Magazine Luiza

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Luiz Carlos Prestes: Coluna, Olga, PCB, prisão, ALN, ilegalidade, guerra fria... Introdução ao Golpe de 64.

Taiguara canta "O Cavaleiro da Esperança", música composta em homenagem ao líder comunista e herói do povo brasileiro Luiz Carlos Prestes.

Quando eu postei  Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?  eu disse que iria começar do auge... O Golpe de 64 é o auge de uma história que já havia 2 guerras mundiais e a ameaça de uma guerra derradeira e apocalíptica: A Guerra fria. Dizendo assim parece que o golpe de 64 foi só um detalhe irrelevante...
Para contar essa história escolhi outro personagem. Luiz Carlos Prestes. Se falar da ditadura militar é difícil pois durou 21 anos, de Luiz Carlos Prestes então... ele viveu 92 anos! De 3 de janeiro de 1898 até 7 de março de 1990. Como falar de Prestes? Um engenheiro ferroviário? Um constituinte? Sim! Ele foi senador da república entre 1946-1951, o mais votado na época, quando houve a constituição de 1946. Guerrilheiro? Sim! Ele também foi, participou e liderou da "Coluna Prestes"que se pretendia depor o presidente Artur Bernardes tendo comandado as forças revolucionárias no nordeste do Rio Grande do Sul e percorreu por treze estados, sem vencer nem ser vencida pelo governo que combatia, percorreu 25 mil quilômetros para abalar as estruturas da República Velha...  Foi marido de Olga Benário, pai de 10 filhos, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro.  Morou por 10 anos na União Soviética por não poder ficar no Brasil durante os "anos de chumbo". Preso por nove anos por assassinato(foi condenado a 30 anos, mas cumpriu nove e foi beneficiado pela anistia). Foi eleito um dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos, por concurso realizado pelo SBT e pela BBC em 2012 .

Uma história bem rica que nos permite entender um pouco da história brasileira. E mais: Ao perceber a mesma história sendo contada por outras pessoas temos que  perceber as intenções do que se quer mostrar e o que se quer esconder...

Porque Luiz Carlos Prestes é importante para entender a ditadura? Porque tudo de ruim que foi feito durante a ditadura foi feito com o objetivo de evitar que pessoas e idéias como as dele proliferasse. É isso que se queria evitar! Como confessou o Paulo Malhes e o Cládio Guerra na Comissão Nacional da Verdade  , com o objetivo de prender pessoas como ele é que os militares torturavam para obter informações valiosas e conseguir infiltrados para dizimar partidos/organizações com essa ideologia. Tiveram sucesso! Valeu a pena tudo isso?

Antes de começar digo que não concordo com o assassinato de 100 milhões de pessoas e nem estou do lado de pessoas que comem criancinhas...

Vamos começar com o documentário feito por um de seus 10 filhos:

O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes   

No Japão se valoriza muito seus velhos, pessoas que acumularam conhecimentos e experiências, erros e acertos, livros lidos e ações feitas... Vamos aqui absorver parte dessas experiências de um velho, em seus últimos anos de vida. 

Você acha  que a inflação está alta? Lá nos anos 80 ele falava dos dolares enviados para o exterior e suas conseqüências na inflação brasileira... Esse problema até hoje não foi superado e como solução dava a reforma agrária coisa que  até hoje não foi feita...

Nessa entrevista ao Roda Viva em 1986 foi feito no auge da popularidade do Presidente Sarney, pouco tempo depois do congelamento de preços com grande apoio popular. Mas ele não caiu no conto do congelamento: Disse que o governo cairia no descrédito (como ocorreu). Ele fala de Lula o criticando severamente: "É uma pessoa que não lê! ele disse que quando pega um livro não passa da página 17! É necessário ler: A política tem que ser cada vez mais científica..." Disse que Lula tinha tudo para crescer, mas que estava muito suscetível a erros pois quando se age empiricamente corre o risco de grandes erros. Acertou novamente. O interessante é que quando o Ciro Gomes fala sobre o Lula já na presidência, fala a mesma coisa: Comentando sobre o momento em que o Lula decidiu a recuperar a industria naval brasileira, o Ciro disse que o Lula acerta apenas no impulso, no instinto. Que esse acerto sobre a industria naval deveria ter sido um programa de governo completo e não um visão isolada de um instinto do Lula...

Ah! E mais uma coisa que permanece até hoje: Desde aquela época a Globo distorcia os noticiários políticos...
(E uma lamentação: como eu era fã desse programa e como ele está distorcido hoje!)

Luiz Carlos Prestes na Roda Viva 1986 




Nessa outra entrevista no Jô Soares, dois anos depois ele repete parte da outra entrevista, fala da situação econômica brasileira da época(salário mínimo de 20 dolares!) e sobre colocar os interesses da sociedade a frente dos interesses pessoais! (Caracas! esse cara é comunista?!)


Luiz Carlos Prestes no Jô Soares em 1988




Essa entrevista é mais antiga, ele mostra a situação da população brasileira ao sair da ditadura militar: miséria, fome, mortalidade infantil... Poder jurídico nas mãos dos oligopólios. Realidade política com a inexistência de democracia.

Entrevista com Luiz Carlos Prestes em 1985 na Tv Paraná




Essa outra entrevista é de seua primeira filha, aquela que quando Olga estava com 7 meses de gravidez foi mandado em um navio de carga para a Alemanha, onde ficou presa e quatro anos depois morta numa câmera de gás.  Durante a ditadura de 64-85 a Anita mesma foi perseguida e perdeu seus direitos políticos por 10 anos e teve prisão decretada...

Anita Leocádia Prestes nasceu numa prisão da Gestapo em Berlim. Sua mãe, a judia Olga Benário Prestes, foi deportada grávida para a Alemanha nazista pelo governo de Getúlio Vargas. Nessa época, seu pai, o líder comunista Luiz Carlos Prestes, estava preso numa solitária no Brasil. A avó de Anita iniciou um movimento internacional pela libertação dos dois. Anita foi devolvida à avó em 1938. Sua mãe Olga morreu num campo de concentração e seu pai, só o veria aos 9 anos de idade. Anita cresceu, estudou e se formou. Tem cinco livros publicados.
Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense, título concedido em janeiro de 1990, Anita Prestes é atualmente professora de História do Brasil na UFRJ.
Nessa entrevista, ela analisa a vida de seu pai, personagem que marcou a história do País.



Anita Prestes fala sobre a trajetória política de Luiz Carlos Prestes no Espaço Público

A historiadora Anita Leocádia Prestes fala sobre a biografia política de seu pai que acaba de lançar “Luiz Carlos Prestes - Um comunista brasileiro”, no programa Espaço Público da TV Brasil. A entrevista foi ao ar no dia 1º de dezembro de 2015, às 23h, na TV Brasil.

Durante a conversa com o apresentador Paulo Moreira Leite, e os entrevistadores Florestan Fernandes Jr. e Leonel Rocha, ela recorda passagens de sua própria vida, comenta a trajetória da mãe Olga Benário e do pai Luiz Carlos Prestes, uma das mais importantes personalidades políticas brasileiras do século XX.




Anita Leocádia Prestes- Observatório da Imprensa
Alberto Dines entrevista Anita Leocádia Prestes

Anita Leocádia Prestes conta em entrevista especial para o Observatório da Imprensa detalhes da pesquisa histórica sobre seu pai, o líder do Partido Comunista Brasileiro Luis Carlos Prestes, que levou 30 anos.


Leocádia e Olga Benário Prestes - exemplos de rebeldia feminina - Anita Prestes
Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, a Escola Nacional de Saúde Pública recebeu a historiadora brasileira Anita Leocádia Prestes, em 12/3, para a palestra ‘Leocádia e Olga Benário Prestes - exemplos de rebeldia feminina’. Na ocasião, Anita retratou a trajetória de vida dessas duas mulheres marcadas pela indignação com as injustiças sociais e de apoio às posições revolucionárias de Luiz Carlos Prestes.

Produção: Núcleo Audiovisual da Coordenação de Comunicação Institucional (CCI/ENSP)

Data: 12 de março de 2015



Conversa com Anita Leocádia Prestes
O programa Casa das Palavras foi até a III Bienal do Livro e da Leitura de Brasília para entrevistar as escritoras e escritores participantes. Nesta edição, conversamos com Anita Leocádia Prestes, filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário. Historiadora, ela levou mais de trinta anos para escrever o livro de sua vida. Nas 560 páginas de “Luiz Carlos Prestes, Um Comunista Brasileiro”, Anita escreveu uma minuciosa biografia política do pai, sem poupar críticas, mas reconhecendo a importância do líder comunista para a história do século vinte. Uma página fundamental da História do Brasil.



A história de Olga Benário contada por Anita Leocádia
Anita Leocádia é historiadora. Ela está lançando o livro ‘Olga Benário Prestes, uma comunista nos arquivos da Gestapo’, sobre a vida de sua mãe.



TVAL - Palavra Aberta: Anita Leocádia Prestes
Entrevista da historiadora Anita Leocádia Prestes ao programa Palavra Aberta, da TVAL, emissora pública da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, na ocasião do lançamento do livro  "Luiz Carlos Prestes: o combate por um partido revolucionário (1958-1990)".



