Magazine Luiza

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Minhas 20 Músicas favoritas - Flávio Henrique

Minhas 20 Músicas favoritas - Flávio Henrique

O Pássaro Pensil


Casa aberta


Mãe

A luz é como água


Azul de passagem


Pedra do reino


O choro do fim do mundo


Cobra Coral


Céu de abril


Sangue seco


Qualquer palavra

Choro livre


Cigana


Vi


Faísca na medula


Quadros modernos

Aos olhos de  Guignard

Água marina



Milagre dos peixes


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Poderia ter feito um post "In Memorian" devido a prematura, triste e revoltante morte do cantor, compositor, músico e presidente da Empresa Mineira de Comunicação, responsável pela Rádio Inconfidência de Belo Horizonte e pela Rede Minas;  por Febre Amarela (!?!)
(?!? Febre amarela até hoje mata no Brasil ?!?!?)

Mas achei melhor mais um post do especial "Bom gosto musical- minhas 20 preferidas"

Flávio Henrique


“Flávio Henrique foi um artista único. Como compositor, levou adiante a tradição da música mineira reconhecida em todo o mundo. Sua obra sintetizava correntes estéticas muito ricas, em termos de harmonia e melodia, além da sensibilidade muito fina para a poesia e a cultura popular. Fazia poesia com sons. Suas canções, sempre construídas com muita delicadeza, sabiam ousar e manter a identificação com o público, o que é muito raro entre compositores populares. Era também muito admirado pelos músicos, tanto pela força criativa como pelo afeto que imprimia em todas as relações pessoais. Não foi um acaso que tenha se dedicado a um grupo vocal, o Cobra Coral, para dar expressão ao seu talento criador. A voz de Flávio soava mais completa ao lado de parceiros de ideias e sentimentos. Era um homem discreto, mas afetivo. Para quem tinha como missão espalhar canções, guardava a tocante capacidade de ouvir, sempre com atenção e respeito. Talento que levou para a política cultural, ao se ligar ao projeto de consolidar a comunicação pública em Minas Gerais, um desafio que enfrentava como tarefa coletiva. A Empresa Mineira de Comunicação, por meio de seus amigos, colegas e colaboradores, herda seu compromisso com comunicação de qualidade, como bem público fundamental para a democracia. Que faça isso com a inspiração de uma arte superior, é uma dádiva deixada por Flávio Henrique." É com esse texto, escrito por João Paulo Cunha, que o Jornal Minas presta sua homenagem ao falecimento de Flávio Henrique Alves, homem que sem dúvidas deixará muita saudade em todos os amigos e familiares.

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https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2018/01/18/interna_gerais,931743/febre-amarela-mata-presidente-da-rede-minas-flavio-henrique.shtml

Febre amarela mata presidente da Rede Minas e Inconfidência, Flávio Henrique

Músico e presidente da Empresa Mineira de Comunicação estava internado desde a semana passada em estado grave

Morreu, na manhã desta quinta-feira, Flávio Henrique Alves de Oliveira, de 49 anos. O músico, compositor e presidente da Empresa Mineira de Comunicação, à qual estão vinculadas a Rede Minas e a Rádio Inconfidência, estava internado desde a última quinta-feira no Hospital Mater Dei, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, com febre amarela. Como músico, Flávio foi fundamental no 'reflorescimento' do carnaval de BH; compôs em 2012 o hit 'Na coxinha da madrasta'. Relembre a carreira artística. O velório está marcado a partir de 16h desta quinta-feira, no hall da Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito de Melo, 1.090, Barro Preto). Será aberto ao público a partir das 17h30. A previsão do enterro é para as 9h de sexta-feira, no Cemitério Parque da Colina, no Bairro Nova Cintra, Região Oeste de Belo Horizonte. Familiares e amigos suspeitam que Flávio tenha contraído a doença em Casa Branca, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele adquiriu uma casa na região e frequentou cachoeiras nos últimos dias nas proximidades da propriedade. Continua depois da publicidade A informação da morte foi confirmada pela equipe médica da unidade de saúde. “Comunicamos que o paciente Flávio Henrique Alves de Oliveira, internado na Rede Mater Dei de Saúde no dia 11 de janeiro de 2018, faleceu hoje dia 18 de janeiro de 2018, às 7h30, em decorrência de complicações de febre amarela”, diz a nota publicada pelo hospital. De acordo com informações extraoficiais, além da doença, o paciente apresentou complicações hepáticas, fazendo-se necessário um transplante de fígado. Tão logo foi confirmada uma doação no Paraná, começaram os preparativos para a intervenção cirúrgica. O procedimento estava previsto para durar até a madrugada de hoje. No fim da tarde, o músico havia sido transferido em uma ambulância UTI para o prédio do Mater Dei do Bairro Santo Agostinho, na Rua Gonçalves Dias. Por meio de nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) esclareceu que a investigação epidemiológica apontou que a contaminação pela doença ocorreu em uma região de sítio e matas em município da Grande BH. Disse, ainda, que o paciente não é vacinado. A administração municipal informou que fez vistorias detalhadas para a retirada de focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da forma urbana da doença, próximo à residência dele, na Região Centro-Sul de BH. Com a morte do músico, sobe para 16 o número de óbitos em decorrência da febre amarela em Minas Gerais e 22 casos confirmados; 59% deles no entorno da capital. O falecimento do músico deve constar nos próximos boletins da Secretaria de Estado de Saúde. Os números podem ser ainda maiores, já que a Prefeitura de Viçosa, na Zona da Mata, também confirmou a morte de um morador da cidade. O estado investiga ao todo 46 notificações, sendo que dessas, oito resultaram em óbitos ainda não apurados. Na Fundação Ezequiel Dias (Funed), trabalhos de identificação do vírus estão a todo vapor.

https://www.cartacapital.com.br/cultura/compositor-flavio-henrique-morre-por-complicacoes-de-febre-amarela


Compositor Flávio Henrique morre por complicações de febre amarela



Personalidade querida em Belo Horizonte, ele tinha músicas gravadas com parceiros como Paulo César Pinheiro e Milton Nascimento


O compositor mineiro Flávio Henrique Alves de Oliveira morreu nesta quinta-feira 18, vítima de complicações decorrentes de febre amarela. Internado desde 11 de janeiro, o músico chegou a ser submetido a um transplante de fígado na quarta-feira 17, mas não resistiu. Figura querida no meio musical de Belo Horizonte, Flávio Henrique deixou mais de 180 canções gravadas, feitas em parcerias como nomes de destaque como Paulo César Pinheiro e integrantes do Clube da Esquina como Milton Nascimento, Toninho Horta, Ronaldo Bastos e Lô Borges. Além de compositor, Flávio Henrique era presidente da Empresa Mineira de Comunicação, órgão estadual responsável pela Rádio Inconfidência e pela Rede Minas. Ele deixa a mulher e uma filha. Vários amigos músicos lamentaram a morte de Flávio Henrique. Compositor da Orquestra Royal, grupo que tem se notabilizado por marchinhas de Carnaval com temas políticos, Vitor Veloso lembra da importância do compositor na formação da banda. Em 2012, Flávio compôs a marchinha "Na coxinha da Madrasta", uma crítica ao vereador Léo Burguês, que havia sido alvo de uma denúncia do Ministério Público por gastos na compra de coxinhas, produzidas no buffet da madrasta do parlamentar. "O Flávio foi quem começou tudo. Quem jogou a primeira pedra na vidraça da hipocrisia", diz Vitor. "É no trinco que ele fez que nós batemos todos os anos. Todas as risadas e incômodos que a Orquestra Royal causou, devemos a ele." O corpo de Flávio Henrique será velado nesta quinta 18 a partir das 17h30, na Sala Minas Gerais. O sepultamento está previsto para esta sexta-feira 19 no Cemitério Parque da Colina. Em seu Twitter, o governador Fernando Pimentel afirmou que Flávio era "um amigo querido, um grande homem, um grande artista". "Hoje é um dia triste para Minas Gerais", completou. O músico Lô Borges também homenageou o músico. "Quanta tristeza. Vá em paz, Flávo Henrique. Nossos sinceros sentimentos à famílias e aos amigos queridos."
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Site Cobra Coral:

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A HORA DO IMPROVISO Thiago Delegado convida Flávio Henrique


A HORA DO IMPROVISO - Thiago Delegado convida Cobra Coral























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Outros Personagens do especial "Bom gosto musical - Minhas 20 músicas favoritas"

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Ex-Governadores do Rio Presos; FifaGate; Guangue do guardanado: É Tudo um assunto só


Cumprindo uma das promessas feitas no final do ano aqui, vai o post sobre os governadores cariocas presos. (Fiz a promessa porque o post já estava bem encaminhado...)

Pelas palavras da premiada brasileira de nome Maria, (que você pode ter uma primeira vez com ela aqui) diz a corrupção que aparece nos jornais é muito útil para o Sistema da Dívida pública; pois se alguém perguntar o porque o Brasil não vai para frente, a resposta na ponta da língua de todos é: A corrupção de nossos políticos... Portanto vira uma cortina de fumaça para o maior ralo do dinheiro público.

Confiando nessa afirmação esse post então será um post de entretenimento...
Sobre filmes, cinema e corrupção estilo cortina de fumaça...
Que não é o principal motivo do Brasil não ir para frente, mas tem no seu enredo acidentes trágicos(provocados ou não), suicídios(provocados ou não), mulheres, futebol, danças...

E vou começar com uma música...
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Em 23/10/2017 em um programa especial com o Anthony Garotinho, Roberto Cabrini perguntou:
-Isso que está dizendo pode lhe causar uma terceira prisão?
Anthony Garotinho respondeu:
-Acredito que não...

Nem um mês depois da reportagem ir ao ar o ex-governador foi preso...

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Ano passado, quando o noticiário político continuava misturando-se com o noticiário policial (o auge dessa mistura foi aquele circo de abril/2016), após revelações dos áudios dos irmãos Batistas , na conta oficial do Twitter do seriado "House of Cards" apareceu essa mensagem:" Está difícil competir"



http://www.meioemensagem.com.br/home/ultimas-noticias/2017/05/17/house-of-cards-ironiza-situacao-politica-no-brasil.html

House of Cards, obra de ficção que imita a realidade da política misturar-se com bandidos ou bandidos misturar-se com políticos,  nunca sabemos quem procura quem. 
Esses acontecimentos dão bons filmes livros ou histórias.... 

( abre um parênteses paroquial: 
A história do atual prefeito de Belo Horizonte  foi uma história curiosa e bem contada pelo atual vereador da cidade que participou da candidatura antes dela existir. A história está aqui
Fecha parênteses paroquial)

Eduardo Cunha, personagem brasileiro mais parecido com o protagonista da série americana veio da política carioca. (Sobre o Eduardo Cunha não detalharei;  já falei tudo o que deve ser dito aqui)

Que a política carioca dá filme não é novidade. O candidato derrotado no segundo turno da capital carioca em 2016 tornou-se personagem de filme em 2010 devido a CPI que ele presidiu em 2008.



No tropa de elite, filme concorrente da série House of Cards em ficção que mistura policia/política, com a seguinte diferença: o House of Cards o principal personagem está na política e no tropa de elite o principal está na polícia... 

...mostra cenas do caso da jornalista e do fotógrafo do jornal "O dia".





A CPI das melícias do Rio de Janeiro teve início após dois jornalistas do jornal "O dia" terem sidos torturados pelos milicianos em 14 de maio de 2008. 

Relatorio Final CPI das Milicias 




No filme Tropa de elite essa cena aparece, mas com um "gape" de tempo. No filme material de campanha do governador foi encontrado pelos jornalistas. Em 2008 não houve campanha para governador (eleições em 2006 e 2010), o que gera dúvidas se o tal candidato a governador refere-se a alguém em especial ou é apenas parte do roteiro do filme. Gente próxima dos produtores dizem ser o Sérgio Cabral. Outros dizem ser o Anthony Garotinho.

'Tropa de Elite 2' juntou freixistas e cabral-eduardistas
http://mjdelfino.blogspot.com.br/2012/10/tropa-de-elite-2-juntou-freixistas-e.html


Tropa de Elite II: muito além da ficção
https://juntos.org.br/2011/01/tropa-de-elite-ii-muito-alem-da-ficcao/

Eduardo Cunha saiu dos bastidores da política (quando cuidava do arrecadação de campanha do Collor trabalhava com o P.C.Farias) estreou na política em cargo público no governo Garotinho.
Anthony Garotinho protagonizou uma cena recentemente que caso mais filmes sobre a política carioca seja feita não pode deixar de fazer parte do filme:

Anthony Garotinho fazendo Pirraça para Entrar na Ambulância!


E... Miliciano em campanha por Garotinho
https://istoe.com.br/378954_MILICIANO+EM+CAMPANHA+POR+GAROTINHO/

Porém se o roteirista do filme quiser ser mais dramático e quiser dar enfase ao Sérgio Cabral ao invés do Garotinho ele pode começar o filme com o acidente de Helicóptero em Porto Seguro na Bahia. A cena seria assim: O filho do Sérgio Cabral vira para sua namorada e fala: Pode embarcar e...

Acidente de helicóptero na BA choca alta sociedade carioca
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/acidente-de-helicoptero-na-ba-choca-alta-sociedade-carioca,d69ccc00a90ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

A relação entre Sérgio Cabral e Fernando Cavendish
https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-relacao-entre-sergio-cabral-e-fernando-cavendish

Fora essas cenas, a maior parte dos governadores eleitos no Rio de Janeiro desde a redemocratização misturam política com polícia...



Ou quem sabe o próprio garotinho pisando no seu próprio pé e quebrando o seu dedinho...
Imagina a cena...

Toda a violência é injustificável, ainda mais cometida em prédio público


https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_governadores_do_Rio_de_Janeiro

Lista dos governadores eleitos do Rio de Janeiro desde a redemocratização:


  1. Leonel Brizola - Eleito em 1982 - mandato de 83 a 86
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_1982
  2. Moreira Franco - Eleito em  1986 - Mandato de 87 a 90  https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_1986
  3. Leonel Brizola - Eleito em 1990 - Mandato de 91 a 94 https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_1990
  4. Marcello Alencar - Eleito em 1994 - Mandato de 95 a 98 https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_1994
  5.  Anthony Garotinho - Eleito em 1998 - Mandato de 99 a 2002 https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_1998
  6. Rosinha Garotinho - Eleita em 2002 - Mandato de 2003 a 2006 https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_2002
  7. Sérgio Cabral Filho - Eleito em 2006 - Mandato de 2007 a 2010  https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_2006
  8. Sérgio Cabral Filho - Eleito em 2010 - Mandato de 2011 a 2014 https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_2010
  9. Luiz Fernando Pezão - Eleito 2014 - Mandato de 2015 a 2018 https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_estaduais_no_Rio_de_Janeiro_em_2014 


Em 1960 Juscelino Kubitschek inaugurou Brasília. Nas palavras dele que podemos ver em vários lugares, (incluindo nesse livro: O 4° poder ) ele declara que tirou a capital do Brasil do Rio de janeiro para Brasília devido ao medo da mídia golpista da época, um radialista chamado Carlos Lacerda que trabalhava num conglomerado de comunicação da época chamado gLOBO. 

A solução de tirar a capital do Rio para Brasília, na minha opinião, foi uma solução egoísta, pois resolveu o problema imediato dele mas não resolveu o problema brasileiro. Continuamos tendo uma mídia golpista, financiada pelo império, que tem a missão de mantermos colônia. Desde o início a TV gLOBO foi irregular (como mostra o mesmo livro do PHA, pois nasceu com financiamento americano das revistas imperialistas Time/Life),  Continuou cometendo irregularidades por toda a sua história, como mostra a operação Zelotes(que deu origem a CPI do CARF), o escândalo SwissLeaks(que deu origem a CPI do HSBC), o FIFAGate (que já teve três CPIs sobre o assunto: da Nike, do Futebol no Senado e a máfia do futebol na Camara), também o Panamá Papers, o mais atual Paradaise Papers, e também quando ela mesma se enrola sozinho sem escândalos na companhia de outras empresas, alguns exemplos mostrei aqui: (meias verdades). Porém o maior dos crimes cometido por esse oligopólio cartelizado dos meios de comunicação é manter um país inteiro a mercê das historinhas contada por eles deixando a população sem saber o que realmente te acontece a sua volta. 

Na época que a Times-Life transformaram a gLOBO de um jornalzinho carioca e uma rádio,  no que ela é hoje, existia um ditadura militar no Brasil que controlava de forma explícita censurando mesmo: "você diz isso e não diz isso" ;  "esse fato não aconteceu assim foi assado"; diziam aqueles fardados segurando uma metralhadora na redação do órgão de imprensa. 
A ditadura caiu em 85 porém essa prática não terminou como já escreveu Ângela Carrato num artigo que já publiquei aqui: (O Brasil mudou, a mídia não). 

Um ex-Governador do Rio de janeiro já nos avisava sobre isso naquela época: Leonel de Moura Brizola dizia que é fácil escolher o lado certo para o povo brasileiro: basta ver o que a gLOBO defende e ser contra. Ele dizia que a primeira coisa que faria, na primeira hora do primeiro dia em que ele sentasse na cadeira de presidente seria questionar esse Oligopólio cartelizado. 


Digo tudo isso para alertar sobre a necessidade de tomarmos cuidado com as histórias que nos contam sobre políticos corruptos, sobre políticos santos, pois a contadora de histórias tem lado e pode não ser o lado que você gostaria que ela estivesse... Depois de Leonel Brizola, quase nenhum outro ousou confrontar esse 4° poder, sediado no Rio de Janeiro. Pelo contrário: quase todos eles foram cúmplices e hoje TODOS os ex-governadores eleitos do Rio de Janeiro estão ou foram presos.  Com uma exceção: Moreira Franco, o gatinho Angorá não está preso, não por falta de merecimento, mas é porque ele ganhou status de ministro no governo usurpador Temer e o supremo não prende ninguém. 

Quase nenhum outro ousou confrontar a gLOBO.


Em nome da verdade, o Jornal O gLOBO foi rasgado:


Todos os governadores eleitos no Rio nos últimos 18 anos são alvo de delatores...  

 https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/04/17/governadores-eleitos-no-rio-nos-ultimos-18-anos-sao-citados-em-delacoes-na-lava-jato.htm


Assim como mudar a capital do país do Rio para Brasília, prender os governadores e deixar solto seus "mandantes" não vai resolver o problema do Rio de Janeiro. 

É claro que não podemos colocar todos os governadores preso num mesmo balaio. Há uma frase que já se tornou popular entre nós: Político é tudo igual. Imaginando que político é tudo igual gera entrevistas assim:


(Abre outro parênteses
Costumo a dizer que se político fosse tudo igual, se Aécio Neves fosse igual a Ciro Gomes, então hoje no Brasil das 100 melhores escolas públicas do país estariam 50 no Ceará e 50 em Minas Gerais.
Como político não é tudo igual então:
Ceará tem 77 das 100 melhores escolas públicas do país

http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/pais/2016/09/09/CEARA-TEM-77-DAS-100-MELHORES-ESCOLAS-PUBLICAS-DO-PAIS.htm
Fecha parênteses)

 Mas não vamos nos dispersar, o assunto é o Rio de Janeiro... Definitivamente esses políticos presos do PMDB não são todos iguais. Na verdade não deveriam nem estar na mesma cadeia, pois são facções inimigas: um denúncia o outro. 

E os crimes que cometem não são os mesmos.
De um lado a facção do Sérgio Cabral, Jorge Picciani e associados, o crime imputado a eles é uma certa empresa vencer uma licitação  (direcionada?)  e essa empresa ou os seus sócios compram bois e vacas com preços superfaturados, de uma agropecuária deles que depois rateiam o dinheiro. 
E o dinheiro público acaba no bolso dos privados, como acontece nas famosas pppppppps.
Percebam que o destino final do dinheiro são os acusados. A origem é o dinheiro público.

