que os protestos impactaram 94 milhões de brasileiros só nas redes sociais. O total é maior do que o número de internautas no Brasil – 77 milhões, porque entrou na contagem pessoas que foram impactadas várias vezes ao longo desses dias. As hashtags mais usadas foram #vemprarua e #ogiganteacordou. A ferramenta detectou que praticamente todo o país, com exceção de alguma áreas na região Norte.
Paranoia na rede  
Mensagens estranhas que circulam no Facebook fomentam teoria da caça às bruxas e alimentam boatos que vão desde espionagem de perfis até invasão de naves espaciais
Juarez Fernandes se diverte com os boatos que chegam em sua página no Facebook (Arquivo Pessoal)
Juarez Fernandes se diverte com os boatos que chegam em sua página no Facebook
 Nestes dias em que as manifestações se multiplicam nas ruas, somado ao anúncio oficial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre monitoramento na internet e às quedas de serviço do Facebook, não tardou a surgir a cultura da conspiração. Os temores têm até razão de ser, alimentados inclusive por recentes polêmicas envolvendo o governo norte-americano, acusado de espionar dados de milhões de usuários de redes como o Google e o Facebook, em um projeto chamado Prism.

No dia 21, o músico Luiz Gabriel Lopes recebeu em seu perfil no Facebook uma notificação de verificação de segurança com o título “Abranda”, escrito em português de Portugal. Vários amigos lhe contaram que também receberam a mensagem do site cujo sentido é “aja com cautela”. Além disso, Luiz Gabriel contou que eventos no site simplesmente sumiram e algumas pessoas tiveram dificuldade para postar (rede sobrecarregada?).

“Existe a suspeita de que esse aviso tem o objetivo de monitorar grupos de conversa, mas não tenho certeza. Recebi também opiniões contrárias falando que era antispam e que o Facebook estaria suando a camisa para dar conta do conteúdo que os brasileiros estão gerando nos últimos dias”, diz. Além do comunicado, ele recebeu um e-mail bastante técnico sobre o qual, confessa, não entendeu muita coisa. O texto dizia que, devido a um bug, outros usuários, ao recorrer a uma ferramenta específica, receberam informações extras e podem ter tido acesso a dados sigilosos dele.

Na verdade, o e-mail tem a ver com uma falha de segurança do site, que expôs números de telefone e endereços de e-mail de aproximadamente 6 milhões de usuários. A rede enviou comunicado para todos os afetados. O White Hat, programa que oferece recompensa a pesquisadores que encontrarem problemas no Facebook, foi responsável por encontrar a falha. A empresa garantiu ter corrigido o problema em menos de 24 horas após tomar conhecimento do fato e não haver evidência de que o bug tenha sido explorado maliciosamente.

Luiz Gabriel se diz preocupado pois é sabido que as redes têm compromisso principal com o lucro e que as políticas de privacidade são bastantes controversas. “Os dados são usados para publicidade e isso já é terrível. Mas a situação se torna inadmissível quando há invasão de privacidade por parte de órgãos governamentais, criando um ambiente de paranoia”, ressalta. Ele acredita que o país está vivendo um momento em que é preciso resguardar a privacidade da troca de informações, uma vez que as redes sociais se transformaram em ferramentas de grande potencial de exercício democrático.

TROLLS? Enquanto usuários curtem e compartilham notícias, fotos e vídeos sem verificar a fonte da informação, Juarez Fernandes Barbosa Júnior, social media de 28 anos, se diverte. “Gente, me contaram aqui que tem 32 naves espaciais em cima da minha casa e 12 ônibus espaciais da Nasa. Estão planejando um golpe, saiu até na imprensa”, brincou em um post no seu perfil. O social media acredita que há muita especulação sobre o monitoramento nas redes, mas há também muito absurdo. Ele conta que, quando amigos próximos divulgam inverdades, faz questão de corrigi-los.

Para Juarez, na maior parte dos casos, como o assunto (manifestações) é muito relevante e todo mundo está falando sobre isso, o site entende como spam e deleta posts por considerá-los como suspeitos. “Foi a mesma coisa na época do Orkut, sobre aquela história de poder mudar a cor de fundo. Tenho certeza que tem um troll por trás dessas coisas”, afirma.