Livros 137 - Luiz Carlos Prestes - Um Comunista Brasileiro - Anita Leocádia Prestes
A historiadora Anita Leocádia Prestes fala a Ederson Granetto sobre a biografia Luiz Carlos Prestes - Um Comunista Brasileiro, publicada pela Editora Boitempo. Filha do mais importante líder comunista brasileiro, Anita trabalhos com o pai durante três décadas e pesquisou documentos e arquivos no Brasil e no exterior para escrever este livro.



CÂMARA REPÓRTER 10/03/2017 "ANITA PRESTES"


Contraponto da Cultura com Anita Leocádia Prestes


OLGA | Intentona Comunista | CINEMA e História
CINEstoria explica a intentona comunista durante o Governo de Getúlio Vargas e a história de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário. Cinema + História como você nunca viu.





Links:

Instituto Luiz Carlos Prestes
Wikipédia
Polo Comunista Luiz Carlos Prestes



E hoje? Quais os resquícios da ditadura nos dias de hoje? No livro, que na verdade é uma coleção de artigos, "Sobre Ditadura: o que resta da transição" organizado por  Marcelo Ridenti, Anita Prestes explica um pouco como a ditadura militar entregou o país para iniciar o seu processo democrático a partir de 1985. Vale a pena ler!


LUIZ CARLOS PRESTES E A LUTA PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA VIDA NACIONAL APÓS A ANISTIA DE 1979

Anita Leocádia Prestes
Prestes participa da vida política nacional

Em agosto de 1979, com a decretação da anistia aos presos e perseguidos políticos, Luiz Carlos Prestes, após oito anos de exílio forçado, pôde regressar ao Brasil.

Convencido do abandono por parte da direção do Partido Comunista Brasileiro (PCB) de seus objetivos revolucionários consagrados nos documentos partidários, Prestes divulgou a Carta aos comunistas[1], na qual anunciava sua ruptura com o partido em que até então havia sido secretário-geral. Tendo compreendido que não havia condições para organizar de imediato um partido revolucionário no Brasil, Prestes iria dedicar os últimos dez anos de sua vida a difundir suas ideias, principalmente junto aos trabalhadores e aos jovens. Ao mesmo tempo, procuraria participar, ao lado de seus correligionários, da vida política nacional, com o objetivo de acumular forças e contribuir para a criação das condições propícias ao surgimento de organizações efetivamente revolucionárias, habilitadas a conduzir a realização das transformações necessárias ao advento do socialismo em nossa terra. Prestes iria percorrer todo o Brasil a convite das mais diversas entidades sociais, de trabalhadores, de estudantes, de intelectuais, de políticos e de numerosos admiradores. Participaria das principais campanhas eleitorais, procurando sempre dar apoio aos candidatos comprometidos com as causas populares e dispostos a contribuir para o avanço real da democratização do país.

Ao empenhar-se na luta pela efetiva democratização do Brasil, ao denunciar a permanência do regime ditatorial durante o governo Figueiredo – repelindo as teses dos liberais e da direção do PCB de que se estaria atravessando um período de “transição” para a democracia –, Prestes insistia na continuidade do “poder militar”, ao qual voltaria a referir-se repetidas vezes durante aqueles anos.

Em editorial de Voz Operária[2] de dezembro de 1981, denunciava-se a condenação de Lula e de mais dez sindicalistas do ABC paulista a penas que variavam de dois a três anos e meio de prisão, assim como o enquadramento de dois padres franceses e treze posseiros da região de São Geraldo do Araguaia, com base na Lei de Segurança Nacional. Condenava-se também o “pacote eleitoral” de Figueiredo, que vinculava todos os votos e proibia coligações, com a consequente “municipalização” do pleito marcado para 1982. Dessa forma, garantia-se a maioria do partido governista, o Partido Democrático Social (PDS), em todos os níveis. Esses fatos revelavam que o regime fascista não havia sido superado, que a “abertura” havia parado[3].

O jornal alinhado com as posições de Prestes afirmava: “Quem detém o poder de fato no país é a oligarquia financeira, que o exerce através do grupo militar de sua confiança, encastelado no alto comando das Forças Armadas”[4]. Eram lembradas palavras de Florestan Fernandes a respeito da “fascistização localizada de certas áreas do aparelho de Estado”, o que repeliria qualquer “transição democrática”, mantendo viva a contrarrevolução “por todo e qualquer meio possível”. O sociólogo paulista escrevia: “Esse fascismo oculto e mascarado [...] é capaz de passar do Estado de exceção para a ‘normalidade constitucional’ sem permitir que se destrua o elemento autocrático que converte o Estado no bastião da contrarrevolução”[5]. Em outras palavras, tratava-se do “poder militar”, a respeito do qual Prestes diria:

As Forças Armadas constituem hoje o chamado poder militar que, a serviço dos monopólios, tutelam os três poderes; as Forças Armadas que hoje constituem uma casta anticomunista, cujos quadros foram, nos últimos vinte anos, rigorosamente selecionados pelo anticomunismo comprovado, mais bárbaro e retardatário [...]. E esse poder militar não virá abaixo através de eleições, mesmo diretas, mas somente graças à força de um vigoroso movimento de massas.[6]

Em março de 1982, Voz Operária reproduzia um importante documento, representativo das posições defendidas por Luiz Carlos Prestes, no qual afirmava-se: “Apesar de considerarmos que as soluções definitivas e duradouras para os grandes e graves problemas sociais do Brasil são incompatíveis com a estrutura capitalista, nunca deixamos de lutar por medidas parciais, que possam melhorar, mesmo que temporariamente, a situação econômica, política e cultural dos trabalhadores”[7].

Após apresentar um conjunto de medidas voltadas para o encaminhamento de soluções de emergência para a situação das grandes massas populares naquele momento, o documento destacava:

Uma atuação política efetivamente comunista deve identificar-se com os mais profundos interesses e as reivindicações concretas das classes oprimidas, o que, hoje, significa apoiar as bandeiras mais inadiáveis dos que passam fome, dos desempregados, de todo o povo, impiedosamente esmagado pelos capitalistas e pelo Estado, tendo, ao mesmo tempo, consciência de que estes só farão concessões quando se sentirem pressionados pela luta unitária das classes exploradas e oprimidas.[8]

Ao analisarmos hoje, retrospectivamente, a repercussão limitada desse documento, podemos afirmar que tal desfecho se explica pela desorganização do movimento popular no Brasil e, em especial, pela ausência de um partido revolucionário capaz de mobilizar e dirigir grandes massas na luta por objetivos tanto parciais quanto de longo alcance. Até o fim de sua vida, Prestes continuou a lutar por esse partido revolucionário.

Em 1982 seriam realizadas eleições gerais no país. A posição de Prestes era de que as eleições constituíam “uma forma de luta secundária, diante da questão fundamental que é a nossa luta permanente pelas massas”, conforme o Voz Operária. O jornal ainda afirmava que “devemos atuar junto aos três partidos oposicionistas (PT, PMDB, PDT), sem, contudo, pretender que através apenas de eleições se possa efetivamente derrotar o regime ditatorial”, acrescentando mais adiante:

Com o “pacote eleitoral” de novembro, que instituiu o voto vinculado, a posição dos comunistas inevitavelmente terá de ser diferente em cada estado, tendo, porém, sempre em vista qual a melhor maneira de derrotar o regime nas urnas, através da derrota de seus candidatos a governador, a senador, a prefeito ou mesmo a deputados e vereadores, conforme cada caso específico.[9]

A seis meses do pleito, marcado para 15 de novembro de 1982, o jornal dos comunistas alinhados com as posições de Prestes esclarecia que “dentre os três partidos que podem ser considerados de oposição”, o PMDB[10 era “a organização mais forte e que por contar com as tradições dos resultados das eleições de 1974 e 1978, em que o MDB praticamente derrotou a ditadura nos principais estados”, havia acumulado “melhores condições” para, nas eleições de 1982, “derrotar em numerosos estados os candidatos da ditadura”. Entretanto, no Rio de Janeiro, a situação era distinta, pois o PMDB, com a incorporação do Partido Popular, de Chagas Freitas, havia perdido as características oposicionistas, sendo “engolido” pelo “chaguismo”[11]. Voz Operária escrevia: “Neste estado, o principal objetivo político das verdadeiras forças de oposição só pode ser um: derrotar o ‘chaguismo’ e, através dele, o regime ditatorial”[12].

Prosseguindo na análise da situação fluminense, Voz Operária esclarecia que, para votar contra a ditadura, naquele estado a escolha ficara reduzida a dois partidos: o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido dos Trabalhadores (PT), sendo este último eleitoralmente débil no Rio. Restava, portanto, como única opção o PDT de Leonel Brizola. Mas esse partido ainda não era capaz de alcançar uma audiência significativa, devido principalmente “à prudência e tibieza” que vinha sendo demonstrada por Brizola, ao “não poupar ocasiões para elogiar o sr. Figueiredo e não se manifestar com a necessária energia contra a desastrosa política econômico-financeira” do seu governo, “de consequências nefastas para os trabalhadores, reduzidos a uma situação de miséria, fome e desemprego”, conforme Voz Operária. O jornal ainda escrevia: “Se o PDT pretende transformar-se numa real alternativa de oposição à ditadura e ao ‘chaguismo’ – no caso do Rio de Janeiro –, essa orientação deve ser substituída por outra, efetivamente combativa, de luta pelos interesses das massas trabalhadoras, abertamente contra a ditadura e suas leis repressivas, pelas liberdades democráticas”[13].

