Magazine Luiza

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Acompanhando a CPI do Futebol VIII - Eurico Miranda declara: "A modernização e a profissionalização é algo terrível"!






Eu fiquei muito triste com os primeiros minutos da 13ª reunião da CPI do Futebol...

O Romário anunciou a resposta do Alexandre Kalil: "Esse convite não foi aceito pelo Sr. Alexandre Kalil, esclarecendo que, convidado, não participaria de audiência pública desta Comissão."

Que decepção...  Semana passada eu comemorei o seu convite(Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?! ) Mas alegria de pobre dura pouco... Uma semana depois vem a recusa!

É muita decepção em primeiro lugar porque se a CPI pode não dar em nada como o Juca Kfouri já alertou lá na quarta reunião (Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!), pelo menos vai servir para que nós conheçamos o que acontece no nosso futebol...  Kalil é o homem para isso! Além de dirigente, ele é empreiteiro, quase foi político(lançou candidatura pelo PSB, mas depois da morte do Eduardo Campos ele pensou melhor e desistiu da empreitada)  e tem a língua solta!... Não só nas entrevistas, que já coloquei várias aqui, mas ontem mesmo ele soltou essa no seu twitter:
Quer melhores qualificações para escancarar nossa atual situação?!

Em segundo lugar, porque ele não indo temos que ficar com as informações da bancada da CBF/GLOBO como ao do Eurico Miranda e do Roberto de Andrade (Presidente da Diretoria do Corinthians).

Eurico Miranda todo mundo conhece, é da velha guarda do futebol e contrário a toda modernização, como ele declarou na CPI: "(...)é o grande problema do futebol brasileiro, ou seja, a chamada modernização e profissionalização. A chamada administração profissional, no futebol brasileiro, é algo terrível,(...)"

Olha, leia, escute e vê o que você entende: a modernização e a profissionalização é algo terrível!...
É... Deve ser mesmo...

Tentei ouvir duas ou três vezes sua explicação...
Eu não consegui acompanhar seu raciocínio! Alguém me ajude por favor!
O bom mesmo é ficar no amadorismo, na caixa preta, nos negócios privados, onde o público não deve meter o bedelho, ninguém tem nada com isso...

Para acompanhar essas CPIs temos que ter estômago!...

O Presidente do Corinthians disse que está satisfeito com a distribuição das cotas de televisão... Disse que lá na Inglaterra a diferença entre o que ganha mais e o que ganha menos é 4x, aqui no Brasil é 3,5X, aqui é mais "justo"... Inclusive ele já renovou o acordo com a televisão por mais 6 anos...

É... Deve estar satisfeito mesmo...
Dois satisfeitos: Corinthians e Flamengo...
Aí a insatisfação vai crescendo até o Joinville que deve estar bem descontente...

O Eurico Miranda meteu o pau na liga Sul-Minas-Rio... Disse que é ilegal e imoral...

Ué... Lembra a alguns anos atrás quando ele disse:  "O que a justiça tem que entender é que o futebol brasileiro tem suas próprias leis" sobre a criação da Copa João Havelange e toda a polêmica envolvendo a decisão da Justiça para manter o Gama na elite do Brasileiro!!...

Ele disse isso mesmo ou é só folclore?!
O Vasco ganhou aquela copa João Havelange com uma tragédia no jogo final, quem se lembra?!
O nome da copa não poderia ter sido mais apropriado! Nasceu de uma confusão brava, terminou numa tragédia, e no final quem se deu bem foi um dirigente como o Eurico Miranda...

Ontem o Eurico Miranda deu a seguinte declaração: "(...) se a dívida é contestada com o Fisco, há uma probabilidade de 90% de a decisão ser a favor do Fisco e de 10% de a decisão ser a seu favor(...)".

Essa deve ser a realidade dele... com certeza ele não está acompanhando a CPI do CARF:

Acompanhando a Operação Zelotes IX (CPI do CARF): R$1,4 Trilhões + R$0,6 Trilhões = R$2,0Trilhões. Sabe do que eu estou falando?

Outra declaração do Eurico Miranda sobre a liga Sul-Minas: "(...)A CBF podia matar isso no nascedouro, mas não o faz. Por quê? Não o faz, porque eles estão fragilizados. E não sei por que estão fragilizados. (...)"

Ele não sabe porque estão fragilizado?!... Com certeza ele não está acompanhando o caso CBF/FBI:
Mas temos que dar uma trégua a ele.. não dá para acompanhar tudo, já que ele está com todo o tempo tomado para resolver problemas maiores e tentar se livrar da Sibéria!...

Oh Kalil... Você bem que podia reconsiderar sua opinião!... Ficar ouvindo somente a versão de Andrês Sanches e Eurico Miranda é brabo!! Pelo menos para contar aquela história sobre o fim do clube dos treze... Só isso que eu queria!!

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K



Vou chamar a atenção sobre o início da fala do Ciro Nogueira:

"(...)O objetivo aqui não é só esclarecer qualquer tipo de desvio de conduta, mas eu acho que o que esta Comissão vai deixar de mais positivo é algo que nós pudermos propor para o futuro do futebol brasileiro.(...)"
É esse o Senador que o Juca Kfouri pediu para que fiquemos de olho...
Falando no Juca, ele soltou a seguinte nota no seu Blog essa semana, logo após o feriado:

Marin na Lava Jato
Juca Kfouri(13/10/2015)


José Maria Marin, e um parceiro dele por enquanto sem nome (é chamado apenas de “coconspirador 12″),  receberam propina da Petrobras por meio do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014.
É o que informa uma fonte que investiga, em parceria com o FBI, não apenas o escândalo da estatal, mas, também, o esquema de dinheiro por fora na construção dos estádios para a Copa.

(http://blogdojuca.uol.com.br/2015/10/marin-na-lava-jato/)

É como eu tenho dito:
É tudo um assunto só!!