PRISM
Em resposta oficial à polêmica internacional do escândalo do Prism, o diretor de Segurança do Facebook, Joe Sullivan, afirmou que proteger a privacidade dos usuários é prioridade para a empresa. “Nós não disponibilizamos a qualquer organização governamental o acesso direto aos servidores do Facebook. Quando são solicitados dados ou informações sobre indivíduos específicos, examinamos cuidadosamente qualquer pedido e fornecemos informações apenas na medida exigida pela lei.” O posicionamento oficial foi confirmado por Mark Zuckerberg em seu perfil no site (http://on.fb.me/11KD84E).
 Anti-spam no Face



Para Fábio Assolini, da Kasperky Lab, verificação contra spam explicaria mensagem de segurança do Facebook (Kasperky/Divulgação)
Para Fábio Assolini, da Kasperky Lab, verificação contra spam explicaria mensagem de segurança do Facebook
O Facebook define como spam “o contato repetitivo com as pessoas oferecendo conteúdo ou solicitações indesejadas. Isso inclui o envio de mensagens em massa, publicações excessivas de links ou imagens nas linhas do tempo das pessoas e envio de solicitações de amizade a pessoas não conhecidas pessoalmente”. O envio de spam é uma violação dos padrões da comunidade do Facebook.

O Estado de Minas fez testes com as palavras-chave que seriam, na opinião de usuários, chamarizes para bloqueios de contas e sumiços de posts, como, por exemplo “Força Nacional”. Não houve nenhuma censura aos posts ou mensagens. Para Fábio Assolini, analista sênior de malware da Kaspersky Lab, são várias as situações que podem gerar a mensagem de segurança recebida por Luiz Gabriel. A mais comum é quando o usuário envia a mesma mensagem, com o mesmo conteúdo, para diferentes contatos; seja via chat ou postando em alguma página ou comunidade. O Facebook interpreta isso como suspeito e pede que o usuário digite a série de letras aleatórias, que em linguagem técnica é conhecida como CAPTCHA.

Segundo Assolini, essa ação de segurança visa barrar a ação de worms que poderiam enviar milhares de mensagens automaticamente para os contatos, em curto espaço de tempo, e para coibir a ação de spammers. Somente um ser humano pode reconhecer e digitar o CAPTCHA – mecanismos automatizados não podem fazê-lo facilmente.

Para o sumiço de posts, há mais de uma explicação. A mais óbvia é a de que o dono a apagou. A segunda possibilidade é que muitos usuários tenham denunciado o conteúdo e, como o sistema é automatizado, o Facebook o retira do ar e só depois analisa a situação. Os protestos envolvem muitas questões políticas e instigam a troca de denúncias em massa entre grupos contrários.

Assolini afirma que o sistema de retirada automática de posts suspeitos funciona bem contra malwares, mas acaba afetando conteúdo legítimo. “Com qual critério eles analisam, eu não sei dizer”, pondera. A terceira opção é que o conteúdo tenha código malicioso. A própria Kaspersky tem cooperação com o site e reporta warms. O bloqueio temporário e a lentidão nos acessos tem a ver com o volume compartilhado na rede, afinal todas as mobilizações estão sendo combinada via rede social. 
Protesto ao vivo


Assim como o BH nas Ruas, a PósTV (postv.org), rede de streaming, tem feito um trabalho de projeção na cobertura on-line das manifestações na capital mineira. O projeto começou em junho de 2011, depois do sucesso das transmissões ao vivo das marchas da maconha e da Liberdade em São Paulo. Vários coletivos culturais, bandas e grupos fazem seus streamings por meio da página. Segundo o mineiro de Juiz de Fora Gian Lopes da Motta Martins, de 23 anos, graduado em comunicação e responsável pela PósTV em Minas, o objetivo é dar visibilidade para esses movimentos. “As ferramentas da web já estão todas disponíveis, além de como fazer”, explica.

Gian foi responsável por transmitir a última assembleia popular das manifestações, que reuniu cerca de mil pessoas sob o Viaduto Santa Tereza no domingo. Além disso, ele tem feito coberturas on-line de dentro das marchas. Durante as manifestações, explica, o sinal do 3G fica instável, mas a transmissão é feita assim mesmo. O plano 3G contratado é bom o suficiente para garantir uma estabilidade mínima para se ter uma taxa de upload satisfatória. Um truque válido para a bateria do celular não deixá-lo na mão é ligá-lo a um computador acondicionado na mochila.

