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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Acompanhando a Operação Zelotes - Aberto a CPI do CARF - Vamos acompanhar!!

CPI do CARF reúne-se com a PF e o MP para definir plano de trabalho

Os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar denúncias da Polícia Federal de prejuízos de R$ 6 bilhões aos cofres públicos, através do contencioso de empresas com o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (Carf), se reuniram com representantes do Ministério Público e com os delegados da Polícia Federal para definir o plano de trabalho. Os parlamentares aguardam o envio do inquérito que corre em segredo de justiça para iniciar as atividades. O senador Otto Alencar (PSD-BA) defende mais poderes de investigação à Polícia Federal.  Mais detalhes com a repórter Paula Groba, da Rádio Senado.










19/05/2015 - 1ª - CPI do CARF
Horário 15:15

O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. Bloco Maioria/PSD - BA) – Havendo número regimental, declaro aberta a presente reunião, destinada à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito, criada pelo Requerimento nº 407, de 2015, do Senado Federal, para, no prazo de 120 dias, apurar as denúncias de que julgamentos realizados no âmbito do Carf (Conselho da Administração de Recursos Fiscais) foram manipulados para, em descompasso com a lei, anular autuações fiscais ou reduzir substancialmente os tributos cobrados, resultando em sonegação fiscal da ordem de R$19 bilhões.
Esses R$19 bilhões são o que a Polícia Federal identificou. No entanto, num levantamento que nós fizemos, por meio da nossa assessoria, de todas as grandes empresas, só das maiores empresas, somente 780 empresas têm, em auto de infração, R$357 bilhões, e todas elas juntas, R$600 bilhões. Ou seja, cem vezes os R$6 bilhões da Petrobras. Portanto, é um montante de recursos que chama a atenção, pelo levantamento que nós fizemos. E essas grandes empresas foram identificadas, inclusive estão no relatório da Polícia Federal.
Nesta reunião, também, nós vamos escolher, deverão ser eleitos o Presidente e o Vice-Presidente desta Comissão.
Instalada, então, a Comissão, eu consulto as Lideranças sobre as indicações para o preenchimento dos referidos cargos de Presidente e de Vice-Presidente.
Com a palavra, o Senador Líder do Partido dos Trabalhadores, Humberto Costa.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Apoio Governo/PT - PE) – Sr. Presidente, de acordo com as informações e as conversas que nós tivemos, o PMDB, que faz o primeiro pedido, indicou, e tem o nosso respaldo, o nosso apoio, o Senador Ataídes para a Presidência desta Comissão.
Nós do PT, que, em tese, poderíamos exercer a relatoria, apresentamos como sugestão ao Presidente eleito, já que vai ser eleito e é uma atribuição dele a escolha do relator, o nome da Senadora Vanessa Grazziotin para ser Relatora, ela é do PCdoB, e apresentamos aqui o nome do Senador Donizeti como o Vice-Presidente. Gostaríamos de que a Comissão analisasse essa possibilidade.
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O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. Bloco Maioria/PSD - BA) – Com a proposição feita pelo Líder do PT e também com a indicação que foi feita pelo Líder do PMDB, o Senador Eunício Oliveira, que indicou o nome do Senador Ataídes Oliveira, creio que os dois nomes indicados para apreciação dos Srs. Senadores...
O SR. JOSÉ PIMENTEL (Bloco Apoio Governo/PT - CE) – Sr. Presidente, vamos fazer por aclamação a votação. Temos acordo.
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. Bloco Maioria/PSD - BA) – Exatamente. É porque eu não concluí.
O SR. JOSÉ PIMENTEL (Bloco Apoio Governo/PT - CE. Fora do microfone.) – Desculpe-me.
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. Bloco Maioria/PSD - BA) – Eu quero colocar em votação: como Presidente, o Senador Ataídes de Oliveira; e como Vice-Presidente, o nobre Senador Donizeti.
Os Srs. Senadores que aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado, por aclamação, o nome de ambos.
Cabe, agora, ao Presidente assumir a Presidência da Comissão.
Presidente, eu quero passar a V. Exª a Presidência da Comissão. Lógico, a atribuição de V. Exª é indicar o relator.
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Presidente, já que V. Exª assumiu, peço pela ordem.
Sr. Presidente, eu quero apresentar o primeiro requerimento a esta Comissão de Inquérito para apurar as irregularidades no Carf. Nos termos do §3º do art. 52 da Constituição Federal, c/c com o art. 148 do Regimento Interno do Senado Federal, requeiro a esta Comissão Parlamentar de Inquérito a convocação dos seguintes senhores para que seja realizada a oitiva: Procurador-Chefe da Fazenda Nacional, Coordenação do Contencioso Administrativo Tributário da PGFN, o Sr. Paulo Riscado; membro do Ministério Público Federal do 6º Ofício de Combate à Corrupção e Procuradoria da República do Distrito Federal, o Sr. Frederico Paiva; Delegado da Polícia Federal da Operação Zelotes, Oslain Campos Santana; Presidente do Carf, Carlos Barreto; Vice-Presidente do Carf, a Srª Maria Teresa Martínez López; Sr. Conselheiro do Carf, Paulo Roberto Cortez; advogado, Sr. Leonardo Manzan.
A justificação é a de que a Operação Zelotes, feita em março, desbaratou um esquema de fraude que desfalcava os cofres públicos do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
O conselho é um órgão do Ministério da Fazenda. Esse conselho foi criado em 2008 por uma medida provisória que foi convertida em lei. É um conselho composto por 72 conselheiros, com uma estrutura organizacional maior até do que a do Ministério. Antes disso, o julgamento era feito pela Justiça federal, pelo Tribunal Federal de Recursos, que julgava perfeitamente isso sem nenhuma dificuldade. E ele é um conselho paritário: metade dele é composto por indicação de membros, de representantes das empresas, ou seja, metade do conselho são as empresas devedoras que indicam os conselheiros; e metade, indicados pela Receita Federal. Tanto é que hoje, na composição do Carf, o Presidente é da Receita Federal e a Vice-Presidente é advogada do Bradesco.
Então, nesse conselho, ao longo desse período, observou-se a postergação da análise de autos de infração dados pelos auditores da Receita Federal. E a Polícia Federal identificou, através de interceptação telefônica, conselheiros, advogados e membros do conselho negociando pareceres contra os interesses do Estado e dando grave prejuízo ao Erário.
15:24
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Essa é uma situação em que esta CPI precisa entrar profundamente, para verificar e corrigir uma nova corrupção na Administração Pública do Brasil que, de alguma forma, a cada dia, deslustra mais a gestão pública no nosso País.
Por isso, eu acredito que os Srs. Senadores e as Srªs Senadoras, nós todos deveremos aqui ouvir, trabalhar para acabar com essa situação. Até porque eu posso dizer a V. Exª, pelo levantamento que eu fiz, que, se os devedores da Avenida Paulista pagarem metade do que devem ao Erário, resolvem o ajuste fiscal e ainda sobra dinheiro para terminar a transposição e a revitalização do São Francisco. Esse é o levantamento que eu fiz, porque são todas grandes empresas, de grande porte, na maioria, bancos, que têm lucros exorbitantes e publicam esses lucros exorbitantes, como foi agora.
Portanto, eu não vejo porque não pagar os impostos, fazer sonegação fiscal, como foi indicado e mostrado pela Polícia Federal, a ponto de um dos conselheiros, grampeado pela Polícia Federal, dizer em alto e bom som que só quem paga imposto no Brasil são os pequenininhos, são os coitadinhos.
Por isso, eu acho que a nossa responsabilidade é muito grande. Estou encaminhando esse requerimento, que eu peço a V. Exª que coloque em votação.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Boa tarde aos Senadores e às Senadoras.
O Senador Otto, como é peculiar a ele, é muito ligeiro, muito rápido, muito dinâmico. Antes mesmo de eu agradecer aos colegas e convidar para participar da Mesa a nossa Relatora, Vanessa Grazziotin – é um prazer Senadora Vanessa poder estar ao seu lado nessa jornada, que vai nos exigir muito trabalho –, e também o nosso Vice-Presidente da Comissão, Senador Donizeti, lá do meu querido Estado do Tocantins, para fazer parte aqui da Mesa – eu imaginei que eu fosse sair à frente com o meu primeiro requerimento, mas então ratifico –, o Senador Otto foi mais ligeiro.
Eu e o Senador Otto temos...
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Não foi questão de rapidez. Eu até sou muito calmo, muito tranquilo.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Eu o estou parabenizando.
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – É porque eu já havia preparado o requerimento. V. Exª sabe que eu venho estudando isso há muito tempo. Acho que realmente é necessário levantar essas questões todas. Até peço desculpas. Não é rapidez, é pelo estudo que eu tenho feito.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – É só pela liberdade que eu tenho com V. Exª que estou fazendo um ligeiro comentário.
Eu e o Senador Otto temos conversado muito sobre essa Operação Zelotes, sobre esse Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) da Receita Federal. Como se percebeu na fala do Senador Otto, ele tem já um grande conhecimento na área. E eu também, como autor deste requerimento, me aprofundei um pouco, porque não é fácil ter informações.
Essa questão do Carf da Receita Federal é gravíssima. Segundo a imprensa e a própria Operação Zelotes, o desvio do dinheiro público, como se fala, foi acima de R$19 bilhões. Como bem colocou o Senador Otto, dentro deste contencioso – que é algo em torno de R$565 bilhões –, 780 empresas devedoras, ou possíveis devedoras, representam R$327 bilhões. Aí o Senador Otto colocou que, se 20% pagarem, será igual a R$70 bilhões. Não precisaríamos do ajuste fiscal. Eu coloco 30%, e a gente chega a R$107 bilhões.
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Quero parabenizar, evidentemente – a princípio quero fazer esse comentário também –, o Dr. Oslain, o Dr. Frederico e os outros nomes, o Ministério Público e Polícia Federal, que comandaram até agora a Operação Zelotes. Merecem toda a nossa admiração e todo o nosso respeito.
Só para seguir aqui, mais uma pequena informação. Esses 780 processos representam R$357 bilhões. Processos entre R$100 milhões e R$10 milhões são 4.245, que somam uma quantia de R$125 bilhões. Processos de R$10 milhões a R$100 mil, representados por 13.190 processos, R$43 bilhões. E processos abaixo de R$100 mil, 93.698 processos, representam apenas R$9 bilhões. Ou seja, 1% de todo esse contencioso representa R$327 bilhões.
Portanto, eu vejo que a responsabilidade, Senadora Vanessa Grazziotin, nossa Relatora, nosso Vice-Presidente Donizete, todos os Senadores e Senadoras componentes desta Comissão, a nossa responsabilidade é enorme. O povo espera deste Congresso Nacional uma resposta e um trabalho muito efetivo. Nós precisamos, eu vejo assim, salvo melhor juízo, além de toda a estrutura que temos aqui, de pessoal, a Adriana e demais companheiros, formar uma equipe altamente técnica, porque tem muito papel pela frente para a gente analisar. Vejo que esse tempo de quatro meses, a princípio, é um tempo muito curto, mas o Senador, nosso querido Presidente Renan, sempre tem sido muito sensato, e imagino que, se necessário for, ele vai nos conceder mais prazo. Também essa verba que foi destinada, a princípio, o valor de R$100 mil, talvez tenhamos que rever e também que conversar com o nosso Presidente do Congresso Nacional sobre isso.