Já a facção do Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e sua prole (o moço tem 9 filhos) o crime imputado é compra de votos: 11 milhões gastos em compra de votos. A compra de votos é assim: existe um programa chamado "cheque cidadão", a versão carioca do "bolsa família"; onde o governo e/ou prefeitura distribui renda de forma explícita e direta: 
Direto dos impostos para a população carente.
Percebam que o destino final do dinheiro são beneficiários do cheque cidadão. A origem é o dinheiro público. (A origem do dinheiro é sempre o dinheiro público)

Está aí a solução para os problemas daqueles que acham que o pior ladrão do país é o Lula! 
Esse juiz carioca ensina ao Sérgio Moro como deve-se agir para prender o Lula: 
Fala que o bolsa família é compra de votos.

Para não ser corrigido depois, tem essa outra decisão judicial aqui que condena o Anthony Garotinho e o seu crime foi agir como se fosse o governador do estado quando na verdade a governadora era a sua esposa.

Leia decisão que condenou Garotinho e Álvaro Lins
https://www.conjur.com.br/2010-ago-24/leia-decisao-condenou-garotinho-alvaro-lins-crime-quadrilha

Nos filmes americanos policiais, sempre tem aquela máxima: Follow the money!
Os caras que roubam, roubam, roubam, uma hora pega o dinheiro e vai para Paris (se eles moram no Rio, se eles moram em Paris eles vem para o Rio) gastar o dinheiro.

Anthony Garotinho, que tem um programa de rádio e um blog, o Blog do Garotinho, e comunica bem com seu público e seus eleitores e tem interesse em fazer isso. 
https://pt-br.facebook.com/radiotupi/
O programa de rádio com transmissão on-line pela internet funciona enquanto a polícia não invade o estúdio para prendê-lo...


A outra Facção, não tem muito interesse em comunicar com a população... pelo contrário, tem algumas empresas que eles gostariam que ninguém ficasse sabendo que são deles.

O caso é que essas empresas aparece no  programa de rádio e no Blog do Garotinho...
E os componentes da outra facção ficam bem nervosos.

Todos os governadores do Rio foram presos. E ao juntar todos na mesma prisão deixou de cabelos em pé toda a "prole Garotinho", que acharam que o patriarca da família ao lado da outra facção criminosa que o próprio Garotinho denuncia não iria dar muito certo, poderia ser perigoso para a saúde do Anthony Garotinho. Tanto sua esposa, ex-prefeita de Campos  e sua filha advogada espernearam e fizeram apelos para justiça;  e o Garotinho, repetindo o que fez naquela época que queria receber sozinho para o Rio de Janeiro os royalties do petróleo, voltou a fazer greve de fome:

(O motivo da greve de fome não era os royalties do petróleo, era uma denuncia de que ele teria usado o avião de um bandido de um escândalo da época; citei o caso dos Royalties do petróleo só para lembrar que é o mesmo personagem. )

http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/20060512-41114-nac-8-pol-a8-not/busca/Garotinho+greve


Garotinho inicia greve de fome em presídio no Rio
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,garotinho-incia-greve-de-fome-em-presidio-no-rio,70002121612

5 de maio de 2006 - 21h06  Greve de fome: até onde Garotinho aguenta?
http://www.vermelho.org.br/noticia/1981-1

Onze anos depois, Garotinho anuncia que está em greve de fome de novo
https://oglobo.globo.com/brasil/onze-anos-depois-garotinho-anuncia-que-esta-em-greve-de-fome-de-novo-22195755

Na prisão, Garotinho anuncia greve de fome como "grito de desespero contra injustiças"; veja carta... 
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/12/15/na-prisao-garotinho-anuncia-greve-de-fome-como-grito-de-desespero-contra-injusticas-veja-carta.htm

Anthony Garotinho é preso enquanto apresentava programa de rádio
http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-09-13/anthony-garotinho-e-preso-enquanto-apresentava-programa-de-radio.html





Definitivamente não é a mesma coisa.
Engana-se que pensa: político é tudo igual.
A briga entre as duas facções criminosas do PMDB carioca inclui a nojenta  ameaça de xixi na cova, ameaça de morte, sumiço de PenDrives... Que roteiro belíssimo para um filme de ação:

BOMBA: Agente penitenciário denuncia: Garotinho está jurado de morte por Sérgio Cabral
https://www.jornaldopais.com.br/bomba-agente-penitenciario-denuncia-garotinho-esta-jurado-de-morte-por-sergio-cabral/

Alegando ameaça de "xixi na sepultura", Garotinho pede escolta policial
http://www.blogdobastos.com.br/alegando-ameaca-de-xixi-na-sepultura-garotinho-pede-escolta-policial/

Garotinho pede que PF devolva pendrives que teriam provas contra PMDB
 http://www.valor.com.br/politica/5140638/garotinho-pede-que-pf-devolva-pendrives-que-teriam-provas-contra-pmdb

Jornalista preso com informações que incriminam pessoas importantes...
Parece o enredo de outra história brasileira, o Carone, que já mostrei ele contando sua história aqui:
O Oswaldinho está morando nos Estados Unidos, deve ser vizinho do Pateta!

Sobre o Aécio Neves garotinho escreveu isso em seu blog:

Aécio Neves cada vez mais parecido com Eduardo Cunha


Mas o que é que o Garotinho fica espalhando por aí que merece ter pendrives surrupiados em banheiros, ser preso por dar cheque-cidadão para uns pobres favelados, ser retirado do programa de rádio ao-vivo direto para cadeia e ainda ouvir que seu adversário(do mesmo partido) que mijar na sua sepultura?

Está aí para todo mundo ver, no ar, até algum promotor de justiça mandar tirar como fizeram com o Carone... (Vai ver que a família Neves tem mais poder que a Guangue do Guardanapo);

Como diz o Renato Russo: o tempo é Mercúrio Cromo...
O Tempo e o juiz Marcelo Bretas vai mostrando o que tinha de verdade nesses posts todos do Blog do Grarotinho em que  os temas mais frequentes são: 

Crimes da Globo, incluindo o FifaGate;
Crimes do lado quadrilha do PMDB do Rio; incluindo: A turma da Guangue do Guardanapo.

Marcelo Bretas, fez um programa na Globo:

Conversa com Bial -- Entrevista o Juiz Federal Marcelo Bretas, 13/12/2017.

Pode ser um bom/trágico início de filme, o acidente de transito com o Marcelo Bretas, quando aos 23 anos, correndo muito com o carro, quase perdeu a vida...  

Marcelo Bretas recentemente ofereceu pipoca para o Sérgio Moro e sua esposa ao ver o filme que afirma que no Brasil a justiça é para todos...

E para alguns será o substituto do Sérgio Moro na novela Jornal Nacional, pois o Sérgio Moro, além de desgastado fisicamente, está enrolado na APAE, já perdeu a chance de errar ao pedir desculpas ao Saudoso Teori Zavaski e tem um espanhol/Brasileiro pegando no pé dele...

SUBSTITUIÇÃO: Sai Moro, entra Bretas. Juiz Marcelo Bretas lidera operação na Eletronuclear.

O juiz Marcelo Bretas tem razão: a Justiça nos dá medo! Mas fracassamos?

‘Justiça tem que ser temida’, diz Marcelo Bretas


A benção do Papa ele já tem para essa substituição...



Toda a confusão causada em 2012 quando vieram a público os vídeos de Paris da Gangue do Guardanapo dançando, rindo e beijando, juntando o público e o privado, sendo o dinheiro público e a festa privada, hoje nós podemos comparar com os depoimentos da lavajato do Sérgio Cabral e ver o que tinha de ataque vazio a adversário político e o que tinha de verdadeira a denuncia sobre esbórnia.

Eu já falei nesse post, que quando matamos prematuramente uma história, ela fica inacabada, é igual um cadáver na sala: em pouco tempo começa a feder...
A CPI do Cachoeira, a operação Castelo de Areia e até a própria Banestado, são cadáveres que precisamos tirar da sala e essa guangue do Guardanapo são parte da mesma história.
Esses dois casos são citados pelo Sérgio Cabral em seu depoimento. Nele pro exemplo Sérgio Cabral afirma que comprar joias não é uma forma de "lavar dinheiro". Essa opinião confronta com a opinião do ex-juiz e atual Desembargador Fauto di Santis, expert em lavagem de dinheiro, que eu mostro no posta da Operação Satiagraha - Operação policial de maior relevância política até 2014.
Outro cadáver que temos na nossa república fedendo muito...

Outra coisa que ele fala em seu depoimento é que ele contrariou os interesses de outros Oligopólio Cartelizado do Rio de Janeiro: o do transporte público. Favorecendo o Oligopólio das empreiteiras, contrariou o interesse dos meios de transportes: a turma dos Baratas.
Barata na prisão, o império dos transportes do Rio na berlinda
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/04/politica/1499121581_338417.html

A família Barata foi pego no escândalo do SwissLeaks que deveriam mas não foram investigados na CPI do HSBC. Mais um cadáver fedendo na república brasileira.

O oligopólio dos meios de transporte do Rio de Janeiro não participa do Instituto Millenium...
Então eles podem passar na Globo e ser jogado aos irados a procura de um motivo do porque o Brasil não funciona...

A parte fedorenta do CPI do Cachoeira/Operação Castelo de areia, um defunto que não exumamos o corpo, enterrou-se a investigação, não puniu responsáveis e seguimos a vida, a parte fedorenta que ficou na sala e temos que conviver com ela é a Construtora Delta. A maior beneficiada dos  PACs da Dilma, das obras da copa, etc... Essa empresa do seu dono Fernando Cavendish, esse que disse no jatinho que se abrir o sigilo bancário não iria "sobrar ninguém de pé nesse país"....
Vamos lembrar como foi enterrada a CPI do Cachoeira:

A fórmula Delta
A compra da Delta pela J&F, articulada pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, foi uma solução que agradou ao governo, mas o futuro das obras do PAC continua incerto



É isso... a holding J&F, do presidente Henrique Meireles, assumiu o papel da Delta de pegar o dinheiro público e repassar para os privados e jogou para as cobras todos os outros que foram queimados pelo "assassinato de reputação" da nossa grande mídia...
Lembrando que holding J&F é a mesma JBS dos irmãos Batistas,   da Friboi(que um dia foi do filho do Lula), da Seara que a ex-Fátima Bernardes (atual Fátima Gadelha) fazia anuncio de presunto na... ... rede gLOBO.





O que sabemos via "House of Cards" ou "Tropa de Elite", é que quem se alia com esse pessoal não sabe que eles não tem nenhum amor ao amigo-aliado-cúmplice. Quem tiver que ser queimado/sacrificado será... desde que a Holding fique com o papel que aquele cara fazia, não tem problema nenhum... Nós até ajudamos a acabar com a reputação do nosso ex-aliado...



Instituto Millenium, mídia e as lições da história
https://www.cartacapital.com.br/politica/instituto-millenium-midia-e-as-licoes-da-historia

Podemos também juntar com o que diz o Funaro... Esse então conta como é a história do Brasil pós redemocratização...

(Blog do Garotinho; 07/08/2017:
E o que ele contou depois que foi solto pelo Gilmar Mendes?
Sobre o FifaGate... E o que ele conta podemos comparar com nossa realidade...

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K


A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!


Acho que é esse o caminho... Ver o que está escrito no Blog, comparar com nossa realidade e a partir daí dar ou tirar credibilidade... Temos que fazer isso para todo e qualquer Blog...

Sobre a Globo No Blog do Garotinho:

A Globo, a Justiça e o Ministério Público


A Globo continua achando que o povo é bobo


A prova definitiva contra a Globo

Vejam documentos do Tribunal do Brooklyn no processo do Fifagate


A propina da Globo







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Em 23/10/2017 em um programa especial com o Anthony Garotinho,

Roberto Cabrini perguntou:
-Isso que está dizendo pode lhe causar uma terceira prisão?
Anthony Garotinho respondeu:
-Acredito que não...

Nem um mês depois da reportagem ir ao ar o ex-governador foi preso...

"O Dossiê Garotinho" - Completo | Conexão Repórter (23/10/17)




A ÚLTIMA LIVE DE ANTHONY GAROTINHO: FATOS INÉDITOS ACERCA DO "CASO JORGE PICCIANI"


CLARISSA GAROTINHO DENÚNCIA QUE O SEU PAI PODE SER MORTO NO PRESÍDIO DE BENFICA


Mariana Godoy Entrevista - 31/03/2017 - Completo - Recebe Anthony Garotinho


GAROTINHO DECIDE CONTAR TUDO, APÓS DECISÃO DE GILMAR MENDES

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Como percebe-se; o roteiro do possível filme que mistura polícia/política pode misturar também
o futebol. O roteiro tem suicídio, propina, lavagem de dinheiro, bola e mulheres... Não por acaso, o Luis Zveiter, esse que persegue o Anthony Garotinho, faz muito sucesso no mundo do futebol...
Se essa for a escolha do roteirista um bom começo que sugiro é aquele jogo cancelado do maior clássico do Paranáquistão, a sede da lava-jato...

AtleTiba seria transmitido gratuitamente - Foi cancelado para não haver ruptura do "Status-Quo"


Alexandre Kalil, personagem dessa história, misturou-se com a política e virou prefeito da terceira capital brasileira... História que já indiquei num abre parenteses lá em cima...


Sobre FifaGate/CBF/Globo:










Sobre as denuncias da Globo:

PT - PDT - PSOL pede cassação da concessão pública da Rede Globo:



Leia a denúncia arrasadora do MPF que levou à prisão dos deputados do PMDB


Paradise Papers têm dados de offshores do Grupo Globo e Editora Abril
https://www.poder360.com.br/paradise-papers/paradise-papers-tem-dados-de-offshores-do-grupo-globo-e-editora-abril/


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https://jornalggn.com.br/noticia/cpi-do-futebol-ja-escancarava-relacao-da-globo-em-negocios-suspeitos-do-futebol


Jornal GGN - Depoimentos do julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, em Nova York, nesta semana, revelaram um campo minado de acusações contra diversos cartolas e dirigentes do futebol, funcionários de governos, como da Argentina, e emissoras de televisão, incluindo a Fox Sport e a Rede Globo. 
O principal acusador é Alejandro Burzaco, empresário argentino da Torneos y Competencias (ex TyC), que narrou durante três dias de audiências no Tribunal Federal do Brooklyn detalhes dos bastidores de negociações de propinas no julgamento que ficou conhecido como "FIFAgate".
Conforme mostrou o GGN nesta terça-feira (13), a figura-chave das negociações por parte da Rede Globo foi o diretor da Globo Esporte da época, Marcelo Campos Pinto, que se reuniu em diversas ocasiões com os cartolas Marin, Marco Polo Del Nero, Julio Grondona, além do empresário Burzaco. 
Reportagem da Record divulgada nesta quarta (14) mostrou que Marcelo Campos, então responsável pela aquisição dos eventos esportivos da emissora nos últimos anos, portava uma procuração da família Marinho, donos da Rede Globo, para negociar os contratos no Brasil e no exterior em nome da família proprietária.
Passaram-se mais de cinco anos desde que o então diretor da Globo Esporte reuniu-se com os dirigentes para aceitar repasses da ordem de US$ 600 mil a Marín e Del Nero e, posteriormente, outros US$ 15 milhões ao vice-presidente da FIFA na época, Julio Grondona, acertados pela emissora juntamente com a Televisa e Torneos y Competencias, pelos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2016-2030 no Brasil e América Latina.
Entretanto, a CPI do Futebol [leia relatórios aqui], iniciada em 2015 e concluída em dezembro do último ano, já escancarava indícios da relação do diretor da Globo com cartolas do esquema criminoso e que somente hoje faz a emissora se tornar alvo direto das investigações da FIFAgate. 
Ao contrário do relatório final do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que não pediu nenhum indiciamento, Romário (PSB-RJ) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) levantaram provas e criaram um voto em separado, pedindo a responsabilização de nove pessoas, entre elas os últimos três presidentes da CBF, Marco Polo Del Nero, José Maria Marin e Ricardo Teixeira, por estelionato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros crimes.
E são com os dirigentes brasileiros e argentinos que Marcelo Campos Pinto manteve uma relação de amizade e mostrou-se inteiramente ciente e comprometido com as negociações por direitos de transmissão, como se pode verificar nas trocas de mensagens anexas às mais de mil páginas do relatório dos senadores.
GGN analisou o documento concluído em novembro de 2016 para apresentar a relação que o diretor da Globo mantinha com os investigados do caso FIFAgate.
Entre amizade e negócios suspeitos
A CPI do Futebol, datada de 2015, teve acesso a todas as comunicações que estavam sob o comando da Polícia Federal, que compartilhou as provas com a Comissão de senadores. Por meio destas mensagens, o relatório alternativo conclui que o "envolvimento espúrio entre DEL NERO e KLEBER LEITE sobre fatos relacionados ao FIFA CASE foi definitivamente revelado".
Em uma das correspondências, o empresário Kléber Leite encaminha a Marcelo Pinto, a Marin e a Marco Polo:
"Verbalmente, já havia comunicado ao Marco Polo, a possibilidade de uma renegociação com a Rede Globo, que tem contrato relativo aos direitos de TV para o Brasil, até 2014. Na oportunidade, comuniquei que, de forma informal, estava discutindo o tema com o nosso amigo Marcelo de Campos Pinto e, que havia me solicitado ele,  após conversar com Otávio Florisbal, uma carta da C.B.F. autorizando a Klefer a desenvolver a referida negociação. Como o contrado da Klefer com a C.BF.  relativo a este assunto específico começa em 2015, solicitei esta especial autorização e, posteriormente fui informado pelo Marco Polo de que, com relação aos anos de 2013 e 2014, o presidente Marin iria negociar direto com a Globo".
A mensagem data de 18 de abril de 2012 e aborda o possível rompimento do contrato da Copa do Brasil para os direitos de transmissão da Globo até 2014 e a criação de um novo que teria início em 2013.
"Segundo o pres. Marin, durante esses quase 20 anos de relação Globo /CBF/Federações os contratos foram firmados sem intermediários. Esse é um ponto de destaque na sua argumentação, sem entrar no mérito sob outra análise. Qualquer alteração nesse instante seria de profundo desgaste para a CBF. Ele pede que você procure entender e possamos todos com bom senso resolver a questão. Com respeito e carinho do amigo e irmão Marco Polo", respondeu o dirigente, na ocasião.
Entre os levantamentos realizados pela Comissão, foram identificadas comunicações diversas e anexas ao relatório entre "Del Nero e MARCELO CAMPOS PINTO, representante da Rede GLOBO, sobre o contrato de TV da Série C, anos 2012, 2013 e 2014, tendo como partes os clubes participantes, a CBF e a Globosat Programadora LTDA".
O caso ficou conhecido em novembro do último ano porque a Rede Globo tratou a compra dos direitos de transmissão da Série C como "um favor à CBF". O e-mail era entre Marcelo Pinto e a CBF, em março de 2012: uma reclamação do então diretor da Globo sobre trechos do contrato. "Como você sabe só estamos comprando para fazer um favor à CBF. Até parece que estamos sacanear a CBF. Da forma como foram feitos os comentários prefiro desistir da compra", mencionou Marcelo, em determinado momento. 
Del Nero, mostrando-se um bom aliado do executivo da Globo, pede "ao amigo, paciência nas ações do presidente Marin" e afirma que Marin "cumprirá todas as ações decididas pelo pres. RT", em referência a Ricardo Teixeira. Com o gesto de bondade do cartola, Marcelo Pinto pede desculpas ao "querido e prezado amigo presidente Marco Polo", aproveitando para trocar acentuados elogios: 

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Vídeos internacionais sobre o FifaGate:





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Acompanhando a CPI do Futebol - Será lúdico... mas espero que seja sério...

Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!

Acompanhando a CPI do Futebol III - Está escancarado: É tudo um assunto só!

Acompanhando a CPI do Futebol IV - Proposta do nobre senador: Que tal ficarmos só no futebol e esquecermos esse negócio de lavagem de dinheiro?!

Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!

Acompanhando a CPI do Futebol VIII - Eurico Miranda declara: "A modernização e a profissionalização é algo terrível"!