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K






14/10/2015 - 13ª Reunião - CPI do Futebol - 2015

Horário 14:30

O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Havendo número regimental, declaro aberta a 13ª Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito, criada pelo Requerimento nº 616, de 2015, com a finalidade de investigar a situação do futebol brasileiro.
Conforme convocação, a presente reunião destina-se à realização de audiência pública com presidentes de Clubes do Futebol da Série A, nos termos do Plano de Trabalho proposto pelo Relator, Senador Romero Jucá, para compreender a realidade organizacional e financeira dos clubes brasileiros, a relação desses com as entidades de administração do desporto e as relações tradicionais e a organização das competições nacionais.
Esta audiência pública também tem fundamento no Requerimento nº 91, de 2015, de minha autoria, que estende o convite proposto no Plano de Trabalho para todos os clubes da Série A.
Está presente, no momento, e já peço para comparecer à mesa, o Sr. Roberto de Andrade, Presidente da Diretoria do Sport Club Corinthians Paulista.
Esta audiência pública será realizada em caráter interativo, com a possibilidade de participação popular. Por isso, as pessoas que tenham interesse em participar com comentários ou perguntas podem fazê-lo por meio do Portal e-Cidadania, no endereço www.senado.leg.br/ecidadania e do Alô Senado, através do número 0800-612211.
Nosso outro convidado é o Sr. Dr. Eurico Miranda, Presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama, que já se encontra em Brasília e está chegando a esta Casa.
Esclareço também que foi convidado para participar desta audiência pública o Sr. Alexandre Kalil, ex-Presidente do Atlético Mineiro e atual Presidente da Liga de Minas. Esse convite não foi aceito pelo Sr. Alexandre Kalil, esclarecendo que, convidado, não participaria de audiência pública desta Comissão.
Ainda reiteramos o convite para participar da audiência pública os seguintes clubes da Série A: Grêmio, Internacional, Joinville, Figueirense, Atlético Paranaense, Palmeiras, Ponte Preta, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Goiás, Esporte Clube de Recife, Bahia. Responderam o convite apenas os clubes Internacional e Flamengo informando que não poderiam comparecer à audiência pública em razão dos jogos agendados para a presente data.
Esclareço que os ofícios de convites referidos estão disponíveis na página da Comissão e foram encaminhados aos endereços de e-mails informados pela Presidência dos clubes.
Esta audiência pública será realizada em caráter interativo, com a possibilidade de participação popular. Por isso, as pessoas que tenham interesse em participar com comentários ou perguntas podem fazê-lo por meio do Portal e-Cidadania, no endereço www.senado.leg.br/ecidadania e do Alô Senado, através do número 0800-612211.
Para organizar nossos trabalhos, esclareço que, após a exposição inicial dos nossos convidados, a palavra será concedida aos Senadores, na ordem de inscrição. Terão preferência para uso da palavra, na seguinte ordem: o Relator, o Presidente, membros e não membros.
Com a finalidade de organizar o tempo disponível nesta audiência pública, sugiro que cada convidado tenha dez minutos para sua exposição.
Concedo a palavra ao convidado Sr. Roberto de Andrade, Presidente do Sport Club Corinthians Paulista.
Por favor, Presidente.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – (Falha na gravação.)
podendo colaborar com o futebol.
Faço parte da diretoria do Corinthians desde 2007. Exatamente em outubro, agora, se fez oito anos. Todos acho que se lembram de todos os escândalos que envolveram o Corinthians na época, em 2007. O nosso grupo político ganhou as eleições e, de lá até o dia de hoje, fizemos grandes reformas não só na parte física do clube como também em mentalidade. Enfim, colocamos o clube no eixo. É o que estamos fazendo até hoje.
O Corinthians, desde 2008 até a presente data, tem todos os seus balanços auditados por empresas de primeiro escalão. Nenhum balanço foi fechado com alguma ressalva pela auditoria. Isso nos dá um respaldo muito grande para trabalhar e continuar nessa busca de melhorar o futebol, cada um fazendo a sua parte. Por parte do Corinthians, desde então, sempre achamos que tínhamos que ter total transparência com todos os assuntos. É o que procuramos fazer no nosso dia a dia. Já temos os nossos órgãos internos, que é o Cori e o Conselho Deliberativo, e não tivemos nenhuma ressalva em nenhuma conta por nenhum ano. Isso nos orgulha bastante porque não é uma prática comum em clube de futebol.
Sabemos que as dificuldades estão a cada dia ficando grandes para se tocar o futebol no País. Está difícil. Salários, enfim, tudo estão um pouco fora dos padrões das receitas dos clubes. Mas, com muito trabalho, com muita seriedade, a gente vem conseguindo colocar o Corinthians no seu lugar de melhor expressão. Nesses anos todos, conseguimos construir um grande centro de treinamento – não tínhamos isso –, que, hoje, é um dos melhores do Brasil e do mundo, e um estádio a altura do Corinthians também, onde tivemos a abertura da Copa e as Olimpíadas, no próximo ano.
Estamos à disposição dos senhores para esclarecer o que for possível.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Presidente.
Passo a palavra ao nosso Senador
aqui ao nosso Senador Ciro Nogueira.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Apoio Governo/PP - PI) – Quero saudar o nosso convidado, Dr. Roberto, nosso presidente, e dizer que o que o senhor disse é uma realidade: eu, que sou um são-paulino doente, estou convivendo, desde a chegada desse moço à presidência no Corinthians, com o fato de que as coisas realmente mudaram, e nós só temos que parabenizar a gestão do nosso Presidente Andrés Sanchez, como também a sua. Nós notamos uma evolução muito grande na administração desse que é um dos maiores clubes do nosso País.
Esta Comissão aqui tem o intuito de trazer, no meu ponto de vista, até novas propostas para que possamos melhorar. Não é nem tentar esclarecer; o objetivo aqui não é só esclarecer qualquer tipo de desvio de conduta, mas eu acho que o que esta Comissão vai deixar de mais positivo é algo que nós pudermos propor para o futuro do futebol brasileiro.
Eu tenho uma preocupação que já externei, Dr. Roberto, na audiência passada, em que esteve aqui o ex-presidente do meu São Paulo – o outro era o presidente do Santos –, com a formação de jogadores no País. Eu tenho muita preocupação hoje com a atual legislação, pois os clubes formadores de opinião, no meu ponto de vista, têm muito poucos frutos para poderem manter seus jogadores. A instituição da Lei Pelé, com o fim do passe, tem causado uma deterioração muito grande na formação dos jogadores, principalmente... No meu Estado, por exemplo, eu fui presidente do River Atlético Clube por 4 anos; no meu Estado, hoje não existe nenhum clube com investimentos na categoria de base.
Então, eu acho que grande parte da culpa do que aconteceu no futebol brasileiro nos últimos anos foi por conta da falta de formação. É lógico que isso daí está sobrecarregando muito os grandes clubes, que têm estrutura e têm como fazer esses investimentos.
Assim, eu gostaria de saber do senhor se acha que tem de haver algum aprimoramento e também sobre o que poderia ser feito para que nós pudéssemos valorizar os clubes que formam realmente jogadores de futebol, para que eles tenham um ganho maior ao formar um grande estrela, um grande jogador no futuro. No Brasil hoje, grande parte dos nossos jogadores estão saindo até antes de brilharem internamente. Nós temos notícia de que a quantidade de jogadores que estão sendo transferidos ainda com pouca idade, sem antes brilhar no nosso País, é muito grande. Eu queria saber se o senhor tem alguma ideia, alguma proposta nessa área que pudesse auxiliar esta Comissão a formalizar nosso relatório.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Obrigado, Senador.
Passo a palavra, de novo, ao Sr. Roberto de Andrade.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – Obrigado.
Senador, quando foi criada a Lei Pelé, preocupou-se com o atleta, com a defesa do atleta, com uma condição melhor para o atleta. Só que o clube foi completamente esquecido nesse projeto. Os clubes não têm defesa alguma. O primeiro contrato que se pode fazer com o garoto é aos 16 anos, mas ele normalmente ingressa no clube com a idade de 11 anos, 12 anos, e o clube vai fazendo investimentos ao longo desse tempo: escola, médico, dentista, enfim, tudo aquilo que cabe ao clube no que tange a ajudar os atletas na parte social. E, com 16 anos, na hora de assinar o contrato, ele está praticamente livre; pode aparecer qualquer outro clube, oferecendo qualquer dinheiro ao garoto, ou à família, ou a quem o representa e levá-lo para outro clube. O clube não tem defesa alguma quanto a isso, porque só vale depois de assinado. Até então, o atleta não tem vínculo algum com o clube.
Isso acontece não só na parte da garotada, como também com o profissional. A Lei Pelé acabou com a Lei do Passe e deixou os clubes sem nenhum amparo. Hoje, ouvimos dizer: "Na renovação do atleta, teve-se que gastar mais..." A renovação do atleta é uma nova compra, é uma recompra. Independentemente dos valores que foram investidos – um, cem, quinhentos –, quando vence o contrato, perdem-se todos os direitos econômicos.
... vence o contrato, você perde todos os direitos econômicos. Ele se acaba junto com o prazo do contrato. Então, você precisa readquiri-los. E você está sujeito à oferta daquilo que o garoto, enfim, o atleta vai solicitar a você.
Então, eu recomendaria que essa lei fosse revista urgentemente para os clubes terem uma retaguarda com relação a isso, porque, além do investimento feito, é o futuro. Sem isso... Não existem atletas se não existirem clubes. Pensaram muito em defender os atletas e esqueceram os clubes. Os clubes estão acabando, como o senhor próprio disse, o clube da sociedade, que não investe mais... Não tem como investir, porque são valores altíssimos. Só para os senhores terem uma ideia, o Corinthians faz um investimento nas suas categorias de base na ordem de 23 a 24 milhões por ano. Não é qualquer clube que pode fazer isso. E a gente também não tem a certeza de que todos que lá estão serão atletas do profissional, que é o que a gente almeja, ou seja, ter 100% dos seus atletas oriundos da categoria de base. E, nesse período, de 11, 12 anos até a idade em que ele chega ao profissional, normalmente com 18 ou 19, a gente perde muito garoto também para outros clubes por questões financeiras. Isso, eu acredito que, se pudessem rever, seria uma ótima solução para os clubes.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Obrigado, presidente.