Na reunião dos cidadãos ele utilizou o Hangout, além de filmadora e mesas de som. Mas nas ruas, com celular à mão, ele experimenta vários aplicativos, como o Twitcam, o Twitcast e o LiveStream.  As transmissões têm audiência alta. As das últimas manifestações atingiram 9 mil pessoas em Belo Horizonte. Em São Paulo chegou a 15 mil e em Salvador a 10 mil. As pessoas, inclusive de fora do país, interagem com a PósTV por meio do Twitter.

Martins também fez cobertura voluntária, para a Mídia Ninja (http://on.fb.me/11HdKwY), que, segundo ele, consegue traduzir a narrativa da rua. No protesto de sábado, havia cinco pessoas na equipe, entre fotógrafos, base da rede para dar suporte e pessoas responsáveis pelo streaming. Quem quiser participar pode entrar em contato com o grupo por e-mail (midianinja@gmail.com). 
 Os bastidores da mobilização  
Ferramentas tecnológicas são armas de ativistas para organizar e acompanhar manifestações. Um pequeno batalhão de voluntários alimenta redes sociais e canais de streaming que transmitem tudo em tempo real

 
  Cerca de 84 mil pessoas seguem a página BH nas Ruas (facebook.com/BHnasRuas) no Facebook. Com a grande audiência veio a maior responsabilidade do grupo de estudantes de comunicação social, com média de 21 anos de idade, que criaram a fan page informativa quando foi anunciada a segunda manifestação em Belo Horizonte, do dia 10. A equipe, que prefere não se identificar, é formada por 25 pessoas, entre administradores e criadores de conteúdo. Eles se revezam nas ruas de acordo com a disponibilidade de cada um por causa das aulas e estágios. Fora esse grupo, há pessoas que atuam como correspondentes.

A ideia surgiu de um estudante como forma de aproveitar a oportunidade para ganhar experiência por meio de uma cobertura colaborativa. “Uma cobertura feita por jovens que também estão nas ruas”, explica o grupo. O fluxo de informações na página criada ficou tão intenso que não foi possível só uma pessoa ler as informações, formular textos, colocar tags em fotos e postar. No fim do dia já eram oito gerindo o conteúdo e o grupo não parou mais de crescer. Na primeira manifestação que cobriram, a cada atualização surgiam 200 novos seguidores.

Nos dias de grandes protestos, o BH nas Ruas chegou a receber 500 mensagens, incluindo Facebook, Twitter e Gmail. Nos outros dias, esse número chega a 200 contribuições. E como checar as notícias diante de tantos boatos circulando na rede? Segundo o grupo, as informações são sempre verificadas com a equipe que está na rua. “Se eles afirmam que também presenciaram tal situação, acreditamos”, conta.

Há pessoas que relataram que membros adentraram em uma confusão só para confirmar se realmente a Polícia Militar estava atirando balas de borracha contra a população. Quando recebem declarações polêmicas que não podem ser confirmadas, eles preferem não divulgar. “Temos recebido muitas informações de gente desconhecida. Nesses casos, só publicamos se tiver foto ou vídeo para comprovação”. Por outro lado, assuntos específicos são orientados por médicos, advogados e órgãos responsáveis.

Quem foi aos protestos sentiu na pele a dificuldade de usar conexões 3G e, muitas vezes, até o sinal de operadoras para fazer ligações. O BH nas Ruas explica que vence esse obstáculo técnico recorrendo às mais variadas formas de contato virtual. Como a equipe é grande, se o 3G de um falha, o do outro funciona. SMS, Whatsapp, Facebook e e-mail também são usados. O grupo conta que todos os dias, no fim da noite, se reúne pelo Hangout, chat de vídeo do Google +, para discutir a repercussão das publicações e refletir sobre as manifestações.

“Temos consciência de nossa responsabilidade social e trabalhamos quase 24 horas por dia, sem receber um centavo, para ajudar na construção de um país mais democrático e de livre informação. A maioria de nós ou está trabalhando, estudando, ou está conectada. Quando não fazemos tudo junto”.

APOIO A ATIVISTAS Com o objetivo de fornecer auxílio aos manifestantes, surgiu o projeto No Movimento (nomovimento.com.br). O idealizador Eduardo Furbino, de 23 anos, graduando em ciências sociais com ênfase em ciência política da Universidade Federal de Minas Gerais, colocou o site no ar na madrugada do dia 15, durante tumultos em São Paulo. Ele faz o gerenciamento do portal com o universitário curitibano Pedro Souza. A página oferece galeria de fotos, manifestos, agenda das cidades e o mais importante: cadastro de advogados e voluntários, como médicos, para auxiliar os ativistas. O conteúdo é fruto de esforço coletivo. Por dia, o portal recebe cerca de 5 mil visitas.