Acompanhando a CPI do Futebol IX - Os presidentes de federações fazem sua defesa em meio ao nascimento da Liga...

Acompanhando a CPI do Futebol X - A primeira Liga começa hoje... um natimorto...

Acompanhando a CPI do Futebol XI - Os Panamá Papers - Os dribles do Romário - CPI II na Câmara. Vai que dá Zebra...

Acompanhando a CPI do Futebol XII - Uma visão liberal sobre a CBF!

Acompanhando a CPI do Futebol XIII - O J. Awilla está doido! (Santa inocência!)

Acompanhando a CPI do Futebol XIV - Mais sobre nosso legislativo do que nosso futebol

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O massacre do casal Garotinho, por Luis Nassif
SEX, 01/12/2017 - 01:02 Luis Nassif

Pouco sei da carreira política do casal Garotinho. Cada vez que escrevo sobre eles, amigos correm para sugerir cautela. Mas a perseguição que lhes é movida pelo sistema do Rio de Janeiro – Tribunal de Justiça, procuradores e Globo –, sob silêncio geral, é um massacre.

Garotinho é um político local que tentou um voo mais alto. Não conseguiu se transformar em um líder nacional, capaz de mntar alianças com os sistemas de poder – Judiciário, Congresso, mídia -, mas ficou grande demais para se abrigar nas asas de algum padrinho político, em partidos ou nos tribunais superiores. Não tem vinculação nem com esquerda, nem com direita, nem com intelectuais, nem com juristas. Não tem aliados nos partidos maiores, menos ainda na mídia.

Mesmo assim, é politicamente atrevido nos desafios que faz e fez. Já desafiou o Tribunal de Justiça do Rio, a Globo.

Com esse atrevimento – e essas vulnerabilidades - tornou-se um prato para esse pessoal. Podem aprontar o que quiser com seus direitos que não haverá gritos de revolta, manifestações dos órgãos de defesa dos direitos humanos, clamor dos juristas mais conhecidos ou a defesa do Gilmar Mendes. Não haverá manifestações internas, menos ainda as internacionais.

Leio, agora, que o bravo TJ-RJ tirou os direitos políticos de Rosinha Garotinho por 2 a 5 anos, pela acusação de ter usado recursos públicos para um anúncio no qual respondia a ataques a uma política que implementou em Campos. Seu advogado diz que é armação.

A prisão do casal Garotinho, a humilhação a que foram expostos por procuradores – que permitiram cenas da prisão no Fantástico -, a perseguição implacável da mídia, cobrando até a submissão de Rosinha às faxinas do presídio, mostram o Rio de Janeiro definitivamente como uma terra de ninguém.

É covardia dos eminentes magistrados, é covardia da Globo, é covardia de todos os que se calam, porque as vítimas não se enquadram em nenhum dos escaninhos do poder ou da oposição.

Defender Garotinho não enriquece currículos.

Por isso, mais do que os prisioneiros políticos da Lava Jato, a prisão do casal Garotinho é o maior desafio que os direitos individuais enfrentam nesse país sem leis.
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Sobre o Juiz Zveiter:

https://apublica.org/2016/11/acima-de-qualquer-suspeita/
Acima de qualquer suspeita
por Manuela Andreoni | 30 de novembro de 2016

Alvo de sete acusações no CNJ e punido em um único processo, o desembargador Luiz Zveiter concorre pela segunda vez à presidência do TJ-RJ após mudança de regra do tribunal permitir a reeleição
“Não estamos tratando com uma pessoa novata na magistratura, nós estamos tratando com o decano do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro [TJ-RJ]”, destacou o advogado Márcio Thomaz Bastos na sessão plenária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em sua sustentação na tribuna naquele 11 de outubro de 2011, Bastos louvava a integridade de seu cliente, o desembargador Luiz Zveiter, um homem “radicado” e “expressivo”, segundo o advogado.
Bastos defendia o desembargador de acusações de que teria abusado de seu poder para favorecer o cliente – a construtora Cyrela – do escritório de advocacia de sua família. Apesar dos predicados elencados por seu advogado, não era a primeira vez – e não seria a única – que Zveiter enfrentava o julgamento de seus pares. De acordo com documentos levantados pela Pública, Zveiter já respondeu a pelo menos sete acusações no CNJ, distribuídas em 32 procedimentos.

Qualquer pessoa pode fazer uma reclamação contra um juiz e a maioria dos procedimentos corre em sigilo. Além do caso Cyrela, que se tornaria um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), a Pública obteve a lista dos outros 26 processos contra Zveiter, além de cinco reclamações disciplinares referentes à única punição sofrida pelo desembargador até o momento: em 2005, ele foi obrigado a deixar a presidência do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), onde atuava desde 1990. O conselho decidira que ele não poderia acumular a função em uma instituição privada com a magistratura.
A Pública também obteve documentos de sete casos que mostram que o magistrado era suspeito, além do favorecimento de amigos e parentes, de interferir em um concurso público, praticar irregularidades em obras públicas, participar de uma campanha política e até mesmo negar segurança a uma juíza ameaçada de morte. O desembargador refuta todas as acusações.

Também chama a atenção a morosidade dos casos de Zveiter mesmo para os padrões do CNJ. Em maio, seis procedimentos originados entre 2010 e 2015 seguiam sem desfecho. Desses, o único caso que seguiu adiante e se tornou um PAD – justamente o da construtora Cyrela – foi arquivado no último dia 8 de novembro por unanimidade pelo plenário do CNJ, depois de permanecer 5 anos em tramitação.
O que nos leva de volta àquela tarde de 2011, quando, depois da fala de Márcio Thomaz Bastos, a corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon pediu a palavra ao presidente do CNJ, então o ministro Cézar Peluso, e sublinhou: “As condições de exame de qualquer desembargador nesta casa têm de ser de absoluta igualdade, sob pena de não merecer este colegiado o respeito da sociedade brasileira”.
Em março deste ano, Zveiter enviou um e-mail aos demais magistrados: “afirmo que sou candidato e que não há impedimento à pretensão”. O desembargador concorre pela segunda vez à presidência do TJ-RJ – ele ocupou o cargo no biênio 2009-2010. Uma mudança no regimento da corte, derrubada pelo CNJ, mas mantida por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a permitir que magistrados que já exerceram a presidência voltem a se candidatar. Zveiter já tentara se reeleger em 2014, sem sucesso. Não há notícias de que outros ex-presidentes tenham tentado repetir o feito.
Decano e influente

Aos 61 anos, Luiz Zveiter é o decano, ou seja, o membro mais antigo, do TJ-RJ. Seus cabelos castanho-escuros penteados cuidadosamente para trás se destacam dentre as cabeças brancas a grisalhas da maioria dos colegas com os quais divide a bancada do Órgão Especial do TJ-RJ. A câmara é a mais poderosa do tribunal, em que metade dos membros é eleita, e metade, escolhida pela regra da antiguidade.
Zveiter é “um dos desembargadores mais influentes do Rio de Janeiro”, conforme descreveu o procurador Wellington Saraiva, ex-conselheiro do CNJ, em uma sessão do órgão em 2011. Formado em Direito pela Universidade Gama Filho em 1980, ele foi indicado ao posto de desembargador em 1995 pela seccional fluminense da OAB por meio do quinto constitucional, mecanismo que permite indicar advogados a 20% das vagas das turmas recursais em listas tríplices, das quais o governador deve selecionar um nome.
O atual decano foi selecionado pela OAB do Rio para a lista tríplice em janeiro de 1995, pouco antes de Sérgio Zveiter, seu irmão, deixar a presidência da instituição em 2 de fevereiro daquele ano. Segundo a coluna de Danuza Leão no Jornal do Brasil, Sérgio tinha o desejo de indicar o irmão desde dezembro de 1993, mas acreditava que o então governador Nilo Batista vetaria o nome de Luiz. Em 1º de janeiro de 1995, Marcello Alencar assumiu o governo e escolheu-o como desembargador.
Rede Globo

A trajetória de Luiz Zveiter na comunidade forense começa no escritório de sua família, fundado por seu pai, Waldemar Zveiter, em 1957. Três anos depois de Luiz ter se formado em Direito, seu pai se tornaria desembargador do TJ do Rio, também pelo quinto. Em poucos anos, Luiz e seu irmão Sérgio assumiram a liderança do escritório e casos de grande repercussão nacional.
Mais de dez anos depois do pai, o advogado Luiz Zveiter, de 40 anos, se tornaria também desembargador. Seu nome aparecia nas páginas dos jornais desde o fim dos anos 1980, quando começou a assumir casos de grande repercussão de empresas como a Rede Globo e a construtora Wrobel – uma das mais importantes do Rio de Janeiro na época.
Foi ele quem, em 1989, defendeu Roberto Marinho no divórcio litigioso com Ruth Albuquerque, que discordava da parte que lhe cabia do patrimônio do magnata das comunicações. No mesmo período, defendeu também a Rede Globo em processo contra a TV Aratu. A empresa perdera o direito de repetir o sinal da Globo na Bahia ao ser preterida pela TV Bahia, que pertencia aos familiares de Antônio Carlos Magalhães, então ministro das Comunicações.
Na mesma época, Luiz Zveiter foi selecionado pelo presidente José Sarney, o mesmo que nomeara Antônio Carlos Magalhães ministro, para o posto de juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), onde permaneceu entre 1988 e 1992. Foi também Sarney quem transformou o desembargador Waldemar Zveiter em ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 1989.
Antes de se tornar desembargador, Zveiter já iniciara a carreira como auditor do órgão disciplinar ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o STJD, do qual foi presidente pela primeira vez em 1995. Forçado a sair em 2005, deixou ali seu filho, o advogado Flávio Diz Zveiter, que iniciara sua carreira na instituição aos 19 anos, depois de sabatinado pelo pai, então presidente do órgão.
Zveiter foi também conselheiro federal da OAB e grão-mestre da Loja Maçônica do Estado do Rio – posto que ocupou duas vezes.
Em 2008, um juiz maçom, Josimar de Miranda Andrade, da 2ª Vara Cível de Nova Friburgo, condenou o promotor estadual Daniel Lima Ribeiro a indenizar Sérgio Zveiter em R$ 10 mil por danos morais. Segundo a ação, o promotor se manifestou de forma tendenciosa depois de ter denunciado irregularidades em contratos do escritório com o município e ter suas falas reproduzidas pela imprensa. A decisão foi confirmada em segunda instância, por desembargadores do TJ-RJ, e objeto de acordo no STJ. Ribeiro não foi encontrado para comentar o caso.
“Ele tem muito poder pelas circunstâncias”, avaliou a ex-corregedora Nacional de Justiça Eliana Calmon em entrevista à Pública.
A juíza aposentada relatou quatro processos contra o magistrado enquanto foi corregedora nacional de Justiça. Eliana Calmon atribui parte do poder de Zveiter à ligação de sua família com o maior grupo de comunicação do país, as Organizações Globo. A corregedora se lembra de ter participado de dois programas matinais da emissora, e também de ser entrevistada pelo jornal O Globo, mas diz que não tinha espaço em outros programas e canais da Globo. “Marcavam entrevistas e depois cancelavam”, disse. “Eu entendo que isso advém justamente da retaliação dele, Luiz Zveiter.”
No dia 17 de novembro, a ex-governadora do Rio Rosinha Garotinho disse à Rádio Gaúcha após a prisão de seu marido, Anthony Garotinho, que, antes de ser preso, o ex-governador entregara provas contra Zveiter e outras autoridades à Procuradoria-Geral da República (PGR); segundo nota da coluna do jornalista Lauro Jardim, o desembargador entrou com uma ação contra Rosinha por difamação. Em sua reprodução da entrevista, o G1, site da Globo, não incluiu o trecho em que Rosinha cita o magistrado.
Luiza Zveiter, filha do magistrado, é apresentadora da Globo News.
Em resposta à reportagem, o Grupo Globo enviou nota em que diz trabalhar “com um número grande de advogados contratados para as mais diversas tarefas”. Segundo a empresa, “a relação não cria com estes advogados vínculos da empresa além do objeto da contratação”.
Teoria da conspiração

“Senhores, não é possível que o ora defendente tenha o poder de numa prestação de informações, por mais extensa que seja, convencer ou inibir estes órgãos a tomar a decisão que tomaram”, afirmou o advogado Pierpaolo Bottini aos membros do CNJ, em sessão realizada no dia 10 de maio de 2016, durante o julgamento do Processo Administrativo Disciplinar 0006316-73.2011.2.00.0000 contra Zveiter, aquele do caso Cyrela, iniciado em 2011.
O advogado se referia à suposta influência de seu cliente, Luiz Zveiter, sobre o Mistério Público (MP), o TJ-RJ e o STJ no caso em que o magistrado é acusado de usar seu cargo para intervir em favor do Grupo Cyrela, que é cliente do escritório de advocacia de sua família.
Naquela que seria sua última sessão no órgão, o conselheiro relator, Fabiano Silveira, apresentou o voto de 41 páginas, aguardado desde outubro de 2014, após a apresentação das razões finais pela defesa de Zveiter (a Pública teve acesso ao relatório elaborado por Silveira sobre o processo de apuração do caso).
Dias depois, Silveira foi escolhido pelo então presidente interino Michel Temer como ministro da Transparência, Fiscalização e Controle. Ocuparia o cargo menos de um mês – demitiu-se depois de flagrado orientando o senador Renan Calheiros sobre a Operação Lava Jato em áudios gravados por Sérgio Machado.
Na tribuna, Bottini descreveu o PAD como uma espécie de teoria da conspiração. O advogado explicou que o pedido de informações assinado por Luiz Zveiter (que desfavorecia a empresa supostamente rival do cliente de seu filho) era produto de uma demanda do MP. E argumentou que a recomendação de Zveiter, então presidente do TJ-RJ, havia sido seguida por todos os desembargadores – com exceção de um – que compunham o Órgão Especial do tribunal, cuja decisão fora confirmada pelo STJ.
Em contraste, a versão dos fatos contida no voto de Eliana Calmon, relatora da reclamação disciplinar em 2011, e na apuração do PAD aponta para a possível conivência de autoridades com os interesses de um empresário, ao impedir que um concorrente registrasse um terreno na Barra da Tijuca.

Os bastidores do caso Cyrela

Em outubro de 2009, dias depois do anúncio de que o Rio de Janeiro sediaria os Jogos Olímpicos de 2016, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) protocolou um mandado de segurança, alegando que o Conselho de Magistratura do TJ-RJ atentara contra a lei ao conceder registro a um imóvel na Barra da Tijuca meses antes.
A ação do MP referia-se à decisão do conselho, então presidido pelo desembargador Luiz Zveiter, que permitira à empresa Elmway registrar um terreno de mais de 300 mil metros quadrados na Barra da Tijuca, uma das regiões centrais para os planos olímpicos cariocas.
Mas havia um problema: devido a imprecisões no registro, poderia haver sobreposição de uma parte da área com um terreno que um empresário do setor imobiliário na Barra da Tijuca, Pasquale Mauro, dizia lhe pertencer. Mauro já havia comprometido a área possivelmente sobreposta ao terreno reivindicado pela Elmway em um contrato com a Plarcon Engenharia, assinado por um empresário que também representava a Plarcon Cyrela. E outra parte da mesma área, distante cerca de um quilômetro do terreno em litígio, já fora ocupada por um edifício de luxo da Cyrela, o Riserva Uno. Anos depois, o campo de golfe da Olimpíada de 2016 seria construído na área em disputa, valorizando ainda mais os empreendimentos.
De acordo com o relatório produzido sobre o caso, o filho de Mauro foi ao MP conversar com a promotora Laíse Helena da Silva Macedo, que teria lhe informado apenas que o assunto estava sendo discutido. A promotora é uma das responsáveis por um mandado de segurança depois impetrado contra a Elmway por razões ambientais. Curiosamente, porém, a ação cautelar movida pelo advogado de Mauro no dia 27 de outubro de 2009, contra a decisão que permitiu o registro do terreno pela Elmway, menciona esse mandado de segurança do MP – que só se tornou público no dia seguinte, em 28 de outubro, sem fazer nenhuma menção às pretensões de Mauro.
O assunto foi investigado pela corregedoria estadual do MP fluminense, que diz não ter encontrado irregularidades – uma decisão acatada pelo Conselho Nacional do Ministério Público, mas posta sob suspeita quanto à sua imparcialidade por Eliana Calmon no CNJ. Os promotores entrevistados durante a apuração do PAD negaram ter sofrido qualquer tipo de pressão, de Zveiter ou qualquer outro, na elaboração do mandado de segurança.
Quando o mandado de segurança do MP chegou ao Órgão Especial do TJ-RJ, o relator no tribunal, o desembargador Nametala Jorge, logo pediu informações ao desembargador Luiz Zveiter, presidente do Conselho da Magistratura, sobre a decisão do órgão, a favor da Elmway, disputada pela ação do MP.
O que causou estranhamento, segundo a ex-corregedora Eliana Calmon, é que, em vez de defender a decisão do colegiado que presidia, como seria usual, Zveiter concordou com o MP. Em uma peça jurídica de 34 páginas, o desembargador cita questões nem mesmo suscitadas pelos promotores, como o fato de a Elmway ter sua sede nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal.
O órgão especial confirmou a tese de Zveiter e retirou a permissão da Elmway de registrar o imóvel. O fiscal da Receita Vanildo Pereira da Silva, sócio-gerente da empresa, entrou com uma reclamação no CNJ alegando que Zveiter havia sido parcial no pedido de informações para favorecer o Grupo Cyrela, defendido pelo escritório de advocacia de sua família.
Em sua defesa, o desembargador afirmou que a área de interesse da Cyrela não se sobrepunha ao terreno requerido pela Elmway e também que o Escritório de Advocacia Zveiter “não atua em nenhuma causa relativa à titularidade dos imóveis adquiridos pela Plarcon Cyrela Empreendimentos”, de acordo com um relatório investigativo elaborado pelo CNJ a que a Pública teve acesso. Em resposta, os juízes que elaboraram o documento reproduziram, no mesmo relatório, mais de 20 páginas com informações de processos em que Flávio Diz Zveiter, filho do magistrado, consta como advogado de empresas do Grupo Cyrela.

“Circunstâncias nebulosas”

O “universo de circunstâncias nebulosas”, como descreveu o então conselheiro Wellington Saraiva em seu voto pela abertura do PAD, não significou celeridade no CNJ. A própria instalação do processo disciplinar se sobrepôs a diversos obstáculos: foram necessárias ao menos quatro sessões de discussões, entre fevereiro e dezembro de 2011, além de dois pedidos de vista e uma arguição de suspeição de um dos conselheiros. O processo só avançou após uma mudança no voto da relatora, que retirou a exigência de afastamento do desembargador do cargo durante a apuração dos fatos.
Aberto o PAD, por estreita margem de votos, o processo de apuração levou quase três anos – incluindo uma perícia, considerada desnecessária no início, mas que demorou quase um ano para ser concluída. Mesmo com tudo pronto desde outubro de 2014, o voto do relator Fabiano Silveira só foi apresentado em maio de 2016, naquela que seria sua última sessão no órgão. Foram cerca de quatro dias de trabalho para a redação de cada uma das 41 páginas do voto pelo arquivamento da ação.
O voto de Fabiano Silveira só foi levado a plenário quase dois anos depois, em maio de 2016. O conselheiro votou pelo arquivamento, afirmando ser frágil a tese de que Zveiter sabia do interesse da Cyrela no caso e que a posição defendida pelo desembargador fora confirmada pelas instâncias superiores.
Naquela sessão, a corregedora Nancy Andrighi pediu a palavra para solicitar vista do processo. Disse ter outros quatro procedimentos contra Luiz Zveiter aguardando pauta, com fatos ligados àquele caso, e que gostaria de olhá-lo com mais atenção. Mas o processo que envolvia a Cyrela só voltou a ser chamado à votação no dia 25 de outubro, cinco meses depois, após a saída de Andrighi do CNJ.
O corregedor que a substituiu votou pelo arquivamento do processo e foi acompanhado pelo resto do CNJ – exceto o representante do Ministério Público Federal (MPF), Rogério Nascimento, que se declarou impedido por ter trabalhado no caso como procurador. O argumento vencedor, proferido pelo conselheiro Lélio Bentes, mencionou falta de provas. “Imaginar ou presumir que o magistrado, ao oficiar o mandado de segurança prestando informações, tivesse o conhecimento de toda essa complexa situação e agira com má-fé, com intenção de influenciar o resultado do julgamento, com todas as vênias, não me parece razoável”, disse.
Os demais processos citados por Andrighi em maio não foram incluídos na pauta.
Niterói

Era 25 de outubro de 2011. O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos estava de volta ao CNJ como advogado de Zveiter. Dessa vez a acusação era beneficiar amigos em uma decisão que permitiu a retomada da construção de prédios de apartamentos em Niterói.
“[Luiz Zveiter] não é uma ilha”, começou o advogado Thomaz Bastos, após a leitura do voto de Calmon. “Ele é de uma comunidade pequena, como Niterói”.
Foi em Niterói que o patriarca Waldemar Zveiter, descendente de judeus vindos da Rússia e natural de Brasópolis (MG), decidiu fixar residência e cursar Direito; ali se tornaria procurador do município, em 1965. Quatro anos depois, já era membro do conselho da OAB do Rio de Janeiro, sediado em Niterói, então capital do estado.
Foi lá que Luiz Zveiter viveu sua juventude praiana e ficou conhecido como “grande namorador”, segundo descreveu o suplemento local do Jornal do Brasil em reportagem de 1994. O periódico conta ainda que Zveiter só sossegou depois de casado com Claudia, “uma das mulheres mais bonitas da cidade”.