Enfim, eu ratifico o tamanho da nossa responsabilidade, principalmente minha, como Presidente. É um privilégio muito grande estar à frente desta Comissão, tendo como componentes Senadores como o Otto, o meu querido Senador Randolfe Rodrigues, meu Líder Pimentel, nossa querida Senadora Simone e tantos outros.
Eu tenho a mais absoluta certeza de que vamos fazer um belo trabalho e vamos – essa é a minha grande expectativa, meu grande objetivo pessoal – retornar aos cofres públicos o que é do povo. E eu vejo que não é pouco dinheiro, não; é uma avalanche de dinheiro, e não vai ser difícil.
Eu pretendo, Relatora, juntamente com o nosso Vice, trabalhar conjuntamente com o Ministro Levy, Ministro da Fazenda. Nós vamos ter que ter aí uma boa parceria, nós vamos ter que conversar muito.
Logo, então, vamos colocar em votação o requerimento do Senador Otto. Mas eu gostaria de perguntar à Senadora Vanessa se ela quer fazer uso da palavra.
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A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – Serei breve, Sr. Presidente.
Primeiro, quero corroborar com o que disse V. Exª e com o que disse o Senador Otto Alencar. Acho que nós temos uma responsabilidade gigante nesta Comissão. Não é de hoje e nem precisou vir à tona a Operação Zelotes para que o Senador Otto Alencar já andasse pelos corredores da Casa com números, levantamentos e estudos feitos, mostrando o quanto o Brasil sofre com essa evasão fiscal absurda. Uma evasão fiscal que acontece na União, acontece nos Estados e acontece nos Municípios.
Portanto, eu creio que nós vamos trabalhar aqui com dados extremamente sensíveis. Temos que saber exatamente dosar. Temos que ter aqui uma dosimetria importante porque não podemos trabalhar com a irresponsabilidade de não levarmos em consideração o fato de que trabalharemos com dados extremamente sensíveis. Agora, são dados que importam muito à Nação brasileira.
A gente vive um momento de crise, uma crise que não é pequena, uma crise econômica importante, em que o povo brasileiro, os trabalhadores estão sendo chamados a colaborar, dando a sua parcela de contribuição para que a gente possa economizar o máximo que for possível.
E eu creio que precisamos de um outro movimento. E um movimento que não necessariamente devesse passar pelo aumento de tributos, que é o que se cogita um pouco, mas, quem sabe, pela otimização dos tributos que nós já temos hoje. Porque grande parte deles, ao invés de serem arrecadados, de chegarem aos cofres públicos, tomam outros caminhos.
Aliás, hoje, tem uma matéria muito importante na imprensa brasileira dando conta de que, agora, a própria Ordem dos Advogados do Brasil decidiu que advogados que compõem o Carf não mais poderão desenvolver o exercício da advocacia. Isso é muito importante, porque não é possível que alguém, na condição de julgador, possa continuar exercendo funções de defender uma das partes. Isso é impraticável.
Mas eu acho que esta CPI vem com esse objetivo. Eu assinei a CPI quando o Senador Ataídes coletava assinaturas, e não apenas eu. Essa foi uma CPI absorvida não como a CPI daqueles que lutam a favor ou contra o Governo, não. É uma CPI de todos aqueles que lutam a favor do Estado brasileiro. E a CPI nasceu com esse objetivo. Até pensei, pelo fato de o assunto ser evasão fiscal, se não seria o caso de ser compartilhada com uma CPI que já está em curso aqui na Casa, a CPI do HSBC, que trata também da questão da evasão de divisas. Mas, enfim, foi a opção que a Casa tomou ter duas comissões parlamentares de inquérito separadas, mas ambas tratam de assuntos extremamente sensíveis e importantes para o Brasil.
Acho que os números com que nós nos deparamos não são números pequenos. O Senador Ataídes acaba de fazer um levantamento, mas, se levarmos em consideração os números utilizados pela imprensa, os números que já foram trabalhados através da Operação Zelotes, são números extremamente graves. Dados comprovam que, dos R$19 bilhões envolvidos, quase R$6 bilhões estariam comprovadamente – comprovadamente – sendo desviados dos cofres públicos.
Enfim, eu aqui quero agradecer ao Bloco de Apoio ao Governo. Eu não mais pertenço ao Bloco de Apoio ao Governo, eu sou do bloco a que pertence o Senador Randolfe, Bloco Socialismo e Democracia, PSB/PPS, mas a mim foi dada essa tarefa.
E tenho certeza, Senador Ataídes, o senhor, que é do PSDB, e eu, que sou do PCdoB, sabemos disto: nós aqui não temos partido político. O nosso partido político é a Nação brasileira, é a necessidade de uma investigação profunda. E tenho certeza de que todos os membros, Senadores e Senadoras desta Comissão, terão atividades e funções muito importantes a desempenhar para ajudar no desenvolvimento de um bom trabalho.
Os requerimentos de autoria do nosso Presidente e do Senador Otto Alencar penso que são complementares. O Senador Ataídes se preocupou, em primeiro lugar, em ter acesso a informações que, até agora, nós não tivemos, porque só agora esta CPI está sendo instalada e só agora nós temos a condição de compartilhar dados que são sigilosos, dados que não são abertos. Acho que é um requerimento importante, que solicita o compartilhamento de informações de tudo aquilo que já foi coletado a partir dessa operação, que não é recente, já tem algum tempo, do que a operação recolheu. E o requerimento do Senador Otto é para ouvir pessoas que diretamente estão vinculadas.
15:39
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Eu não sei, Senador Otto, se não seria importante, primeiro, que tivéssemos o acesso às informações para depois fazermos essas oitivas, porque ouvir pessoas sem ter conhecimento mais profundo da matéria é importante, mas creio que é muito mais importante podermos ouvir as pessoas a partir do momento em que pudermos ter conhecimento de alguns dados, que pudermos nos aprofundar em alguns dados a mais para podermos dialogar.
Enfim, são vários convidados aqui, mas isso não impede que possamos, se for assim a vontade do Senador que propõe o requerimento, ouvir pelo menos um ou dois desses convidados, visto que são muitos, já na próxima semana. Agora, precisamos nos apressar, tenho esse entendimento, para que tenhamos acesso a esses dados que detém o Ministério Público e Polícia Federal, para que possamos organizar melhor o plano de trabalho que deveremos, em breve, apresentar a esta Comissão e que deverá orientar todos os nossos trabalhos.
Era isso, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Perfeito.
Senador Pimentel, permita-me passar a palavra a V. Exª dentro de alguns minutos.
Só seguindo a fala da nossa Relatora, Senadora Vanessa Grazziotin, esses R$6 bilhões que ela colocou, aproximadamente R$6 bilhões, como já verificado pela Operação Zelotes, e isso acabou de se confirmar, referem-se a exatamente R$5,7 bilhões. Isso já está decidido, já está definida essa fraude no Conselho de Administração do Carf.
Queria também aproveitar, porque fiz um agradecimento, mas o fiz pela metade, para ratificar: parabenizo os operadores desta Operação Zelotes, o Procurador da República, o Dr. Frederico Paiva; bem como o Delegado da Polícia Federal, Dr. Marlon Cajado, que presidiu o inquérito; e o Dr. Oslain Santana, Diretor de Combate ao Crime Organizado na Polícia Federal.
Senador Otto, a Senadora Vanessa, nossa Relatora, fez essa colocação sobre o vosso requerimento, dizendo que até então não temos informações suficientes para chamá-los, para convidá-los, para fazer os nossos convites às pessoas certas. Eu até concordo com ela, mas vejo que, se for de acordo com todos, Senadores e Senadoras, podemos, Relatora, aprovar o requerimento do Senador Otto. Porque no nosso requerimento, a princípio, faço exatamente isto, Relatora: busco informações, através desses dois requerimentos que, de acordo com o art. 121 do Regimento Interno, incluo extrapauta, busco informações da Operação Zelotes junto ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. Eles podem – já andaram quilômetros – nos munir de informações. Diante dessas informações, vejo de bom alvitre começarmos a ouvir. Então, estou na linha da Relatora.
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Pois bem.
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Os dois nomes citados a princípio são do Ministério Público e da Polícia Federal. Os dois primeiros da relação que citei são os dois que podem nos informar, porque acompanham de perto isso. Então, não vejo ninguém mais bem informado do que quem investigou e tem todos os relatórios para ser ouvido aqui.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Correto. Então, vamos colocar em votação.
O SR. JOSÉ PIMENTEL (Bloco Apoio Governo/PT - CE) – Quero discutir, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Também gostaria de colocar os nossos dois requerimentos.
Com a palavra o Senador Pimentel.
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O SR. JOSÉ PIMENTEL (Bloco Apoio Governo/PT - CE) – Sr. Presidente, Ataídes Oliveira; nosso Vice-Presidente, Donizeti Nogueira, meu companheiro; nossa Senadora Vanessa Grazziotin, Otto, nosso Senador Randolfe e Simone, eu quero começar registrando que vamos aprovar os requerimentos, mas eu deixaria como sugestão que, na próxima reunião de trabalho, a nossa Relatora pudesse nos trazer um plano de trabalho para que a gente possa aproveitar ao máximo, em investigação e encaminhamento, esses 120 dias. Esse plano de trabalho é decisivo para que possamos melhor aproveitar o curto tempo de que esta Comissão Parlamentar de Inquérito dispõe.
Em segundo lugar, eu sei que a nossa Relatora vai precisar requisitar uma série de auditores, de técnicos para auxiliá-la nessa matéria, porque há muitos documentos já junto ao Ministério Público, à Polícia Federal e à Justiça Federal, que conduz esse processo.
Entre esses documentos, o primeiro é uma carta-denúncia lá de fevereiro de 2014, que traz a grande fundamentação de toda investigação. Eu acredito que a nossa Comissão precisará dessa carta-denúncia, que foi a base de todo processo de investigação, inicialmente, administrativo e, posteriormente, conduzido pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário Federal. Para nós, esse é um documento-chave, porque ali há um conjunto de informações que nos permitirão compreender como esse processo foi construído ao longo dos últimos anos.
Eu sou daqueles que entendo que nós vamos precisar convocar todos os membros do Carf a que esta carta faz referência, para que nós possamos... E, depois, se entendermos que precisamos investigar outros membros do Carf, também ali iremos adiantar... Eu já fiz um levantamento prévio. Existem aí mais ou menos 54 – entre empresas e pessoas – que nós vamos precisar ouvir, sem prejuízo dos nomes que o Otto aqui está apresentando, dos documentos que V. Exª está sugerindo.