Tramitou aqui nesta Casa a Medida Provisória nº 679, que virou a Lei nº 13.155 (Lei do Profut). A pergunta que tenho para fazer ao senhor é: a repactuação, ou seja, o parcelamento... Dentro da lei, há alguns artigos que se referem exatamente ao parcelamento da dívida. O Corinthians é um dos clubes que assumiu essa posição? Está dentro desse parcelamento – vai fazer ou está fazendo?
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – O Corinthians já tinha...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Agradeço a presença do Dr. Eurico Miranda, presidente do Club de Regatas Vasco da Gama.
Por favor, doutor.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – O Corinthians já tinha todo o seu débito fiscal parcelado, já tinha feito um Refis, mas, com os nossos advogados, achamos por bem aderir ao projeto por conta de que nós teríamos todas as sanções, se estivéssemos fora, como se estivéssemos dentro do Profut. Então, aderimos, sim, ao Profut e estamos dando entrada. Nesses próximos dias, acredito que já se comece a fazer o recolhimento dessas novas guias. Mas, hoje, nós temos 100% dos nossos impostos em dia.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Depois continuaremos com as perguntas, presidente, já que chegou aqui o Dr. Eurico Miranda.
Muito obrigado pela presença, doutor. Seja bem-vindo.
Por favor, passo a palavra ao senhor.
O SR. EURICO MIRANDA – Eu estou aqui com prazer, até porque esta CPI é presidida por um homem do futebol, que conhece futebol. Eu vim aqui com o maior prazer. Sou sincero a você que eu vim convidado, mas, se fosse para outra CPI, convocado por gente que não tem nada a ver com futebol, seria difícil eu vir.
Mas venho aqui, com o maior prazer, e estou aqui à disposição para dizer o pouco que eu sei. Tenho 50 anos de futebol, mas não são 50 anos de acompanhar futebol; são 50 anos de gestão de futebol. Acho que posso passar alguma coisa.
Estou à sua disposição e à disposição dos Senadores.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, doutor.
Senador Ciro, quer usar a palavra mais uma vez? Por favor, Senador Ciro Nogueira.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Apoio Governo/PP - PI) – Quero saudar esse querido amigo, meu companheiro na Câmara dos Deputados.
Eu estive à frente do River Atlético por três anos. Nos três anos, nós fomos campeões...
Nos três anos, nós fomos campeões, e parte dos títulos que temos do River têm um pouquinho da ajuda do nosso Eurico Miranda sempre nos deu, a esse clube irmão.
Eurico, eu tinha feito uma pergunta ao Presidente Roberto. Uma preocupação que eu tenho é no que diz respeito à questão de formação de jogadores no nosso País, e acho que você estava aqui presente quando houve a mudança na Lei Pelé. Aquela lei, do meu ponto de vista, deixou os nossos clubes totalmente desprotegidos no que diz respeito à formação de jogadores.
Nosso Presidente Roberto colocou que alguns clubes que começam a investir em jogadores desde os 12 anos de idade só podem fazer o primeiro contrato aos 16, e esse contrato nem sempre tem um respaldo que possa garantir os investimentos que os clubes devem fazer.
No meu Estado, por exemplo, nenhum clube hoje investe em categorias de base, para que se possam formar grandes jogadores, como tivemos no passado. E acho que isso tem acontecido por todo o País. É raro um clube que tenha realmente – não sei os grandes clubes... O Presidente Roberto disse que gasta por ano no Corinthians mais de R$20 milhões nas categorias de base. Se não houver um respaldo para que se venha a recuperar esse dinheiro na formação de jogadores, fica difícil que esses investimentos possam prosperar pelo País.
Eu queria saber o que se pode fazer. Você viveu aquele momento quando houve o fim da lei do passe: o que poderíamos corrigir para que os clubes possam valorizar novamente a formação de jogadores?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Por favor, Dr. Eurico.
O SR. EURICO MIRANDA – Nós vivemos muitos problemas. Esse realmente é o maior deles.
Mas todo mundo fala, comenta que a gente tomou de 7 a 1 da Alemanha. Querem botar a culpa numa coisa, a culpa em outra, mas a culpa é desse problema que a gente tem hoje no Brasil.
Os alemães aprenderam. Eles viram que tinham de ter formação. Aqui, nós... E fizeram um trabalho, cresceram, e nós regredimos, mas tudo fruto dessa lei, de uma famigerada lei que precisa ser... Ela tem de ser modificada. Por quê?
Quando você diz que é no seu Estado, não é no seu Estado; é no Brasil inteiro. Os clubes tinham sempre, com problemas e tal, mas tinham a formação dos atletas. Era como se fosse uma peneira que havia; depois, dali, eles iam para os centros maiores, etc., por aí. Hoje, acabou, porque, com a lei, inclusive os grandes clubes ficaram totalmente desprotegidos.
Aí, você tem um menino que começa com 12 anos. Eu tenho casos lá no Vasco em que começaram com 9, começaram com 8. Mas você tem esse menino que chega e desponta com 12, 13 anos. Ele vai para onde quiser. Aparece um patrocinador, que querem chamar – está bom – de "segundo pai", porque ele toma conta. Aí, ele leva o jogador para onde quer, e onde ele quer levar ele diz assim: "Eu trago ele para cá, mas 50% dele são meus!", tanto que a FIFA agora proibiu que se tenha essa participação de terceiros nos direitos econômicos do jogador. Mas você sabe que é possível burlar isso, e eles têm como burlar. Mas os clubes desistem. Alguns ainda continuam insistindo, mas o grande problema
mas o grande problema que nós temos hoje no futebol brasileiro, quer dizer, na qualidade do futebol brasileiro, é porque nós descuidamos da formação.
Além disso, aqueles clubes que ainda investem na formação recebem uma fiscalização do Ministério Público e do Ministério do Trabalho que é uma coisa impressionante. Eu acho que eles preferem, com esse tipo de fiscalização, que esses meninos estejam na marginalidade, porque as exigências que são feitas... Eu não tenho do que me queixar. No caso do Vasco, eu tenho escola dentro do clube, tenho alojamento dentro do clube, tenho refeição dentro do clube, mas eles colocam uma série de exigências... Você tem que ter alojamentos separados por categorias. As categorias não podem estar misturadas. Isso tudo vai dificultando e vai permitindo que... Aí, o que acontece? Se eu perguntar a você, você não é capaz de me dizer... Desses jogadores que, de repente, estão na Seleção Brasileira, tem três, quatro, cinco, seis ou sete que você nunca viu jogar aqui. Eles foram direto lá para fora. Aparecem assim. Porque, daqui, ele foi embora.
É preciso se legislar no sentido... Não é fácil. Tentou-se antes. É preciso haver uma limitação de idade para que o jogador possa ir. Você não pode levar um jogador aqui... Apesar de a FIFA também ter colocado que o jogador só pode ir com 18 anos. Mas há como se mascarar isso. O garoto vai embora com aquela história de que o pai vai trabalhar, que arranjou um emprego lá... Aí pode. Aí ele sai com 16 anos. Esses dois meninos que também... Estão em outras seleções. Mas esses são casos diferentes. São filhos de jogador que estava jogando lá fora. Aí tudo bem. Mas levado do jeito que está... Tem que haver uma legislação que dificulte essa saída, porque, para o clube, não há outra saída. Se o clube pensar que ele vai ter que ficar investindo num atleta... Se ele não conseguir formar atleta na sua divisão de base, ele não vai sustentar time de jeito nenhum, ou, então, vai para aquela história de "finge que eu pago". "Você vai jogar aqui para eu fingir que vou te pagar, porque não há condição". Hoje, você tem fuga de patrocinador, tem fuga... O momento do futebol é muito difícil, Ciro. É muito difícil. Mas a origem está aí.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem.
Presidente, eu fiz uma pergunta ao Presidente do Corinthians e gostaria de fazê-la ao senhor. Diz respeito à Medida Provisória nº 679, que virou a Lei nº 13.155. Um dos artigos trata da repactuação, ou seja, o parcelamento dessas dívidas. São duas perguntas. A primeira é se o Vasco vai participar dessa repactuação, ou seja, se vai parcelar essa dívida.
O SR. EURICO MIRANDA – Eu fui o primeiro a aderir.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – E qual é o débito do Vasco hoje em relação a essa divida?
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – Eu fui o primeiro a aderir, até porque eu acho que essa medida é a salvação dos clubes de futebol. Eu não via, na dívida fiscal dos clubes de futebol, outra saída. Essa foi uma medida que... Você reduz, você paga em 240 meses reduzindo 100% do encargo fiscal, 70% da multa e 40% dos juros e ainda, nos dois primeiros anos, paga só a metade... Quer dizer, quem não aderir a isso está pensando em outra situação, em não pagar nunca, porque, da maneira como a dívida se encontrava, e as dívidas que os clubes tinham... Eles tinham a dívida
Eles tinham uma dívida indiscutível e tinham dívidas contestadas. Mas sabemos que, se a dívida é contestada com o Fisco, há uma probabilidade de 90% de a decisão ser a favor do Fisco e de 10% de a decisão ser a seu favor, tanto que eu aderi – e fui o primeiro – antes da regulamentação. No Fisco, também foi assim: eles levaram 30 dias para fazer a regulamentação. E, agora, tem de levar até novembro. Eu paguei a primeira parcela que eu tinha de pagar. Eu a paguei.
O que está assustando – e muita gente fica falando – é que há as chamadas contrapartidas. Mas as contrapartidas têm de existir! Quer dizer, você não pode deixar de pagar dali para frente. Seus impostos têm de ser recolhidos, você tem de pagar a sua parcela. Qual é a outra contrapartida? Bota-se na lei. E, botando na lei, as pessoas se apavoram e falam que há não sei o quê. Não há nada demais. Dizem que o seu clube tem de ter conselho fiscal. Todos os clubes têm conselho fiscal. "Ah, tem de haver uma sala para o conselho fiscal." Há sala! "O conselho fiscal é independente." Ele é independente! Isso aí assusta quem? "Ah, tem de haver prestação de contas!" Elas são prestadas, pô! E você as joga no seu site. Nisso aí não há contrapartida. Agora, tem de passar ali, e você tem de cumprir isso.
Agora, há um problema que está atingindo todos os clubes, não a mim, não o Vasco, mas que está atingindo a maioria dos clubes. Tinha de se entender, ilustre Senador, que tinha de haver um corte. Para os clubes de menor investimento, há uma contrapartida, por exemplo, que está sendo exigida, que é você ter a certidão...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – A certidão negativa.
O SR. EURICO MIRANDA – A certidão negativa ou a certidão positiva com efeito de negativa.