Furbino acredita que a internet não é essencial para o movimento, mas se tornou indispensável por ser um meio de comunicação efetivo e barato, que proporciona uma rápida organização. Ao mesmo tempo, ele argumenta que na rede o controle policial é mais fácil. “Você disponibiliza fotos, tem sua rede de contatos lá”, ressalva. Para ele, as fan pages do Facebook funcionam como braços desses movimentos, garantem que as manifestações sejam realizadas. Como exemplo, ele lembra a página Habeas Corpus Movimento Passe Livre Manifestação 17/6 (http://on.fb.me/12PqWY9), que organiza informações necessárias para pedir habeas corpus a favor dos manifestantes presos nos protestos.


LOUCOS POR APPS!
Experimente três aplicativos de transmissão on-line:

Twitcam
Permite enviar vídeos ao vivo por meio de uma câmera conectada ao seu computador. O serviço é vinculado ao Twitter. Os usuários do microblog podem comentar sobre a transmissão tuitando.
twitcam.livestream.com

Twitcasting
Serviço para transmissão de vídeo ao vivo a partir de dispositivos Android ou iOS. Você pode compartilhar o streaming com seus seguidores no Twitter.
pt.twitcasting.tv

LiveStream
É uma plataforma de streaming de vídeo que permite aos seus usuários assistir e transmitir conteúdo utilizando uma câmera e um computador ligado à internet. Tem versão para dispositivos móveis.
new.livestream.com
A passeata é contra você também, sabia?, de Renato Kaufmann







Se você joga bituca de cigarro no chão, você trata a cidade como o seu lixo particular. Mas a cidade é de todo mundo. As ruas estão nojentas e a culpa é sua.
A manifestação é contra você.

Ah, você é ciclista, todo orgulhoso de ser sustentável, um carro a menos, menos trânsito e CO2. Você reclama da opressão do carro, mais forte, contra a bicicleta, o mais fraco. Mas você não para no sinal. Não respeita a faixa de pedestres. Você até anda na calçada, tornando-se o opressor do pedestre.
Não se iluda: a manifestação é contra você.

Você leva o cachorro para passear e não recolhe o cocô. Ninguém admite, mas o resultado está aí: nossas calçadas são um mar de merda. Calçada não é a privada do seu totó.
A manifestação é contra você.

Você joga papel no chão, e não faltam desculpas para não fazer o que é certo. Essa merda de prefeitura que não instala lixeiras, né? Ou, saída de estádio, você toma uma cerveja e joga a lata por aí. Ah, todo mundo estava jogando. Depois vem um cara limpar. A responsabilidade não é do Estado. É sua. E você, manifestante, não pode se esquivar dela nos outros 364 dias da sua vida.
A manifestação é contra você.

Você não cumprimenta o porteiro. Você exagera horrivelmente no perfume e invade o nariz do outro. Você dirige bêbado. Você põe um escapamento superbarulhento na sua moto, que dá para ouvir a quarteirões de distância, incomoda todo mundo e compra um capacete que ajuda a isolar o som. ' Você obriga todo mundo do ônibus a ouvir a sua música. Você suborna o guarda ou qualquer outro serviço público. Ou ainda, você escreve textos como este, apontando o dedo contra delitos que já cometeu ou ainda comete, achando que dedo em riste exime você da responsabilidade.

Você é parte da violência. Você é parte da corrupção. Se você não mudar, o país não vai mudar. Mas não adianta todo mundo apenas demandar que “o poder” conserte as coisas. Quer mudar o país? Não esqueça de mudar a si mesmo, e pagar o preço da mudança, como um adulto.
Então, vai pra rua, que estava na hora. Mas não esquece: a manifestação é contra você.


Para terminar o filme completo V de Vingança!
Em uma Inglaterra do futuro, onde está em vigor um regime totalitário, vive Evey Hammond (Natalie Portman). Ela é salva de uma situação de vida ou morte por um homem mascarado, conhecido apenas pelo codinome V (Hugo Weaving), que é extremamente carismático e habilidoso na arte do combate e da destruição. Ao convocar seus compatriotas a se rebelar contra a tirania e a opressão do governo inglês, V provoca uma verdadeira revolução. Enquanto Evey tenta saber mais sobre o passado de V, ela termina por descobrir quem é e seu papel no plano de seu salvador para trazer liberdade e justiça ao país.


Nenhum comentário:

Postar um comentário