Em julho, o jornal dos comunistas alinhados com Prestes denunciava o “fechamento” que vinha sendo promovido pelo governo, com a aprovação no Congresso, no final de junho daquele ano eleitoral, do chamado “emendão” de certas reformas constitucionais, um expediente destinado a garantir a continuidade do regime ditatorial, evitando que se repetissem as derrotas governistas nas urnas de 1974 e 1978. Entre tais reformas estava a do Colégio Eleitoral – que iria eleger ainda por via indireta o futuro presidente da República –, o qual passava a ser composto pelos membros do Congresso Nacional e mais seis delegados por Assembleia Legislativa, indicados pelo partido majoritário. Dessa forma, o governo poderia “hibernar” tranquilamente, pois sua continuidade estaria supostamente assegurada[14]. Em setembro, Voz Operária dirigia sua denúncia contra a manutenção da chamada “Lei Falcão”[15], mais um fato revelador de que a tendência geral da evolução política no país não estava sendo a da “abertura”, e sim a do “crescente e cada vez mais acentuado ‘fechamento’ do regime político”[16].

Somente a 21 de outubro de 1982, quando faltava menos de um mês para as eleições, Prestes lançou um boletim contendo sua Declaração de apoio à candidatura de Leonel Brizola ao governo do estado do Rio de Janeiro. Destacava que “a pressão das massas e da opinião pública” contribuíra para que Brizola, “que a princípio mantinha frente ao governo federal uma posição vacilante e tíbia, fosse compelido a modificar, pouco a pouco, seu discurso, no sentido de maior clareza e firmeza na oposição à ditadura”. Prestes dizia que restava desejar que até 15 de novembro Brizola viesse a “dar mais alguns passos nessa direção de maior consequência oposicionista”, acrescentando que era de se esperar também que, diante do apoio popular com que já contava, soubesse Leonel Brizola contribuir para que o povo trabalhador se organizasse e se mobilizasse, a fim de que, uma vez vitorioso nas urnas, contasse com o apoio e o respaldo de massas, “indispensáveis para levar à prática os pontos fundamentais de seu programa, contra a já previsível, e mesmo declarada, resistência das forças mais reacionárias às medidas de caráter democrático e popular que serão reclamadas pelo povo vitorioso”[17].

Em sua Declaração, Prestes denunciava “os arautos da catástrofe”, aqueles que anunciavam uma suposta ameaça de que Brizola, caso fosse eleito, não poderia tomar posse ou, se empossado, seria impedido de governar. Tratava-se, na realidade, da substituição do “voto útil” pelo que o povo já estava chamando de “voto covarde”, ou seja, “votar nos candidatos consentidos pelo regime”. Prestes acrescentava:

É nesse sentido que se somam os esforços desenvolvidos nos últimos dias por uma série de velhos e novos defensores da camarilha chaguista, como Rafael de Almeida Magalhães (antigo e conhecido lacerdista), Hércules Correia (do autodenominado Coletivo de Dirigentes comunistas, que mais uma vez está comprovando que traiu os verdadeiros interesses do povo e da classe operária) e alguns outros, assim como organizações abertamente de direita, apelando para todo tipo de provocações, algumas das quais chegam a ter caráter tipicamente policial.[18]

Ao explicar seu apoio à candidatura de Brizola, Prestes declarava:

É particularmente diante dessa ofensiva provocadora e claramente antipopular que considero necessário, nesta oportunidade, tomar posição clara e firme ao lado de todos aqueles que veem, neste momento, a vitória da candidatura do sr. Leonel Brizola como a única saída efetivamente viável para derrotar as candidaturas comprometidas com o regime ditatorial, tanto a do sr. Miro Teixeira como a do sr. Moreira Franco, candidatos respectivamente do governo estadual e federal, do chaguismo e do PDS.[19]

Encerrando sua Declaração, Prestes afirmava: “A derrota, no estado do Rio de Janeiro, da ditadura e das forças com ela mancomunadas será um acontecimento de repercussão nacional que poderá contribuir para a unidade e o fortalecimento, em todo o país, das forças que lutam contra o atual regime, pela democracia e pelo progresso social em nossa Terra”.

Uma vez declarado o apoio à candidatura de Brizola e inscritos no PDT alguns candidatos comprometidos com as posições de Prestes para concorrer a cargos eletivos no estado do Rio de Janeiro, chegara o momento de participar ativamente da campanha eleitoral. Prestes não pouparia esforços nesse sentido, falando perante variadas plateias, inclusive em portas de fábrica, como, por exemplo, frente a quatrocentos trabalhadores do estaleiro Caneco[20. No Rio, Prestes elegeu candidatos às Câmaras Municipais, à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal. Viajaria também por diversos estados do Brasil, concedendo seu apoio a numerosos candidatos inscritos na legenda do PMDB[21].

A vitória de Brizola no Rio de Janeiro foi esmagadora. Também a vitória das oposições no âmbito nacional revelou-se significativa, pois a soma nacional de votos da oposição – do PMDB e, no Rio de Janeiro, do PDT – foi no mínimo duas vezes superior aos votos recebidos pelos candidatos eleitos pelo partido governista, o PDS. Em entrevista concedida no final de novembro de 1982, Prestes assinalava que, “apesar de todas as medidas casuísticas tomadas pela ditadura para tentar encobrir o caráter plebiscitário das eleições, este continua presente e revela a esmagadora derrota do governo federal nas eleições de 15 de novembro”[22].

Quanto à vitória de Brizola no Rio de Janeiro, Prestes destacava que se tratava de “acontecimento de repercussão nacional de enormes proporções, que não pode deixar de contribuir para acelerar a elevação do nível político da luta de todo nosso povo pelas liberdades democráticas e pelo progresso social”. Considerava ainda que, dada a vitória conquistada por Brizola, o PDT poderia vir a tornar-se o “principal centro aglutinador das forças efetivamente dispostas a lutar contra o atual regime dominante”. Frisava que tudo dependeria do êxito que alcançasse “na solução dos problemas mais permanentes do povo o governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro”[23].

Para atingir tal objetivo, Prestes não deixaria de insistir na necessidade de dirigir todos os esforços para organizar e mobilizar as massas na luta por suas reivindicações e na concretização de seus legítimos anseios. Insistia também na ideia de que os comunistas, “naqueles estados onde a oposição venceu”, deveriam “saber utilizar as posições conquistadas para se ligarem às massas, visando mobilizá-las, organizá-las e uni-las”[24]. A ausência de um partido revolucionário no Brasil contribuiria, entretanto, para que os objetivos apontados por Prestes não fossem atingidos.

Ao pronunciar-se, mais uma vez, sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte, que vinha sendo proposta insistentemente por alguns setores da oposição, Prestes afirmava que esta só seria útil se pudesse contar com “uma maioria representativa das forças efetivamente contrárias ao atual regime dominante, tutelado pelos militares”, acrescentando que seria necessário, “previamente, conquistar um regime democrático, livre das manobras casuísticas da ditadura”. Para Prestes, a convocação de uma Assembleia Constituinte, “capaz de aprovar uma nova Constituição democrática”, exigia a prévia substituição do regime vigente e a conquista de um governo democrático. E isto, segundo ele, “só se conseguirá por meio de um poderoso movimento de massas. E é partindo da luta pela democracia para as massas que lá chegaremos”[25].

Em dezembro de 1982, a Polícia Federal, cumprindo “ordens superiores”, invadiu a sede do jornal Voz da Unidade em São Paulo, desbaratando uma reunião do PCB (na realidade, uma assembleia do seu VII Congresso). Na ocasião, foram presas cerca de cem pessoas – os membros do coletivo de dirigentes comunistas e os delegados ao VII Congresso do PCB[26]. Segundo o boletim Relatório Reservado, publicação destinada a informar o empresariado, a decisão do governo federal de prender toda a direção do PCB e oitenta membros do partido que estavam reunidos em São Paulo era “explicada por funcionários do Itamarati como um gesto político para agradar a dois públicos: o governo dos Estados Unidos e grupos militares de extrema-direita do Brasil”[27].

A posição de Prestes diante disso foi de protesto contra o ato arbitrário do governo Figueiredo, de solidariedade às vítimas da repressão e, ao mesmo tempo, de condenação da irresponsabilidade da direção do PCB, que expôs “à sanha da repressão inúmeros militantes comunistas, alguns jovens, que confiaram inadvertidamente nessa direção”[28]. Prestes escrevia na época: “Protestei contra a violência, mas, simultaneamente, chamei a atenção para a irresponsabilidade com que procederam [os dirigentes do PCB] [...]. Essa gente é de opinião de que a “abertura” de Figueiredo já é plena democracia, quando não passa de concessões feitas, de caráter secundário, para manter o essencial, quer dizer, o poder militar e sua Lei de Segurança Nacional”[29].

Adiante, Prestes escrevia: “Agora, o PCB deles é um partido político que já não luta mais pelo poder, luta apenas por uma Assembleia Constituinte que elabore, dentro mesmo do atual regime, uma outra Constituição. Quanto ao socialismo, fica relegado para as calendas gregas...”.