Nem o infalível trânsito da ponte Rio-Niterói o demoveu da ideia de viver na cidade do outro lado da baía. Em 2012, uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo flagrou Zveiter usando veículos de escolta do tribunal, “forçando a ultrapassagem no congestionamento”.
A presença de Bastos no CNJ naquela terça-feira de outubro mostrava que a matéria do jornal paulista não foi a única dor de cabeça que sua ligação com a cidade lhe rendeu. A corregedora Eliana Calmon trazia ao plenário do CNJ um voto em que pedia a abertura de um PAD para investigar Luiz Zveiter por ter beneficiado amigos em uma decisão judicial sobre o licenciamento da construção de prédios residenciais em Jardim Icaraí, uma das regiões mais nobres de Niterói.
De acordo com a investigação preliminar apresentada por Calmon, Zveiter, como presidente do TJ do Rio, teria beneficiado a empresa Patrimóvel, de Niterói, ao suspender a decisão de uma juíza de primeira instância que impedira a continuação das obras em Icaraí até a realização de estudos de impacto ambiental e de vizinhança.
Segundo Calmon, havia fortes indícios de que a decisão do desembargador que viabilizara “a construção e a comercialização de centenas de apartamentos” beneficiara um provável amigo pessoal do magistrado, o empresário Plínio Augusto de Serpa Pinto, um dos diretores da Patrimóvel. O voto da corregedora relatava também que a decisão de Zveiter beneficiara a CHL e, mais uma vez, o Grupo Cyrela, ambos clientes do escritório de advocacia da família do magistrado.
No plenário, a corregedora destacou que três diretores da empresa imobiliária foram doadores da campanha de Sérgio Zveiter para deputado federal nas eleições de 2010 – dois dos quais doaram R$ 25 mil cada um.
Em resposta, o advogado Márcio Thomaz Bastos alertou a corregedora de que suas suspeitas sobre Zveiter contaminavam todo o TJ-RJ, já que a opinião manifestada pelo magistrado havia sido, novamente, confirmada pelo Órgão Especial do TJ-RJ. Bastos qualificou a investigação da corregedora de “clandestina”, destacando que a denúncia que levara à apuração era anônima e havia sido arquivada sumariamente meses antes – mas reaberta por Calmon. Levantou suspeitas também sobre a atitude da corregedora, por ter mais uma vez levado o nome de Luiz Zveiter ao plenário do CNJ. “Eu não tenho razão para perseguir ninguém”, respondeu ela.
O processo terminou arquivado com quatro votos contrários, entre 15 conselheiros.
Caso Patrícia Acioli

Foi novamente Niterói – dessa vez em um caso que chocou o país – que levou Márcio Thomaz Bastos de volta ao CNJ meses depois para defender mais uma vez o desembargador. O plenário analisaria as providências tomadas por Zveiter para proteger a juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros quando chegava a seu apartamento em Piratininga, região oceânica da cidade. Apesar de ameaçada, a juíza, responsável pela prisão de diversos policiais e milicianos, não tinha escolta naquela madrugada de sexta-feira em agosto de 2011.
Horas depois do crime, o desembargador Rogério de Oliveira Souza disse ao jornal O Globo que estava presente no gabinete de Zveiter, na época presidente do tribunal, quando a juíza fora solicitar proteção oficial, ainda em 2009, mais de um ano antes do crime. Ao jornal, Zveiter negou qualquer responsabilidade, afirmando que Acioli não tinha proteção por escolha própria. “O que me consta é que ela preferia a segurança do próprio marido, que era policial militar”, disse na época.

Segundo desembargador do TJ-RJ, Zveiter, à época presidente do Tribunal, teria negado, em 2009, escolta especial à juíza Patrícia Acioli, assassinada em 2011 

A pedido da família de Acioli, contudo, a corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon decidira abrir um processo contra o magistrado para apurar sua responsabilidade. Ele seria votado naquele agosto de 2012 não fosse um erro do departamento de tecnologia do tribunal que impediu a disponibilização dos autos do processo aos conselheiros.
Além disso, na noite anterior, Calmon havia excluído um dos requeridos no processo, uma desembargadora, por considerar que ela não teve responsabilidade no caso, o que gerou reclamação dos defensores de Zveiter. Segundo Calmon, houve também dificuldade em intimar a juíza, que teria tirado férias, licença e até desmaiado na presença de um oficial de justiça.
O mandato de Calmon no CNJ terminou no mês seguinte, e o processo nunca mais voltou à pauta do plenário, apesar de continuar em tramitação, sob sigilo, pelo menos até maio deste ano.
Pecado venial

“Se fosse pecado, eu diria que é um pecado venial”, disse Cézar Peluso, presidente do CNJ, em fevereiro de 2011. Com essas palavras, o ministro isentava o desembargador Luiz Zveiter de qualquer punição por ter participado da campanha política de seu irmão.
O caso remontava às eleições de 2010, quando Sérgio Zveiter era candidato a deputado federal pelo PDT – e Luiz Zveiter, presidente do TJ-RJ, tribunal responsável, pelo menos em parte, por designar seis dos sete magistrados que integram o TRE-RJ.
A campanha mal tinha começado, e, no dia 6 de agosto, a Folha de S.Paulo revelou que um dos vídeos promocionais de Sérgio Zveiter continha um depoimento do magistrado. A Lei Orgânica da Magistratura proíbe juízes de exercer “atividade político-partidária”.
No vídeo, retirado do ar imediatamente, o magistrado louvava a “trajetória pautada pela preservação dos direitos das pessoas” do irmão, sem pedir voto diretamente. Em sua defesa, o magistrado afirmou ignorar a intenção de quem elaborou o vídeo da campanha de incluir nele seu depoimento.
Calmon sugeriu ainda que a participação do magistrado na campanha do irmão não parara no vídeo. O relatório preparado pela ministra mostrava que, entre as ações sociais promovidas pelo TJ-RJ, sob a presidência de Luiz Zveiter, uma beneficiava vítimas de uma tragédia no morro do Bumba, favela de Niterói abordada pelo material de campanha de Sérgio – “esta comunidade necessita de muita ajuda”, dizia um post no site do candidato.
Em abril de 2010, o magistrado visitara a favela para acompanhar o trabalho do tribunal, ladeado pelo governador Sérgio Cabral e pelo próprio irmão, sem que este exercesse nenhum cargo público. A presença de Sérgio Zveiter foi registrada em uma foto no site do próprio TJ .
Mas o pecado era “absolutamente irrelevante”, segundo o próprio presidente do CNJ. O caso foi arquivado por oito votos a sete.
Pau que bate em Chico


Dois anos depois, o CNJ voltou a julgar um caso semelhante. O juiz maranhense Luís Jorge Silva Moreno teve confirmada a pena de aposentadoria compulsória por nove votos a cinco. Segundo o relator do caso, Bruno Dantas, quatro testemunhas reafirmaram a participação do magistrado em comícios, passeatas e outros eventos políticos – o que o juiz afirmava serem ações sociais.


A Folha de S. Paulo revelou, em 2010, que Luiz Zveiter, então presidente do TJ-RJ, havia participado de vídeo da campanha de seu irmão, Sergio Zveiter (foto), à época candidato a deputado federal 

Após a votação, o conselheiro Jefferson Kravchychyn se destemperou, chamando atenção para a diferença entre o resultado daquele dia e o do julgamento de Luiz Zveiter. “Há que se comparar as pessoas, sim”, reclamou o conselheiro, “reiteradamente quem detém o poder político e econômico alto tem dificuldade de ser punido neste plenário”.
Sérgio Zveiter foi eleito. Em 2014, encabeçou o ranking de candidatos donos de embarcações, compilado pela ONG Contas Abertas: sua lancha Intermarine fora avaliada em R$ 4,6 milhões. O patrimônio do deputado valorizou quase 500% entre as eleições de 2010 e 2014, para R$ 15 milhões.
Concurso suspeito

“Se nós não pudermos interferir em casos como esse, realmente é muito sem sentido a nossa atuação, porque é uma gritante ilegalidade”, afirmou o conselheiro Marcelo Neves, em tom de preocupação.
Era 6 de abril de 2010, e Neves comentava a decisão do plenário do CNJ de anular um concurso público para cartórios do estado do Rio de Janeiro depois de verificar fortes indícios de que duas candidatas haviam sido favorecidas pela Comissão Examinadora.
A comissão fora presidida pelo então corregedor-geral de Justiça do estado Luiz Zveiter. Segundo o conselheiro José Adonis Callou, as candidatas favorecidas eram Flávia Mansur, ex-namorada de Zveiter, e Heloísa Prestes, sua amiga.
Para chegar à conclusão de que houvera interferência no concurso realizado em novembro de 2008, Adonis analisara diversas provas dos candidatos ao concurso e, segundo ele, verificara que as candidatas próximas a Zveiter haviam obtido notas incompatíveis com seu desempenho no exame.
Os conselheiros presentes não contiveram as gargalhadas enquanto Adonis expunha uma avenida de erros ortográficos básicos cometidos pela quarta colocada no concurso, a candidata Heloísa Prestes. Eram eles: “principio”, “teêm”, “analizando”, “análize”, “vizando” e “tiverão”. O conselheiro destacou também falta de consistência no conteúdo das respostas de Flávia, segunda colocada no concurso.
Os conselheiros foram unânimes na decisão de anular o concurso e instalar uma sindicância para apurar a conduta de Zveiter e outros membros da Comissão Examinadora. Mas Neves parecia preocupado com possíveis recursos ao STF. “Eles [ministros do STF] podem até querer vir contra a nossa decisão, mas eles estarão não exercendo Direito, mas apenas exercendo o poder de errar por último.”
Menos de dois meses depois, o ministro Ricardo Lewandowski anulou a ordem do CNJ, em decisão liminar. O ministro afirmou que “o exame do conteúdo de questões formuladas em provas de concursos públicos, bem como a avaliação de seus critérios de correção” não são responsabilidades do CNJ, e que o cancelamento do concurso era uma medida radical demais, quando havia apenas indícios de irregularidades, não evidências. Anulou também a sindicância aberta pelo conselho, que seguia suspensa, ainda que em tramitação, pelo menos até maio deste ano, quando a Pública teve acesso a uma lista de procedimentos ativos contra o magistrado.
Passados quase cinco anos, não houve nenhuma movimentação no STF para que a liminar fosse analisada pelo colegiado de ministros. Flávia Mansur permanece responsável pelo 15º Ofício de Justiça da Comarca de Niterói. Já Heloísa Prestes foi afastada do 1º Ofício de Justiça da Comarca de Barra Mansa, em dezembro do ano passado, após constatação de irregularidades em repasses de créditos no valor de mais de R$ 100 mil (confira aqui e aqui). Ela não respondeu a um pedido para comentar o caso.
Desafetos

“Se amanhã eu sofrer um atentado, ele é o principal suspeito”, disse o desembargador Bernardo Garcez, em sessão do TRE-RJ, no dia 1º de dezembro de 2014. “Tenho muito medo desse senhor querer me bater. Esse senhor Zveiter”, completou. A fala consta das páginas do Diário Oficial de Justiça, em que o desembargador fez questão que suas frases fossem registradas.
Garcez, que presidia a sessão daquela segunda-feira, fazia referência a uma possível reação à denúncia que fez sobre irregularidades cometidas por Zveiter. Em março, Garcez havia suspendido as obras da nova sede do tribunal, iniciada por Zveiter e encaminhadas por sua sucessora, a desembargadora Letícia Sardas, após constatação de que houve sobrepreço na licitação, mais tarde avaliado em R$8,7 milhões, além de outros problemas. Na época, apenas as fundações da obra estavam prontas, apesar de transcorridos 14 dos 18 meses previstos para duração dos trabalhos.
Em 2015, um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) incluiu Zveiter e Sardas entre os responsáveis pelos indícios de irregularidades encontradas.
Duas reclamações disciplinares contra Zveiter foram protocoladas por Garcez no CNJ, cujos conteúdos são sigilosos. A então corregedora Nancy Andrighi pediu que fossem incluídas na pauta de votação do CNJ, mas até hoje isso não ocorreu.
Não foi a primeira vez que Zveiter teve sua conduta questionada em relação a obras públicas. Durante a construção de um prédio do TJ-RJ, suas decisões também foram alvo de questionamento no CNJ.
O edifício conhecido como Lâmina Central do TJ-RJ, construído pela Delta, foi inaugurado em julho de 2010. Fernando Cavendish, dono da construtora, foi preso este ano, no âmbito da Operação Lava Jato. Em um livro de 150 páginas sobre o novo edifício, do qual cada desembargador recebeu um exemplar, a construtora agradece ao magistrado a “coragem e ousadia” que possibilitaram a construção dessa “obra relevante da engenharia nacional”. Ali se fizeram, por exemplo, gabinetes imensos para os 180 desembargadores – enquanto juízes de comarcas menores do estado despacham em meio a amontoados de papel.
A publicação acabou entrando na investigação sobre a obra do TJ ainda em andamento. Um relatório do CNJ mostrou que, à época, a empreiteira fora escolhida com “direcionamento” e que havia “indícios de fraude fiscal”. O contrato de quase R$ 175 milhões foi assinado por Zveiter, aditivado por seu sucessor, Manoel dos Santos. A inspeção resultou em uma sindicância instalada no fim de 2012. Seu conteúdo ficou sob sigilo durante toda a sua tramitação. No dia 9 de julho de 2015, em resposta a um pedido de providências, a corregedora Nancy Andrighi informou que a sindicância fora arquivada. Não há informações sobre o motivo.
Contratos milionários e salários acima do teto

Além de imprimir sua marca no Judiciário, o sobrenome Zveiter circulou também pelo Legislativo e Executivo do estado. Entre 2006 e 2010, o escritório de advocacia da família Zveiter recebeu R$30,9 milhões em contratos de serviços prestados para Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio (Cedae). Era o primeiro mandato do governador Sérgio Cabral, mesma época em que Luiz Zveiter foi presidente do tribunal.
No mesmo período, a chamada Lei dos Fatos Funcionais elaborada por Zveiter foi votada e aprovada, em meio ao recesso parlamentar de julho de 2009, na Assembleia Legislativa do Rio. A lei foi sancionada pelo governador Sérgio Cabral em setembro do mesmo ano.

Nas eleições que ocorrem em dezembro, Luiz Zveiter pode ser eleito presidente do TJ-RJ pela segunda vez

Ela garantiu aos magistrados uma série de benefícios, legalizando o recebimento de vencimentos acima do teto constitucional, cujo valor atual é de R$ 33.763,00. Um levantamento feito pelo jornal O Globo mostrou que 98,5% dos magistrados recebem salários brutos acima do teto constitucional. No mês de maio, um recordista recebeu R$ 150.111,00. Embora não seja ilegal receber acima do teto constitucional, um levantamento da revista Época publicado em 2015 mostrou o TJ-RJ como recordista em benesses. De acordo com a Lei dos Fatos Funcionais, os juízes têm direito a receber auxílio-saúde, auxílio-moradia, auxílio-educação, auxílio-alimentação, adicionais por acúmulo de funções, por dar aula e outras indenizações. Os valores dos benefícios vão de R$ 850 a R$ 5 mil.
Na justificativa da lei assinada por Zveiter, falou-se na necessidade de equiparar os benefícios dos magistrados aos previstos por lei para os integrantes do MP.
A reportagem questionou o TJ-RJ diversas vezes sobre os valores das 14 benesses a que um magistrado do estado tem direito hoje. Pediu, também, as resoluções que disciplinaram sua criação antes da Lei dos Fatos Funcionais. O tribunal não forneceu os dados solicitados.
Em 2010, a PGR questionou os supersalários fluminenses no STF, apontando a inconstitucionalidade da Lei dos Fatos Funcionais. Em 2012, o ministro Ayres Britto votou com o argumento da PGR, pois, segundo ele, a norma estadual criava “vantagens não previstas” na Lei Orgânica da Magistratura. Mas o julgamento não andou: pouco depois do voto de Ayres Britto, o ex-desembargador do tribunal fluminense Luiz Fux pediu vistas do processo, que até hoje não retornou ao plenário.
“O doutor Zveiter não é o senhor desta decisão. Ele é o produtor intelectual desta lei, que é um instrumento de barganha. Não sei de onde vem todo esse poder dele, mas que é muito poder, é”, disse à Pública o desembargador Siro Darlan, juiz desde 1982 e desembargador desde 2004. Crítico do Judiciário fluminense, ele completa com uma pergunta: “Vai que o STF decide que essa lei é ilegal. Vamos devolver o dinheiro que estamos recebendo?”.
Enquanto a lei não é julgada, o sobrenome Fux é mais um a circular entre os poderosos do Rio. Em abril deste ano, a filha do ministro, Marianna Fux, se tornou desembargadora do TJ. Como Zveiter, ela foi indicada, pelo quinto constitucional, pela OAB do Rio; no seu caso, em um processo marcado por uma sabatina de dois minutos.
O retorno de Luiz Zveiter à presidência do TJ-RJ em dezembro é dado como certo por políticos, magistrados e servidores do Judiciário. Derrotado na eleição para o biênio 2014-2015, ele só pôde ser candidato graças a uma decisão do ministro Luiz Fux. Foi ele o autor da liminar que cancela os efeitos de uma determinação do CNJ que rejeitou a mudança no regimento do tribunal que permite a reeleição de um desembargador à presidência em um espaço de dois mandatos.
À época, em 2014, Fux considerou que o STF ainda não havia determinado qual a regra para as eleições dos presidentes do tribunal em casos como esse. Agora Zveiter está desimpedido de concorrer e precisa do apoio da maioria dos 180 desembargadores para retornar à presidência do TJ-RJ.
A favor de Zveiter pesa a fama de bom gestor, reconhecida até por Darlan. “O doutor Zveiter, diga-se o que quiser dele, é um bom administrador. Transformou o tribunal, construiu sedes
 Não as desejáveis, porque não precisa de tanto luxo. Na primeira instância, não há nem cadeira para sentar”, disse.
Os membros da família Zveiter mencionados nesta reportagem, incluindo o próprio desembargador, optaram por não dar entrevista à Pública.