Vamos necessitar também fazer toda uma avaliação no campo da legislação, para que possamos fechar algumas facilidades que hoje há principalmente no campo do enriquecimento ilícito do servidor público. E aqui é o exemplo concreto: temos aqui, na Casa, uma série de matérias em tramitação – tanto no Senado, como na Câmara Federal. E, aí, a nossa Relatora será a pessoa mais indicada para nos subsidiar, subsidiar a Mesa Diretora dos trabalhos e nós, membros, nesse processo.
E eu também vou pedir a V. Exª que marque a próxima reunião, para que nossa Relatora possa trazer o plano de trabalho, e eu vou protocolar, de hoje para amanhã, um conjunto de requerimentos de convocação de pessoas, de requisição de documentos, para subsidiar essa caminhada. E entendo que a vinda dos delegados e do Ministério Público Federal, como peças primeiras, é muito importante.
Talvez tenhamos que fazer algumas sessões reservadas com esse público, para que eles efetivamente possam nos fornecer os dados que eles possuem, porque grande parte dos dados que eles têm está ainda em fase de investigação ou em sigilo aposto pelo Poder Judiciário. E, fatalmente, esses delegados e o procurador não poderão abrir todos os dados em uma sessão aberta, mas, em uma sessão reservada, nós teremos oportunidade de ouvi-los.
Eu acho que iniciar pelos dois delegados e pelo Ministério Público Federal é um bom começo, enquanto esses documentos chegam para que nós possamos melhor encaminhar.
Portanto, têm meu voto favorável os requerimentos.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Senador Pimentel, eu vou... O.k. Só mais um segundo. Eu vou conversar... Nós vamos conversar... Vamos ouvir, então, primeiro... O.k., concordo.
Com a palavra, o Senador Randolfe.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/PSOL - AP) – Presidente eu queria saudar a Mesa que foi eleita aqui. Eu estarei nesta CPI, acompanhando os trabalhos desta CPI.
15:49
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Coube a mim a honra de ter sido designado pelo Bloco Socialismo e Democracia como suplente da Senadora Vanessa, e tenho certeza de que não será preciso, em nenhum momento, o exercício da titularidade. Na condição de suplente, cabe-me o direito de encaminhar requerimentos. E a Senadora Vanessa, que também é membro da outra CPI da qual faço parte – nessa sou Vice-Presidente, e inverte-se a condição –, sabe que essas nossas duas CPIs, a CPI do HSBC Swissleaks, em que estamos, Vanessa, eu e você, e esta CPI aqui, vão ter momentos de diálogo. Tenho certeza disso. Estou convencido, pelos passos que já foram dados pela CPI do HSBC e pelo que motivou, Senador Pimentel, esta CPI aqui, no próprio requerimento de origem, eu estou convencido de que nossas CPIs vão se comunicar, vão ter que trocar documentos e, quem sabe, até fazer audiências em conjunto.
O SR. JOSÉ PIMENTEL (Bloco Apoio Governo/PT - CE. Fora do microfone.) – Apresente um requerimento de compartilhamento de documentos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/PSOL - AP) – Obrigado.
Já acato aqui uma sugestão do Senador Pimentel, nosso Líder, mais do que adequada e tempestiva. Nós vamos protocolizar aqui um requerimento de compartilhamento de informações, porque acho indispensável esse caminhar conjunto das duas Comissões Parlamentares de Inquérito.
Quero já parabenizar o Senador Otto pelo primeiro requerimento, que, assim como disse o nosso Líder Pimentel, é um bom começo para esta CPI. Esta CPI deve ter tido origem, obviamente, em uma operação do Polícia Federal, em uma carta-denúncia, como o Senador Pimentel falou aqui anteriormente, mas já tem um procedimento em curso, com uma operação da Polícia Federal e uma investigação por parte do Ministério Público. É o melhor caminho iniciar este procedimento ouvindo o Ministério Público e ouvindo a Polícia Federal. Então, sei que certamente os colegas aqui vão aprovar esse requerimento, que vai dar início a esta Comissão Parlamentar.
O trabalho que esta Comissão vai realizar, vai desempenhar, combinado com o que estamos fazendo na CPI do HSBC, pode apresentar para o Brasil, inclusive, alternativas, Senador Ataídes, Senador Donizeti, Senadora Simone, Senador Pimentel, Senador Otto; pode apresentar para o Brasil alternativas ao sufoco que estamos vivendo hoje, porque temos que dizer, concretamente, no Brasil, que a regra jurídica que tem como princípio que a lei é igual para todos tem que valer fazendo com que os ricos também paguem imposto neste País. Esta CPI, aliás – e por isso eu digo e repito que é necessário o diálogo com a nossa –, vai com certeza chegar a essa conclusão de que há um favorecimento aos mais ricos no próprio sistema tributário que temos no País.
Mas não é só no sistema tributário. Eu vejo que é indispensável a investigação sobre esse dito Conselho de Arrecadação de Recursos Fiscais (Carf), que é objeto primeiro desta Comissão de Inquérito, de investigação. Como esses membros têm atuado? Qual é a atuação desses membros? O cumpliciamento e compartilhamento que têm, a coincidência da atuação de alguns membros com alguns que são, que deveriam ser – vou utilizar o termo "clientes", mas não é isso –, deveriam ter recursos ao Carf. O cumpliciamento, em algum caso, tenho certeza de que vai ser objeto aqui de investigação.
Isso é só... O Carf é a expressão do que ocorre na esfera federal do que a lei tributária já tem nas esferas estaduais. E talvez, com o desenrolar desta CPI, a gente até veja que o que pode ter sido objeto das denúncias do Carf também ocorre na esfera estadual.
Então, eu queria cumprimentar o Senador Ataídes pela iniciativa; os membros, pelo trabalho de investigação; e dizer da necessidade que vamos ter de essas duas Comissões trabalharem em conjunto, porque o nosso trabalho, principalmente com o cabedal técnico necessário que vamos ter para a investigação, não tenho dúvida de que, no final, será indispensável para o Brasil.
15:54
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O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Perfeito.
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Pela ordem.
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Só complementando o que disse o Senador Randolfe Rodrigues, creio que poderemos ter até uma saída para indicar ao Governo Federal. Na minha opinião, o Carf só serviu aos sonegadores, não serviu ao Estado. Então, seria o fato, inclusive, de o Governo Federal mandar uma medida provisória extinguindo o Carf. Não faria falta nenhuma, porque temos o Tribunal Federal de Recursos, a Justiça Federal para julgar esses autos de infração, sem nenhum problema.
E outra coisa que se poderia levar ao Governo Federal seria a possibilidade, por levantamento feito aqui na CPI ou até pelo Ministério da Fazenda, de se fazer um Refis para o pagamento desses recebíveis todos – o Governo está numa situação difícil de caixa –, para arrecadar esse recursos. Iria ajudar e até diminuir o penoso ajuste fiscal que o Congresso está analisando e votando aqui, vai votar agora no Senado.
Então, é uma sugestão que faria, até porque, observando os grandes devedores, são todos empresas ricas, de grande potencial: na mineração, o Gerdau; o Banco Safra, o Banco Itaú, a Ford, a RBS, lá do Rio Grande do Sul, uma gigante da comunicação.
Concordo plenamente, isso foi identificado pela Polícia Federal, um dos componentes do Carf disse isso, que, no Brasil, só paga imposto assalariado, desconta-se na fonte. Os menores pagam, e os grandes não pagam impostos.
Eu pediria a V. Exª que colocasse o nosso requerimento em votação.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Concedo a palavra agora ao Vice-Presidente desta Comissão, Senador Donizeti Nogueira.
O SR. DONIZETI NOGUEIRA (Bloco Apoio Governo/PT - TO) – Pois é, Senador Ataídes Oliveira. Eu não quis apoiá-lo para governador, e estamos, nós dois, na Mesa agora, e eu como seu Vice-Presidente. (Risos.)
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Com muito prazer!
O SR. DONIZETI NOGUEIRA (Bloco Apoio Governo/PT - TO) – É uma honra!
Eu penso, nem quero discutir muito, mas só colocar o meu posicionamento sobre os respectivos requerimentos que são todos acertados, que esta CPI, juntamente com a CPI do HSBC, são as duas CPIs mais importantes que temos que tocar aqui neste momento, pelo que vive o País. Certamente, poderão aparecer outras até mais importantes, mas esse câncer, daqueles que recolhem o dinheiro do cidadão no dia a dia e depois não repassam para o Governo Federal, precisa ser combatido.
Nós temos esse papel hoje. Na verdade, temos essa oportunidade de dar essa grande contribuição para o Brasil, Senadora Vanessa Grazziotin, neste momento histórico.
Então, coloquei-me à disposição, a pedido do meu Partido, indicado pelo meu Líder, Senador Humberto Costa, porque acredito muito que essa é uma contribuição que vai somar muito para o País e vai ajudar a resolver muitos problemas do povo brasileiro. Precisamos aqui arrochar os parafusos, apertar os sonegadores, inclusive para conseguir com eles, de repente, uma negociação muito a favor do País, através de coisas como as que propôs o Senador Otto Alencar.
Vamos à luta, porque o País está precisando de nós!
Muito obrigado.
É uma satisfação estar com V. Exª aqui e com a Senadora Vanessa Grazziotin, que tem sido para mim, aqui no Senado, uma mulher que é referência no combate aos malfeitos que a nossa Presidente Dilma sempre defendeu. E estamos aqui para contribuir.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Com a palavra a Senadora Simone Tebet.
A SRª SIMONE TEBET (Bloco Maioria/PMDB - MS) – Obrigada, Presidente.
Antes de mais nada, gostaria de, em público, agradecer ao meu Líder, Senador Eunício Oliveira, pela indicação do meu nome a esta Comissão, a esta CPI tão importante, a esta Comissão Parlamentar de Inquérito. Apesar de estar chegando a esta Casa, venho com muita energia e, acima de tudo, com a consciência do momento crítico que o País atravessa, exigindo, acima de tudo, de todos nós algo que eu gostei muito de ouvir na sua fala e na fala da nossa querida Senadora Vanessa, ora Relatora, a palavra: responsabilidade.
15:59
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Então, assumo aqui, como titular, nesta CPI, aproveitando também para parabenizá-lo pela iniciativa, porque foi autor do requerimento de instalação, e pela Presidência mais do que justa.
Estarei pronta para o trabalho.
Concordo com o Senador Donizeti. Esta é uma das CPIs mais importantes que já passaram pelo Senado, principalmente pelo momento que vivemos, diante de um ajuste fiscal que precisa economizar R$60 bilhões, R$80 bilhões. Pelos números que, aparentemente, surgem diante dos nossos olhos, em relação a possíveis desvios de recursos públicos do Conselho Administrativo da Receita Federal, daria para cobrir em seis vezes esse valor, sem precisarmos mexer, infelizmente, em direitos trabalhistas.