Pouco depois da prisão de dirigentes e militantes do PCB em São Paulo, Prestes foi chamado para depor na Polícia Federal, com o intuito evidente de transformá-lo em testemunha de acusação contra o Comitê Central, papel que ele repeliu energicamente. Prestes declarava, na ocasião, que se negara a discutir com a polícia as divergências existentes entre ele e o CC, dizendo que estas eram questões internas dos comunistas[30.

Durante o ano de 1983, Prestes empreenderia viagens a muitos estados do Brasil, sempre a convite de diversos setores da vida nacional, interessados em conhecer sua orientação política. Em abril, durante um encontro em Salvador, na qualidade de convidado ao Congresso dos Trabalhadores e Petroquímicos da Bahia, Prestes faria declarações sobre a sucessão do general Figueiredo por um presidente civil, assunto que vinha sendo discutido nos meios políticos. Diante da aventada candidatura de Tancredo Neves, Prestes dizia que o considerava “traidor do eleitorado”; era o “candidato preferido dos militares” e, sendo “civil e pertencente à oposição”, estava “com condições, portanto, de dar ao sistema falsa ideia de liberalidade”[31]. Perguntado sobre a “abertura” de Figueiredo, ele lembraria que a mesma vinha desde o governo Geisel. Tratava-se “de concessões secundárias, limitadas, para conservar o essencial. E o que é essencial no Brasil é o poder militar, é a tutela militar sobre os poderes do Estado”[32].

No final de abril daquele mesmo ano, Prestes viajaria a Manágua, na Nicarágua, convidado a participar da Conferência Continental pela Paz e a Soberania na América Central e no Caribe, onde discursou em nome dos Partidários da Paz do Brasil e do Centro Brasileiro de Defesa da Paz e da Ecologia, constituído havia pouco tempo em nosso país. Na oportunidade, apresentou um quadro da situação política existente no Brasil, lembrando que a ditadura passara, entre 1968 e 1974, por “uma fase caracteristicamente militar-fascista, de terror contra o povo”. Mas destacava:

Diante da grande modificação havida na arena internacional, com a substituição, no início da década de 1970, da política de “guerra fria” pela distensão internacional, e também do evidente crescimento das manifestações de oposição interna à ditadura, viu-se esta compelida a fazer algumas concessões de caráter político e econômico, no sentido de uma “abertura democrática” e de pequenas correções na distribuição da renda nacional, que chegara a ser uma das mais injustas do mundo. Concedeu então anistia limitada aos presos e condenados políticos e exilados, assim como cedeu à exigência popular de eleições diretas de governadores estaduais.[33]

A seguir Prestes explicava:

Mas as referidas concessões que, graças à intensa e dispendiosa propaganda realizada pela ditadura no exterior, criou para esta uma imagem de efetiva democracia, na verdade não atingiu a essência do regime, que continua sob a tutela de um poder militar (como acontece em todos os países do cone sul da América do Sul) que garante aos monopólios nacionais e estrangeiros, muito especialmente às multinacionais, a extração do lucro máximo à custa da miséria crescente da maioria esmagadora da população do país, da conservação de uma legislação fascista – com a Lei de Segurança Nacional – e de inclusão na Constituição de preceitos que permitem ao ditador, de surpresa, com sua simples firma, a decretação do estado de sítio, a eliminação de todos os direitos e liberdades democráticas.[34]

Durante toda a década de 1980, Prestes não perderia oportunidades de insistir na denúncia da tutela do poder militar sobre os três poderes da República brasileira, tema que era evitado tanto por liberais quanto pelos dirigentes do PCB. Em entrevista concedida em junho de 1983, Prestes reafirmava:

Quem governa o Brasil não é o sr. Figueiredo. O sr. Figueiredo é uma figura de proa, um general de plantão na presidência da república. Quem governa é o alto comando do Exército, com o apoio da Marinha e da Aeronáutica. Isso quem diz é o próprio ministro do Exército, general Walter Pires. Numa entrevista que ele deu à Folha de S.Paulo, em agosto de 1981, ele diz que o Exército, com as outras forças singulares, assim ele chama a Marinha e a Aeronáutica, têm a tarefa de assegurar aos poderes do Estado – quer diz que eles estão acima dos poderes de Estado – a ordem e a tranquilidade para o desenvolvimento da economia e da democracia. Então o ministro do Exército não dá uma palavra sobre a defesa da soberania nacional. Só trata de dominar os poderes do Estado. Isso é o que eu chamo de tutela até hoje.[35]

A partir da segunda metade de 1983, a questão do voto direto para as eleições presidenciais, marcadas para o início de 1985, tornava-se central tanto na imprensa quanto no debate político. Fazendo a ressalva de que “somos todos partidários do voto direto do povo em todas as eleições e que nos interessamos pela escolha do futuro sucessor do atual ditador”, Prestes considerava que os comunistas não deveriam deixar-se enganar “pelos politiqueiros a serviço dos privilegiados”, que, consciente ou inconscientemente, procuravam “desviar a atenção do povo do quadro de miséria e da própria fome, para convencê-lo, nessa hora, a preocupar-se apenas com a escolha do futuro presidente da República ou a lutar pelo voto direto para as eleições presidenciais”[36]. Em outra ocasião, ele reafirmaria que “voto direto não livra o país da crise [...] o debate do tema serve apenas para desviar a atenção do povo de seus problemas fundamentais: fome, miséria e falta de trabalho”[37].

Diante de tal situação, Prestes se pronunciava, afirmando que “não podemos ser insensíveis aos sofrimentos do povo, nem podemos nos conformar a morrer de fome, sem lutar”, acrescentando:

É através da luta contra a miséria e a fome, contra a falta de trabalho, contra as leis de arrocho salarial, contra a carestia do custo de vida que poderemos agora acelerar a organização dos trabalhadores, elevar o nível de sua consciência política e revolucionária, mobilizá-lo e levá-lo [sic] a que se una para lutar contra a ditadura dominante, contra o atual regime, pelas liberdades democráticas, contra as leis fascistas, tais como a Lei de Segurança Nacional, a lei contra a greve e outras.[38]

Ainda no final de 1983, Prestes dava seu apoio à Chapa 2, de oposição, que então concorria às eleições para a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro. Em suas falas perante os trabalhadores dos estaleiros Caneco e Emaq, Prestes insistia em dizer que a combatividade dos sindicatos dependia “da organização e da luta dos trabalhadores a partir das fábricas”[39]. Da mesma forma, Prestes continuaria participando de eleições sindicais, apoiando sempre as chapas comprometidas com os interesses mais legítimos dos trabalhadores.

No VII Congresso do PCB, realizado em janeiro de 1984, em São Paulo, seria aprovado documento em que se afirmava que a oposição deveria negociar com “setores do governo, do regime e do PDS”, a fim de que o Brasil pudesse superar a crise política, econômica e social que enfrentava[40. A direção do PCB declarava aceitar negociar o apoio à eleição presidencial indireta se não houvesse condições de aprovar as eleições diretas e, inclusive, conceder um possível apoio ao nome de Tancredo Neves para sufrágio no Colégio Eleitoral[41]. Na mesma ocasião, tendo alcançado grande repercussão a notícia de que Prestes teria sido expulso do PCB durante o VII Congresso, Giocondo Dias, reeleito secretário-geral, declarava que não havia expulsão, mas sim que Prestes apenas fora considerado “afastado das fileiras dos comunistas brasileiros”, pois ele próprio se autoexpulsara[42]. Para o grupo vitorioso no Congresso partidário[43], não interessava consagrar a ruptura definitiva com Prestes, atitude que repercutiria negativamente para o PCB.

Em carta a um amigo, comentando o momento político brasileiro naquele início de 1984, Prestes escrevia:

A vida política está praticamente morta em nosso país. [...] [A] “abertura” do Figueiredo já conseguiu o consenso de todas as organizações políticas, muito especialmente as de “esquerda”. Em artigo na Folha de S.Paulo, o Giocondo[44] já lançou uma frase que certamente supõe que ficará célebre: “lutar para negociar, negociar para mudar”[45]. Trata-se pois de negociar com a ditadura... E assim estão todos os “esquerdistas”, mesmo os mais extremados, do PCdoB, do MR-8 etc. Agora, segundo essa gente, tudo vai se resolver com uma campanha de massas pelas eleições diretas para a presidência da República.[46]
Prestes frente às Diretas Já e à “Nova República”

Prestes seria muito crítico quanto à forma como estava sendo conduzida a campanha pelas eleições diretas: “Não há nenhuma medida de organização. Então, o povo sai dos comícios, vai para casa e acabou tudo”, acrescentando que a “abertura democrática” não passava de uma farsa[47]. Considerava importante, contudo, participar das Diretas Já, denunciando a manipulação das massas pelas elites liberais, assim como sua postura conciliadora com a ditadura; considerava importante também alertar as massas populares para a necessidade de se organizarem em torno de suas reivindicações, entendendo que as eleições diretas, embora pudessem ser uma conquista democrática, por si só não resolveriam os graves problemas do país.

Prestes participou da enorme passeata pelas Diretas Já, realizada no Rio de Janeiro, em março de 1984. Segundo a imprensa, foi o principal orador no palanque montado na Cinelândia – embora os organizadores do ato não quisessem conceder-lhe a palavra, da qual fez uso por exigência do público presente[48]. Entretanto, Prestes não compareceu ao comício que reuniu um milhão de pessoas, na Candelária, pois seu organizador, o governador Leonel Brizola, o convidou para participar sem direito a voz, condição para ele inaceitável[49]. Em Porto Alegre, segundo o Correio do Povo, Prestes “empolgou a multidão” em comício pelas Diretas Já com mais de 100 mil pessoas[50.