Colaborou Leandro Resende

Esta matéria é resultado do concurso de microbolsas para reportagens investigativas sobre o Poder Judiciário promovido pela Agência Pública com o apoio do Instituto Betty e Jacob Lafer.
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Aqui o Gregório Duvivier filmando a recepção da polícia federal ao Picciani:

Uma publicação compartilhada por Gregorio Duvivier (@gduvivier) em



Mais sobre o Greg News aqui
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Reportagem da Revista Piaui sobre o Rei do Gado, Jorge Picciani:

http://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-rei-do-gado/

O REI DO GADO

A trajetória política e os negócios privados de Jorge Picciani, o mais longevo presidente da Assembleia fluminense

MALU GASPAR
(MALU GASPAR
, repórter de piauí, é autora do livro Tudo ou Nada: Eike Batista e a Verdadeira História do Grupo X, da Editora Record. De 2010 a 2015, foi editora de Veja no Rio de Janeiro e chefe da sucursal do Rio da revista EXAME, sempre cobrindo economia e negócios.)

Os estampidos e o cheiro das bombas de gás lacrimogêneo que estouravam do lado de fora invadiram a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a Alerj, naquele início de dezembro. As galerias que circundam o plenário, em geral abertas ao público, estavam às moscas. Quem olhasse em direção aos pisos superiores do quase centenário Palácio Tiradentes via passar correndo de um lado para o outro homens da Força Nacional, com seus uniformes camuflados e capacetes negros, carregando caixas de munição. Nos corredores, a nuvem de fumaça e poeira provocava espirros e irritação nos olhos. A segurança havia distribuído máscaras hospitalares a deputados, funcionários e jornalistas, mas quase ninguém as portava. No plenário não se viam expressões de susto ou preocupação. Naquele momento, a sede da Alerj estava cercada por três fileiras de grades, 500 soldados e um Caveirão. Do lado de fora, a razão do tumulto eram os violentos protestos contra o ajuste fiscal do governo do estado. Do lado de dentro, o debate pegava fogo, mas por outro motivo. Votava-se uma emenda que autorizava secretários, subsecretários e dirigentes de autarquias e fundações a receber salários acima do teto do setor público, de 27 mil reais. Alguns, emprestados de estatais e autarquias federais, acumulavam rendimentos que lhes permitiam embolsar 70 mil reais ou mais por mês. “É esse governo, com esses salários altíssimos, que está mandando fechar restaurante popular para economizar 1 ou 2 milhões por mês?”, bradava Marcelo Freixo, do PSOL. Até Cidinha Campos, da base governista, se revoltou. “Será que não ouviram as bombas? Será que acham que podem enfiar pela garganta da população um discurso que defende um salário de 70 mil reais?”

Num gesto raro, o presidente da Assembleia, Jorge Picciani, do PMDB, abandonou a cadeira de espaldar alto, de onde costuma ver todo o plenário, e desceu a passos rápidos até o microfone, à direita. Normalmente, ele preside a sessão nas votações mais importantes e vai embora cedo, deixando a pauta menos relevante para os colegas de mesa. Como quase nunca desce ao púlpito para falar, os parlamentares ligaram as antenas. Alto e encorpado, o deputado tem o rosto grande, bochechas caídas, olhos claros e uma papada que atrai a atenção do interlocutor. A fala rápida e a voz grossa e anasalada, aliadas à péssima acústica do local, tornavam difícil entender o que Picciani dizia. “Se não aprovarmos esse destaque, estaremos colocando na rua amanhã o secretário de Fazenda, o secretário de Educação, o presidente do Rioprevidência, o secretário do Planejamento, e daremos razão ao governador ao dizer que esta Casa quer impedi-lo de governar. Não será com essa economia que se poderá votar, depois, um projeto de transição.” O esforço para defender a emenda foi em vão. Poucos minutos depois, os supersalários foram derrubados.

Picciani não se abalou. Terminada a votação, saiu rapidamente pelos fundos e foi para o seu gabinete, de onde partiu para outros compromissos fora do Parlamento. O pacote do governador Luiz Fernando Pezão, o deputado sabia, estava condenado ao fracasso – o próprio Picciani decretara sua inviabilidade. Perto de completar 62 anos, no dia 25 de março, ele é o político que por mais tempo comandou a Alerj na história do Rio de Janeiro. Desde que foi eleito deputado estadual pela primeira vez, em 1990, já presidiu a casa cinco vezes. Em fevereiro, foi eleito para o sexto mandato, com 64 de 70 votos. Num sistema de governo em que o Executivo depende da aprovação do Legislativo para as iniciativas mais relevantes, sua importância já seria grande mesmo que o deputado não fosse quem é. Ao longo do tempo, porém, ele construiu uma liderança tão forte que um ex-secretário de Pezão me disse, certa vez, que na Alerj não existem partidos, oposição ou governo. “Só existe o partido do Picciani.”

Nas atuais circunstâncias da política fluminense, Jorge Sayed Picciani (o Grego, na planilha da Odebrecht, ou o Italiano, para lembrar o apelido colocado pelo grupo do ex-governador Sérgio Cabral) é a única voz ativa em meio ao caos financeiro e político. Cabral, aliado por mais de vinte anos, está preso desde novembro em razão da Operação Calicute, braço da Lava Jato. Outro ex-governador, Anthony Garotinho, que chegou a ser preso em novembro, acusado de compra de votos, hoje conserva apenas um resquício da liderança de outros tempos. Pezão, em tese no comando, encastelou-se no Palácio Guanabara. Em novembro, a Assembleia decretou estado de calamidade financeira no estado, cujo rombo em 2017 será de 26,1 bilhões de reais – dos quais 13 bilhões só na Previdência. A cifra corresponde a quase cinco meses de arrecadação de impostos, e não para de engordar.

É um déficit anunciado desde 2014, quando a economia brasileira começou a desacelerar. Em vez de cortar custos e racionalizar despesas, às vésperas da eleição Pezão reajustou – com o aval da Assembleia – os salários de 41 categorias de funcionários em até 63%. Ao constatar que faltariam recursos para pagar a Previdência, o governo fez, em 2013 e 2014, diversas emissões de títulos para financiar as aposentadorias, dando como garantia a arrecadação de royalties do petróleo em contratos hoje sob suspeita de fraude. A queda na arrecadação deixou evidente que, nas gestões Cabral e Pezão, os contribuintes financiaram uma farra de incentivos fiscais que concedeu 185 bilhões de reais a todo tipo de atividade econômica, das mais relevantes às menos significativas, de grandes indústrias a churrascarias e bordéis. Com a recessão e a queda no preço do petróleo, fornecedores, credores e funcionários deixaram de ser pagos, e o estado entrou em colapso.

Quando dezembro começou, o governo do Rio ainda devia aos servidores uma parcela dos salários e aposentadorias de outubro. Faltavam insumos nos hospitais, faltava dinheiro para as universidades e para o combustível dos carros da polícia. Era preciso tomar medidas urgentes. Pezão enviara à Assembleia um duro pacote de ajuste, com elevação de impostos, descontos nos salários dos servidores e aumento da contribuição previdenciária. Mas não se deu ao trabalho de negociar a aprovação com deputados e lideranças sindicais. Conseguiu piorar ainda mais o ambiente político, já tumultuado pelas descobertas da Lava Jato sobre os desvios praticados por Cabral e companhia. Irritado, Picciani lavou as mãos. Alegando inconstitucionalidade, devolveu oito das 22 medidas propostas pelo governador assim que chegaram ao Parlamento. As outras ou seriam derrubadas ou modificadas. E, um dia antes de abrir as votações, deu uma entrevista ao portal UOL. “Não tem governo, não tem quem coordene, o governador nada entende. O estado é de uma desorganização
 Não era assim não, mas conseguiram fazer uma balbúrdia no estado que não é simples”, afirmou.

Picciani havia acabado de rejeitar os últimos pedidos de impeachment de Pezão que ainda tramitavam no Legislativo, mas nos bastidores só se referia a ele como “burro” ou “um desastre”. No final de janeiro, durante um almoço em um hotel de Copacabana, o deputado me explicou por que deixou que o pacote desandasse no Parlamento. “Eu só defendo o que acredito. Aquilo era uma trapalhada.”  Pezão se negou a falar para esta reportagem.



Filho de um casal de confeiteiros de Anchieta, bairro do subúrbio na divisa com Nilópolis, Jorge Picciani fez carreira na Baixada Fluminense, até hoje sua base eleitoral. De seus três filhos adultos, dois deles estão na política: Leonardo, de 37 anos, deputado federal licenciado, ex-secretário de Habitação de Sérgio Cabral, atual ministro do Esporte; e Rafael, 30, deputado estadual que também integrou o primeiro escalão de Cabral e de Eduardo Paes. Felipe, 36, toca os negócios da família. Somados, os patrimônios do pai e dos dois filhos políticos passam dos 27,5 milhões de reais, segundo declararam ao Tribunal Regional Eleitoral. A família é sócia em várias empresas. A mais importante, e que pertence apenas aos Picciani, é a Agrobilara, famosa pelos leilões de gado. Eles também são donos de duas mineradoras – a Tamoio, que fornece brita para obras em todo o estado, incluindo as do parque olímpico carioca, e a Coromandel, detentora de direitos de lavra para a exploração de fosfato em Minas Gerais. A empresa de pecuária rendeu a Picciani o apelido de “Rei do gado”; a Tamoio, de “Rei da brita”. Juntas, as três empresas têm capital social de 77 milhões de reais. É na Tamoio que Picciani tem como sócio Walter Faria, o dono do Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava, que recebeu 687 milhões de reais em incentivos fiscais nos governos do PMDB.

De 1998, quando declarou à Justiça Eleitoral possuir 538 mil reais em bens, até 2014, quando o montante atingiu 10,4 milhões, o patrimônio do deputado aumentou 1 951%. Ao longo dos anos, Picciani foi alvo de pelo menos três investigações do Ministério Público e dois inquéritos na Receita Federal, todos sob suspeita de enriquecimento ilícito. O fisco o multou duas vezes por irregularidades relativas aos anos de 1997 e 1998, mas ele derrubou as sanções no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf. Uma prescreveu; a outra, julgada pelo conselho, não apresentou evidências de malfeito. Depois disso, a Receita nunca mais o investigou. Os inquéritos do MP também foram todos arquivados – com exceção de um, retomado no ano passado.

O Picciani dos primeiros tempos vivia no subúrbio, começou a vida como fiscal de renda no estado de Mato Grosso e, segundo o ex-aliado Garotinho, fez as primeiras campanhas circulando pela cidade num Corcel velho. O Picciani atual anda de Porsche Cayenne, frequenta restaurantes caros e gosta de degustar vinhos. Ainda trabalha muito, preferindo as fazendas da família às viagens ao exterior. E continua falando assembreia e bicicreta. Outra coisa que mantém, convicto, é a papada. Assessoras insistem para que o deputado faça uma cirurgia plástica, mas ele resiste. Não vê necessidade. Sua vida amorosa nos últimos anos foi movimentada. Em 2011, depois de três décadas de casamento com Márcia, mãe dos mais velhos, teve um filho com Juliana Vogas, uma ex-assessora – Arthur, hoje com 5 anos. Em 2014, casou-se com Hortência da Silva Oliveira, então com 26 anos, que conhecera como assessora do PMDB.

A papada segue intacta, mas o novo relacionamento fez com que Picciani adotasse algumas mudanças no visual. Trocou os ternos escuros e monocromáticos por combinações mais coloridas e ousadas – terno azul-claro com camisa branca e gravata amarela é uma de suas preferidas. Passou a usar mais sapatênis e trocou boleros pelo sertanejo universitário na trilha sonora do carro. Em sua página do Facebook, exibe mensagens românticas e fotos com a mulher. No Réveillon de 2014, por exemplo, ao lado de uma foto em que aparece de branco abraçando Hortência, ele escreveu: “Eu e meu amor comemorando mais um novo ano. Feliz 2014 a todos, com saúde paz harmonia e muita felicidade.” Entusiasmado com a vida de casado, ele agora pensa em ter mais um herdeiro.

As bodas, realizadas em uma casa de eventos da Barra da Tijuca em maio de 2014, contaram com 700 convidados. Em ano de eleição presidencial, a festa foi prestigiada por Aécio Neves, candidato de Picciani, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Eduardo Cunha, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, e dezenas de políticos de todas as estirpes. Durante a cerimônia, celebrada por um pastor evangélico, um drone despejou sobre o altar uma chuva de pétalas de rosa. No momento mais surpreendente da festa, na pista de dança em cujo piso se viam as iniciais dos noivos, o casal executou uma coreografia ensaiada em segredo, ao longo de três meses – o Xote da Alegria, do grupo de forró Falamansa. No último passo, apoteótico, o noivo ergueu a noiva em seu colo, toda sorridente, com os pés apontando para cima.



O bom desempenho eleitoral do clã Picciani no Rio é garantido por um grupo coeso de prefeitos e militantes que o reverenciam. Max Lemos, ex-prefeito de Queimados, na Baixada Fluminense, que acaba de eleger o sucessor, é o mais próximo, o mais antigo e possivelmente o mais fiel deles. Filho de um antigo militante comunista – seu nome é uma homenagem a Karl Marx, e seus irmãos se chamam Lenine e Leonel –, Lemos começou na política pelo PDT, assim como Picciani, e desde então seguem juntos. Num almoço recente, ele discorreu longamente sobre o aliado, enquanto tomava um espumante. “O Picciani construiu essa liderança sendo solidário. Sabe essas histórias de cacique que pega uma parte do salário do assessor, que pede dinheiro para dar apoio? Com ele não tem isso. O Picciani nunca te abandona e não te deixa faltar nada”, contou Lemos. O aliado estima que, dos treze prefeitos da Baixada, oito sejam ligados ao peemedebista. No estado, segundo ele, a força do deputado é ainda maior. “Eu diria que, dos 92 prefeitos, mais de sessenta admiram o Picciani e têm vontade de ouvi-lo”, diz Lemos.

A lealdade é tal que, no início de 2014, quando Rafael, o filho, e Jorge, o pai,  cogitavam disputar as eleições para o mesmo cargo, o de deputado estadual, Lemos organizou uma reunião com 200 aliados num salão de festa na Barra da Tijuca. Ao final, decidiram dividir o eleitorado. “O Rafael ficou com a capital e o Jorge com a Baixada”, conta o ex-prefeito de Queimados. Ambos foram eleitos, exatamente como fora previsto. Picciani-pai teve 76 590 votos, dos quais a maior parte em Queimados. Rafael Picciani teve 63 073, mais concentrados na capital.

A escalada de Jorge Picciani começou já no primeiro mandato, em 1990. Eleito pelo PDT, foi secretário de Esportes de Brizola, que o escolheu por seu bom relacionamento com os jornalistas, e fez reformas no Maracanã e no Maracanãzinho. Em 1995, depois que o grupo político de Brizola perdeu as eleições para o tucano Marcello Alencar, Picciani se transferiu para o PMDB e passou a integrar a base do novo governo. O partido, então presidido pelo ex-governador Moreira Franco, tinha apenas sete deputados e era visto como uma legenda decadente. Picciani ajudou a reorganizá-la e a atrair filiados. Em 1994, Sérgio Cabral tinha sido eleito deputado estadual pelo PSDB com votação recorde; tornou-se presidente da Alerj e chamou Picciani para ser seu primeiro-secretário. Na função, ele administrava os recursos e os cargos do Parlamento. “Cabral não tinha a menor paciência com o varejão dos pedidos de favores, cargos e dinheiro. Precisava de alguém organizado e inteligente para administrar isso pra ele. O Picciani tinha organização, paciência e talento”, contou um dos políticos que acompanhou a escolha.

A aliança forjada por Picciani e Cabral nos primeiros anos de Assembleia continuou ao longo das décadas seguintes. Em 1999, Cabral transferiu-se para o PMDB e, em 2002, foi eleito senador. Picciani então assumiu a presidência do Legislativo, e desde então só se afastou entre 2010 e 2014, porque perdeu a eleição para o Senado. Na dinâmica da dupla, os papéis eram claros. Cabral disputava os cargos executivos e ocupava a ribalta nacional; Picciani, mais afeito aos bastidores, garantia a retaguarda no Legislativo e reinava regionalmente. O deputado administrava a máquina peemedebista e a Assembleia de modo a garantir o apoio necessário para o governo Cabral funcionar, negociando nomeações e liberação de verbas. “A presidência da Assembleia é uma coisa muito forte. Nada funciona se a Alerj não funcionar. Nem o governo”, comentou em janeiro Aloysio Neves, ex-assessor de ambos, hoje presidente do Tribunal de Contas do Estado.

Apesar da ligação quase simbiótica, Picciani me corrigiu quando comentei que ele e Cabral eram amigos. Disse que ambos mantêm uma “relação de respeito”. “Tive muito menos poder no primeiro governo Cabral do que nos governos Rosinha e Garotinho. Você viu aí um monte de filmagens, fotos e tudo, e eu nunca estava. Eu fui em alguma viagem?”, perguntou, numa referência às célebres imagens em que Cabral, secretários de estado e o empreiteiro Fernando Cavendish aparecem com guardanapos na cabeça, depois de um jantar festivo em Paris. “Cabral fazia o que queria, mas me respeitava. Porque sabia que, se eu ficasse contra, ele podia perder. E eu tinha coragem de ficar contra. Minha diferença é que não estou preso a esses caras.”



Entre os inimigos que Picciani fez na política, poucos são tão obstinados como Anthony Garotinho. O ex-governador dedica ao presidente da Alerj o mesmo coquetel de ódio e desprezo que oferece a Sérgio Cabral. Os dois são vilões constantes no blog que ele mantém, sempre em posts com alguma denúncia ou crítica. Garotinho emprega boa parte de seu tempo recolhendo informações sobre contratos, empresas e bastidores da gestão peemedebista no estado. O material, incluído num dossiê de mais de 400 páginas, foi entregue a procuradores da Lava Jato em Brasília – e o ex-governador tem certeza de que deu subsídios à prisão de Cabral. Em dezembro passado, ele me recebeu em seu escritório na emissora Palavra de Paz, no Centro do Rio. Fazia alguns dias que a ordem de prisão domiciliar contra ele havia sido revogada e seu bom humor era evidente. Ao se inteirar do foco da minha reportagem, foi logo dizendo que não sabia se nossa conversa teria algum proveito. “O Picciani vai ser preso, nem sei se dá tempo de sua matéria sair antes.”

Garotinho e Picciani se conhecem há décadas, desde que, nas palavras do ex-governador, o deputado “era um duro”. Quando ele foi eleito governador, em 1998, Cabral e Picciani já comandavam a Assembleia, e seu primeiro impulso foi o de procurar distância da dupla. O deputado Chico Alencar, do PSOL, que na época integrava o PT e apoiava Garotinho, me contou ter participado de uma reunião com o governador recém-empossado para discutir as eleições na Alerj. “O Garotinho fez um discurso dizendo que era preciso combater Cabral e Picciani para quebrar a espinha dorsal da corrupção no Rio. No final, o candidato do governador nem concorreu e ele acabou apoiando Picciani.” Ao saber do relato de Alencar, Picciani disse que o achava verossímil. “Quem me queria não era o governador, e sim os deputados.”

Os primeiros meses foram de conflito. Depois de reduzir as tarifas de ônibus em 15%, Garotinho afirmou ter recebido uma ligação do telefone vermelho da Assembleia: um assessor do Legislativo, dizendo atuar em nome da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro, a Fetranspor, teria lhe oferecido propina para revogar a medida. Nos bastidores, Garotinho acusava Cabral e Picciani de formarem a “bancada da Fetranspor”, exigindo o comando da Secretaria de Transportes para favorecer a entidade. O governador sustentava suas acusações com base no fato de Picciani ter sugerido e aprovado emendas que beneficiavam as empresas de ônibus, como a redução de 90% no pagamento de ICMS. Para os peemedebistas, Garotinho queria quebrar as empresas do Rio a fim de apadrinhar a de um amigo que operava linhas entre a capital e o interior. O bafafá desembocou no pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a existência de uma “caixinha” das empresas de ônibus destinada aos deputados. A ideia, porém, logo morreu: em questão de dias a CPI foi rejeitada na Alerj por 49 votos contra 16. Picciani votou contra a CPI.