São duas coisas que estão atrapalhando esses clubes de menor investimento: o chamado fair play trabalhista e esse problema da CND. Tinha de haver um corte. Daqui para frente, a partir do vigor da lei, você tem de chegar aqui e dizer: "Agora, vocês têm de cumprir todas as obrigações." Eles tinham problemas tão sérios para trás, que fica difícil você manter um fair play trabalhista, por exemplo, com a dívida que eles tinham. Tem de haver o corte, a partir do momento da edição da lei.
Eu entendi... Sou sincero, não sou muito chegado a fazer muitas badalações. Tenho amigos políticos, mas não faço badalação com político. E tenho a honra de ser amigo do Senador, pelas qualidades dele.
Eu fiz questão de vir aqui e de falar com a Presidente Dilma. Eu passei por alguns presidentes no futebol, por muitos. E ela conseguiu sancionar essa medida, ela conseguiu transformar ou converter em lei essa medida provisória. Ela a sancionou. Sei da pressão que é feita pelo menos pelas autoridades fiscais no sentido de não permitir isso, de não permitir aquilo. Eu falei que ela prestou o maior benefício aos clubes de futebol. Estou resumindo. No meu entendimento, essa medida provisória, para mim, foi a salvação dos clubes. Agora, eles têm de cumprir as contrapartidas, não é? Não se trata de você agora dizer: "Vou aderir ao Profut e continuo não pagando nada, continuo não recolhendo, não recolho o Fundo de Garantia."
Eu aderi no primeiro mês. Já há três meses que sou obrigado (...)
no primeiro mês. Há três meses eu sou obrigado a ter o meu recolhimento em dia, o meu Fundo de Garantia em dia, o meu PIS em dia. Quer dizer, estou bem.
E o problema do fair play trabalhista. Também muita gente está se colocando – e eu estou até me estendendo –, muita gente está criticando e dizendo da dificuldade.
Não é para chegar e apresentar o fair play trabalhista agora. Não. Cumprir o fair play trabalhista, não. Isso é a partir da próxima competição. Por exemplo: a lei foi editada agora, no meio de uma competição. Ela não pode ter efeitos em cima dessa competição. Agora, para a próxima competição, tudo bem que seja exigido isso, o fair play trabalhista.
Isso está assustando um pouco os clubes, está assustando um pouco os clubes menores, de menor investimento, mas, repito, para mim foi a salvação dos clubes.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Presidente, eu particularmente entendo, se ouvir esse lado. Realmente essa lei...
É claro que ela é positiva em relação a salvar os nossos clubes, devido ao grande valor da dívida que existia, mas todos sabem que eu fui contrário a essa lei, principalmente no momento em que tiraram a responsabilidade da entidade maior do futebol, que é a CBF.
Na minha opinião, a CBF, como entidade maior, tinha a responsabilidade de fazer cumprirem algumas coisas que estão na lei. Não fazendo com que o clube cumpra com isso, ela não terá nenhum tipo de punição.
Como a lei já está vigendo, nós temos que torcer para que dê certo e para que as coisas aconteçam.
Outra coisa, o valor da dívida do Vasco nesse Refis, nesse parcelamento. Qual é o valor?
O SR. EURICO MIRANDA – Posso lhe dizer que o Vasco paga hoje uma parcela de 270 mil. Quer dizer, na verdade a parcela seria de 540 mil. Com a redução que houve, a dívida passou para 120 milhões ou 130 milhões.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Cento e trinta milhões?
O SR. EURICO MIRANDA – Cento e trinta milhões.
O SR. ROMÁRIO (Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Presidente do Corinthians.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – O valor do nosso Refis é de 160 e poucos milhões, quase 170 milhões.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Eu gostaria de agradecer a presença do Deputado Federal e ex-Presidente eterno do Corinthians Andrés Sanchez.
Gostaria de perguntar se tem alguma coisa a dizer.
Por favor, Presidente.
O SR. ANDRES SANCHEZ (PT - SP) – Eu queria fazer um comentário em cima do que o Presidente do Vasco disse em relação a esses débitos, porque nós vamos ter que apresentar, todo início de temporada, ao CND e à CBF.
É uma temeridade, porque você pode ficar de fora do campeonato caso isso não saia. E quem conhece o funcionamento da Receita sabe que a negativa por vezes não sai não por falta de pagamento e sim por problemas de sistema, por alguma outra coisa.
Então, como sugestão, como têm que ser apresentadas as guias, em vez de a negativa, por que não se podem apresentar todas as guias pagas? É a mesma coisa, só não ficamos na dependência da Receita Federal em soltar a negativa. Apresentam-se as guias à CBF, com os valores recolhidos mês a mês, e estamos quites.
O SR. EURICO MIRANDA – Essa é a melhor solução. Às vezes não sai uma certidão porque foi descoberto um debitozinho lá atrás, pequeno. Agora, se daquele ano estão as guias com todo o recolhimento, é a melhor prova de que está em dia.
O SR. ANDRES SANCHEZ (PT - SP) – Pode ser mandado até mês a mês em vez de uma vez só no ano.
O SR. EURICO MIRANDA – Exatamente.
O SR. ANDRES SANCHEZ (PT - SP) – Todo mês subsequente manda-se o mês corrido.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Vindo mais para o presente, comenta-se muito sobre a possibilidade, pelo que eu tenho visto, pelo que tenho lido ultimamente, dessa nova liga de futebol que será feita, a Sul-Minas-Rio.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Vindo agora mais para o presente, comenta-se muito sobre a possibilidade, pelo que tenho visto, pelo que tenho lido ultimamente, desta nova liga de futebol Sul-Minas-Rio, com a participação do Fla-Flu, do Rio; do Atlético Mineiro e do Cruzeiro, de Minas; do Internacional, do Grêmio e de outro clube de que não me lembro o nome, do Rio Grande do Sul; e de mais três clubes de Santa Catarina. Eu gostaria de saber dos senhores qual o seu posicionamento em relação a essa liga?
O SR. EURICO MIRANDA – Eu queria dizer que, há 50 anos, como eu disse, estou militando no futebol e que nunca vi nada tão ilegal e tão imoral! Este é meu grande receio: para onde estão conduzindo o futebol brasileiro? É ilegal por quê? É simples, é muito simples, é coisa que não se discute e que está no Estatuto do Torcedor, que é lei. Você aprova e publica um calendário para o ano seguinte, que é obrigação escrita na lei. A lei obriga que você publique isso. Você o publica. De repente, aparece alguém ou alguns que dizem assim: "Vamos mudar, vamos botar isto aqui. Não é isso, é aquilo." É imoral, porque é algo que prejudica os terceiros, como o Vasco. A mim, não me prejudica nada, muito pelo contrário! Se eu fosse discutir, se eles me chamassem para participar, eu diria: "Não vou." Não vou por quê? Porque vou prejudicar inúmeros outros clubes.
Há um contrato do campeonato estadual, em que disputam 14 clubes. Depois, vou até deixar isto para o Senador, para o Senador ver o calendário. Eles o publicam. Eles publicam um calendário colorido, bonitinho. Não há um espaço, não há uma data! A CBF o publica. E, depois, em função da fragilidade da sua direção, do receio de que esses clubes pressionem para isto ou para aquilo, pressionem para a eleição ou para que sejam retirados, eles não tomam a atitude que tinham de tomar, que tinham de mostrar. Eles tinham de dizer: "Não! Isso é ilegal. Quer fundar uma liga, quer fazer a liga? Faça-a! Ela só não pode acontecer no próximo ano, porque o Estatuto do Torcedor, que é lei, diz que você tem de fazer aquilo dois anos antes."
A CBF podia matar isso no nascedouro, mas não o faz. Por quê? Não o faz, porque eles estão fragilizados. E não sei por que estão fragilizados. Eles não estão fragilizados para uma coisa, mas estão fragilizados para outras. Se estão fragilizados, basta que dois, três ou quatro cheguem lá e digam que vai acontecer isso ou aquilo, para eles dizerem: "Ah, vamos esperar, vamos empurrar com a barriga, não vamos tomar uma decisão. Se a gente tomar uma decisão agora, pode ser que aconteça algo." E aí não fazem nada.
Digo a você por que ela é imoral e ilegal. Ela é imoral, porque ela traz esse prejuízo a esses clubes. No Rio de Janeiro, por exemplo...
Pode me dar aqui, por favor! Que pena que molhou! Mas vou deixar isto aqui bonitinho, para você ver como é o calendário.
Eles assinam. Eles assinam! A CBF assina, diz quais são as datas, diz quais são as datas de todas as competições, demonstra (...)
... eles, a CBF assina, diz quais são as datas, diz as datas de todas as competições, demonstra que não há uma data sequer que você possa utilizar no ano seguinte e não toma providência nenhuma em relação a isso.
Aí, o que prejudica os outros clubes? Eu dizia: no Rio de Janeiro, por exemplo, campeonato estadual. No campeonato estadual do Rio de Janeiro, há 14 – além dos 4, mais 14 – clubes que seriam prejudicados; mais 19 clubes da segunda; mais vinte e tantos da terceira; mais quarenta e outros tantos clubes que sobrevivem e vivem, exclusivamente, em função do Campeonato Carioca. Todos eles têm contrato no Campeonato Carioca. Têm contrato no Campeonato Carioca, têm contrato no Campeonato Gaúcho, têm contrato no Campeonato Mineiro, têm contrato... Em todos os campeonatos que querem formar essa liga, há contratos em vigor. "Ah, eu não vou..." – como dizem lá no Rio, bravateiros, com o negócio da dupla Fla-Flu – "vou jogar com o segundo time; vou jogar com o time de sub 23". E aí? Vão receber a mesma coisa? Os outros clubes vão receber a mesma coisa? Não vão ter prejuízo?
Isso é um processo que, no meu entender – e é por isso que eu digo que é imoral –, isso é um processo de elitização do futebol. Falo com a maior tranquilidade aqui, porque, primeiro, aqui, o nosso ilustre Senador, é só a gente buscar as origens dele. Ele jogou, pela primeira vez, em um clube pequeno. Além de jogar num clube de bairro, começar de bairro, jogou no Olaria, que é um clube pequeno. É torcedor, porque o pai era, e não dá para ele torcer para um clube grande, mas ele quer dizer que é torcedor do América, que já foi um clube grande, mas é um clube médio. Mas é só ver... Esses clubes não podem acabar. E esse tipo de coisa é no sentido de acabar com esses clubes. As pessoas vêm, fazem um discurso: "ah, isso aqui é bom para nós". "Isso aqui é bom para nós." Só que eles se esquecem de que eles não jogam sozinhos. Eles vão ficar jogando... São quantos? Doze agora. Vão ficar jogando 12, entre eles, o tempo inteiro?
Isso tomaria – e eu vou dizer – tomaria uma proporção muito maior se o grande centro, que é São Paulo, tivesse aderido e tivesse participado. Como São Paulo ainda tem uma pequena resistência, como São Paulo respeitou o contrato, e não só respeitou o contrato; renovou o contrato que tinha do Campeonato Paulista, que impede que eles possam participar de outro tipo de competição... Por isso, acho que tem que haver aqui, inclusive, um movimento de salvação dos chamados clubes de menor investimento, porque esse processo de elitização...