Às vésperas da votação da emenda Dante de Oliveira[51] no Congresso Nacional, Prestes concedeu ao Pasquim uma entrevista, na qual opinava sobre as possibilidades de sua aprovação:

Até agora tudo indica que o poder militar, no seu anticomunismo primário e anacrônico, continua insensível às grandes manifestações de massas em prol das eleições Diretas Já para a presidência da República e, como o quorum para a aprovação de uma reforma constitucional é de dois terços do número total de parlamentares, tudo indica que a emenda Dante de Oliveira não poderá ser aprovada. Qual será, então, a posição a ser assumida pelos partidos de oposição? Tudo indica que seus dirigentes deixarão de lado as massas populares que mobilizaram para a campanha das eleições Diretas Já, e que tratarão de participar das eleições indiretas, através desse ilegítimo “Colégio Eleitoral”, procurando chegar a um candidato de conciliação, como tem sido tradicional em nosso país. Procurarão os dirigentes dos diversos partidos políticos de oposição chegar a um consenso com a ditadura, separadamente das massas trabalhadoras, à custa delas, sem a participação delas.[52]

As previsões feitas por Prestes seriam cumpridas, pois, com a derrota das Diretas Já, os partidos de oposição trataram de chegar a um acordo com a ditadura. Liderados pelo PMDB, se aliaram a dissidentes do PDS – o partido do governo, que havia escolhido Paulo Maluf como candidato –, formando a Aliança Democrática, que apresentou Tancredo Neves e José Sarney como candidatos indiretos, respectivamente, a presidente e vice-presidente da República. Somente o PT, como rejeição à manutenção das eleições indiretas, orientou seus congressistas a não comparecerem ao Colégio Eleitoral[53].

Diante da derrota da emenda Dante de Oliveira, Prestes divulgava declaração ao povo, pronunciando-se contra a conciliação com a ditadura:

Enquanto a burguesia, mais uma vez, como sempre tem acontecido, após utilizar-se do povo como massa de manobra, diante da primeira derrota dá-lhe as costas e passa a conciliar com a ditadura, [...] a classe operária e demais trabalhadores saberão prosseguir sem vacilações na luta pelos seus interesses mais imediatos, quer dizer, pelas liberdades democráticas, contra a miséria e a fome e a falta de trabalho, como também pelo voto direto-já nas eleições presidenciais, sem ilusões, mas com redobrada firmeza e energia, e organizando suas forças, certos de que só assim hão de transformar as derrotas de hoje na vitória de amanhã.[54]

Quando faltavam apenas dois meses para as eleições no Colégio Eleitoral, marcadas para 15 de janeiro de 1985, Prestes voltava a condenar o “pacto social” pregado por Tancredo Neves, apontando o reacionarismo da sua tese, pois pretendia assim “acabar com a luta de classes, pregando um pacto entre a burguesia e o proletariado”. Prestes denunciava a conciliação de Tancredo com a ditadura, afirmando que não havia diferença fundamental entre ele e Paulo Maluf, pois “quem vai continuar governando é o poder militar”[55].

Prestes orientara os congressistas eleitos com seu apoio e comprometidos com suas posições políticas a não comparecerem ao Colégio Eleitoral, abstendo-se de votar em Tancredo Neves. Diante do fato de os deputados do PDT fluminense Jacques Dornellas (federal) e Eduardo Chuahy (estadual) terem votado em Tancredo Neves, Prestes divulgou uma Nota, na qual dizia discordar da posição por eles tomada, uma vez que o voto no Colégio Eleitoral não era obrigatório e ambos haviam assumido compromissos políticos com ele por ocasião das eleições de 1982. Na Nota afirmava: “Como sempre fiz em minha atividade política, jamais me prestei a enganar o povo, prometendo-lhe, como agora tão abundantemente se faz, o fim da ditadura militar, a conquista de um regime democrático e, até mesmo, uma Nova República, capaz de assegurar trabalho e um salário digno para todos os trabalhadores”[56].

Após a eleição indireta de Tancredo Neves, Prestes concedia entrevista à imprensa, em que reafirmava: “O poder militar ainda governará o país, mesmo com a eleição de Tancredo”, acrescentando que o novo presidente estava “a serviço do poder militar, e o Brasil vai continuar a ser governado por um general, à paisana”. Frisava a “continuidade do poder militar”, destacando: “Como os militares estavam desgastados, o alto comando achou que devia se manter no poder através de um candidato civil e de preferência oposicionista”. Dizia ainda que Paulo Maluf, o candidato oficial do partido governista, atuara apenas como “boi de piranha”[57].

Em seu Manifesto lançado por ocasião do 1o de maio de 1985, Prestes denunciava “os dirigentes de todos os partidos políticos, desde o PDS ao PMDB, até os chamados de ‘esquerda’ (PCB, PCdoB e MR-8)”, que pretendiam “enganar o povo ao afirmarem que foi reconquistada a democracia, foi suprimido o militarismo e, até mesmo, alcançada uma ‘Nova República’. Com o sr. José Sarney, agora no poder, em nada se modifica esse quadro”[58]. Em um ato público realizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, em celebração ao Dia do Trabalhador, Prestes foi reconhecido pela imprensa como “o único orador aplaudido por todos os grupos políticos”, oportunidade em que voltou a criticar a Nova República[59].

Perguntado por uma jornalista se a aprovação por unanimidade da emenda das eleições diretas enviada pelo presidente Sarney ao Congresso Nacional não teria sido uma vitória do povo[60, Prestes respondia: “O povo queria eleições diretas logo. Essa emenda por ora nos dá apenas a garantia do voto direto para a presidência da República, mas não diz quando. Sem dizer a data, não acrescenta muito. Sarney cumpriu o compromisso assumido pelo presidente Tancredo Neves. Mas as eleições deviam ser imediatamente. Por que em 1988?”[61].

A seguir, Prestes reafirmava a tese sobre o poder militar, lembrando que quem disse a verdade foi o ministro do Exército, quando declarou: “Com o governo Tancredo Neves, a revolução de 1964 não acaba. Ela se eterniza”[62].

Prestes prosseguiria cumprindo o objetivo por ele mesmo traçado desde o rompimento com o PCB de levar sua palavra a todos os brasileiros que quisessem ouvi-lo. Continuaria viajando por todo o país até o final da vida, divulgando suas ideias e levantando críticas tanto ao governo quanto ao adesismo das oposições e, em particular, dos partidos considerados de “esquerda”.

Em julho/agosto de 1985, realizou-se em Havana a Conferência sobre a Dívida Externa, convocada por Fidel Casto e para a qual Prestes foi convidado. No discurso por ele pronunciado, ao lembrar que, em 1975, na reunião dos Partidos Comunistas e Operários da América Latina e do Caribe, realizada também em Havana, já se havia chegado à conclusão de que os problemas do continente não poderiam ser solucionados enquanto perdurasse o regime capitalista, e Prestes destacava que a revolução socialista estava na ordem do dia para os povos latino-americanos. Sobre a situação no Brasil, dizia:

Se achamos que o acertado, nas atuais condições brasileiras, é lutar pela revolução socialista, ou, melhor, por aquela que abra caminho para o socialismo (antilatifundiária, anti-imperialista e antimonopolista), também sabemos que a revolução não pode se realizar quando se quer. Ela só poderá eclodir e ser vitoriosa quando existirem as condições objetivas e subjetivas para tanto indispensáveis. E tudo indica que em nosso continente se crescem cada vez mais as condições objetivas; as subjetivas ainda se retardam. Estamos longe também da indispensável organização e unidade da maioria esmagadora da classe operária, faltam-nos ainda partidos revolucionários efetivamente ligados às grandes massas trabalhadoras e populares.[63]

Prestes apresentava sua proposta para soluções parciais e viáveis no curto prazo:

Se ainda não é possível a revolução, isto não significa que fiquemos de braços cruzados. No Brasil, temos chamado os trabalhadores a lutarem por medidas de emergência, de caráter limitado ou reformista, contra a fome, a falta de trabalho, por um subsídio-desemprego, contra a inflação e a carestia do custo de vida, afirmando que é dever dos governantes tomar medidas que minorem os sofrimentos do povo.[64]

No início do governo Sarney continuava-se a discutir nos meios políticos a possibilidade de um “pacto social”, assim como a convocação da Constituinte. Prestes criticava o “pacto social”, uma “aliança do leão com a ovelha”, já se sabendo “quem vai ser comido”. Em 15 de maio de 1985, era aprovada a emenda constitucional que determinava a convocação de Assembleia Constituinte formada pelos componentes do Congresso Nacional, que se reuniria a partir de 1o de fevereiro de 1987. Prestes também criticava tal solução, declarando que a Constituinte deveria ser exclusivamente Constituinte, “separada do Congresso Nacional, sem suas funções parlamentares”. Reafirmava que a convocação da Assembleia Constituinte deveria ser precedida da remoção do “lixo fascista”: a Lei de Segurança Nacional, a Lei de Imprensa, a proibição às greves e a Lei dos Estrangeiros, entre outras. Considerava ainda que a nomeação de um grupo de pessoas para elaborar um anteprojeto de Constituição havia sido uma intervenção indébita de Sarney[65].