Os atritos persistiram até as eleições municipais de 2000, quando foram derrotados todos os candidatos de Garotinho. Enfraquecido, o governador teve de atender aos pleitos do PMDB. Para fechar uma aliança, nomeou secretários e cedeu cargos ao partido. Funcionou até Cabral ser eleito governador, em 2006. Era para ser um governo de continuidade, mas, assim que assumiu, Cabral renegou a família Garotinho e – o antecessor nunca duvidou – mandou cooptar seus correligionários. Por um tempo, Anthony Garotinho ainda permaneceu no PMDB, com o apoio de Picciani. Depois romperam definitivamente. “Quem diz que apoia o Picciani é porque gosta de dinheiro. Ser apaixonado pelo Picciani é a mesma coisa do que ser apaixonado pelo dinheiro”, disse Garotinho.

O deputado estadual André Lazaroni, do PMDB, foi um dos que chegou à Assembleia com aversão a Picciani. “Eu, playboy da Zona Sul, tinha nojo dele. Com o tempo, fui mudando minha percepção”, explicou. Filho de um empreiteiro e de uma escritora que ajudou a fundar o Partido Verde, Lazaroni elegeu-se deputado estadual pela primeira vez em 2002, aos 25 anos, pelo mesmo PV da mãe. Aos 40 anos, já pode ser considerado veterano na Assembleia. Ele é do tipo pilhado: fala alto, gesticula bastante e quase não para na cadeira. Numa entrevista em seu gabinete, no início de fevereiro, o deputado contou como o cacique do PMDB quebrou sua resistência. “Ele não te engana. Se diz sim, é sim. Se falar não, é não. Cumpre o que promete, é generoso. Uma vez, chamou o prefeito de Macaé e pediu que carreasse os votos de lá não para ele, Picciani, mas para mim. E eu recebi 6 mil votos numa cidade onde não tinha nenhuma base eleitoral.”

No dia seguinte à nossa conversa, Lazaroni se tornou secretário de Cultura de Pezão – uma nomeação incluída na cota de Picciani e atribuída à barganha entre o governo estadual e a Assembleia para a aprovação do novo pacote de ajuste exigido pelo governo federal para socorrer financeiramente o Rio. Com a indicação de aliados para as secretarias de Cultura, da Casa Civil e de Ciência e Tecnologia, Picciani ampliou sua área de influência de seis para nove das 20 secretarias de governo. Segundo as lendas repetidas entre os políticos e lobistas fluminenses, o presidente da Alerj controlaria 3 mil cargos comissionados no estado. Considerando que são cerca de 8 500 vagas, a estimativa não serve para muita coisa além de sugerir que, nesse caso, a fama supera o indivíduo.


O atual presidente do Tribunal de Contas do Estado, Aloysio Neves, trabalhou por dezesseis anos na chefia de gabinete da presidência da Assembleia e serviu tanto a Cabral como a Picciani. Neves garante que Picciani nunca lhe pediu nada. Até 2015, porém, empregava a mulher do deputado como assessora. Hortência saiu do tribunal para montar uma empresa, mas a vaga ficou com sua irmã, Lizandra da Silva Oliveira. Ambas trabalharam ao lado de Nusia Ancelmo, a irmã da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, que se desligou do cargo após as prisões de Cabral e sua mulher.

O presidente do TCE parece um personagem saído de uma coluna social dos anos 80 – aliás, ele chegou a trabalhar numa delas. Amante de arte, bons livros e boa música, anda sempre empertigado, envergando ternos impecáveis. Usa óculos de aros redondos e armação moderna, e não aparenta os 71 anos que tem. Quando era jornalista e figura conhecida na noite carioca, foi preso em flagrante por tráfico de drogas. A polícia encontrou maconha, cocaína e seringas em seu apartamento. Neves sustentou que o flagrante foi forjado e acabou absolvido pelo Tribunal de Justiça com a concordância do Ministério Público, mas o caso serviu de munição aos opositores de Picciani na tumultuada sessão da Alerj que deliberou sobre sua nomeação para o tribunal, em 2010. Muito barulho por nada: o deputado fez prevalecer sua vontade e o afilhado foi escolhido conselheiro por 54 dos 70 deputados estaduais. Em 2015, Picciani fez mais um conselheiro, o então deputado estadual do PMDB Domingos Brazão, contra quem pesavam acusações de improbidade, compra de votos e envolvimento com milícias. Munido de uma pilha de certidões de Nada Consta, o apadrinhado de Picciani disputou e venceu. No final de 2016, depois que o então presidente da corte, Jonas Lopes, foi alvo de condução coercitiva na Operação Calicute, Aloysio Neves assumiu o lugar dele. Neves define Picciani como um político “intuitivo” (“Às vezes parece que tem um índio velho falando no ouvido dele”), que mantém a liderança na base do diálogo. “Mesmo quando há um projeto com o qual não concorda, ele ouve, dá espaço para a oposição”, garante o aliado. Um exemplo, para Neves, seria a relação entre Picciani e o líder do PSOL, Marcelo Freixo. “O Freixo deve a ressonância do mandato dele à CPI das milícias, criada na gestão Picciani. Sem a CPI, ele não seria quem é hoje”, disse. O presidente do TCE se refere à Comissão Parlamentar de Inquérito presidida por Freixo em 2008, que, além de indiciar vários milicianos e levar à cassação do mandato de vários parlamentares, fez do deputado uma estrela da política. Por sua atuação na CPI, Freixo inspirou o personagem Diogo Fraga, o deputado do filme Tropa de Elite 2.

O líder do PSOL não reconhece nenhum débito com Picciani. “A CPI foi proposta em 2007 e ficou meses na gaveta. Só foi aberta em 2008, depois que os repórteres do jornal O Dia foram sequestrados e torturados por milicianos. Eu havia assinado o pedido e, pela regra, seria presidente. O Picciani não me fez favor nenhum. Se fiquei conhecido, foi pelo meu trabalho.” Foi também sob Picciani que Freixo assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos. O antecessor, Alessandro Molon, perdeu o cargo depois que uma fiscalização do Ministério do Trabalho flagrou 41 camponeses em situação análoga à escravidão na fazenda dos Picciani em Mato Grosso. Na ocasião, Molon recebeu na sede do Parlamento uma comissão de artistas que foi entregar um manifesto contra o trabalho escravo. Para encerrar o caso, o deputado assinou um termo de ajuste de conduta com o Ministério Público, pelo qual aceitou gastar até 250 mil reais em eventos de combate ao trabalho escravo.

Molon nunca mais voltou a presidir a Comissão de Direitos Humanos. Freixo continua no comando e é autor de dois projetos de lei em parceria com o presidente da Alerj – um substituindo a revista íntima nos presídios por verificação com scanners corporais, outro criando os comitês de prevenção à tortura no Parlamento. “Eu o convidei para assinar o projeto comigo por uma razão muito simples: queria garantir que fossem aprovados. Se preciso me associar ao Picciani para combater a tortura, eu vou fazer isso”, disse Freixo.

Para ressaltar que ambos não bebem da mesma fonte, o líder do PSOL lembrou que sua bancada sempre votou contra Picciani nas disputas para a presidência da Alerj. Em 2009, porém, ao declarar o voto, Freixo fez um volteio retórico que incomodou correligionários: “O voto do Partido Socialismo e Liberdade é contrário, mas fica aqui o reconhecimento pelos avanços conquistados e pelo espaço político recebido.” Picciani devolveu a gentileza no discurso de posse, disponível em vídeo na internet. “O deputado Marcelo Freixo não pôde [votar em mim], por uma decisão partidária. [
] Expresso minha gratidão e reconhecimento pelo pronunciamento – que mostra que, se fosse um voto de decisão pessoal, ele teria, pelo trabalho que a mesa fez, votado [em mim].”



No processo que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff, Jorge Picciani quase apostou no cavalo errado, mas soube se reposicionar a tempo de sair vencedor. Mesmo tendo ficado ao lado de Aécio Neves nas eleições de 2014, integrando o movimento conhecido como Aezão – junção dos nomes de Aécio para presidente com Pezão para governador –, em 2015 Picciani procurou Dilma Rousseff para propor uma aliança. Na ocasião, estava em conflito com Eduardo Cunha e Michel Temer.  Seu filho Leonardo havia derrotado um aliado de Cunha na disputa pela liderança da bancada do PMDB na Câmara, meses antes, e agora Cunha, com a ajuda de Temer, tramava sua destituição. Picciani não teve dúvidas. Por intermédio de Pezão e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, cavou um encontro com Dilma.

“Eu quero te ouvir”, ela disse, segundo ele me contou. Em uma manhã de agosto de 2015, Picciani foi recebido para um café da manhã no Palácio da Alvorada. Era uma deferência rara da presidente da República a um político de expressão regional – o filho, o deputado federal Leonardo Picciani, também estava presente, mas era o pai que a presidente queria conquistar. A liderança de Cunha fizera do Congresso um campo minado para o governo. Jorge Picciani fora, durante anos, aliado de Cunha e o conhecia como poucos. Ele achava que Dilma estava sendo muito lenta e evasiva nas negociações com os deputados, e foi direto: “Presidente, [para sair da crise] tem que fazer que nem burro no atoleiro”, disse, levantando o corpanzil da cadeira e gesticulando com os dois braços para a frente. “Define a direção e vai com tudo. Se bambear, atola”, contou ele, na época. Dilma teria entendido o recado: “Agora é comigo”, ela respondeu.

Na memória de um dos auxiliares palacianos presentes ao encontro, a abordagem de Picciani foi bem menos conceitual. “Ele disse que Temer e Cunha estavam armando contra Dilma e que o fortalecimento dos dois iria enfraquecê-lo no PMDB. Por isso, ele nos apoiaria desde que ajudássemos Leonardo a se reeleger líder e atendêssemos aos pedidos da bancada do Rio.” Dilma nomeou dois peemedebistas ligados a Picciani para o ministério, o deputado federal Celso Pansera, para a Ciência e Tecnologia, e Marcelo Castro, para a Saúde. E em fevereiro Leonardo foi eleito líder do PMDB com a ajuda do Planalto. Picciani-pai, assim como Paes e Pezão, saiu a campo combatendo o impeachment.

O esforço, porém, durou pouco. Quando março chegou, Dilma estava ainda mais fragilizada pela desastrada nomeação de Lula para o ministério, e as manifestações populares pelo impeachment cresciam. Foi então que Picciani mudou de ideia. “Eu vi que ela não teria capacidade de reverter a crise, tá entendendo?”, explicou, em janeiro passado. O movimento seguinte foi procurar Temer para um armistício, patrocinado pelo aliado no Rio, Moreira Franco.

Apesar de certa resistência de parte do time a incorporar Picciani, Temer acabou cedendo. Convenceu-se dos argumentos apresentados por Moreira Franco, que sustentava ser essencial o apoio do Rio de Janeiro naquele momento, não tanto pelo número de votos, onze, mas também pela repercussão que a virada de casaca de Picciani teria no Congresso. Picciani jogou duro ao negociar a contrapartida que os cariocas teriam. Disse que aceitaria apenas o ministério do Turismo ou o do Esporte, dada a proximidade das Olimpíadas, mas objetou que, naquele momento, seu filho, Leonardo, não queria o cargo para si. Temer ensaiou então indicar o bispo licenciado Marcos Antônio Pereira, do PRB do Espírito Santo, mas Eduardo Paes protestou: Pereira, aliado em outros momentos, vitaminaria Marcelo Crivella (PRB), bispo da Universal, adversário do PMDB nas eleições municipais. Como alternativa, Temer pediu a Moreira Franco que perguntasse se Picciani aceitaria apadrinhar o ex-ministro Henrique Alves, peemedebista que nasceu no Rio, mas fez carreira no Rio Grande do Norte. “Eu respondi: ‘Aceito, mas transfere as Olimpíadas pra Natal.’ O Moreira disse: ‘Pô, você é foda.’ Depois me ligou de volta e falou: ‘O Temer vai chamar o Leonardo em meia hora. Agora, se ele não aceitar, acabou.’”

Às vésperas da votação na Câmara, Leonardo Picciani liberou o PMDB fluminense para apoiar o impeachment. Ele e Celso Pansera votaram contra o impeachment, alegando questão de consciência, pois fizeram parte do governo, mas todos os outros sete deputados foram a favor. Quando assumiu o Planalto, Temer deu a Leonardo Picciani o Ministério do Esporte. O clã estava de novo no governo – e, desta vez, alguns escalões acima de ocasiões anteriores. Meses depois, em janeiro, perguntei a Moreira Franco se ele achava que Picciani tinha atração por governos. Ele assentiu, completando com uma variação do famoso aforismo de Ortega Y Gasset: “O homem é o homem e suas convicções – ou a falta delas.”



Para a maior parte dos cariocas, aquela era apenas mais uma tarde ensolarada de um dia de verão no Rio de Janeiro. Para Jorge Picciani, era um dia especialmente difícil num dos bairros mais quentes da cidade. Na tarde de 8 de dezembro, ele desceu do carro sob um sol infernal no estacionamento do Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, para visitar Sérgio Cabral. Dias antes, havia declarado que, mesmo preso, o ex-governador era “o melhor quadro do PMDB”.

Enquanto estava solto, Cabral vinha tentando aparar as arestas entre Pezão e Picciani e colocar o PMDB do Rio de novo nos trilhos. Agora fora de combate, estava prestes a ver, da cadeia, seu partido e o governo de seu sucessor se esfacelarem sem poder fazer nada. No final de fevereiro, o presidente da Alerj me relatou o encontro, por e-mail. “Rezamos um Pai-Nosso e ele comentou as péssimas condições a que estava submetido. Depois, pediu ao filho para que levasse frango com quiabo e uma rodela de abacaxi de sobremesa, no sábado, quando é permitido à família levar alimentos. Ele estava muito abatido e ficou o restante do tempo abraçado ao filho, chorando. Logo em seguida chegaram os advogados.” Segundo Picciani, a visita durou vinte minutos, e não três horas, como alguns jornais publicaram. “Isso é maldade. Não basta prender, tem que ter crueldade.”

Nos dias seguintes, cada vez que lembrava o episódio, ele se emocionava, numa reação que podia ser de tristeza, mas também de tensão. Nos últimos meses, a Lava Jato vinha se aproximando do clã Picciani. A impressão dos aliados que o ouviam falar era de que a visita despertara no cacique uma espécie de “efeito Orloff” – expressão popularizada por um antigo comercial de vodca, em que o cliente de um restaurante dizia para o outro: “Eu sou você amanhã.”



“Esse animal é espetacular! Olha a carcaça, o porte. Vai arrasar lá na frente!”, exclamou Felipe Picciani, diante de uma bezerra quase toda cor de mel ao pé de uma vaca enorme. “A mãe não deu pista, mas a cria vai dar”, disse, referindo-se ao fato de que a progenitora não atingiu os parâmetros necessários para participar dos concursos realizados nas exposições do circuito Nelore. Uberaba, no Triângulo Mineiro, é a capital bovina do Brasil e também a sede administrativa da empresa agropecuária dos Picciani. A família ainda tem fazendas no município de Rio das Flores, no interior do Rio de Janeiro, e em Mato Grosso, na região do Alto Xingu. A do Xingu, a maior delas, foi arrendada para a soja em 2012. Nas terras do Rio já produziu leite no passado; hoje, não mais.

Do cercado em que estavam mãe e cria, ainda no pasto, Felipe, empolgado,  seguiu para os cochos e foi mostrando outros animais: Mônaco, Jandaya, Shakira. A cada apresentação, uma história e a declamação do pedigree. “Modéstia à parte, eu tenho olho para saber qual animal vai ser campeão e qual não vai.” Dos filhos de Jorge Picciani, ele é o único que se envolve no dia a dia da criação. Zootecnista, passa a maior parte da semana em Uberaba e conhece os animais em detalhes. É capaz de identificar uma vaca à distância e contar sua história. Em meio ao plantel há vários descendentes da vaca Bilara, uma grande reprodutora comprada em 1998, nos últimos anos de vida – mas que ainda forneceu embriões suficientes para fazer a fama da Agrobilara. “A Bilara foi nossa grande virada”, disse Felipe, durante uma visita à sede da fazenda.

Ao longo do almoço, o zootecnista demonstrou também conhecer cada transação de compra e venda realizada pela empresa. É ele quem agenda e organiza os leilões da Agrobilara desde 2003, quando a família entrou nesse ramo. Segundo Felipe, são pelo menos dez eventos por ano, sem contar as participações como convidados nos leilões de outros produtores. Numa conta simples, os Picciani já venderam gado em pelo menos 130 leilões, em treze anos de atividade. Parte deles ocorre só pela tevê, outros são realizados em locais badalados como o Copacabana Palace e o hotel Portobello, em Mangaratiba – resort no litoral sul fluminense que ficou famoso por abrigar a casa de praia de Sérgio Cabral. Todos são transmitidos pelo Canal Rural.

Frequentados por políticos e celebridades, como os atores Alexandre Nero e Murilo Benício (que também é sócio de Picciani), os leilões deram fama à Agrobilara. Felipe Picciani diz que os certames são a maior fonte de receita da empresa. Não conta, porém, qual é seu faturamento, nem quanto disso vem dos leilões. “A área financeira meu pai controla de muito perto. Só ele pode te dizer.” Ao voltar de Uberaba, pedi os números a Jorge Picciani, que listou diversas informações sobre as atividades da empresa – mas não revelou nenhum dado acerca das receitas.



Há algumas formas clássicas de lavar dinheiro no Brasil: ganhos forjados em loterias, compra de imóveis em nome de laranjas, aquisição de obras de arte e contratos falsos de consultoria são as mais manjadas. Igualmente conhecidas, porém mais difíceis de detectar, são as transações com gado. A atividade agropecuária paga pouco imposto – na maior parte dos casos, cerca de 5% sobre o faturamento. É fácil forjar grandes ganhos com vendas a preços altos, uma vez que a estimativa do preço de um animal pode ser carregada de subjetividade, como em um leilão, ou simular grandes perdas, já que sempre se está sujeito a prejuízos causados por praga, mau tempo ou acidente.

As normas para coibir a lavagem de dinheiro em negócios com gado foram implementadas em 2012. Desde então, qualquer pessoa que venda um touro por mais de 10 mil reais deve manter os registros da transação e, se faturar mais de 30 mil reais em espécie, deve comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf. Mas não há um sistema unificado e organizado de coleta dessas informações, como ocorre com bancos, cartões de crédito ou imóveis. Muitos negócios ainda são fechados em dinheiro vivo ou mediante troca – um touro por três bezerros, por exemplo. Sem emissão de nota fiscal ou guia de transporte. “Da forma como as coisas funcionam hoje, o Estado tem dificuldades em saber o que acontece no setor, a não ser que algum dos intervenientes comunique ao Coaf. E é claro que, se as partes estiverem lavando dinheiro em comum acordo, isso dificilmente vai ocorrer”, explicou Gerson Schaan, coordenador de inteligência da Receita Federal e um dos representantes da Fazenda na Lava Jato.

Ainda assim, foi uma transação de compra e venda de gado que atraiu a Lava Jato para a órbita dos Picciani. Em agosto do ano passado, quando a Olimpíada mobilizava o Rio, o acionista e diretor da Carioca Engenharia Ricardo Pernambuco Backheuser Júnior esteve na sede do Ministério Público, no Centro da cidade, para complementar sua delação premiada. Os donos da empreiteira – que integrou os consórcios para a construção de uma linha de metrô e a revitalização da zona portuária do Rio – já haviam entregado, meses antes, as provas de pagamento de 52 milhões de reais de propina a Eduardo Cunha, em contas secretas na Suíça.

Naquele dia, o principal assunto da pauta era uma compra superfaturada de vacas da Agrobilara. Entre 2012 e 2013, a companhia de gado de elite dos Picciani vendeu 160 vacas Nelore à Zi Blue, empresa agropecuária dos Pernambuco, por 3,5 milhões de reais. Dessa quantia, Picciani lhe teria devolvido 1 milhão em dinheiro vivo, por intermédio de um operador já conhecido da Lava Jato – José Augusto Ferreira dos Santos, dono do extinto Banco BVA.