Mas, enfim, o importante é que esta CPI chega suprapartidária, com responsabilidade, com equilíbrio e exigindo de todos nós muita coragem. Muita coisa virá pela frente, nós sabemos disso. Quem conhece um pouco do Poder Executivo como um todo sabe, nos meandros, nos bastidores, que, muitas vezes, a legislação permite, infelizmente, certos desvios. Mas, acima de tudo, a conclusão dos trabalhos será fundamental para algo que entendo muito grave. Mais do que a crise econômica, do que a crise política neste País, estamos vivendo uma crise de credibilidade das instituições. Não acreditar na classe política é um direito do cidadão. Quando essa descrença vai para as instituições a ponto de questionar a democracia como o melhor dos governos, isso nos preocupa e exige a responsabilidade de dar resposta à sociedade.
Precisamos resgatar, no coração das pessoas, a confiança na democracia, nas instituições fortes, nos poderes e também no Poder Legislativo, no Senado Federal.
Eu queria encerrar, já me manifestando em relação ao requerimento do Senador Otto e à preocupação da nossa Relatora. Entendo a preocupação da Senadora Vanessa, mas também concordo com o Senador Otto. Acredito que não atrapalhe, mesmo antes que os documentos cheguem à nossa mão, que possamos ouvir a Polícia Federal, o Ministério Público e – por que não? – até um técnico, se não o secretário executivo, o técnico do Ministério da Fazenda, para que nós tenhamos uma visão do todo.
Primeiro, no lado do Executivo. Como é que funciona realmente esse Conselho Administrativo? Por parte do Ministério Público e da Polícia Federal, o que é que eles, a princípio, averiguaram? Com essa noção do todo, nós temos, através dos documentos, os detalhes que só realmente a prova documental irá nos oferecer.
Então, não vejo como prejudicial o requerimento. Ao contrário. Acho que vai fazer com que possamos economizar nosso tempo, obtendo uma visão genérica da questão e depois nos aprofundando na pilha de documentos que virão pela frente.
Bom trabalho a todos nós! Que prevaleça, acima de tudo, o interesse público da Nação.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Obrigado, Senadora.
Com a palavra, a Relatora, Senadora Vanessa Grazziotin.
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – Sr. Presidente, é apenas para tentar aqui resumir aquilo que ouvi como proposta dos nossos Parlamentares. Não há nenhuma divergência, acho que todas as sugestões se complementam.
Temos três requerimentos à mesa, dois de V. Exª, de sua autoria, que solicitam informações, e o requerimento que apresenta uma lista de convidados. A sugestão é para que marquemos uma próxima reunião para apresentação, por parte da relatoria, do plano de trabalho. Então, acho que, primeiro, é possível aprovar os requerimentos todos – todos. E pediria mais: um contato imediato tanto com o Delegado da Polícia Federal quanto com o Procurador, para que possam agilizar o envio das informações.
Sobre a próxima reunião, poderíamos fazer na semana que vem. Acho que já terei condições de trazer a proposta, Senador Pimentel, para o plano de trabalho. E convidaríamos os dois, o que eu também creio que não vá prejudicar, até para que tomemos conhecimento público e, quem sabe, com uma parte fechada também, do andamento das investigações. Ou seja, podemos marcar as próximas oitivas com o Delegado da Polícia Federal e o Procurador da República responsável pelo caso, apenas lembrando que essa não é uma situação tranquila.
16:04
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Já aparecem divergências entre os investigadores e o Poder Judiciário, divergências fortes, o que demonstra que, talvez, esta CPI nasça num momento importante, num momento em que se pode reforçar a necessidade das investigações e, através dessas investigações, chegar a conclusões e a comprovações importantes, para que possamos fechar a torneira desse desvio de que o Brasil, infelizmente, tem sido vítima, e uma vítima importante, de quem utiliza os meios mais diversos, legais, mas, na maioria das vezes, ilegais, burlando e utilizando a legislação tributária, que é extremamente complexa, para poder desviar e não recolher aos cofres públicos aquilo que deveria recolher.
Em resumo, Presidente, encaminho favoravelmente aos requerimentos apresentados.
Podemos, daqui a uma semana, fazer a reunião para a apresentação do plano de trabalho e o convite ao delegado e ao procurador para que venham prestar depoimento. Entretanto, Senador, eu sugiro que, primeiro, façamos uma reunião para aprovar o plano de trabalho. Ou então pode ser o inverso. Acho que podem até vir o delegado e um membro do Ministério Público. Em seguida, daria subsídio, e, numa próxima reunião, aprovaríamos o plano de trabalho. Não há problema.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Perfeito.
A Relatora, Senadora Vanessa, respondeu ao nosso querido Senador Pimentel sobre o plano de trabalho e também sobre a próxima reunião, Senador Pimentel. E, quanto à carta-denúncia que V. Exª colocou no vosso requerimento, que espero seja aprovado aqui, hoje, evidentemente fará parte de toda essa documentação.
Senadora Simone, não nos abandone neste momento.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – O.k. Temos informação.
A respeito do que disse o Senador Randolfe, de que a CPI do Carf e do HSBC vão andar concomitantemente, eu concordo e compartilho perfeitamente com tudo que esse jovem e competente Senador colocou. Nós vamos, realmente, trabalhar muito alinhados com informações.
O Senador Otto colocou também como sugestão a extinção do Carf. Eu vejo, Senador, que há dois grandes nomes hoje, da área tributária, um deles o Dr. Everardo Maciel, que foi Secretário da Receita Federal, e o Dr. Sancha, que defendem a permanência do Carf, desde que se façam as modificações. Recentemente, como disse a Relatora, a Presidente da República tomou algumas decisões para fazer algumas pequenas correções. Agora, como eu vejo: no final desse nosso trabalho, eu não tenho dúvida, Relatora, de que vamos ter informações com sobra, para que nós possamos, aqui mesmo, no Congresso Nacional, criar um método ou um novo Carf da Receita Federal. Eu acredito que nós temos condições, após o término dos nossos trabalhos, de ajudar muito na operacionalidade desse conselho.
Só para se ter uma noção, são 360 conselheiros, sendo 216 titulares e 114 suplentes, ou seja, uma avalanche de gente, e vários advogados, trabalhando gratuitamente. Vamos ver, depois, se eles conseguem fazer esse trabalho voluntário, gratuitamente, às APAEs, às ONGs no Brasil.
16:09
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Só para ter uma noção também, se me permitem, o Carf era dividido em três sessões julgadoras. Houve lá, recentemente, um caso interessante. Ao julgar um débito de aproximadamente R$4 bilhões, em que houve um empate técnico, a decisão ficou tão somente não mão de um conselheiro. Isso está errado. Nós vamos ter que rever esse sistema como um todo.
V. Exª, Senador Otto, falou sobre o Refis. Olhe uma saída extraordinária, porque são devedores em potencial que têm liquidez. Então é uma boa sugestão de V. Exª.
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Presidente, vai começar a Ordem do Dia. Então, acho que seria bom colocar em votação o requerimento.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Então vamos deixar, porque eu falo muito...
Deixe-me ler o meu requerimento como extrapauta. De acordo com o artigo...
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – A minha proposição é votar o requerimento.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Isso. Vamos votar em conjunto. Pode ser?
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Pois não, sem problema.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Deixe-me ler aqui o número 2, de minha autoria.
ITEM 2
Requerimento Nº 2/2015
Requeiro, nos termos do art. 58, § 3º, da Constituição Federal, do art. 2º da Lei nº 1.579/52 e do art. 216 do Regimento Interno do Senado Federal, que o Departamento de Polícia Federal encaminhe a esta Comissão Parlamentar de Inquérito, com a urgência possível, a título de compartilhamento de informações, cópia de todos os documentos em seu poder relativos aos fatos investigados na Operação Zelotes.
Autoria: Senador Ataídes Oliveira
Aqui justifico.
Outro requerimento, também de conformidade com a lei.
ITEM 3
Requerimento Nº 3/2015
Requeiro ao Ministério Público Federal que encaminhe a esta Comissão Parlamentar de Inquérito, com a urgência possível, a título de compartilhamento de informações, cópia de todos os documentos em seu poder relativos aos fatos investigados na Operação Zelotes, da Polícia Federal.
Autoria: Senador Ataídes Oliveira
Terceiro requerimento.
ITEM 4
Requerimento Nº 4/2015
Requer ao Juiz da 10ª Vara Federal que encaminhe a esta CPI cópia de todos os documentos em seu poder relativos aos fatos investigados na Operação Zelotes.
Autoria: Senadora Vanessa Grazziotin
Essa é uma das causas em que V. Exª disse que houve um pequeno conflito.
Pois bem. Eu colocaria em votação o Requerimento nº 1, do Senador Otto, o Requerimento nº 2, de minha autoria... Primeiro, eu vou passar a Presidência. O vice teria que assumir para que fossem aprovados os meus requerimentos, não é?
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Excelência, vote o dos Senadores primeiro, depois votamos o de V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Vamos votar em bloco então o Requerimento nº 1, o Requerimento nº 2, o Requerimento nº 3 e o Requerimento nº 4.
Senadores e Senadoras que aprovam...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Nominalmente? Não tem necessidade.
Os Senadores que concordam com os requerimentos...
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – Presidente, eu acho que pelo menos os requerimentos que solicitam informações, compartilhamento, porque eles estão sob segredo de justiça, seria importante votar nominalmente para que se evitasse... Nós temos quórum agora.
O SR. JOSÉ PIMENTEL (Bloco Apoio Governo/PT - CE) – Sr. Presidente, José Pimentel. Voto favorável aos quatro requerimentos.
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – Perfeito. Isso.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Como vota o Senador Otto?
O SR. OTTO ALENCAR (Bloco Maioria/PSD - BA) – Também, Sr. Presidente, voto favorável aos requerimentos.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Como vota a Senadora?
A SRª SIMONE TEBET (Bloco Maioria/PMDB - MS) – Favorável, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Como vota o nosso Vice-Presidente, Senador Donizeti?
O SR. DONIZETI NOGUEIRA (Bloco Apoio Governo/PT - TO) – Favorável, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Senadora?
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – A favor.
O SR. PRESIDENTE (Ataídes Oliveira. Bloco Oposição/PSDB - TO) – Aprovados os quatro requerimentos.
(É o seguinte item também aprovado:
ITEM 1
Requerimento Nº 1/2015
Requer a convocação dos Srs. Paulo Riscado, Procurador-Chefe da Fazenda Nacional no Cocat, Frederico Paiva, Membro do Ministério Público Federal, Oslain Campos Santana, Delegado da Polícia Federal da Operação Zelotes, Carlos Barreto, Presidente do Carf, Maria Teresa Martinez Lopes, Vice-Presidente do Carf, Paulo Roberto Cortez, Conselheiro do Carf, e Leonardo Siade Manzan, Advogado.
Autoria: Senador Otto Alencar)
Não havendo mais nada a discutir, encerro a reunião desta Comissão e a próxima, acredito, será na semana seguinte. Nós iremos conversar aqui, eu, a Relatora e o nosso Vice.
Muito obrigado a todos.
(Iniciada às 15 horas e 15 minutos, a reunião é encerrada às 16 horas e 14 minutos.)


Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância impar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, proprina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...



A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?

Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*

As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.

Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!


O Mercado de notícias - Filme/Projeto do gaúcho Jorge Furtado



As histórias do ex-marido da Patrícia Pillar

Luiz Flávio Gomes e sua "Cleptocracia"

Comentários políticos com Bob Fernandes. 


Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?



Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.

Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.

Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.

Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países?

Acompanhando o Caso HSBC VI - Pausa para avisar aos bandidos: "Estamos atrás de vocês!"... 

Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos



Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!

Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.

A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!




Sucessor de Ricardo Teixeira, Marin é preso pela FBI na Suíça!!

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Marin e mais seis são detidos por corrupção na Fifa em operação do FBI


  Uma operação liderada pelo FBI deteve sete dirigentes de alto escalão, sob a acusação de corrupção em entidades ligadas à Fifa. Entre eles está José Maria Marin, ex-presidente da CBF, que deixou o cargo há menos de dois meses. A dois dias da eleição para a presidência da entidade máxima do futebol, autoridades suíças - em parceria com a agência dos EUA - adentraram o hotel cinco estrelas em Zurique em que estes cartolas estavam hospedados e fizeram as detenções, de acordo com nota oficial do Departamento de Justiça norte-americano.
Os detidos no Baur au Lac Hotel serão extraditados para os Estados Unidos, para dar seguimento na investigação. Segundo o comunicado do Departamento de Justiça, um total de 14 réus são acusados de extorsão, fraude, lavagem de dinheiro, entre outras irregularidades.
"A acusação alega que a corrupção é desenfreada, sistêmica, e que está enraizada aqui nos Estados Unidos", disse procuradora-geral da Justiça norte-americana Loretta Lynch. "Os réus (são acusados) de participação em um esquema de 24 anos para enriquecer a eles próprios através da corrupção no futebol internacional."
A investigação aponta suborno de US$ 150 milhões (cerca de R$ 450 milhões) em questões ligadas a transmissão de jogos e direitos de marketing do futebol na América do Sul e Estados Unidos.
"A maioria dos esquemas investigados diz respeito a solicitação e recebimento de propinas por autoridades do futebol vindas de executivos de marketing, em conexão com a comercialização de direitos de imagem e marketing de várias partidas e campeonatos, incluindo as Eliminatórias da Concacaf, a Copa Ouro da Concacaf, a Liga dos Campeões da Concacaf, a Copa América da Conmebol, a Copa Libertadores da Conmebol e a Copa do Brasil, que é organizada pela CBF. Outros esquemas citados dizem respeito a propinas em conexão com o patrocínio da CBF dado por uma grande marca de material esportivo, a seleção da sede da Copa de 2010 e a eleição presidencial da Fifa em 2011", diz a nota do Departamento de Justiça, claramente citando a Nike.
Os outros dirigentes detidos em Zurique são Jeffrey Webb (presidente da Concacaf), Eduardo Li (presidente da Federação Costarriquenha), Julio Rocha, Costas Takkas, Rafael Esquivel e Eugenio Figueiredo (ex-presidente da Conmebol). A sede da Concacaf, nos EUA passará pela execução de um mandado de busca, em Miami.
Além disso, membros do Ministério Público da Suíça recolheram documentos e dados eletrônicos na sede principal da Fifa, em Zurique. Além disso, o órgão anunciou que abriu um processo criminal por suspeitas de gestão desleal e lavagem de dinheiro em relação com a escolha das sedes da Copa do Mundo de 2018 e 2022.
A nota oficial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos informa ainda que, em outra fase da investigação, o empresário brasileiro J. Hawilla concordou em pagar US$ 150 milhões, valores referentes a fraudes, desvios e lavagem de dinheiro. Desse montante, Hawilla devolveu US$ 25 milhões em dezembro de 2014. O empresário é dono da Traffic, agência detentora de direitos de transmissão e parceira da CBF.
Apesar do escândalo, a eleição para presidência da Fifa ocorrerá normalmente. Walter de Gregorio, diretor de comunicações da Fifa, afirmou que o congresso da entidade, marcado para sexta-feira (29), será realizado como planejado, bem como o pleito programado.
As autoridades suíças relataram que os detidos devem ser extraditados para os Estados Unidos, onde a procuradoria de Nova York os investiga pelo recebimento de propinas desde o começo da década de 1990 até os dias de hoje.

Os detidos nesta quarta-feira participavam de uma série de atividades na sede mundial da Fifa, que são uma prévia do congresso da entidade, que deverá escolher nesta sexta-feira seu presidente para os próximos quatro anos. A reeleição do atual presidente, o suíço Joseph Blatter, para um quinto mandato, era dada como praticamente certa, mas os acontecimentos de hoje podem alterar essa situação.

Os agentes responsáveis pela operação pertencem ao corpo da Polícia Cantonal de Zurique e chegaram ao luxuoso hotel durante a madrugada, vestidos à paisana, com trajes civis. Após apresentaram as ordens judiciais pertinentes, receberam as chaves dos quartos respectivos. A detenção ocorreu sem maiores problemas e os sete membros da Fifa serão interrogados hoje mesmo pela polícia.

Os dirigentes são acusados de envolvimento em um esquema de corrupção através do qual "delegados da Fifa e outros de organizações dependentes receberam propinas e comissões - de representantes de meios de comunicação e de empresas de marketing esportivo - que somam mais de US$ 100 milhões", segundo o Ministério suíço.

Em troca, os agentes corruptores "recebiam direitos midiáticos, de publicidade e patrocínio em torneios de futebol na América Latina".

Segundo o pedido de detenção dos Estados Unidos, esses crimes foram preparados e estipulados nesse país, enquanto os pagamentos foram realizados através de bancos norte-americanos. O acordo e os preparativos para a realização desta operação foram feitos nos Estados Unidos.
"Esta prática engloba pelo menos duas gerações de autoridades do futebol. E isso lesou profundamente uma grande quantidade de vítimas, das ligas jovens e países em desenvolvimento que deveriam se beneficiar dos ganhos gerados pela comercialização dos direitos das partidas negociadas aos torcedores, que dão valor a esses direitos. A ação de hoje deixa claro que o Departamento de Justiça pretende acabar com qualquer prática de corrupção e trazer os corruptos à Justiça - e estamos abertos para trabalhar com outros países neste esforço", detalhou a procuradora-geral da Justiça norte-americana Loretta Lynch.

  O Ministério de Justiça e Polícia da Suíça indicaram que o procedimento será simplificado para aqueles que estiverem de acordo com sua extradição. Nesse caso, as autoridades suíças a aprovarão imediatamente.

Se os envolvidos se opuserem, então será solicitado aos Estados Unidos que apresentem um pedido formal de extradição no prazo de 40 dias, como determina o tratado bilateral entre os dois países.

Fifa se posiciona

A Fifa chamou as prisões de "um momento difícil", mas disse que o presidente Joseph Blatter não vai sair do cargo e as próximas Copas do Mundo vão continuar como planejadas na Rússia e Catar.

"Certamente é um momento difícil para nós", disse o porta-voz Walter De Gregorio. "Mas isto é bom para a Fifa. Confirma que estamos no caminho certo. Dói. Não é fácil. Mas é a maneira certa de seguir", acrescentou. Blatter não está entre os detidos ou indiciados até o momento.