Tendo em vista as eleições municipais de 15 de novembro de 1985, Prestes daria especial atenção ao pleito no município do Rio de Janeiro, apoiando para a prefeitura carioca o nome de Saturnino Braga, candidato de Brizola e do PDT. Em sua Declaração, divulgada com mais de um mês de antecedência, Prestes destacava a importância do governo Brizola no estado do Rio de Janeiro, “o único no Brasil de hoje que tem realmente tentado fazer alguma coisa pelo trabalhador”. Esta era a razão, segundo Prestes, da campanha raivosa movida contra Brizola[66]. Prestes participou ativamente da campanha eleitoral, o que ficou registrado na imprensa da época, tendo reconhecidamente contribuído para a eleição de Saturnino Braga. Prestes participou também da campanha de vários candidatos comprometidos com as causas populares, no Rio de Janeiro e em outros estados.

Convidado a falar na Câmara Municipal de Duque de Caxias (RJ), Prestes aproveitaria a oportunidade para pronunciar-se sobre a Constituinte e a chamada “Nova República”, contestando a legitimidade da comissão formada para estudar a elaboração da nova Carta Magna, que considerava “elitista” por não incluir em seus quadros nenhum representante das classes populares. Prestes afirmava: “Uma Constituição feita sem a participação do povo só serve para atender aos interesses de pequenos grupos e para consolidar o poder da burguesia, dos grandes trustes internacionais, que querem continuar no comando dos destinos do país às custas do sacrifício da classe trabalhadora, esta sim a grande força responsável pelo progresso da nação”[67].

Quanto à “Nova República”, Prestes destacava que ainda não dissera a que viera, nem promovera “qualquer modificação substancial nas velhas estruturas política, social e econômica”, pois continuava em vigor “a mesma legislação fascista, criada nos 21 anos de governos dos generais”. Exemplo disso, “as ressalvas constitucionais, a Lei de Segurança Nacional e a Lei contra greves”. Persistia, portanto, “o poder militar, que tutela os três poderes do Estado”[68].

Em março de 1986, o governo Sarney editava o decreto-lei 2283[69], um “pacote” econômico cujo objetivo, segundo seus autores, seria acabar definitivamente com a inflação. Prestes imediatamente se pronunciaria, mostrando que, com tais medidas, se pretendia acabar com a inflação às custas do povo, além de “ludibriar o povo em benefício das classes dominantes”. Enquanto o PCB apoiava Sarney e a Aliança Democrática, após ter votado em Tancredo no Colégio Eleitoral[70, Prestes ressaltava “a posição firme e desassombrada” assumida por Brizola, o único governador de estado que havia ficado ao lado dos trabalhadores e do povo, desmascarando o caráter antipopular do “pacote” lançado pelo presidente Sarney. Prestes declarava: “Só os trabalhadores organizados poderão derrotar a política econômica de arrocho salarial imposta pelo governo do sr. Sarney”[71].

Durante o governo Sarney (1985-1990), Prestes, até seu falecimento[72], manteria o empenho no combate pela criação das condições para a fundação de um partido revolucionário no Brasil, objetivo a que decidira dedicar seus últimos anos de vida. Nesse sentido, dirigiu seus esforços nas direções que considerou viáveis naquele momento histórico.

Em primeiro lugar, procurou manter contato permanente com os mais diversos setores dos trabalhadores, dos movimentos populares, dos jovens, dos estudantes, dos intelectuais e dos políticos progressistas, no sentido de divulgar e debater suas posições políticas. Durante todos aqueles anos, por ocasião do Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador, Prestes divulgara um Manifesto dirigido aos trabalhadores e fazia questão de comparecer e falar nas comemorações organizadas pelos sindicatos[73]. Em 1986, mesmo tendo sido vetada sua fala pela comissão organizadora do citado evento na Quinta da Boa Vista, composta pelos dirigentes das duas centrais sindicais existentes na época (CGT e CUT)[74], Prestes conseguiu arrebatar o microfone e dirigir-se aos presentes[75]. No Manifesto divulgado na ocasião, Prestes criticava a política econômica em vigor, destacando:

Não basta congelar preços no nível a que já haviam chegado em 28 de fevereiro; é indispensável elevar os salários, a partir de um salário mínimo capaz de assegurar a cada trabalhador e sua família uma vida digna. Chegou a hora, pois, de reforçar as organizações sindicais e populares. E também de prestigiar e de apoiar a Central Única dos Trabalhadores, por ser a única central sindical que efetivamente luta contra a atual estrutura sindical, por um sindicalismo independente do Estado, do patrão e dos partidos políticos.[76]

Três anos mais tarde, Prestes denunciava, em Manifesto tornado público, que, embora a nova Constituição, promulgada em 1988, assegurasse o direito de greve aos trabalhadores, esse direito estava ameaçado pelo governo Sarney, que, em nome da sua regulamentação, solicitara ao Congresso nacional, na verdade, a sua limitação, acrescentando: “Contra uma tal ameaça, reacionária e anticonstitucional, é indispensável despertar e organizar os trabalhadores e mobilizar o movimento sindical para impedir que se consuma com essa ameaça arbitrária e anticonstitucional”[77].

Prestes procurou aproximação com os setores mais combativos do movimento sindical, participando ativamente das articulações para a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e lhe concedendo todo apoio. Naquele momento, a CUT aglutinou as lideranças do chamado novo sindicalismo, contribuindo para o combate aos “pelegos” concentrados na Central Geral dos Trabalhadores (CGT). Prestes participou de eleições sindicais, apoiando candidatos comprometidos com o novo sindicalismo, como era o caso da chapa de oposição nas eleições para a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, controlada pelos pelegos “Joaquinzão” e Luís Antônio Medeiros[78].

Quando da eleição para a direção do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, em 1988, Prestes dirigiu-se a esses trabalhadores conclamando-os a votar contra a Chapa 2, que pautava sua atuação pela orientação “oportunista de direita” do PCB. Em panfleto divulgado entre os bancários, Prestes escrevia que a direção do PCB realizava “uma política de traição à classe operária”, que negava “a luta de classes e o marxismo-leninismo, política sintetizada na afirmação insensata de que pretendem chegar ao socialismo ‘através do governo do sr. Sarney’ (como escreve a Voz da Unidade)”[79]. Embora tivesse “profundas discordâncias com a orientação aventureira do agrupamento político que tem maioria na Chapa 1”, Prestes considerava que, naquelas circunstâncias, o fundamental era derrotar a Chapa 2, pois uma eventual vitória sua, com a conquista da Direção do Sindicato dos Bancários, contribuiria para abalar a influência da CUT no município do Rio de Janeiro[80.

Em julho de 1988, o PCB realizava seu VIII Congresso e elegia Salomão Malina presidente nacional do partido, o qual teria ido, imediatamente após o encerramento do Congresso, cumprimentar o presidente José Sarney. No documento encaminhado ao Congresso pela direção do Partido, considerava-se que a “transição” estava “chegando ao fim” e estaria “encerrada com a promulgação da nova Constituição, as próximas eleições presidenciais e o novo sistema de governo”, pois o PCB apoiava o parlamentarismo. Era proposto “um novo bloco político para mais democracia e justiça social”[81]. Prestes combateria enfaticamente tais posições, negando a existência de uma suposta “transição” para a democracia. Desmascarava o reformismo do PCB, cujos dirigentes afirmavam que chegariam ao socialismo “através do presidente Sarney”[82]. Dizia que “os partidos que se chamam de comunistas [...] só são comunistas de nome, não tem mais nada de comunistas; PCB, PCdoB, MR-8, isso não tem mais nada a ver. Eles estão colocando a classe operária a reboque da burguesia, por que eles dizem que é através do governo do sr. Sarney que vai se chegar ao socialismo. Imagine [...] Sarney socialista?”[83].

Ainda em 1986, Prestes argumentava sobre os motivos por que a composição da Constituinte iria ser mais reacionária do que a de 1946: em vez “de ser convocada uma Assembleia Constituinte exclusiva, elege-se um Congresso”, em que há também o problema da representação, pois no Acre um deputado era eleito com 10 mil votos e em São Paulo seriam necessários 132 mil. Também destacava, mais uma vez, o elitismo da comissão de notáveis nomeada por Sarney para elaborar o anteprojeto de Constituição. Prestes alertava para o fato de que toda a legislação fascista continuava de pé, perguntando como era possível dizer que se tratava de uma Constituinte democrática[84].