Segundo depoimentos anteriores dos donos da Carioca, eles obtinham o dinheiro sujo a ser entregue aos políticos com outros operadores, como o empresário e lobista Adir Assad, preso em Curitiba. Fora dos autos, em conversas informais nos bastidores do depoimento, Backheuser Júnior disse que o negócio com a Agrobilara foi uma espécie de agrado a Picciani, feito por sugestão do peemedebista. Os animais haviam sido entregues, mas, àquela altura, Pernambuco nem sabia que destino haviam tido.

O sigilo sobre o relato do empreiteiro durou dois meses, até que o jornal O Globo publicou detalhes dele em outubro do ano passado. O depoimento de uma gerente financeira da empreiteira confirmou a história em linhas gerais, sem maiores detalhamentos. Picciani reagiu indignado, tanto naquela ocasião como no final de fevereiro, quando o questionei a respeito das afirmações. Por escrito, ele me respondeu o que já havia dito antes ao Globo: que a história seria fantasiosa, porque não faria sentido devolver à vista parte de um pagamento que foi feito a prazo, em duas transações diferentes. Mas, de fato, o preço das vacas compradas pela Carioca – mais de 21 mil reais por cabeça – estava bem acima do valor de mercado. Na época em que vendeu gado à Carioca, a empresa de Picciani liquidou outros 330 animais do mesmo plantel a 4 484 reais por cabeça, em média. Se tivesse comprado no leilão e não diretamente dos Picciani, a empreiteira teria pago menos de um quarto do valor, 717,5 mil reais, não 3,5 milhões.

Dois meses depois das delações dos donos da Carioca Engenharia, em dezembro, os executivos da Odebrecht no Rio de Janeiro começaram a falar. Entre eles estava Benedicto Barbosa Silva Júnior, diretor responsável pelas negociações com os políticos, preso pela Lava Jato em fevereiro de 2016. Foi na apreensão realizada no escritório de BJ, como ele era conhecido, que a Polícia Federal obteve planilhas com mais de 270 nomes de políticos. No material, o Grego é inserido na categoria dos “Históricos”, ao lado de Sérgio Cabral (Proximus) e Eduardo Cunha (Caranguejo). Após o nome de cada um deles, aparece a cifra 500 (mil reais) na coluna “valor total”. Pelo que se sabe até agora, BJ afirmou que o presidente da Alerj pediu dinheiro para campanha em três eleições. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada à piauí por investigadores da Lava Jato. Ainda não está claro quais foram as campanhas nem o total pedido. O que BJ já disse é que o dinheiro foi enviado a Picciani pelo mesmo operador usado no caso da Carioca: José Augusto Ferreira dos Santos, dono do Banco BVA.

Picciani, que já havia contestado a história antes, se recusou a falar pessoalmente sobre o caso. Limitou-se a responder às perguntas por e-mail: “A delação da Odebrecht foi homologada pelo STF, nos próximos dias a sociedade vai conhecer. Conheço o Benedicto Júnior, mas os fatos estão mostrando que nunca atuei para ajudar; sequer fui procurado, pois nunca tive esse poder em nenhum governo.” O deputado também confirma conhecer o dono do BVA, mas diz que há muito tempo não tem notícias dele.



Obter um mapa completo das transações da Agrobilara em leilões é a próxima meta dos procuradores de Justiça do Rio que apuram a suspeita de enriquecimento ilícito e improbidade administrativa contra Jorge Picciani. O Ministério Público suspeita que parte das operações realizadas nos leilões da família possa ter servido para lavar dinheiro de fornecedores do governo estadual, ou para dissimular pagamentos ilegais desses fornecedores ao deputado. As informações recolhidas até agora mostraram que vários deles compraram gado da Agrobilara a preços recordes – e alguns, inclusive, não tinham nenhuma relação com a pecuária até serem introduzidos no negócio pelos Picciani.

O que acendeu o alerta do MP foi a compra de uma aspiração de óvulos da vaca Bonanza por 511 mil reais, no leilão do Copacabana Palace, em 2004. O vendedor era Jorge Picciani. O comprador, uma estreante, a SKR Agropecuária e Participações, que na mesma noite ainda comprou um embrião por 182 mil reais. A aquisição recorde foi celebrada nos blogs especializados – e o mais impressionante era que os compradores ainda nem tinham fazenda para colocar os bezerrinhos que estavam por nascer. Mas esse problema foi resolvido facilmente: os filhotes nasceram na sede da Agrobilara e lá ficaram até que a SKR comprasse a própria fazenda, ali mesmo em Uberaba. Em 2008, quatro anos depois da famosa aquisição, a SKR liquidou o plantel em um leilão. Vendeu  36 animais e saiu do mercado, arrecadando, em média, 44 835 reais por cabeça.

Acontece que um dos sócios da SKR é também dono de uma empresa acusada pelo TCE de desviar quase 8,7 milhões de reais, recursos recebidos por contratos com o Detran do Rio de Janeiro. Segundo o tribunal, a empresa recebeu o dinheiro entre 2003 e 2004, mas não prestou os serviços.

Ao saber da coincidência, o MP começou a investigar os leilões da Agrobilara. Os promotores pediram ao Canal Rural a relação das vendas, mas receberam apenas uma lista parcial com vinte transações. Dessas, onze foram para grupos com interesses financeiros no governo do estado. Só com essas vendas, a família Picciani arrecadou 3,7 milhões de reais.

Entre todos os negócios listados nas planilhas entregues ao MP, um em especial chamava a atenção: a venda de 50% do clone de uma vaca reprodutora por 1 milhão de reais, em 2006. Ninguém até então havia pagado tanto por um clone. A produção de cópias genéticas era tão recente no Brasil que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento não havia sequer estabelecido regras para o registro. E não eram muito valorizadas no mercado, porque costumavam envelhecer e morrer precocemente. Ainda assim, o empresário Paulo Afonso Trindade Júnior, neófito na pecuária, que nunca comprara um boi na vida, pagou o tal milhão para se tornar sócio dos Picciani no bezerro que circulava de um lado para o outro na imagem exibida na tela, no salão do Copacabana Palace.

Naquele momento, a principal atividade de Trindade Júnior era o fornecimento de computadores e sistemas de informática para o governo do Rio de Janeiro. Sua empresa, a Investiplan, fechara 2005 com 9 milhões de reais em contratos com o governo do Rio. Nos anos seguintes, passou a ganhar licitações para o fornecimento de laptops à Secretaria de Educação, área de influência de Picciani. Entre 2007 e 2009, foram quase 90 mil laptops, e a Investiplan passou a arrecadar entre 60 e 70 milhões de reais por ano. Em pelo menos uma das licitações, em 2008, era a única concorrente. E os jornais da época publicaram que os computadores eram 30% mais caros do que os equivalentes vendidos no varejo nas lojas do Ponto Frio.

Ao ser questionado sobre a relação com o dono da Investiplan, durante o almoço em Uberaba, Felipe Picciani desfez o sorriso que mantinha no rosto. “O Paulinho é meu amigo de muitos anos, a gente se conhece desde pequeno, da Barra da Tijuca. Ele viu que eu estava fazendo um negócio que dava certo e quis participar. Tanto é assim que eles continuam na pecuária até hoje, e fizeram da Nova Trindade uma empresa respeitada”, afirmou.

Ao longo de uma tarde de conversa, entre um cocho e outro, Felipe classificou como bobagem as suspeitas sobre as relações entre a Agrobilara e os fornecedores do estado. “Isso é coisa de gente que não entende o mercado de alta genética e nunca veio aqui para ver que os bois existem e a gente trabalha muito.” Para ele, os altos valores alcançados nos leilões, além de não serem atípicos, foram inflados pelo boom decorrente da boa fase vivida pela economia brasileira. Nos últimos três anos, porém, o mercado parece não estar mais tão pujante. Os Picciani diminuíram sua participação em leilões e arrendaram áreas de pastagem para a cultura da soja e da cana. Felipe Picciani contou que o clone adquirido por Paulo Trindade Júnior morreu em 2015, aos 9 anos, mordido por uma cobra no pasto. Os outros dois clones produzidos a partir da mesma linhagem morreram antes. Viveram bem menos do que os doze anos considerados normais para animais de elite.



A investigação que hoje incomoda o clã Picciani quase foi engavetada. Aberto em 2013, quando o presidente da Alerj estava sem cargo eletivo e não tinha direito a foro privilegiado, o inquérito civil público seguiu até 2015 com os promotores do MP estadual. Naquele ano, Picciani reassumiu o mandato e o inquérito foi enviado para o procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira, a quem cabe investigar o governador, o presidente da Assembleia Legislativa e o presidente do Tribunal de Justiça. Durante um ano, avançou a passos de cágado. Picciani levou seis meses para fornecer as informações pedidas pelo MP, e assim mesmo em parte. Depois disso, em janeiro de 2016, o procurador-geral arquivou o inquérito. Tudo caminhava para que mais essa investigação fosse encerrada – mas, em setembro, o Conselho Superior do Ministério Público rejeitou o arquivamento e mandou seguir a averiguação, listando uma série de providências a serem tomadas.

Marfan Martins Vieira é um homem elegante e seguro de si, de fala professoral e voz de radialista. Não ocupa mais a chefia do Ministério Público do estado, mas continua trabalhando como assessor do novo procurador-geral, seu ex-braço direito Eduardo Gussem, que assumiu em janeiro deste ano. Foi no gabinete de Gussem que eu o encontrei, no início de fevereiro.

Desde que Cabral foi preso, Vieira tem sido questionado por nunca ter investigado nenhum dos casos que agora envolvem o governador. Em nossa conversa, ele disse que mandou arquivar o inquérito sobre os leilões de gado porque Picciani havia conseguido provar que seu patrimônio tinha lastro. E negou que a atitude se devesse a alguma razão “extra-autos”. “As pessoas dizem que tenho amizade com o Picciani. Não tenho amizade nenhuma. Ele conseguiu demonstrar a regularidade de todas as transações que realizou. Eu vou deixar de arquivar por causa de falatório?” Perguntei-lhe se estava a par de que, entre as transações listadas no inquérito, constava que um fornecedor do estado havia comprado metade de um clone de vaca por 1 milhão de reais. O ex-procurador de Justiça arregalou os olhos: “Mas tem isso mesmo? Tudo isso? Eu não sei nada do processo, fiz tudo por delegação. Quem cuidou foi o meu subprocurador”, justificou-se.

Semanas depois, tive acesso a uma tabela de entradas e saídas de visitantes do escritório da Agrobilara na Barra da Tijuca, parte de um conjunto ainda maior de planilhas, já divulgado pelo jornal O Globo. Uma parte ainda inédita do material lista dezesseis visitas de Marfan Vieira à sede da empresa de Picciani naquele período. Apenas cinco delas tiveram a data registrada pelas recepcionistas. Em 2014, quando Picciani estava sem cargo eletivo, Vieira foi vê-lo em quatro ocasiões. O quinto encontro ocorreu em 20 de março de 2015, o mesmo dia em que a Subprocuradoria de Vieira mandou citar Picciani para que se manifestasse sobre as investigações. Picciani não quis comentar as visitas. Disse apenas que a lista de entradas foi adulterada e obtida pelo Globo de forma ilegal.

Vieira, no entanto, não teve problemas em falar. Confirmou as visitas, mas disse que só tratava de assuntos institucionais do Ministério Público – mesmo em 2014, quando Picciani estava fora do cargo. “Ele não era mais presidente da Assembleia, mas ainda tinha bastante influência para ajudar a passar coisas de que precisávamos”, disse. “Nunca falamos do inquérito.”



Janeiro chegava ao fim quando, no Palácio do Planalto, o governador Luiz Fernando Pezão, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Alerj, Jorge Picciani, sentaram-se à mesa do auditório para uma entrevista coletiva. Depois de um período de intensa negociação, durante o qual o secretário de Fazenda do estado, Gustavo Barbosa, praticamente se mudou para Brasília para acelerar as tratativas, finalmente se havia produzido um acordo de socorro do governo federal ao governo do Rio. A União aceitara resgatar o estado do atoleiro, concedendo mais 6,5 bilhões de reais em novos empréstimos para pagar salários e aposentadorias, e congelando por três anos a dívida com os órgãos federais. Em troca, porém, exigia a implantação de um profundo pacote de ajuste para que as contas do estado estivessem saneadas quando as dívidas voltassem a ser cobradas. Meirelles foi claro: o acordo só valeria se o Legislativo fluminense aprovasse algumas medidas duras. A primeira era autorizar a privatização da companhia de saneamento do estado, a Cedae. Os deputados ainda teriam de aprovar o aumento na contribuição previdenciária dos funcionários públicos, além de uma taxa extra de 8% a ser paga para a Previdência ao longo de três anos, entre outras providências. Se essas e outras contrapartidas não fossem aprovadas pela Alerj, o acordo perderia a validade.

Mais uma vez, a salvação do governo de Pezão dependia da boa vontade e da força política de Picciani, que não pronunciou palavra durante a entrevista. Assessores de Pezão e de Meirelles – e, segundo alguns, o próprio presidente Temer – fizeram questão da presença do presidente da Alerj, simbolizando o aval do Legislativo ao acordo. Nos bastidores, havia também o reconhecimento do papel de Picciani para a elaboração do texto final. O cacique ajudou a convencer Pezão de que, para obter o socorro financeiro, a única alternativa era vender a Cedae. A operação vinha sendo defendida havia meses pelo BNDES e pelos ministros de Michel Temer, mas Pezão resistia. Para além das razões objetivas, o governador tinha um envolvimento emocional com o assunto. Sempre se lembrava das agruras vividas por sua família quando seu pai foi demitido da companhia estadual de energia, a Light, que fora privatizada. Dadas as suas constantes mudanças de posição, havia o temor, em Brasília, de que Pezão não cumprisse a sua parte no acordo. Segundo me disseram interlocutores de ambos, em dado momento Picciani expôs ao governador essa desconfiança, sem meias palavras: “Eles estão achando que você é mentiroso.” O governador cedeu.

Cinco dias depois do anúncio do acordo no Planalto, a Alerj abriu suas atividades em grande expectativa de que as medidas exigidas pelo governo federal fossem aprovadas rapidamente. “Esse pacote é diferente do anterior”, defendeu Picciani. “Agora sabemos que os salários serão pagos e que o estado vai conseguir sair do buraco. Além disso, não há outra alternativa. Se não aprovarmos, será o caos.”

A situação financeira do Rio, porém, já se deteriorara ainda mais, a ponto de as mulheres dos policiais militares incentivarem um motim, bloqueando os portões dos batalhões. Na segunda semana do mês, parte da tropa se manteve aquartelada e não saiu às ruas para o patrulhamento de rotina. Num domingo, dia de uma partida entre Flamengo e Botafogo, com policiamento muito reduzido, um botafoguense morreu durante uma briga na porta do estádio. A votação da privatização da Cedae chegou a ser cancelada algumas vezes, por temor de que a Assembleia fosse invadida por manifestantes, já que a segurança em torno do palácio histórico era insuficiente, formada quase toda pela Força Nacional.

Até que, no final de fevereiro, os deputados finalmente aprovaram a privatização, de olho na liberação dos empréstimos de bancos federais que possibilitariam pagar os salários atrasados. Foi a primeira vitória de uma longa lista para salvar o governo Pezão. Ainda seria preciso fazer aprovar no Congresso Nacional o relaxamento da Lei de Responsabilidade Fiscal. E fazer passar na Assembleia todas as outras medidas de ajuste, em meio a estouros de bombas e pedidos de impeachment do governador. Picciani, porém, estava se sentindo forte a ponto de mandar dizer aos interlocutores de Brasília que só colocaria o resto do pacote em votação na Alerj quando os empréstimos fossem liberados. Até que isso ocorresse, manteria os braços cruzados.

Era um momento de alívio para o cacique do PMDB fluminense. Pela primeira vez em dias ele voltara a ostentar a autoconfiança habitual, minada nos últimos tempos por um nervosismo visível e um permanente estado de desconforto. Em algumas ocasiões, a tensão era tamanha que ele chegava a gritar com subordinados – algo atípico num chefe acostumado a se fazer obedecer sem precisar levantar a voz.

Nos bastidores da Operação Lava Jato, o cerco continuava se fechando contra Jorge Picciani e o Ministério Público negociava intensamente duas novas delações premiadas capazes de complicar a situação do deputado com a Justiça. Uma delas, a do ex-secretário de Obras de Pezão, Hudson Braga, que prometia detalhar a divisão de secretarias e de propinas entre os aliados de Cabral. A outra, do ex-presidente do TCE, Jonas Lopes, que se comprometia a entregar transações irregulares realizadas com o presidente da Assembleia. Na terceira semana de fevereiro, quando havíamos combinado uma última entrevista, Picciani me disse, via WhatsApp, que não iria mais falar. E justificou assim a recusa: “Estou muito cansado e atarefado. O país está derretendo e o estado já derreteu.”
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A Gangue do Guardanapo 
Essa história é uma das que o Garotinho fica falando no Blog... A história estourou em 2012, mas é uma história antiga...  Aqui o personagem do tropa de elite, introduz o caso Gangue do Guardanapo:


E o Garotinho Falando:


'Farra dos guardanapos' teve cantores de Monte Carlo, trenzinho e 'operação Paes'
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/10/1928950-paes-esteve-na-farra-dos-guardanapos-simbolo-dos-escandalos-na-gestao-cabral.shtml







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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/41905-a-gangue-do-guardanapo.shtml

A gangue do guardanapo

O guardanapo do Ritz é a bandana perfeita para quem quer surfar nas costas dos bananas (que seríamos nós)

A FOTOGRAFIA da semana, para mim, é a de Fernando Cavendish (dono da Delta) e Sérgio Cabral (governador do Rio), com outros políticos e empresários, alegres além da conta, todos arvorando um guardanapo branco amarrado na cabeça -isso, num restaurante de Paris (o do hotel Ritz, ao que parece), em 2009.

A cena me lembra um caso recente. Um casal de brasileiros frequenta habitualmente um restaurante de Manhattan, porque o lugar é simpático e porque o maître também é brasileiro. Uma noite, no dito restaurante, uma mesa acomoda um grupo especialmente barulhento de mais oito brasileiros: os homens competem clamando seus pedidos de vinhos caros, e as mulheres competem gritando as compras do dia.

O maître recebe o casal de "habitués" pedindo em voz baixa: "Por favor, não vamos falar português, prefiro que eles não saibam que somos brasileiros".

É difícil assumir a brasilidade quando, na boca dos emergentes, o "brado retumbante" é o barulho de quem ambiciona se apresentar ao mundo pelo chacoalho do trocado que tem no bolso.

A mobilidade social brasileira é rapidíssima: em uma geração, criam-se fortunas (com ou sem a cumplicidade do poder público corrupto). Nesse ritmo acelerado de ascensão social, os novos ricos, em regra, adotam o luxo como puro símbolo de status, sem o tempo de elaborar uma cultura que lhes permita apreciá-lo. Com isso, escreveu justamente Elio Gaspari (Folha de 2/5), tentando ser chiques, eles são bregas: sua ostentação revela a falta de um gosto próprio e a vontade de ocultar sua origem recente.

Os novos ricos se envergonham de seu passado mais humilde e tentam ocultá-lo num agito fanfarrão que, justamente, revela aquela procedência que eles gostariam de espantar. Enquanto isso, os outros, como o maître de Manhattan, envergonham-se dos privilegiados de seu país.

Mas tudo isso não nos diz ao que vêm, na festa de Cavendish e companhia, os lenços na cabeça.

Para quem não viu a foto: são guardanapos dobrados em triângulos, cuja base é amarrada ao redor da testa, de modo que o pano recaia sobre os cabelos e a ponta seja eventualmente segurada na nuca. Ou seja, são bandanas.