Eu vou dizer aqui uma coisa que eles não vão gostar. Há uns doutos aí, metidos, que entendem, metidos a entender de futebol e metidos a entender de administração, que ganham nome na mídia esportiva e ficam ditando cátedra. Eles só não pagam a conta. A conta eles não pagam, mas ficam ditando cátedra. E aí eles têm todas as soluções para esse tipo de coisa. E eu sei...
só quem preside um clube e uma instituição como aquela é que sabe que você – não são só eles não, é de maneira geral –, eles todos dão muita opinião, mas, na hora em que você tem que botar o teu jamegão embaixo, para assumir a responsabilidade... Outra coisa que a gente não abordou no problema dessa lei, quando foi do Profut. Hoje tem a responsabilidade fiscal, hoje o cara que está lá vai responder pela má gestão, e isso se aplica também a federações e confederações. Hoje ele responde pela má gestão, a partir dali, vai responder com certeza. Então, o que acontece? Eles dizem: ah, isso é muito bom, vamos fazer isso, deveria ser assim, deveria ser assado, mas, na hora, não vão pagar a conta e não querem saber se o outro morreu, se aquele clube acabou. Não. Vou repetir só para finalizar: foi a coisa mais ilegal e imoral que vi acontecer nos últimos 50 anos em que estou no futebol.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Presidente, por favor.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – O Corinthians não pensa diferente do Presidente Eurico. Eu fui convidado para participar da Liga, neguei de imediato. Sou a favor de uma liga, sim, mas uma liga que contemple todos os clubes, não meia dúzia de clubes. Também não sei de onde eles vão tirar datas para que se façam os jogos desse Sul–Minas, porque o nosso calendário é tomado e você não consegue fazer um amistoso sequer. Para conseguir uma receita extra para um clube, você não consegue uma data. Nem uma transferência de jogo a CBF autoriza, porque tem que cumprir o calendário religiosamente, de acordo com o que é publicado, como o Presidente Eurico disse. Isso é do código do torcedor, você só pode mudar a cada dois anos, até a forma do campeonato você não pode mudar de um ano para outro, porque o código do torcedor reza isso. Enfim, a gente, o Corinthians está muito feliz com o seu campeonato regional. Como disse o Presidente, acabamos de renovar o nosso vínculo com a televisão, para mais seis anos. Então, não iríamos romper o que a gente tem de certo por uma coisa incerta e não sabida, e onde vai parar.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Nós sabemos que a situação dos clubes é bastante precária financeiramente, diferentemente, por exemplo, da CBF, principalmente, da maioria das suas federações. No meu entendimento, um desses problemas é a má redistribuição da verba, de toda a parte que chega para o futebol. Os senhores entendem dessa forma?
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – Esse questionamento da televisão, eu enxergo de forma diferente, não porque o Corinthians tem a maior parte disso. Não, penso igual se fosse defender qualquer outro clube. São duas instituições privadas, a gente sabe que, por parte da Globo, ela não põe dinheiro porque acha os clubes bonitos ou porque ela gosta de futebol. Ela coloca dinheiro porque quer o seu retorno. Retorno de que forma? Em anunciantes investindo no horário do futebol. Por que se paga mais ao Corinthians, ao Flamengo, pouca coisa a mais do que os outros clubes do segundo escalão, chamando assim pelos valores pagos pela Globo? Porque são os clubes que dão mais audiência. Sendo assim, se é o que mais dá audiência, ela também cobra mais do seu anunciante. Então, é uma divisão. Se os senhores pegarem, todo mundo diz aí, o campeonato inglês, a diferença do que ganha mais para o que ganha menos dá quatro vezes; aqui no Brasil, dá três vezes e meia. Então, é mais justo o nosso do que o deles, que todo mundo cita como exemplo. Essa é uma discussão que não é só dos clubes, é de uma empresa privada, porque, a qualquer momento, ela pode mudar os valores, são acordos, os valores são acordados. Hoje é uma coisa, a situação do País pode estar levando
a situação do país pode estar levando a que, no ano que vem, os números sejam muito diferentes do que são hoje, quando todos perderão receita. Os clubes, com essa receita que nós temos hoje, já têm dificuldade de se manter, imaginem se essas receitas fossem reduzidas, como todo mundo acha que tem de ser. Enfim, não concordo muito com isso.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Então, o Senhor entende que essa falência dos clubes é uma das causas, e é a minha opinião, da má gestão da administração durante todos esses anos? É por isso que os clubes estão nessa situação, e as Federações e a Confederação Brasileira não?
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – Quem contrata o jogador para pagar x de salário é responsável por aquele que contrata. O jogador não vem jogar no clube sem a assinatura do contrato. Cada um sabe o que faz. Vou dar um exemplo recente do Corinthians, da torcida. Eu não podia andar na rua, pois todos queriam a renovação do Guerreiro, um grande jogador, não discuto isso, mas, se tivesse sido feita naquele momento, estaria quebrando o clube, com o contrato da monta que era renovar com o Guerreiro. Eu falei não. Não sei se Deus me ajudou por estar no caminho certo, mas estamos liderando o campeonato sem a presença do grande jogador Guerreiro. Enfim, se a gente for analisar a fundo o que a gente não tem conhecimento, sobre os clubes, vemos que uma grande parte dos clubes passa por uma situação ruim por má gestão, disso eu tenho quase certeza. Uma boa parte das dívidas que são feitas, de tudo o que é feito, é por causa da má gestão.
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Senador Hélio José.
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Eu gostaria de cumprimentar o Presidente Romário pela condução dos trabalhos, pela tranquilidade com que está sendo encaminhada esta discussão, cumprimentar o Eurico Miranda e o Roberto, Presidente de dois grandes times brasileiros. Meu pai, que está no céu, era corintiano, então, eu admiro muito, tenho três irmãos corintianos. Eu queria saber, Roberto. Com essa crise toda, a herança da democracia corintiana, do nosso querido Sócrates e outros, o que ela contribuiu para melhorar a administração, se não, se sim, se foi para o bem ou para o mal. Como é que você avalia aquela questão do processo, por exemplo, do Bahia, toda aquela abertura, aquela mudança de paradigma que lá foi colocado para tentar recuperar um time de importância, com torcida enorme, como o Bahia, assim como o seu time, que também tem uma torcida muito grande no país. Eurico, primeiro, quero parabenizá-lo por estar tirando o Vasco do atoleiro em que se encontrava, já não está mais parado nos 13 pontos. Torço para que o Vasco continue na elite do futebol brasileiro, que não vá para a Classe B.
O SR. EURICO MIRANDA – Não há hipótese de o Vasco sair da elite do futebol brasileiro. Pode até estar na décima divisão que estará na elite.
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Sempre, é um time admirável! Mas, você está fazendo um trabalho de recuperação. Você, que é um antigo dirigente, de muito tempo, participou, foi, veio e voltou agora, como você vê essa necessidade de passar a limpo essa quebradeira nos nossos times, com algumas Federações com muitos recursos e os times sem condições de sobreviver? A confusão que a gente vê em alguns campeonatos, já citei, na vez passada, coisas como o jogo de interesses. Por exemplo, o time do Gama, que é o time com maior torcida do Distrito Federal, foi prejudicado na Série D do Campeonato Brasileiro porque houve um jogo entre dois times patrocinados pela mesma empresa, um jogo em que nitidamente ninguém jogou para ganhar, que acabou tirando o Gama da fase seguinte da Série D do Campeonato Brasileiro. Além de todas as questões a que a gente assistiu há um tempo atrás, naquela confusão com a Portuguesa, com o Fluminense, aquelas coisas todas. Como é que você e o próprio Roberto, pela importância do trabalho de vocês no futebol brasileiro, veem o nosso Parlamento... Nós estamos tentando fazer o nosso trabalho, estamos chamando todos que podemos chamar para falar a respeito do assunto, para que possamos contribuir para que essa caixa preta do futebol brasileiro possa ter mais clareza, a gente possa ter mais condições de dar apoio para o nosso futebol de base, para ter vários Romários, que saiu de uma região pobre, foi uma estrela nesse mundo afora...
mundo afora.
O SR. EURICO MIRANDA (Fora do microfone.) – Sem velho o Romário vai ser difícil.
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Pois é, mas nós precisamos acreditar que nós temos um celeiro de esportistas. Eu sei que ele é um gênio, mas, pelo menos, medianos. Eu acho que nosso Brasil hoje está numa situação tão crítica, porque a situação hoje, os times de base, eles praticamente não estão tendo muito apoio. Quando eu vejo um time igual ao meu... Eu sou cruzeirense, meu time é o Cruzeiro Esporte Clube, de Minas Gerais, embora eu seja goiano de nascimento, dizem que o mineiro é goiano cansado, que não conseguiu chegar até a praia do Rio e nem do Espírito Santo... Mas, então, eu sou cruzeirense, que é o meu time de futebol, um time que foi duas vezes campeão brasileiro chega na situação em que chegou agora, está, segundo a informação, com uma dívida enorme, está certo?
Então, quer dizer, é esse tipo de situação que estamos discutindo aqui que é o grande objetivo do Romário e nosso aqui, é tentar ver uma forma mais moderna de estar dirigindo, para que os nossos times, realmente não aconteça de ficarem na situação em que estão e nem vejamos tanto escândalo de negócio de lá, negócio para cá, em nível de interesse.
Então, o que você e o Roberto acham que nós podemos, de fato, tocar o dedo na ferida e resolver a parada por aqui?
O SR. EURICO MIRANDA – Bom, eu acho que, primeiro, quebradeira eu já vi em tudo quanto é setor. Não é o futebol que é o privilegiado com a quebradeira. Em vez de quebrar e, por onde nós estamos caminhando, estamos caminhando para quebrar tudo, mas o que acho que tem que ser levado em consideração é que nós – nós, no caso, aqui, nós dois, por exemplo, tem outros também – presidimos instituições centenárias! Você pode contar nos dedos quais são as instituições centenárias que ainda existem neste País. Elas todas foram desaparecendo, demonstrando a força que é. Você não pode desprezar uma instituição que tem 30 milhões de torcedores, tem 20 milhões de torcedores, tem 10 milhões de torcedores. Você não pode desprezar, pelo contrário.