Em 1987, ao analisar a situação brasileira, Prestes afirmava:

O Brasil está, depois de 21 anos de uma ditadura militar, com um governo civil. Chamam a isso Nova República. Mas [...] nenhum general fascista foi afastado, os assassinos que torturavam, matavam presos políticos não foram punidos. Nenhum deles. [...] A legislação fascista continua toda de pé: Lei de Segurança Nacional, lei contra as greves, lei contra os estrangeiros, tudo isso continua da mesma forma, não houve modificação. [...] A tal República Nova já nasceu velha. Porque, em vez de uma solução radical, que o povo desejava, o que tivemos foi uma conciliação geral.[85]

Prestes acrescentava que a Constituinte fora eleita “sem que nenhuma lei dos generais tivesse sido revogada”, concluindo que, em tais condições, não poderia ser “soberana e livre”. Lembrava também que se tratava da eleição mais cara na história do Brasil, pois para eleger um deputado foram necessários “bilhões de cruzeiros, ou milhares e milhares de cruzados”. Era, portanto, uma Constituinte dos grandes empresários, que haviam financiado a eleição. “A minoria, mais radical, tem homens honestos, homens sérios, [...] como Florestan Fernandes, por exemplo [...]. Mas não passam de quarenta, em uma Constituinte de 550. Então, o que eles podem fazer?”[86]

Às vésperas da promulgação da Constituição, marcada para 5 de outubro de 1988, Prestes voltava a abordar, de forma circunstanciada, sua tese do poder militar, ao escrever um artigo assinalando que “todos os que se têm manifestado para exaltar o trabalho realizado pelos senhores constituintes e, muito particularmente, eles próprios, muito significativamente silenciam a respeito do artigo 142, que se refere às Forças Armadas”. Prestes frisava que nesse artigo lhes são atribuídas “funções evidentemente incompatíveis com um regime efetivamente democrático”, explicando: Trata-se de preceito que constituiu uma das maiores ou mesmo a maior vitória dos generais na Constituinte, na qual, segundo a opinião do professor Eurico Lima Figueiredo, citado pela revista Senhor/IstoÉ, na qualidade de “conhecido especialista em assuntos militares”, o qual afirma que “Eles (os militares) ganharam (na Constituinte) todas as batalhas”.[87]

Prestes citava o artigo 142, de acordo com o qual às Forças Armadas, (“quer dizer, aos generais”) é concedida a atribuição constitucional de “garantirem [...] a lei e a ordem”. Prosseguindo em sua análise, afirmava: “Atribuição constitucional que nem ao presidente da República ou aos outros dois poderes do Estado é tão expressamente concedida”. Ressaltava, contudo, que a inclusão da afirmação de que “aquela atribuição dependerá da ‘iniciativa’ de um dos poderes de Estado” não passava de uma “reserva evidentemente apenas formal, já que será sempre fácil aos donos dos tanques e metralhadoras imporem a ‘um dos poderes do Estado’ que tome a referida iniciativa”. Prestes escrevia ainda que o artigo 142 contraria “conhecido preceito da tradição constitucional de nosso país, que sempre afirmou serem os três poderes do Estado autônomos, mas harmônicos entre si, não podendo, portanto, nenhum deles tomar qualquer iniciativa isoladamente”[88].

A seguir, Prestes tratava de não deixar dúvidas quanto à essência do artigo 142 da Constituição de 1988:

Em nome da salvaguarda da lei e da ordem pública, ou de sua “garantia”, estarão as Forças Armadas colocadas acima dos três Poderes do Estado. Com a nova Constituição, prosseguirá, assim, o predomínio das Forças Armadas na direção política da nação, podendo, constitucionalmente, tanto depor o presidente da República, como os três Poderes do Estado, como também intervir no movimento sindical, destituindo seus dirigentes, ou intervindo abertamente em qualquer movimento grevista, como vem se fazendo desde os decretos de Getulio Vargas, de 1931, ou mesmo voltando aos tempos anteriores, em que a questão social era considerada uma questão de polícia, segundo o senhor Washington Luís.[89]

Na argumentação desenvolvida por Prestes, encontra-se a explicação para o silêncio a respeito do artigo 142:

Todos os preceitos da nova Constituição, na verdade, por melhores que sejam, a nada serão reduzidos, em virtude do artigo 142, com a atribuição conquistada pelos generais de “garantir [...] a lei e a ordem”. O silêncio feito a respeito daquele artigo é explicável – trata-se de encobrir para o povo o preceito mais reacionário ou ditatorial da nova Constituição, a qual, na prática, pode a qualquer momento ser anulada ou rasgada constitucionalmente...[90

Concluindo seu artigo, Prestes escrevia: “Muito ainda precisaremos lutar [...] para nos livrarmos dessa interferência indébita e nefasta dos generais, para conquistarmos um regime efetivamente democrático”.

Na realidade, o artigo 142 da Constituição de 1988 continua vigente. Confirma-se a tese defendida por Prestes do poder militar e de sua tutela sobre a nação. Conforme é lembrado pelo diretor do Instituto de Estudos sobre a Violência do Estado (Ieve), o professor Edson Teles, “na Constituição de 1988, seu artigo 142 aponta a ingerência militar nos assuntos civis”, questionando a seguir: “Como podem os militares se submeterem aos ‘poderes constitucionais’ (Executivo, Legislativo e Judiciário) e ao mesmo tempo garanti-los?”. Teles assinala ainda que, na Constituição atual, “a relação entre militares e civis ficaram quase idênticos (sic) à Constituição outorgada de 1967”, concluindo:

Em uma democracia plena o poder não pode ser garantido por quem empunha armas, mas pelo conjunto da sociedade, por meio de eleições, da participação das entidades representativas da sociedade e dos partidos políticos. Ao instituir as Forças Armadas como garantidoras da lei e da ordem, acaba-se por estabelecê-las como um dos poderes políticos da sociedade.[91]

Na luta pela democracia no Brasil, Prestes entendia a importância dos processos eleitorais, embora continuasse a considerar que esse não deveria ser o principal meio de mobilização e organização dos trabalhadores e das massas populares. Seu apoio à eleição do governador Leonel Brizola em 1982 revelara a justeza de sua posição. Apesar das limitações do governo Brizola, sempre apontadas por Prestes, o saldo de sua política não poderia deixar de ser considerado positivo. Ao engajar-se, em 1986, no estado do Rio de Janeiro na campanha pela vitória dos candidatos majoritários do PDT[92], sob a liderança de Brizola[93], Prestes destacava:

Leonel Brizola, dos candidatos a governador eleitos em 1982, foi o único que, de fato, voltou-se para o povo e que, apesar das dificuldades financeiras causadas pelo sistema tributário do país, que limita drasticamente os orçamentos estaduais e de todos os municípios, tratou de resolver problemas que exigem medidas mais imediatas no sentido de minorar os sofrimentos do povo.[94]

Em Manifesto eleitoral, Prestes esclarecia sua posição:

Lutar [...] para assegurar a vitória, neste Estado, ao PDT, significará derrotar as forças reacionárias, não só em nível estadual como também em nível federal. Será uma derrota do projeto reacionário e antipopular do governo federal que tem, nos decretos-lei do “Plano Cruzado” o mais escandaloso exemplo de atentado aos legítimos interesses da maioria da população, já seguido do mais recente decreto-lei sobre os “empresários recuperáveis”, verdadeiro confisco que atinge amplos setores da população assalariada e das camadas médias mais pobres.[95]

Nas eleições de 1986, Prestes avaliava PDT e PT como os únicos partidos de oposição ao governo Sarney naquele momento, pois o PMDB havia se transformado em partido governista. Por essa razão, no plano nacional, Prestes emprestou seu apoio a candidatos comprometidos com os interesses populares, inscritos nas legendas seja do PDT, seja do PT. Em São Paulo, por exemplo, o sociólogo Florestan Fernandes elegeu-se deputado federal constituinte pelo PT, contando com o apoio de Prestes e de seus correligionários nesse estado[96].

Ao fazer um balanço das eleições de 1986, Prestes escrevia: Diante do resultado eleitoral, tanto no Estado do Rio de Janeiro, onde as forças coligadas em torno do governador Leonel Brizola foram derrotadas, como também no país inteiro, onde os partidários do governo federal, com o PMDB à frente, alcançaram uma ampla vitória, cabe reconhecer, sem subestimar os demais fatores que para isto contribuíram, que grandes contingentes eleitorais de nosso povo deixaram-se enganar pela demagogia do senhor Sarney.[97]

A seguir, Prestes analisava os resultados do pleito em São Paulo:

Se a maioria da população também votou sob o impacto da política demagógica do senhor Sarney, [...] é de ressaltar a vitória obtida pelo Partido dos Trabalhadores. Além da grande votação obtida por Luiz Inácio Lula da Silva – seu principal dirigente –, o PT dobrou o número de votos em relação às eleições anteriores. E seus candidatos mais votados foram precisamente os que defenderam posições mais avançadas e combativas. Tendência esta que foi confirmada pela derrota esmagadora dos partidos que se denominam comunistas, mas que, como é sabido, praticam uma política de traição à classe operária, levando-a a reboque do governo reacionário, antipopular e antinacional do senhor Sarney.[98]

Prestes assinalava que, dos quatro candidatos por ele apoiados em São Paulo, três haviam sido eleitos, incluindo o sociólogo Florestan Fernandes[99]. No que diz respeito ao estado do Rio de Janeiro, Prestes escrevia que, “em vez de uma campanha eleitoral, enfrentamos [...] uma verdadeira guerra, cientificamente preparada e que teve início muitos meses antes do próprio pleito”, explicando:

Contra o governo de Leonel Brizola uniram-se todas as forças reacionárias sob a direção aberta do governo federal e do próprio presidente da República, o qual usou ostensivamente a força e o prestígio do seu cargo contra a livre manifestação popular. Desde a pressão econômica e financeira contra o governo do estado até a proibição do uso da TV pelo governador, todos os recursos foram empregados, chegando o senhor Sarney a transformar-se em cabo eleitoral, ao enviar ao jornal O Dia uma carta em que solicitava abertamente votos para o candidato oficial.[100

Coerente com suas posições de respeito ao bem público e aos princípios de democracia e de justiça social, Prestes, em 1987, às vésperas de completar 90 anos, recusava pensão vitalícia de dez salários mínimos que lhe seria concedida pelos cofres do município do Rio de Janeiro, no governo do prefeito Saturnino Braga. Na ocasião, Prestes divulgou Declaração, em que agradecia a homenagem que lhe estava sendo prestada, afirmando não poder aceitá-la, uma vez que a “autoridade executiva do município” vinha “demitindo um número crescente de funcionários, muitos deles chefes de família, pela simples razão [...] da falta de recursos financeiros nos cofres municipais”[101].