Pioneiros, vaqueiros e bandeirantes a caminho do Oeste usavam uma bandana, que, ao redor do pescoço, servia para proteger a boca da poeira e dos insetos ou, amarrada de baixo do chapéu, estancava o suor. Antes disso, o mesmo lenço segurava o cabelo dos piratas. Depois disso, nos anos 1960 e 1970, ele segurava o dos motoqueiros rebeldes da contracultura.

A bandana é, tradicionalmente, um apetrecho de quem se engaja (real ou metaforicamente) no vento e na poeira dos caminhos menos percorridos. O ideal do cowboy, do "easy-rider", do aventureiro, do pirata, do surfista errante ou do roqueiro pode se encarnar em usuários mais sedentários, mas não menos ousados -à condição, claro, que eles precisem segurar o cabelo (é o caso, por exemplo, dos chefes de cozinha de hoje). Mas como esse mesmo ideal se encarnaria nos clientes brasileiros do Ritz de Paris?

Talvez a bandana da foto de Cavendish, Cabral etc. seja apenas uma versão da gravata na testa daqueles primos bêbados, que, no fim de uma festa de casamento, escolhem mostrar a todos os outros ("inibidos", "caretas" e "obviamente" invejosos) que eles, sim, sabem se divertir e são os verdadeiros heróis do hedonismo -os que não recuam diante do prazer. Isso, claro, até eles vomitarem num canto (conselho: nunca fique num casamento depois da saída dos noivos).

Ou talvez Cavendish, Cabral etc. achem que eles são mesmo os novos "easy-riders", cowboys ou bandeirantes. Mas qual é, então, sua aventura? Em que jornada eles precisam segurar o cabelo para correr livres no vento?

O guardanapo branco do Ritz é uma curiosa bandana: ele diz que a aventura desses pretensos aventureiros é apenas a de esbanjar seu privilégio (mais ou menos legal), sonhando em ser o objeto da inveja de todos. Em síntese: o guardanapo do Ritz é a bandana perfeita para quem quer surfar nas costas dos bananas (que seríamos nós).

Elio Gaspari prometeu uma viagem a Dubai para quem explicasse as bandanas do grupo de Cavendish etc. Se ajudei, renuncio desde já à viagem oferecida. Receio encontrar, em Dubai, o mesmo pessoal do Ritz ou seus amigos. Prefiro que Gaspari me convide para um jantar qualquer. Aliás, nem precisa me convidar. Mas o jantar é sem bandanas, ok?





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No Blog do Garotinho:

A Gangue dos Guardanapos e a farra de Cabral





No meio desse povo também está o ministro da econimia que a Dilma escolheu para o Brasil: Joaquim Levy!!




Post no Blog do Garotinho sobre a mistura Aécio - Cabral:

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E aqui uma ligação entre a história do Carone do NovoJornal(da história do pateta) com a gangue do guardanapo:

No Rio "Gangue dos Guardanapos"; em Minas "Gangue dos Castros"
Sérgio Cabral e Aécio Neves, membros do “Grupo da Curra”, que atuou no Rio de Janeiro na década de 70, permanecem unidos na prática de outros crimes

Depoimentos do Sérgio Cabral:







https://youtu.be/BnNmPNumahM



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http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/11/1937586-ultimo-integrante-preso-da-gangue-do-guardanapo-e-elo-entre-aecio-e-cabral.shtml

Último integrante preso da 'gangue do guardanapo' é elo entre Aécio e Cabral
Reprodução/Folhapress IGOR GIELOW DE SÃO PAULO 23/11/2017  13h45

Os empresários Georges Sadala(à esq.,investigado)e João Pereira Coutinho (ao fundo, o anfitrião),Sérgio Côrtes,ex-secretário de Saúde (réu e preso)e Wilson Carlos, ex secretário de Governo(condenado e preso)
Georges Sadala puxa um "trenzinho" com Sérgio Côrtes e Wilson Carlos, ex-secretários de Cabral


Último membro importante da "gangue do guardanapo" a cair nas garras da Lava Jato, o empresário Georges Sadala é o principal elo entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), condenado a 72 anos de prisão.

Gê, como Sadala é conhecido, é amigo de longa data de Aécio, que foi seu padrinho de casamento em 2007. Foram companheiros em viagens e festas. Logo após Aécio se desincompatibilizar para disputar a eleição de 2010, Sadala obteve um contrato de mais de R$ 300 milhões do Estado para implantar o UAI (Unidade de Atendimento Integrado), o equivalente mineiro do Poupatempo paulista. O governo seguiu na mão do grupo político do mineiro, com o hoje senador Antonia Anastasia (PSDB) como governador.

O governo mineiro sempre defendeu a lisura do contrato e Aécio apenas diz ser amigo de Gê, que deixou o negócio em 2013. A atual gestão mineira, do PT, informou em nota que o caso está sendo auditado.

Segundo interlocutor dos dois, Gê trouxe para operar em Minas e frequentar o círculo de amizades o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta, que também está sob investigação na Lava Jato.

Perto do fim de seu mandato como governador, Aécio apresentou Gê a Cabral, que ocupava o Palácio Guanabara desde 2007. Ato contínuo, em 2009, o consórcio liderado por Gê ganhou licitação para implantar o Poupa Tempo fluminense, pelo que ganhou mais de R$ 130 milhões até 2015.

Por fim, ele também representa o BMG, banco tradicional de Minas especializado em empréstimos consignadosque estrelou o mensalão do PT, no Rio.

No Rio, o grupo estreitou laços de amizade, que culminaram no antológico registro fotográfico da "gangue do guardanapo". Em 2009, Cabral recebeu a Legião de Honra do governo francês, acompanhado por um séquito de empresários e secretários de Estado.

Animados na noitada parisiense, em refinado salão do Hotel de la Païva, parte deles engatou cenas como trenzinhos e posou com os fatídicos guardanapos na cabeça —o motivo permanece um mistério do anedotário político nacional. Gê estava lá, com Cabral, secretários e o então prefeito Eduardo Paes (PMDB). O ex-governador Anthony Garotinho, que como quase todo figurão da política do Rio também está preso, cunhou o apelido maldoso de "gangue do guardanapo" em seu blog.

Pessoas ligadas à investigação comentam que a prisão de Gê poderá elucidar mais laços entre o grupo de Aécio e o PMDB fluminense, de quem sempre foi muito próximo —em 2014, um dos pilares da campanha presidencial de Aécio no Sudeste foi criar a sinergia "Aezão", chapa que privilegiasse o tucano em detrimento a Dilma Rousseff no palanque do hoje governador Luiz Fernando Pezão.


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Outras reportagens sobre o assunto:


Xadrez das organizações que dominam o Rio de Janeiro, por Luis Nassif


Xadrez das Organizações que dominam o Rio - Parte 2



http://opasquim-online.blogspot.com.br/2012_07_15_archive.html
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Entrevistas com Anthony Garotinho

Pré-Eleição 2014: SBT RIO - Entrevista com o pré candidato Anthony Garotinho
Entrevista concedida em 06 de fevereiro de 2014.


Seguindo a mode de cartas abertas (muitas em 2017)

CARTA AO NOSSO POVO

Esse ano completo 42 anos de militância política iniciada na clandestinidade quando tinha 15 anos na luta contra a ditadura militar. Lutei ao lado, dos democratas, dos nacionalistas, dos trabalhistas, dos que exigiam a anistia aos exilados e perseguidos políticos, lutei por eleições diretas, e, principalmente, sempre lutei ao lado do povo. 

É claro que conquistei muitos admiradores, mas também despertei muito ódio dos poderosos, coronéis políticos, corruptos, políticos sem amor ao Brasil e ao povo. 

Sempre tentaram me aniquilar. 

Já me deram como morto politicamente várias vezes e todas elas ressurgi como uma assombração para incomodar esses vendilhões da pátria. 

Em Campos sempre foi utilizado contra mim, o mesmo método para tentar me desqualificar; a mentira. 

Certa vez inventaram que eu era dono da empresa 1001, em outra oportunidade inventaram que era proprietário da rede de supermercados Super Bom, inventaram também que eu havia adquirido a mansão do jogador Bebeto por milhões de reais na Barra da Tijuca. 

MENTIRA. TUDO MENTIRA. 

Como também era mentirosa a notícia publicada pela Veja que eu usava avião de traficante na campanha presidencial que disputei em 2002. 

Como também centenas de mentiras publicadas ao longo dos anos pelos veículos das organizações Globo contra mim e Rosinha, os quais já nos pagaram dezenas de indenizações. 

Recentemente, uma investigada, que se tornou testemunha, na fabricada operação chequinho, a mesma que já mudou seu depoimento 6 vezes e por isso foi considerada indigna de fé pelo Tribunal Superior Eleitoral, me acusa. Mais uma mentira. 

Como disse no início, são 42 anos contrariando interesses dos poderosos, defendendo o Brasil e os seus trabalhadores. 

Será que, se tivesse realizado algumas das práticas de corrupção de que me acusam, 42 anos de vida pública não seriam suficientes pra provarem alguma coisa? Quem tem conta no exterior? 

É Garotinho? Não. 

Acharam de José Serra, José Dirceu, Cabral, Eduardo Paes, Aécio Neves, Eduardo Cunha e mais de uma centena de políticos. 

Quem tem mansão ou fazendas em lugares paradisíacos, como Búzios, Angra, Mangaratiba, Pantanal ou outro lugar famoso? 

GAROTINHO? NÃO. 

Encontraram dos Picciani, Fernando Henrique Cardoso, Cabral, de vários petistas e outras centenas de políticos que enriqueceram ilicitamente. 

Sempre levei uma vida limpa e honrada e este é meu patrimônio. 

Desafio qualquer um a provar o contrário! 

Minha vida política e pessoal já foi revirada dezenas de vezes e nada foi achado. 

As investigações que fizeram contra mim,mesmo as direcionadas por perseguições,acabaram por me dar um atestado de honestidade. 

Não há uma só verdade nas acusações que foram feitas contra mim e outros companheiros neste processo que envolve o cheque cidadão. 

USAM A MENTIRA COMO ARMA POLÍTICA. 

Existem interesses obscuros que em breve traremos ao conhecimento da justiça brasileira envolvendo as autoridades que conduzem esta ação em Campos, há também o preconceito daqueles que consideram o programa de complementação de renda, CHEQUE CIDADÃO, populismo. 

Apesar das arbitrariedades, dos absurdos jurídicos, de depoimentos arrancados a base de tortura, nada temo, porque nada fiz de errado! 

Nem eu e nem nenhum daqueles que estão sendo vítimas dessa perseguição covarde, apenas pelo ódio que setores da justiça e das elites nutrem contra mim. 

AO FINAL, A VERDADE VENCERÁ. 

E eles, continuarão inventando mentiras, fabricando falsidades, para tentar enganar aqueles que quando recebem uma informação não sabem discernir o certo do errado, a verdade da mentira, o interesse político ou econômico que está por trás de uma notícia divulgada por um jornal, rádio ou TV. 

Sejamos portanto corajosos e conscientes, pacientes e resistentes, para que, ao fim, possamos estar íntegros e fortalecidos para desmascarar os inimigos do Brasil e do seu povo e construir juntos uma sociedade de paz, fraternidade e justiça social. 

ANTHONY GAROTINHO 

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Também falando de ficção, misturar política com polícia e fazer um filme, parte dessa história pode fazer parte do roteiro:

Cidinha Campos: A verdadeira história do Garotinho 




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E para terminar da forma que comecei(com música), já que o tema principal é o Rio de Janeiro, vamos para a participação de um dos legítimos representante do mundo político carioca nessa novela toda... Veja o que o Deputado Federal Jair Bolsonaro fazia enquanto tudo isso acontecia:
  


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Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância ímpar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, propina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o Banestado,  o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...




A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?



Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

A revolução será digitalizada (Sobre o Panamá Papers)


O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*


As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.

Desastre na Barragem Bento Rodrigues <=> Privatização da Vale do Rio Doce <=> Exploração do Nióbio



Trechos do Livro "Confissões de um Assassino Econômico" de John Perkins 

Meias verdades (Democratização da mídia)

Spotniks, o caso Equador e a história de Rafael Correa.

O caso grego: O fogo grego moderno que pode nos dar esperanças contra a ilegítima, odiosa, ilegal, inconstitucional e insustentável classe financeira.



UniMérito - Assembleia Nacional Constituinte Popular e Ética - O Quarto Sistema do Mérito 

Jogos de poder - Tutorial montado pelo Justificando, os ex-Advogados Ativistas
MCC : Movimento Cidadão Comum - Cañotus - IAS: Instituto Aaron Swartz

TED / TEDx Talks - Minerando conhecimento humano




Mais desse assunto:

O que tenho contra banqueiros?! Operações Compromissadas/Rentismo acima da produção

Uma visão liberal sobre as grandes manifestações pelo país. (Os Oligopólios cartelizados)

PPPPPPPPP - Parceria Público/Privada entre Pilantras Poderosos para a Pilhagem do Patrimônio Público



As histórias do ex-marido da Patrícia Pillar

Foi o "Cirão da Massa" que popularizou o termo "Tattoo no toco"

A minha primeira vez com Maria Lúcia Fattorelli. E a sua?

As aventuras de uma premiada brasileira! (Episódio 2016: Contra o veto da Dilma!)  

A mídia é o 4° ou o 1° poder da república? (Caso Panair, CPI Times-Life)

O Mercado de notícias - Filme/Projeto do gaúcho Jorge Furtado




Quem inventou o Brasil: Livro/Projeto de Franklin Martins (O ex-guerrilheiro ouve música)

Eugênio Aragão: Carta aberta a Rodrigo Janot (o caminho que o Ministério público vem trilhando)


Luiz Flávio Gomes e sua "Cleptocracia"



Comentários políticos com Bob Fernandes. 

Quem vamos invadir a seguir (2015) - Michel Moore


Ricardo Boechat - Talvez seja ele o 14 que eu estou procurando...

Melhores imagens do dia "Feliz sem Globo" (#felizsemglobo)

InterVozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social



Sobre Propostas Legislativas:

Manifesto Projeto Brasil Nação

A PLS 204/2016, junto com a PEC 241-2016 vai nos transformar em Grécia e você aí preocupado com Cunha e Dilma?!

A PEC 55 (antiga PEC 241). Onde as máscaras caem.

Em conjunto CDH e CAE (Comissão de Direitos Humanos e Comissão de Assuntos Econômicos)

Sugestão inovadora, revolucionária, original e milagrosa para melhorar a trágica carga tributária brasileira.


Debates/Diálogos:

Debate sobre Banco Central e os rumos da economia brasileira...

Diálogo sobre como funciona a mídia Nacional - Histórias de Luiz Carlos Azenha e Roberto Requião.

Diálogo sobre Transparência X Obscuridade.

Plano Safra X Operações Compromissadas.

Eu acuso... Antes do que você pensa... Sem fazer alarde...talvez até já tenha acontecido...


Depoimento do Lula: "Nunca antes nesse país..." (O país da piada pronta)
(Relata "A Privataria Tucana", a Delação Premiada de Delcidio do Amaral e o depoimento coercitivo do Lula para a Polícia Federal)

Democratizando a mídia:

Entrevistas e mais entrevistas na TV 247


Entrevistas e depoimentos na TVT/DCM


Um ano do primeiro golpe de estado no Brasil no Terceiro Milênio.

Desastre em Mariana/MG - Diferenças na narrativa.

Quanto Vale a vida?!

Como o PT blindou o PSDB e se tornou alvo da PF e do MPF - É tudo um assunto só!


Ajuste Fiscal - Trabalhadores são chamados a pagar a conta mais uma vez

Resposta ao "Em defesa do PT" 

Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!



Questões de opinião:

Eduardo Cunha - Como o Brasil chegou a esse ponto?



Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?


Comissão Nacional da Verdade - A história sendo escrita (pela primeira vez) por completo.


CPI da Previdência


CPI da PBH Ativos


Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.


Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.


Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.



Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países? 


Acompanhando o Caso HSBC VI - Pausa para avisar aos bandidos: "Estamos atrás de vocês!"... 


Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos


Acompanhando o Caso HSBC VIII - Explicações do presidente do banco HSBC no Brasil

Acompanhando o Caso HSBC IX  - A CPI sangra de morte e está agonizando...

Acompanhando o Caso HSBC X - Hervé Falciani desnuda "Modus-Operandis" da Lavagem de dinheiro da corrupção.


Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!


Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.



Acompanhando a Operação Zelotes IV (CPI do CARF) - Apresentação da Polícia Federal, Explicação do Presidente do CARF e a denuncia do Ministério Público.

Acompanhando a Operação Zelotes V (CPI do CARF) - Vamos inverter a lógica das investigações?

Acompanhando a Operação Zelotes VI (CPI do CARF) - Silêncio, erro da polícia e acusado inocente depõe na 5ª reunião da CPI do CARF.

Acompanhando a Operação Zelotes VII (CPI do CARF) - Vamos começar a comparar as reportagens das revistas com as investigações...

Acompanhando a Operação Zelotes VIII (CPI do CARF) - Tem futebol no CARF também!...

Acompanhando a Operação Zelotes IX (CPI do CARF): R$1,4 Trilhões + R$0,6 Trilhões = R$2,0Trilhões. Sabe do que eu estou falando?

Acompanhando a Operação Zelotes X (CPI do CARF): No meio do silêncio, dois tucanos batem bico...

Acompanhando a Operação Zelotes XII (CPI do CARF): Nem tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser...

Acompanhando a Operação Zelotes XIII (CPI do CARF): APS fica calado. Meigan Sack fala um pouquinho. O Estadão está um passo a frente da comissão? 

Acompanhando a Operação Zelotes XIV (CPI do CARF): Para de tumultuar, Estadão!

Acompanhando a Operação Zelotes XV (CPI do CARF): Juliano? Que Juliano que é esse? E esse Tio?

Acompanhando a Operação Zelotes XVI (CPI do CARF): Senhoras e senhores, Que comece o espetáculo!! ("Operação filhos de Odin")

Acompanhando a Operação Zelotes XVII (CPI do CARF): Trechos interessantes dos documentos sigilosos e vazados.

Acompanhando a Operação Zelotes XVIII (CPI do CARF): Esboço do relatório final - Ainda terão mais sugestões...

Acompanhando a Operação Zelotes XIX (CPI do CARF II): Melancólico fim da CPI do CARF. Início da CPI do CARF II

Acompanhando a Operação Zelotes XX (CPI do CARF II):Vamos poupar nossos empregos 


Sobre CBF/Globo/Corrupção no futebol/Acompanhando a CPI do Futebol:

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K


A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!



Revolução no futebol brasileiro? O Fim da era Ricardo Teixeira. 




Videos com e sobre José Maria Marin - Caso José Maria MarinX Romário X Juca Kfouri (conta anonima do Justic Just ) 





Do apagão do futebol ao apagão da política: o Sistema é o mesmo


Acompanhando a CPI do Futebol - Será lúdico... mas espero que seja sério...

Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!

Acompanhando a CPI do Futebol III - Está escancarado: É tudo um assunto só!

Acompanhando a CPI do Futebol IV - Proposta do nobre senador: Que tal ficarmos só no futebol e esquecermos esse negócio de lavagem de dinheiro?!

Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!

Acompanhando a CPI do Futebol VIII - Eurico Miranda declara: "A modernização e a profissionalização é algo terrível"!

Acompanhando a CPI do Futebol IX - Os presidentes de federações fazem sua defesa em meio ao nascimento da Liga...

Acompanhando a CPI do Futebol X - A primeira Liga começa hoje... um natimorto...

Acompanhando a CPI do Futebol XI - Os Panamá Papers - Os dribles do Romário - CPI II na Câmara. Vai que dá Zebra...

Acompanhando a CPI do Futebol XII - Uma visão liberal sobre a CBF!

Acompanhando a CPI do Futebol XIII - O J. Awilla está doido! (Santa inocência!)

Acompanhando a CPI do Futebol XIV - Mais sobre nosso legislativo do que nosso futebol



Acompanhando o Governo Michel Temer

Acompanhando o Governo Michel Temer I