E, vindo lá de trás, sempre com muito sacrifício, e aqui eles não... O Estado, ajuda muito pouco, para não dizer que não ajuda nada. Eu, por exemplo, o meu clube tem 117 anos; eu nunca recebi uma subvenção governamental – nunca! Agora, pratico remo, pratico basquete, pratico isso tudo, eu pratico. Atletismo eu pratico, com meninos e meninas, sem nenhum tipo de incentivo. Claro que isso contribui. Só estou falando de uma maneira geral. Mas muito mais em cima da permuta que o Senador fez no início, e ele não estava se referindo... Quando se fala em Federação, em CBF forte e federações fortes, a grande receita da CBF não é – esse que é o grande problema – um negócio de televisão. A grande receita da CBF é a quantidade de patrocinadores. Vocês já viram a quantidade de patrocinadores que a CBF tem? E os clubes... Você é Cruzeiro, né? O clube está atrás de um patrocinador para ver se bota, que não encontra. Na CBF tem uns 20.
Está bom, eu acho até normal, mas o que eu entendo é que a arrecadação da CBF, aí é que é o problema, porque o Romário já chegou à conclusão de que o problema da quebradeira dos clubes é um problema de má gestão. Não é só isso, não, porque má gestão...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Um deles.
O SR. EURICO MIRANDA – É má gestão, mas também
É má gestão, mas também é o problema dessa má divisão.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Má redistribuição.
O SR. EURICO MIRANDA – Má distribuição, mas não é de televisão.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Eu não me referi somente à televisão.
O SR. EURICO MIRANDA – Não, é que ele comentou o negócio da televisão.
Eu quero justificar, que é o seguinte: entendo, a gente falar do problema do Corinthians e do Vasco, nós vamos resolver o problema fácil, fácil. Isso se soluciona. São coisas que não têm problema. Do Cruzeiro, resolve fácil. Agora, só que o Vasco, o Corinthians e o Cruzeiro não jogam sozinhos. E essa quantidade de clubes que têm aí? Você disputa a Série B, a Série C e a Série D, se você souber como um clube que disputa a Série D qual a dificuldade que ele tem , se você for saber como um clube que disputa, ou mesmo num campeonato estadual, ou num campeonato brasileiro, o sujeito faz a Copa do Brasil, faz isso, faz aquilo, e certos clubes têm problema para dar alimentação ao seu jogador. O que precisa? Aí é o problema da má distribuição. A CBF tem obrigação, ela não tem que contar história, não adianta contar história...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Está no Estatuto.
O SR. EURICO MIRANDA – Não adianta contar a história que ela faz, que ela chega e dá a passagem, porque, se não der passagem, não tem jogo. O sujeito não vai jogar... O de Brasília vai jogar no Maranhão, em Pernambuco, como? Vai à pé? Ele tem que dar a passagem. E daí? Agora, só a passagem não resolve. E te dá uma passagem que você tem que levar um número limitado de pessoas. Não dá nem para... Nós sofremos isso no próprio Campeonato Brasileiros. Dá um número de passagem que não dá para levar toda a delegação.
Então, o que entendo é que o problema da distribuição, a distribuição é o que arrecada a CBF, ela devia distribuir, porque ela arrecada em função de quê? Em função da Seleção. Os jogadores são de onde? São dos clubes. Já não paga nada ao clube quando o clube sede seu jogador para a Seleção. O Corinthians agora está lá com três jogadores. E o salário quem paga? Quem paga é o clube. Agora, a CBF arrecada não é... Aí eu fujo da televisão. Há aqueles negócios daqueles acertos de jogos amistosos pela televisão, que o cara paga, compra o jogo, a televisão só transmite. Isso tem essas coisas. Isso é um assunto que já vem muito lá de trás. Mas não é a televisão, são os patrocinadores. Os patrocinadores que você não tem nos clubes, que você não consegue para o clube. E eles tinham a obrigação de estarem distribuindo.
E a solução, já que ele perguntou qual era a solução, a solução já foi dada aqui. A solução é os ilustres Parlamentares. Eu tenho muita esperança agora porque o Deputado Andres está presidindo uma comissão que é para ver se... Eu, por sugestão minha, revogava a Lei Pelé, mas ela pode ser aprimorada, ele está agora numa comissão que está querendo aprimorar a Lei Pelé, que é, repito, eu acho que vou... Já tem 20 anos, acho que vou morrer dizendo isso: é a grande responsável pelo problema que o futebol brasileiro está atravessando. E agora vou dizer mais, estou olhando ali para o Andres, que já tinha comentado isso com ele: se não for tomada, viu Senadores, uma providência mesmo, séria,
mesmo séria, vai explodir, vai explodir, porque ninguém respeita mais nada. Hoje em dia, no futebol, você faz as coisas para não serem cumpridas. Não interessa o documento escrito. A palavra, então, isto aí deixou de acontecer há muito tempo. Sendo assim, fica um querendo passar o outro para trás e, não encontrando uma luz no fim do túnel...
Movimentos, eu entendo que são válidos. Jogador de futebol tem sindicato, mas não é o sindicato que fala. Aí se cria o bom senso. Aí os caros não satisfeitos com o bom senso, criam o mau senso. Aí só num segmento, que seria o do jogador de futebol, já há quatro, cinco que pensam de um jeito e pensam de outro.
O dia em que acabar o clube, acabou o futebol, o dia em que acabar o clube, acabou o futebol. O clube é a célula, é a célula mater do futebol. E os clubes cada vez mais estão se afastando, porque cada um está cuidando única e exclusivamente do seu interesse, estão olhando só para o seu umbigo. Ainda bem que o presidente do Corinthians, com a força que tem, deu uma declaração forte, forte para todo mundo entender: "Eu só participo quando todos sentarem para discutir." Ué! Não é impondo condições! Todos devem sentar, porque não vou sentar com meia dúzia. Por que é que eu vou sentar com meia dúzia? Vou sentar com aqueles que efetivamente têm o direito de participar, e vamos discutir. Aí tudo bem, aí o Corinthians participa. Essa é a minha posição. Eu também não sou contra a Liga, não, muito pelo contrário. Mas não com aquele negócio de o cara chegar e dizer: "Nós é que vamos ser os donos."
E quanto à modernização, meu ilustre, deixe-me dizer-lhe que esse também é o grande problema do futebol brasileiro, ou seja, a chamada modernização e profissionalização. A chamada administração profissional, no futebol brasileiro, é algo terrível, porque o profissional, hoje, está, por exemplo, no Corinthians, e pode fazer lá a maior sujeirada, porque, primeiro, ele não responde por ela. Quem vai responder por ela é o presidente. Aí ele vai lá para o Vasco. E lá, ou vai fazer a mesma sujeirada, ou não vai. Mas não é responsável nunca. O profissional não é responsável pela gestão. A gestão vai sempre em cima do dirigente, sendo que cada vez mais os dirigentes... Os clubes que ainda estão mais ou menos são aqueles em que os dirigentes ainda atuam. Eu falo pelo meu. Passaram por lá uns profissionais que dinamitaram com o meu clube, acabaram com o meu clube, com essa história de CEO. Agora inventaram o CEO e não sei mais o quê. Eu não sou do tempo do CEO – diretor executivo remunerado. Eu não sou desse tempo. Eles deixam uma dívida e quem paga é a instituição. Então, muito cuidado quando se fala em modernização do futebol.
Eu tentei ver se mudava nessa lei a questão da modernização e profissionalização do futebol. Então, muito cuidado quando se fala em modernização, porque o que há de paraquedista, o que há de paraquedista aproveitando-se no futebol! Mas isso não é de graça, não. A gente está falando de profissional
...de graça, não. A gente está falando de profissional que não é profissional de graça. Um CO ganha 150 mil por mês; um executivo de futebol ganha 200 mil por mês! Esse tipo de coisa é que leva à má gestão.
E aí ele vem e diz para você... Lá para o presidente, porque comigo seria diferente, porque eles não têm nem condições de chegar perto de mim: "Presidente, escuta, esse aqui é um muito bom, o senhor pode contratar". E o Presidente, que é, no final, quem contrata – ninguém mais contrata – chega lá e assina. Dali a um ou dois meses, esse CO, esse diretor executivo vai embora, vai para outro clube, e é você quem fica com a banana na mão para resolver.
Então, muito cuidado com esse negócio de "modernização".
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem, Doutor.
Particularmente, eu entendo que nós, que somos amantes do futebol, precisamos urgentemente modernizar, moralizar, fiscalizar e profissionalizar o futebol. É claro que, quanto a quem vai fazer, vai depender de o presidente do clube ter a sabedoria de colocar aquele determinado profissional naquele lugar. Se vai pagá-lo ou não, isso é algo de dentro do clube.
Agora, que o nosso futebol, nesse momento, realmente está uma bagunça generalizada não há quem possa dizer diferente.
O SR. EURICO MIRANDA – Mas não é por causa do profissional.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Não...
O SR. EURICO MIRANDA – Se você vai para a CBF o que mais tem lá é profissional. Lá só tem profissional.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Quando se profissionaliza um clube não significa que... Você pode profissionalizar um clube com um diretor não remunerado, mas com uma pessoa técnica, naquela área, que o próprio Presidente do Clube escolha e coloque ali...
Tanto é que o nosso futebol hoje está em um momento bem crítico, aproveitando essa oportunidade, eu gostaria de perguntar aos senhores o que entendem dessa ausência do Presidente da CBF nas viagens da Seleção, principalmente em viagens como essa última, na estreia em uma competição tão importante como a eliminatória para a Copa do Mundo.
Presidente.
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Roberto, eu gostaria que você respondesse a pegunta de S. Exª o nosso Senador Romário.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – Eu vou falar.
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – A sua resposta eu gostaria de ouvi-la, mas queria só aproveitar porque estou com a fala e dizer para o nosso Deputado Eurico Miranda, Presidente do Vasco, que sou Senador pelo Distrito Federal e me chamo Hélio José.
O SR. EURICO MIRANDA – Eu sei.
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Eu gostaria de dizer para V. Exª que eu acredito realmente na organização e profissionalização. Agora, tem que cobrar responsabilidade para todos. Eu acho que se o estatuto está ruim, tem que mudar o estatuto do clube; tem que penalizar o dirigente que está ganhando muito para isso.