Conheça os envolvidos no caso de corrupção que abala a Fifa

DETIDO: José Maria Marin (83, Brasil) foi presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa de 2014. Estava no hotel em Zurique junto a outros dirigentes ligados à Fifa quando foi detido, com mais seis pessoas. O caso investiga corrupção na venda de direitos de marketing e transmissão e cita Copa do Brasil. O contrato da CBF com a Nike também está sob investigação 



DETIDO: Jeffrey Webb (50, ilhas Cayman) é atual vice-presidente e membro do comitê executivo da Fifa, presidente da Concacaf, presidente da União Caribenha de Futebol e da Associação de Futebol das Ilhas Cayman




DETIDO: Eduardo Li (56, Costa Rica), à direita, é membro eleito do comitê executivo da Fifa, membro do comitê executivo da Concacaf e presidente da Federação Costarriquenha de Futebol



DETIDO: Rafael Esquivel (68, Venezuela) é membro do comitê executivo da Conmebol e presidente da Federação Venezuelana de Futebol 




DETIDO: Eugenio Figueiredo (83, Uruguai) é atualmente vice-presidente da Fifa e membro do comitê executivo. Ex-presidente da Conmebol e presidente da federação uruguaia de futebol



DETIDO: Julio Rocha Lopez (64, Nicarágua) é oficial de desenvolvimento da Fifa e presidente da federação de futebol da Nicarágua



INVESTIGADO: Jack Warner (72, Trinidad e Tobago), era presidente da Concacaf, mas deixou o cargo por conta de caso de corrupção em 2011. É ex-vice-presidente da Fifa e membro do comitê executivo 



INVESTIGADO: Nicolás Leoz (86, paraguaio), erx-membro do comitê executivo da Fifa e ex-presidente da Conmebol de 1986 a 2013. Ele deixou os cargos alegando problemas de saúde. Não está entre os detidos.



INVESTIGADO: Aaron Davidson (44, dos EUA), à esquerda, é presidente da Traffic Sports USA e dirige clubes de futebol no Brasil, em Portugal e nos EUA, além de ter parcerias com muitos outros, como o Manchester United.



INVESTIGADO: José Margulies (75, Brasil) é mandatário nas empresas Valente Corp. e Somerton Ltd. Investigado por supostamente ser intermediário para facilitar pagamentos de executivos das empresas aos dirigentes



INVESTIGADO: Alejandro Burzaco (50, Argentina) é controlador principal da Torneos y Competencias S.A., empresa de marketing esportivo com base na Argentina que deteve os direitos de transmissão da Copa de 2006 no país



CULPADO: José Hawilla (71, Brasil) é dono da Traffic, empresa de marketing esportivo. Duas empresas de seu grupo foram investigadas e se declararam culpadas da acusações de conspiração para cometer fraude. Ele já prometeu devolver US$ 151 milhões



CULPADO: Charles Chuck Blazer (70, EUA) é ex-secretário-geral da Concacaf. Trabalhou também no comitê executivo da Fifa, como representante dos EUA. Em novembro de 2013, declarou-se culpado em outra fase deste caso, por conspiração, fraude e lavagem de dinheiro, entre outros. Ele já devolveu US$ 1,9 milhão, e ainda terá de pagar mais, quando for determinada a sentença



Mais nomes: Costas Takkas foi DETIDO. Ele é ex-secretário-feral da confederação de futebol das ilhas Cayman e é ligado ao presidente da Concacaf. Daryll Warner e Daryan Warner, filhos de Jack Warner estão na lista dos CULPADOS por fraude, lavagem de dinheiro e outras irregularidades. Daryan devolveu US$ 1,1 milhão e concordou em pagar uma segunda parcela quando sua sentença for anunciada. Hugo and Mariano Jinkis são INVESTIGADOS por irregularidades no controle da Full Play Group S.A., empresa argentina de marketing esportivo.


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Isso não é novidade... tudo já conhecíamos... Veja esse livro "O Lado sujo do futebol" lançado ano pasado, pelo mesmo autor de "A privataria Tucana" e com prefácio do Romário.

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O Romário, ex-atacante da seleção brasileira, atual senado da república comemora!!

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Romário festeja prisão de Marín: 'É o início de um grande futuro para o futebol'

ESPN.com.br









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Após prisão de Marin, Romário faz pronunciamento no Senado; assista
Após o escândalo que terminou na prisão de José Maria Marín e mais seis executivos da Fifa na Suíça, nesta quarta-feira, o senador Romário comemorou a detenção do opositor e desafeto declarado. Em audiência pública no Senado, ele parabenizou o FBI e pediu que o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, deixe o cargo.









"Espero que a investigação que repercuta definitivamente limpar o futebol desses corruptos, como Marco Polo Del Nero. A situação do futebol brasileiro é culpa dessas pessoas, que não estão nem um pouco interessadas em ajudar. Só pensam no dinheiro", completou.
Del Nero, porém, não foi citado em nenhuma investigação até agora. Ele se pronunciou sobre o caso, defendendo José Maria Marín, seu aliado, e colocando a culpa nos contratos suspeitos da Copa do Mundo de 2014, que estão sendo investigados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em Ricardo Teixeira, ex-mandatário da CBF.
"São contratos firmados antes da administração do Marín, não tem nada firmado após. Eu conheço esses contratos", disse Del Nero.

Entenda o caso
A dois dias da eleição para a presidência, um terremoto sacode a Fifa. Na madrugada desta quarta-feira, horário brasileiro, uma operação especial das autoridades suíças, sob liderança do FBI, prendeu sete executivos importantes da entidade sob a acusação de corrupção, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF. O grupo dos detidos será extraditado para os Estados Unidos a fim de uma maior investigação sobre o assunto na federação mais importante do futebol mundial.
Segundo nota oficial do Departamento de Justiça norte-americano, 14 réus são acusados de extorsão, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro, entre outros delitos, em um "esquema de 24 anos para enriquecer através da corrupção no futebol". Sete deles foram presos na Suíça. Além de Marin, Jeffrey Webb, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo e Rafael Esquivel. Um mandado de busca também será executado na sede da Concacaf, em Miami, nos EUA.
O brasileiro J.Hawilla, dono da Traffic, conhecida empresa de marketing esportivo, é um dos réus que se declararam culpados, assim como duas empresas de seu grupo, a Traffic Sports International Inc. and Traffic Sports USA Inc. Em dezembro de 2014, segundo a justiça dos EUA, ele concordou em pagar mais de 151 milhões de dólares, sendo que US$ 25 mi foram pagos na ocasião. As acusações são de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.
Além de Hawilla, também se declararam culpados o norte-americano Charles Blazer, ex-secretário-geral da Concacaf e ex-representante dos EUA no Comitê Executivo da Fifa; Daryan e Daryll Warner, filhos do ex-presidente da Fifa Jack Warner.


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O dono da Traffic foi um dos presos e confessa a culpa!!

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Escândalo na Fifa: brasileiro dono da Traffic admitiu culpa e concordou pagar R$ 450 milhões

ESPN.com.br

Gazeta Press
Brasileiro José Hawilla, dono da Traffic, é um dos que admitiram culpa em escândalo da Fifa
Brasileiro José Hawilla, dono da Traffic, é um dos que admitiram culpa em escândalo da Fifa
O escândalo que abalou a Fifa na manhã desta quarta-feira tem três brasileiros envolvidos. O ex-presidente da CBF José Maria Marin é um dos sete executivos da entidade que foram presos na Suíça, mas não é o único acusado pela Justiça norte-americana no caso: os empresários J. Hawilla e José Lázaro Margulies também são citados.










O primeiro é mais conhecido do grande público. Hawilla é o dono da Traffic, renomada empresa de marketing esportivo brasileira. Na investigação conduzida pelo FBI, ele é um dos quatro que já se declararam culpados de acusações que incluem extorsão, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro, entre outros delitos.
No dia 12 de dezembro de 2014, segundo informa a justiça norte-americana, Hawilla se declarou culpado das acusações de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça e concordou em pagar multa de 151 milhões de dólares (mais de R$ 450 milhões), sendo que US$ 25 mi (R$ 66,2 mi na cotação da época) foram acertados no ato.
Cinco meses mais tarde, em 14 de maio de 2015, duas empresas do grupo Traffic, de Hawilla, a Traffic Sports USA Inc. e Traffic Sports International Inc. também se declararam culpadas da acusação de conspiração para fraude. São as únicas pessoas jurídicas citadas como acusadas no documento da justiça dos EUA.
Antes disso, em julho e outubro de 2013, Daryll e Daryan Warner, filhos do ex-presidente da Concacaf Jack Warner, já haviam admitido culpa - o segundo também pagou multa, de 1,1 milhão de dólares (R$ 2,9 mi). Em novembro de 2013, Charles Blazer, ex-secretário-geral da Concacaf e ex-representante dos EUA no Comitê Executivo da Fifa, se tornou o quarto investigado a se declarar culpado - seu pagamento foi superior a US$ 1,9 milhão (R$ 5 mi).
Segundo o FBI, "todo o dinheiro pago pelos réus está sendo mantido em reserva para garantir sua disponibilidade para satisfazer qualquer ordem de restituição que entre na sentença, para o benefício de quaisquer pessoas ou entidades que se qualificam como vítimas de crimes dos réus sob a lei federal" norte-americana.
José Lázaro Margulies - O outro brasileiro citado como acusado no escândalo é proprietário de empresas de transmissão de eventos esportivos. No relatório, é citada a "Valente Corp. and Somerton Ltd.". Ele, supostamente, "serviu como um intermediário para facilitar pagamentos ilícitos entre os executivos de marketing esportivo e autoridades do futebol".

Polícia suíça prende Marin e outros dirigentes da Fifa em Zurique



Policiais invadiram hotel cinco estrelas de Zurique e detiveram sete dirigentes da entidade. O ex-presidente da CBF José Maria Marin é um dos detidos
A polícia da Suíça prendeu nesta quarta-feira nove dirigentes da Fifa a pedido da justiça dos EUA sob a acusação de corrupção e diversos outros crimes. Os suspeitos foram detidos num hotel em Zurique e poderão ser extraditados para os Estados Unidos. O departamento de justiça americano confirmou que o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, foi um dos detidos. O Departamento Federal de Justiça suíço informou que está questionando os dirigentes sobre a votação para escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022.

Delegados de quase todas federações de futebol estão em Zurique para o congresso da Fifa marcado para esta sexta-feira – no qual Joseph Blatter tentaria buscar  seu quinto mandato como presidente da entidade. O porta-voz da Fifa, Walter de Gregorio, disse que Blatter não está entre os acusados.

- Ele não está envolvido de modo algum – disse.

Segundo o jornal, as acusações baseadas numa investigação do FBI que começou em 2011 apontam corrupção generalizada na Fifa nas últimas duas décadas – envolvendo a disputa pelo direito de sediar as Copas da Rússia (2018) e Catar (2022) – além de contratos de marketing e televisionamento.

(…)



Em tempo: o atual presidente da CBF, ilustre sucessor do Marin, é um ex-presidente da Federação Paulista, o Marco Polo del Nero.


Em tempo2: o Presidente da delegação do Brasil à Copa América é o João Dória Jr, o do jatinho do FHC.


Em tempo3: como se sabe, a CBF vendeu a escalação da seleção brasileira, segundo o Estadão.


Em tempo4: o Mino Carta diria assim: é tudo a mesma sopa !




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Esse que está sendo preso mereceu essa reportagem do "O Globo" em 2010!!

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J. Hawilla, o dono do nosso futebol

por








J. Hawilla, jornalista e empresário Crédito: Michel Filho
J. Hawilla, jornalista e empresário Crédito: Michel Filho -

SÃO PAULO - No dia 17 de maio, o fundador e dono da Traffic Sports, José Hawilla (ou J. Hawilla, como prefere ser chamado), reuniu nos salões do exclusivo hotel Unique, em São Paulo, cerca de 300 pessoas para comemorar os 30 anos daquela que é considerada a maior empresa de marketing esportivo do Brasil. Esqueça, no entanto, a mistura de pagodeiros, marias-chuteiras e subcelebridades que dão o tom de nove entre dez festinhas de jogadores do esporte.
A festa misturou nomes de peso do futebol paulista e brasileiro, como o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira; o jogador Ronaldo; o rei Pelé; e a cúpula de grandes clubes. Até a liderança do PSDB paulista - os pré-candidatos Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab e Aloysio Nunes Ferreira - estavam por lá.
Uma figura polêmica
Entre um drinque e outro, Ronaldo e Teixeira, desafetos desde a Copa de 2006, fizeram até as pazes para delírio da imprensa especializada. O centro das atenções, porém, era mesmo J. Hawilla, um ex-repórter de rádio e ex-vendedor de cachorros quentes que virou o maior empresário de futebol do país, alvo de elogios de uns (muitos) e críticas de outros (a maioria de forma anônima).
De empresa de publicidade em pontos de ônibus, fundada em 1980, a Traffic é hoje um império do setor esportivo. Os negócios incluem a administração dos direitos de TV e patrocínio de 15 torneios de futebol (como Copa América e Libertadores); a administração de direitos econômicos (passe) e de publicidade de 90 jogadores (Alan e Conca, do Fluminense, Hernanes e Fernandinho, do São Paulo, entre outros); uma academia de futebol para menores carentes; a produtora de conteúdo para mídia TV7; a gerência de times no país (o seu próprio, Desportivo Brasil) e no exterior (Miami F.C., nos EUA, e Estoril, em Portugal), além de um grupo de mídia com o jornal "Diário de S. Paulo", a TV TEM (afiliada à TV Globo) e a rede Bom Dia - de jornais em sete cidades no interior paulista.
Na festa no Unique, Hawilla só recebeu elogios. Pelé lembrou os tempos do Cosmos, nos EUA, e lamentou não ter cursado Marketing esportivo em vez de Educação Física:
- Se tivesse feito, talvez estivesse trabalhando com ele.
Ricardo Teixeira - apontado pelo polêmico Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco, como sócio de Hawilla, o que é desmentido veementemente pelo próprio - agradeceu ao empresário por ajudar a profissionalizar o futebol brasileiro:
- Quando assumi a CBF, em 1989, a Traffic foi a primeira a trazer patrocínio para a entidade que não fosse do governo.
Fora dali, alguns dirigentes de futebol não estão tão certos.
- Profissionalização, para J. Hawilla, não significa romper com o que há de pior no futebol. Ele usa e abusa das relações pessoais para lucrar onde pode, especialmente em maquinações com cartolas com ambições de poder - disse um dirigente.
A mais recente delas envolve a suposta candidatura de Kleber Leite, ex-dirigente do Flamengo, para a presidência do Clube dos 13 com o apoio de Ricardo Teixeira, cuja meta, por sua vez, seria a presidência da Fifa.
Alheio às fofocas, J. Hawilla rejeita o título de homem mais poderoso do futebol nacional, ainda que alegue não saber o quanto sua empresa fatura (estima-se algo como US$ 500 milhões).
- Mesmo que você trabalhe honestamente, com transparência e dignidade, como sempre foi feito aqui, eles falam. Uma meia dúzia de jornalistas esportivos. Acho que é mais inveja e rancor, porque, no fundo, eles querem profissionalização e sabem que trabalhamos bem - diz ele em sua ampla sala na sede da Traffic, uma casa de arquitetura moderna no Jardim Paulistano, zona leste da capital.
Filho de uma família dona de um laticínio em São José do Rio Preto, ele começou a carreira na década de 60 como repórter de rádio no interior de São Paulo. Mudou-se para a capital em 1967 para trabalhar na rádio e TV Bandeirantes. Em meados da década de 70, começou como repórter na TV Globo (indicado pela jornalista Marília Gabriela, diz ele), onde chegou a apresentador do "Globo Esporte" e acabou afastado por cem dias em 1979, após liderar uma greve:
- Aqueles três meses desempregado, com um filho de seis meses, foram um divisor de águas. Jamais estive mentalmente preparado para ficar sem emprego. Jurei a mim mesmo que teria um negócio e nunca mais dependeria de ninguém.
Recontratado pela Globo, levava vida dupla. De dia, apresentava o programa. De noite, buscava emplacar como empreendedor. Formado em Direito, tentou advogar; foi dono de uma pequena empresa de publicidade; chegou a ter 30 carrinhos de cachorro quente até que, em 1980, comprou a Traffic, uma empresa de anúncios de pontos de ônibus, por algo como R$ 15 mil. Na época, percebeu um novo filão de negócios: a comercialização de anúncios em placas ao redor do campo em estádios:
- No Brasil, era um bagunça. O cara dava dois sacos de cimento para o São Paulo e colocava por um ano a placa lá no Morumbi. Quando vi isso, transformei a Traffic numa empresa de publicidade de campo de futebol. Chegamos a ter 25 estádios. Todo jogo do Brasileiro era nosso. Aquilo dava um tremendo de um poder e ganhamos muito dinheiro.
Em 1982, pediu demissão da Globo e passou a se dedicar em tempo integral à Traffic. Os contatos com a CBF começaram aí. Hawilla sugeriu ao então presidente Giulitte Coutinho que exigisse os estádios limpos e que apenas a entidade vendesse as placas. Logo a empresa gerenciava direitos de transmissão, patrocínio para torneios e, mais recentemente, passes e contratos de publicidade de jogadores. Aos poucos, foi montando também um braço de mídia. A fórmula - eventos, jogadores e mídia - é a alma de seu negócio esportivo, segundo ele.
Casado há 33 anos com Eliane e pai de três filhos - Stefano, de 30 anos, Renata, de 28, e Rafael, de 25 (os homens trabalham com ele) -, Hawilla tem opiniões próprias e não esconde o que pensa sobre o atraso no futebol brasileiro. Os clubes estão endividados por incompetência gerencial de seus dirigentes:
- Os dirigentes são tão atrasados, que até hoje não sabem o real valor do que têm em mãos. O Manchester tem seis milhões de torcedores e fatura bilhões. Já o Corinthians tem 24 milhões e o Flamengo, 26 milhões e não faturam. Porque o Manchester tem os torcedores no computador deles. Aqui, os nossos times não têm um torcedor catalogado. Os clubes só sobrevivem porque as receitas explodiram.
Seleção é debate nacional
Hawilla não defende mais contratos como o que celebrou em 1996 entre a Nike e a seleção brasileira (e que terminou alvo de uma CPI no Congresso) como padrão de negócios para o futebol brasileiro. Para ele, a solução está nos fundos e nos clubes de investimento (como os dois da Traffic) que compram e vendem jogadores para os clubes, deixando para os dirigentes a administração em si. E se defende das acusações de que essa fórmula deixa os times dependente dos agentes:
- O futuro são fundos que se formam para comprar jogadores e reforçar um time. Não tem nada mais claro e limpo do que isso. Não temos um homem na comissão técnica, não pedimos para pôr, para tirar este ou aquele jogador. Se o time é campeão, todos saem ganhando.
J. Hawilla considera a seleção de Dunga fraca, mas pensa que escalar uma seleção é um debate nacional em que todos acham que têm razão. A Copa do Mundo em 2014 no Brasil, diz ele, será benéfica para o país, que acabará fazendo tudo o que foi exigido pela Fifa. Ele teme somente o estado dos aeroportos e concorda com o técnico Carlos Alberto Parreira quanto à reforma de estádios velhos:

- É melhor construir novo do que gastar reformando velho. A reforma do estádio do São Paulo vai ser de R$ 450 milhões. Com isso, faz-se um estádio novo. Porque o Engenhão, que teve mil problemas, fizeram por R$ 380 milhões. O erro foi ter anunciado que ficaria em R$ 60 milhões.



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Aqui a reportagem da Carta Capital sobre o lançamento do Livro - O Lado Sujo do  Futebol.

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Os comparsas:
Teixeira, Havelange e Marinho

Livro revela o lado sujo do futebol brasileiro e a conexão com a exclusividade da Globo.
A capa da revista Carta Capital desta semana dá notícia do livro “O lado sujo do futebol”, de Amaury Ribeiro Jr, autor do best-seller “Privataria Tucana”, Leandro Cipoloni e Luiz Carlos Azenha, ambos da TV Record, e Tony Chastinet, que foi da Record e hoje está na Band.

O livro chega às livrarias neste sábado e foi editado pela Planeta.

O livro já teria encomendas que chegam a 15 mil exemplares.

Além de descrever as maracutaias em família – Havelange, o sogra, Teixeira, o genro, a ex-mulher e a amante – vai às origens da ligação com a Globo Overseas.

E aos contratos de exclusividade para transmitir a Copa – que a Globo hoje boicota.