Eu não concordo com esses salários estrondosos. Eu acho que gênios como Romário que ser remunerados e reconhecidos, mas tem que ter limite. Eu, inclusive, estava pensando, quando vi o Fluminense, na situação em que está, dizendo que no conjunto o salário do Ronaldo Gaúcho iria dar R$ 900 mil, enquanto o salário mínimo de um trabalhador brasileiro é pouco mais de R$ 700 ou R$ 800 no máximo – não sei sequer o valor último. Mas é por aí.
Se você multiplicar por 100 terá R$ 80 mil. E o camarada vai ganhar R$ 900 mil na situação de crise em que vivemos hoje. Isso é para enterrar de vez o time de futebol, que é um time glorioso...
O SR. EURICO MIRANDA – Mas não é só ele que ganha, não. Sabe quantos anos o trabalhador brasileiro tem que trabalhar para ganhar o que ele ganha em um mês? Cem!
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Então, isso é um absurdo, um desrespeito! Quero crer que têm de ser bem remunerados os gênios, mas tem que haver um certo limite, uma soagem nas questões.
Não estou criticando aqui nenhuma pessoa individualmente.
O SR. EURICO MIRANDA – Mas, por favor, com todo respeito, não compare o Ronaldinho Gaúcho com o Romário!
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Claro que não. Não posso comparar. Romário é Romário...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Isso é verdade! (Risos.)
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – Sem querer fazer juízo de valor, mas o Romário é o Romário. Além disso, é amigo nosso desta Casa.
O Romário é tão bom que, nesta Casa, todo relatório que ele faz consegue aprovar, por unanimidade, no Plenário do Senado, o que é a coisa mais difícil.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Obrigado, Senador.
O SR. HÉLIO JOSÉ (Bloco Maioria/PSD - DF) – O último foi o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Estou sendo aqui realista, porque ele é realmente um cara que procura trabalhar de forma...
trabalhar de forma... Roberto, essa questão, por exemplo, da herança, toda aquela discussão que o Sócrates fez, que depois vocês pegaram e depois escutei na Bahia, em tudo que você voltou para um outro estilo mais profissional o Corinthians continua bem, graças a Deus, pelo bem do nosso futebol. Acho que você tem sugestão a dar.
Queria que você respondesse a pergunta do Romário, depois as minhas e desse sugestão para nós sobre o que nós podemos fazer para, de fato, essa CPI, que não terminar em pizza, se depender de mim e do Romário, não vai terminar em pizza. Tenho certeza também que os nossos outros companheiros aqui da CPI, todos aqui, estão imbuídos em realmente ver o resultado, o encaminhamento, o que vocês acham que podemos fazer para passar a limpo essa questão do futebol.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – O Presidente Eurico já falou quase tudo que vivemos hoje. Agora, falando da época da democracia, aquilo pouco contribuiu para o clube, aquilo era um ato dos atletas e não trouxe benefício nenhum ao clube. Aquilo chamou atenção da mídia, porque nada mais era o que não tinham eram as concentrações. Então, ouvia-se a opinião de dois ou três jogadores que mandavam no elenco do Corinthians.
Então, aquilo ficou cravado na história do clube como se fosse um ato fora de série. Não entendo assim, não enxergo assim. Ao clube trouxe muito pouco benefício.
Agora, baseado naquilo que o senhor disse e tudo o que o Presidente Eurico disse também, posso somar o seguinte: uma má gestão no clube, dependendo do clube a gestão é por dois anos, três, alguns clubes até quatro, você precisa de outras três ou quatro gestões para arrumar, acertar aquilo que foi deixado de ruim.
Um presidente, a maioria deles – não sei, não posso qualificar todos – querem fazer na sua gestão serem vencedores. Não pensam no clube, em deixar um clube melhor para o próximo que vier. Lógico que, se vier título no período da sua gestão, ótimo, melhor ainda. Agora, tem que preparar um clube melhor. Muito pelo contrário. Monta-se um time com valores fora da normalidade do que o futebol pode pagar, fora da sua receita e vai dando jeito. É como o Presidente disse: paga depois, porque ele quer o título de qualquer jeito.
Sabemos que, para alcançar um título como o Brasileiro, você tem que ter um time forte e um time forte normalmente custa um pouco mais do que um time médio, vamos dizer assim. Agora, o que eu poderia citar como sugestão é que se crie um órgão que se fiscalize isso. Como um clube pode trazer um jogador gastando 10 milhões de euros, pagando 800 mil a 900 mil por mês se ele não comprova que tem essa receita e nem de onde tirar. Nunca foi perguntado isso. Se você mandar um contrato para a CBF de dez anos com esse atleta de um milhão por mês, ela registra. Não existe questionamento para isso. Ninguém exige do clube uma prestação de conta se ele está apto a ter aquele time que ele está propondo fazer.
Todo mundo no Brasil gosta de copiar as coisas de fora. Fala-se muito isso, isso, aquilo de outro país. Na Inglaterra ninguém contrata nada sem o órgão fiscalizador te dar direito a isso. Você tem que mostrar que tem receita para aquela contratação.
Então, acho que, na minha visão, uma das coisas seria até uma proteção ao dirigente, porque, como falou o Eurico, no clube você tem o diretor de futebol, o vice presidente de futebol, diretor técnico, alguns remunerados e vem uma pressão muito grande, todo mundo quer fazer um time forte para que chegue perto dos títulos, que é o que todo mundo quer e não sou diferente disso. Agora, temos que ter o mesmo pensamento, mas com responsabilidade, em cima do orçamento, como em qualquer empresa. Ninguém faz nada fora do normal, porque o conselho da empresa veta. A mesma coisa tem que acontecer no futebol.
O estatuto dos clubes, na sua maioria, não prevê isso no seu conselho deliberativo, porque até então se você for discutir qualquer coisa num conselho de 400 pessoas você não sai do lugar, você não faz mais nada e o clube acaba
não sai do lugar, não faz mais nada, o clube acaba. Então, tem que ter algum outro órgão que fiscalize isso e que ponha uma baliza no futebol. Isso é a minha visão.
E, Senador Romário, com relação ao Presidente da CBF, eu não sei os motivos que ele... os verdadeiros motivos, vamos chamar assim, que ele não está acompanhando a Seleção Brasileira. O que eu tenho lido, as suas justificativas, são que ele não pode abandonar o País por conta de essa CPI estar existindo e ele está levantando documentos, assim, que são exigidos a ele. É o que eu tenho lido, mas acho isso também lamentável, e a gente sabe, entre linhas, o porquê que ele não está viajando, não é?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Dr. Eurico.
O SR. EURICO MIRANDA – Eu tenho que sempre me lembrar daquilo. A gente vai envelhecendo no futebol, eu, sempre que estive à frente do futebol, em todas as viagens, fosse para onde fosse, eu ia. Quando era do futebol, eu sempre fui. Hoje, como eu não estou cem por cento, eu não tenho ido em algumas – ou até na maioria; eu não vou. Só tem uma justificativa para não ir na viagem do time: é o sujeito não estar bem fisicamente. Essa é a única justificativa. O outro não tem justificativa. Simplesmente não tem justificativa. Quem dirige o futebol, ele tem que, no jogo, ele tem que estar presente. O presidente tem que estar presente. Tem que estar presente. Isso aí não há justificativa de ele não estar presente. É isso. Se não viaja, meu amigo, aí não há quem possa dizer o por que não viaja. Eu não sei se é que não precise. Porque podia não estar viajando para determinado lugar. Mas não está viajando para nenhum lugar. Aí, isso aí, realmente, é algo que não tem muita justificativa, não.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem. Muito obrigado aí pela presença dos senhores.
Antes de encerrar, passo a palavra aqui ao nosso...
O SR. ANDRES SANCHEZ (PT - SP) – Só porque eu estive na última sessão aqui e foi muito debatido. Eu tenho certeza que para o Vasco e para o Corinthians jamais fizeram isso, mas queria perguntar se a CBF, quando soube que vocês foram convidados a virem, se ela pediu, se ela exigiu, se ela comentou alguma coisa para vocês não virem, deixarem de vir, alguma coisa do gênero.
Só por desencargo de consciência.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – Não, comigo...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Por favor, presidente.
O SR. ROBERTO DE ANDRADE – Não, não. Com o Corinthians, de forma alguma, não teve manifestação nenhuma e também não teria nem o porquê, né?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Dr. Eurico?
O SR. EURICO MIRANDA – Me pedir? Como se isso adiantasse alguma coisa! Eu já disse aqui que eu vim... A mim, não ia me pedir nada. Ninguém me pediu nada, e eu vim aqui, porque acho que você... Não posso tratar você de... Antes eu podia te tratar de "você". Eu espero que V. Exª salve, venha... dê uma grande contribuição para salvar o futebol. Você pode fazer isso. Não precisa... Não siga muito esses... esses... esses doutos que têm só opinião deles e... Mas siga o seu sentimento, o seu conhecimento por ter vivenciado isso, e eu acho que você pode dar uma contribuição enorme e acho que a maior delas é você ajudar aqui o nosso Deputado Andres a dar uma burilada nessa Lei Pelé. Porque se ele der uma burilada nessa Lei Pelé, como deve ser dada, aí vai se atingir tudo o que a gente quer: CBF, Federação, etc., tudo pode ser atingido se der uma burilada nessa Lei Pelé.
E eu quero dizer que fiquei muito honrado de vir aqui e toda vez que convidado para aqui vir e
a V. Exª eu dou o direito de me convocar também. A outros eu não dou não! Mas convidado ou convocado para aqui vir, eu venho com o maior prazer.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem, doutor.
Mais uma vez muito obrigado pela presença dos senhores. É claro que nessa audiência pública nós poderíamos ter tido a presença dos outros Senadores, mas todos sabemos que aqui é um pouco corrido, existem muitas outras comissões em determinado dia. Realmente fica muito difícil a presença dos Senadores.
Mas, enfim, dentro do que a gente pode fazer, eu acredito que foi uma audiência bem interessante. Os senhores passaram aqui algumas coisas que são importantes e relevantes para o nosso futebol. E tenho muita certeza de que pelo menos eu consegui aqui pegar dos senhores muitas coisas que levaremos em frente nessa CPI.
Nada mais havendo a tratar, agradeço a presença de todos.
Convidamos para a próxima reunião a ser realizada na próxima quarta-feira, dia 20 de outubro, às 14h30, com pauta a ser oportunamente encaminhada.
Declaro encerrada a presente reunião.
(Iniciada às 14 horas e 34 minutos, a reunião é encerrada às 16 horas e 01 minuto.)




Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância impar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, proprina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...



A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?

Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*

As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.

Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!

O Mercado de notícias - Filme/Projeto do gaúcho Jorge Furtado


Questões de opinião:

Eduardo Cunha - Como o Brasil chegou a esse ponto?




As histórias do ex-marido da Patrícia Pillar

Luiz Flávio Gomes e sua "Cleptocracia"

Comentários políticos com Bob Fernandes.

Ricardo Boechat - Talvez seja ele o 14 que eu estou procurando...


InterVozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social

Ajuste Fiscal - Trabalhadores são chamados a pagar a conta mais uma vez

Como o PT blindou o PSDB e se tornou alvo da PF e do MPF - É tudo um assunto só!






Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?

Comissão Nacional da Verdade - A história sendo escrita (pela primeira vez) por completo.

Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.

Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.

Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.

Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países?

Acompanhando o Caso HSBC VI - Pausa para avisar aos bandidos: "Estamos atrás de vocês!"... 

Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos

Acompanhando o Caso HSBC VIII - Explicações do presidente do banco HSBC no Brasil

Acompanhando o Caso HSBC IX  - A CPI sangra de morte e está agonizando...

Acompanhando o Caso HSBC X - Hervé Falciani desnuda "Modus-Operandis" da Lavagem de dinheiro da corrupção.





Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!

Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.

Acompanhando a Operação Zelotes IV (CPI do CARF) - Apresentação da Polícia Federal, Explicação do Presidente do CARF e a denuncia do Ministério Público.

Acompanhando a Operação Zelotes V (CPI do CARF) - Vamos inverter a lógica das investigações?

Acompanhando a Operação Zelotes VI (CPI do CARF) - Silêncio, erro da polícia e acusado inocente depõe na 5ª reunião da CPI do CARF.

Acompanhando a Operação Zelotes VII (CPI do CARF) - Vamos começar a comparar as reportagens das revistas com as investigações...

Acompanhando a Operação Zelotes VIII (CPI do CARF) - Tem futebol no CARF também!...

Acompanhando a Operação Zelotes IX (CPI do CARF): R$1,4 Trilhões + R$0,6 Trilhões = R$2,0Trilhões. Sabe do que eu estou falando?

Acompanhando a Operação Zelotes X (CPI do CARF): No meio do silêncio, dois tucanos batem bico...

Acompanhando a Operação Zelotes XII (CPI do CARF): Nem tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser...

Acompanhando a Operação Zelotes XIII (CPI do CARF): APS fica calado. Meigan Sack fala um pouquinho. O Estadão está um passo a frente da comissão? 

Acompanhando a Operação Zelotes XIV (CPI do CARF): Para de tumultuar, Estadão!



Sobre CBF/Globo/Corrupção no futebol/Acompanhando a CPI do Futebol:

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K

A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!

Revolução no futebol brasileiro? O Fim da era Ricardo Teixeira. 

Videos com e sobre José Maria Marin - Caso José Maria MarinX Romário X Juca Kfouri (conta anonima do Justic Just ) 

Do apagão do futebol ao apagão da política: o Sistema é o mesmo


Acompanhando a CPI do Futebol - Será lúdico... mas espero que seja sério...

Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!

Acompanhando a CPI do Futebol III - Está escancarado: É tudo um assunto só!

Acompanhando a CPI do Futebol IV - Proposta do nobre senador: Que tal ficarmos só no futebol e esquecermos esse negócio de lavagem de dinheiro?!


Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!