Daí, surge a evasão fiscal que criou o movimento de âmbito nacional – “mostra o DARF”- , de efeitos mais concretos do que as “manifestações contra a Copa”- clique aqui para ler “assim, dá pra ter duas copas !”.

Leia a seguir sublime momento que descreve a ligação ente Roberto Marinho e Havelange:


Quando Ricardo Teixeira assumiu a CBF, em 1989, a TV Globo já mandava no futebol. E no País. No final daquele ano, a emissora conseguiu manipular a primeira eleição presidencial após a redemocratização do Brasil. Ao longo da campanha, favoreceu o candidato Fernando Collor de Mello, sócio da Globo em Alagoas, onde tinha sido governador. Com apoio da grande imprensa e do empresariado, Collor foi ao segundo turno contra o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. No dia seguinte ao debate final da campanha, transmitido pela emissora, a direção determinou que o “Jornal Nacional”, principal telejornal do país, exibisse uma edição favorável a Collor. O “caçador de marajás”, como o político era conhecido em Alagoas, foi eleito.

Ao neófito cartola, portanto, era prudente fazer a política de boa vizinhança – ou, em português claro, rezar a cartilha da família Marinho. O mais importante, àquela altura, era não mexer na galinha dos ovos de ouro: os direitos de transmissão dos jogos da seleção brasileira. Desde 1978, quando deu aquela mãozinha para João Havelange na transmissão do Mundial da Argentina, a Globo detinha os jogos da Copa do Mundo. O sogro já havia instruído seu pupilo de que a parceria com a família era antiga – e deveria ser cuidada com carinho.

A aproximação havia começado dois anos antes, no início de 1976, para tratar da transmissão da Copa. A pedido de Havelange, Roberto Marinho e o seu então superintendente de Produção e Programação, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, receberam o presidente da Fifa para um almoço na sede da emissora, no Rio. Em sua biografia, Havelange descreve Marinho como “um homem de personalidade e palavra”. A recíproca desse carinho ficou marcada na memória do cartola por um episódio que ocorreu muitos anos depois. Em 1994, um amigo de Havelange e Boni foi preso: o bicheiro Castor de Andrade. Acusado de contravenção, Castor esteve foragido até ser preso no meio do Salão do Automóvel de São Paulo, disfarçado com bigode postiço e peruca preta.

Naquela época, o diretor da Globo e o presidente da Fifa eram mais que amigos: “Tenho no Boni um irmão mais novo”, definiu o cartola. Os três viviam grudados. Boni ficou próximo de Castor pelo samba – o bicheiro, morto em abril de 1997, foi patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel e ajudou a criar a Liga das Escolas de Samba do Rio. Havelange conheceu Castor no futebol, como já contamos, como patrono do Bangu – e se tornaram amigos do peito: reportagem do próprio jornal “O Globo”, de 9 de abril de 1994, chamou o presidente da Fifa de “avalista moral de Castor” e lembrou que, segundo o Ministério Público, o cartola apareceu na lista de propinas do bicheiro – que andava com um “atestado de idoneidade” assinado de próprio punho pelo presidente da Fifa.

Quando o bicheiro foi preso, a dupla foi ao presídio prestar solidariedade. “Doutor Roberto” descobriu, pela imprensa, a visita de seu diretor a um contrabandista num presídio e ficou incomodado. No livro sobre a vida de Havelange o episódio é narrado assim:

“Assim que soube, Roberto Marinho chamou Boni à sua sala, no décimo andar da sede da TV Globo:

– Boni, eu estou muito aborrecido com o fato de você ter ido visitar o Castor.

– Mas, doutor Roberto…

– Não precisa explicar, não. Eu sei que você foi lá por causa do Carnaval.

– Eu não fui lá por causa do Carnaval, não, doutor Roberto. Eu fui pra lá por causa do João Havelange.

– Bom, então pelo menos nós temos aí uma boa desculpa pra eu não me zangar com você. Eu adoro o João Havelange.”

Foi nesse ambiente do “tudo junto e misturado” que o cartola Ricardo Teixeira foi formado. Ganhou blindagem de todos os lados. Era protegido, bajulado, paparicado. Até o dia em que mexeu onde não devia. Já seguro de si, com mais de uma década no comando da CBF, resolveu crescer os olhos sobre os direitos de transmissão da seleção brasileira
.


(Clique nas imagens para ampliar e facilitar a leitura.)










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A palavra do Bom Senso F.C.
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A partir da prisão de Marin e da renúncia de Blatter, o Torcedor, a comunidade do futebol e a sociedade brasileira cobram mudanças reais no modelo de gestão da Confederação Brasileira de Futebol.
O Bom Senso FC reitera a público as propostas de mudanças estatutárias que visam democratizar a CBF e iniciar o processo de renovação reivindicado pelos torcedores, por ídolos do nosso futebol e por amplas parcelas da mídia e da sociedade.
1) limitação de mandatos, permitindo apenas 1 (uma) reeleição à Presidência da entidade;
2) Democratização das instâncias de decisão da CBF, como o Colégio Eleitoral, a Assembleia Geral e os Conselhos Técnicos, garantindo direito proporcional de voto aos atletas, técnicos e gestores;
3) direito a voto a todos os clubes participantes do Campeonato Brasileiro, de todas as divisões, na Assembleia Geral da CBF;
4) diminuição da cláusula de barreira: apoio de 1 (uma) Federação ou de 1 (um) clube para inscrição de chapas à Presidência da CBF;
5) adoção das medidas de Fair Play Financeiro previstas no texto original da MP 671; e
6) banimento do esporte de todos os envolvidos com escândalos de corrupção.
Pelo posicionamento público dos dirigentes da CBF e pelas informações obtidas pela imprensa, não acreditamos que a Assembleia Geral da próxima quinta-feira, dia 11, sob o comando de Marco Polo Del Nero, aprove essas medidas democratizantes.
Diante disso, defendemos a renúncia imediata do presidente Del Nero ao seu cargo e convocação de novas eleições para a CBF até o final do ano, já com as propostas de mudanças estatutárias em curso.

Bom Senso Futebol Clube,
por um futebol melhor para todos
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E aqui os pagadores de propina... de onde eles tiraram o dinheiro...
É claro! Do seu(meu, nosso) bolso!

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Globo sonegou Imposto de Renda. 
A Dilma vai cobrar ?

A sonegação foi feita com o emprego de paraísos fiscais. A PF do Cardozo vai pra cima?E o Gurgel?
O Conversa Afiada dá parabéns ao Miguel do Rosário.

Também o ansioso blogueiro tentou ter acesso às informações sobre a atividade sonegadora de um dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio.

Depois de inúmeras tentativas, deu com os burros n’água.

O Ministério da Fazenda e a Receita foram impenetráveis, intransparentes.

Se o sonegador fosse o Lula … talvez fosse diferente.

Em nome “das ruas” vazaria tudo …

Com a Globo, bem, com a Globo, só mesmo o Miguel !

Boa, Miguel !

Bomba! O mensalão da Globo!



O Cafezinho acaba de ter acesso a uma investigação da Receita Federal sobre uma sonegação milionária da Rede Globo. Trata-se de um processo concluído em 2006, que resultou num auto de infração assinado pela Delegacia da Receita Federal referente à sonegação de R$ 183,14 milhões, em valores não atualizados. Somando juros e multa, já definidos pelo fisco, o valor que a Globo devia ao contribuinte brasileiro em 2006 sobe a R$ 615 milhões. Alguém calcule o quanto isso dá hoje.

A fraude da Globo se deu durante o governo Fernando Henrique Cardoso, numa operação tipicamente tucana, com uso de paraíso fiscal. A emissora disfarçou a compra dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002 como investimentos em participação societária no exterior.  O réu do processo é o cidadão José Roberto Marinho, CPF número 374.224.487-68, proprietário da empresa acusada de sonegação.

Esconder dólares na cueca é coisa de petista aloprado. Se não há provas para o mensalão petista, ou antes, se há provas que o dinheiro da Visanet foi licitamente usado em publicidade, o mensalão da Globo é generoso em documentos que provam sua existência. Mais especificamente, 12 documentos, todos mostrados ao fim do post. Uso o termo mensalão porque a Globo também cultiva seu lobby no congresso. Também usa dinheiro e influência para aprovar ou bloquear leis. O processo correu até o momento em segredo de justiça, já que, no Brasil, apenas documentos relativos a petistas são alvo de vazamento. Tudo que se relaciona à Globo, à Dantas, ao PSDB, permanece quase sempre sob sete chaves. Mesmo quando vem à tôna, a operação para abafar as investigações sempre é bem sucedida. Vide a inércia da Procuradoria em investigar a privataria tucana, e do STF em levar adiante o julgamento do mensalão “mineiro”.

Pedimos encarecidamente ao Ministério Publico, mais que nunca empoderado pelas manifestações de rua, que investigue a sonegação da Globo, exija o ressarcimento dos cofres públicos e peça a condenação dos responsáveis.

O sindicato nacional dos auditores fiscais estima que a sonegação no Brasil totaliza mais de R$ 400 bilhões. Deste total, as organizações Globo respondem por um percentual significativo.

A informação reforça a ideia de que o plebiscito que governo e congresso enviarão ao povo deve incluir a democratização da mídia. O Brasil não pode continuar refém de um monopólio que não contente em lesar o povo sonegando e manipulando informações, também o rouba na forma de crimes contra o fisco.
































Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância impar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, proprina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...



A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?

Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*

As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.

Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!


O Mercado de notícias - Filme/Projeto do gaúcho Jorge Furtado


As histórias do ex-marido da Patrícia Pillar

Luiz Flávio Gomes e sua "Cleptocracia"

Comentários políticos com Bob Fernandes.

Ricardo Boechat - Talvez seja ele o 14 que eu estou procurando...



Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?

Comissão Nacional da Verdade - A história sendo escrita (pela primeira vez) por completo.

Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.

Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.

Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.

Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países?

Acompanhando o Caso HSBC VI - Pausa para avisar aos bandidos: "Estamos atrás de vocês!"... 

Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos

Acompanhando o Caso HSBC VIII - Explicações do presidente do banco HSBC no Brasil





Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!

Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.

Acompanhando a Operação Zelotes IV (CPI do CARF) - Apresentação da Polícia Federal, Explicação do Presidente do CARF e a denuncia do Ministério Público.