Nas eleições municipais de 1988, Prestes também marcaria presença, concedendo apoio a candidatos comprometidos com os anseios populares e, em particular, contribuindo para o fortalecimento eleitoral do PDT e de Leonel Brizola. Em declarações à imprensa, Prestes enfatizava o fato de Brizola ser “o único político que é atacado pelos generais”, lembrando que “o povo quer uma solução pacífica para a grave crise. O povo não quer uma solução armada, o que traria fatalmente uma nova ordem militar ao país. O povo tem horror que os generais voltem novamente a dirigir a nação [...]”[102].

Na defesa de uma possível candidatura de Brizola à presidência, Prestes frisava que ele fora o único governador de estado que tivera coragem de nacionalizar duas empresas estrangeiras. Fora o homem que assegurara a posse de João Goulart com a sua “Cadeia da Legalidade” em seguida à renúncia de Jânio Quadros e à entrega por este do poder a uma junta militar. Por tudo isso, Prestes atribuía grande importância às eleições municipais de 1988, pois uma vitória do PDT nos municípios facilitaria a eleição de Brizola em 1989.

Em viagem ao México, a convite do Centro Cultural Lombardo Toledano, Prestes externaria sua opinião sobre a candidatura de Leonel Brizola:

No Brasil de hoje, não existe mais nenhum partido político de esquerda, já que os dois partidos comunistas apoiam abertamente o governo reacionário do sr. Sarney, que vai tratando de descarregar todas as dificuldades da crise nas costas dos trabalhadores. Até 1985, existiam apenas dois partidos políticos não comprometidos com o governo federal. O Partido dos Trabalhadores, dirigido pelo líder sindical Luís Inácio Lula, e o PDT (Partido Democrático Trabalhista), dirigido pelo sr. Leonel Brizola, que foi governador do Estado do Rio de Janeiro. O líder do PT, que se apresenta candidato à presidência da República, já mudou de posição e hoje defende a mesma orientação do PCB, quer dizer, luta pela conquista de um governo capitalista democrático que, segundo ele, assegurará o bem-estar para as massas populares... Por isso, hoje, as grandes massas populares voltam-se para o sr. Leonel Brizola, como a única esperança de um governo capaz de melhorar a situação das massas.[103]

Em fevereiro de 1989, Prestes lançava uma Carta contra mais um “pacote” econômico do governo Sarney, em que denunciava o fato de os banqueiros, numa só noite, terem se apoderado de mais de 5 milhões de dólares graças à desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar americano. Prestes esclarecia que “a pretexto de conter o processo inflacionário”, o “pacote” de 15 de janeiro de 1989 provocava “a recessão da economia nacional” e, com a redução dos salários, agravava ainda mais “a situação de miséria e fome em que se veem debatendo os trabalhadores, em consequência da política salarial do governo Sarney, desde que chegou ao poder, em março de 1985”[104].

Prestes assinalava que fora contra essa política e que o voto popular se pronunciara nas eleições municipais, tanto em São Paulo, com a grande votação que obtiveram os candidatos do PT – o único partido que nesse estado lutava contra a política salarial do governo –, quanto no resto do Brasil, os candidatos dos dois partidos, PT e PDT, que “participaram e participam igualmente da mesma luta”[105].

Diante da ofensiva das classes dominantes, revelada pelo “pacote” de Sarney, também chamado de “Plano Verão”, e da proposta de greve geral, que vinha sendo discutida pelo movimento sindical, Prestes considerava necessário preparar a greve “com seriedade e o mais profundo sentimento de responsabilidade, não poupando esforços para tornar cada dia mais vigorosa a organização sindical e mais estreita a unidade das fileiras sindicais”. Frisava que “através da greve geral” seria possível reunir mais corretamente “as forças do movimento operário e as grandes massas trabalhadoras”, como seria igualmente com a luta que mais facilmente se elevaria “o nível de consciência política e ideológica da classe operária”. Dizia ainda que as eleições presidenciais de 1989 seriam certamente influenciadas pela luta operária contra o “Pacote de Verão”[106].

Em junho de 1989, Prestes declarava publicamente o apoio à candidatura de Brizola às eleições diretas para a presidência da República, afirmando que se tratava da única que merecia seu apoio, por ser aquela que contava com “a confiança de parte considerável da população trabalhadora”, a qual tinha em Leonel Brizola “a única personalidade política” em que ainda depositava suas esperanças. Prestes ressaltava algumas características dessa candidatura que justificavam seu apoio:

Os trabalhadores distinguem no sr. Brizola as qualidades que mais admiram – a integridade moral de quem, embora continuamente atacado e até mesmo insultado pelos reacionários, conquanto já tenha exercido cargos como o de prefeito de Porto Alegre e de governador dos estados do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, não conseguiram chamá-lo de corrupto ou ladrão dos cofres públicos. Nos referidos cargos revelou-se também Brizola um administrador capaz, terminando por isso o seu período de governo – ao contrário do que em geral acontece – com crescente prestígio popular. É de assinalar ainda sua obra benemérita no sentido de afastar a criança da rua, com a construção de mais de trezentas escolas de tempo integral. É também admirado pela sua valentia, tendo tido a coragem de defender a Constituição Nacional e, portanto, a posse de João Goulart na presidência da República, quando da crise da renúncia de Jânio e das ameaças públicas do ministro do Exército, de mandar bombardear o Palácio Piratini. Foi, também, o único governador estadual que nacionalizou duas empresas imperialistas, a Bond and Share e a ITT.[107]

Frente à situação crítica que o país atravessava, consequência da política econômica do governo Sarney, Prestes considerava que a candidatura de Brizola era a única em torno da qual seria possível unir todos que eram contra esse governo, contra a Nova República e os generais, a todos que sofriam as consequências da carestia da vida, a todos que almejavam “por um governo capaz de enfrentar com coragem e decisão os graves problemas”[108] que afetavam as grandes massas populares.

Prestes, mais uma vez, participou de uma campanha eleitoral, viajando por todo o Brasil, levando sua palavra de “comunista revolucionário” aos trabalhadores e ao povo brasileiro. Com o resultado eleitoral de 15 de novembro de 1989, desfavorável a Brizola no primeiro turno, tendo ficado a opção para o segundo turno limitada à disputa entre Lula e Fernando Collor de Mello, Prestes tomava a decisão de apoiar o candidato do PT. Sua argumentação estava baseada na tese de evitar o mal maior:

Teremos de contribuir com nosso voto para derrotar nas urnas de 17 de dezembro, no segundo turno, a candidatura do representante das forças mais reacionárias e fascistas. Participando, portanto, desse pleito em que a maioria do eleitorado poderá eleger o candidato que, por falta de outra alternativa, passou a encarnar as forças progressistas e democráticas de nosso país – o sr. Luís Inácio Lula da Silva.[109]

A seguir, Prestes explicava que, “muito embora sempre tenhamos feito restrições à candidatura do sr. Lula”, diante do fato concreto que nos é colocado e, principalmente, visando combater as vacilações dos “democratas e progressistas que tendem a negar-se a votar no candidato sr. Luís Inácio Lula da Silva”, formulava seu apelo a favor do voto em Lula, “a fim de conseguirmos derrotar o candidato das forças reacionárias e do fascismo – o candidato que conta com o apoio aberto, político e monetário, dos monopólios internacionais, dos latifundiários, dos militares golpistas e ainda do Sistema Globo de Televisão”.

Prestes novamente participaria ativamente da campanha pela eleição de Lula, cujo desfecho, como é sabido, foi a derrota no pleito de 17 de dezembro. A 7 de março de 1990, poucos dias antes de Fernando Collor de Mello assumir a presidência da República, Prestes falecia no Rio de Janeiro.

Passados mais de vinte anos do desaparecimento de Luiz Carlos Prestes, a desigualdade social no Brasil não diminuiu, apesar dos avanços ocorridos, o que é confirmado pelos dados oficiais, ao apontarem a crescente concentração da renda nacional e o imenso desnível dos indicadores relativos à educação, à saúde e a outros aspectos da vida da população brasileira, se comparados com os dos países desenvolvidos. O Brasil de hoje, pela situação do seu povo, pouco difere daquele em que Prestes viveu e pelo qual lutou.

Continua também a tutela do “poder militar” sobre a nação, o que se evidencia hoje com a existência de documento produzido pelo Estado Maior do Exército, intitulado “Manual de Campanha – Contrainteligência”. Segundo CartaCapital[110, trata-se de um conjunto de normas e orientações que reúne “todas as paranoias de segurança herdadas da Guerra Fria”, a começar pela prática dos generais de “espionar a vida dos cidadãos comuns”. O manual lista “como potenciais inimigos” praticamente “toda a população não fardada do país e os estrangeiros”, incluindo “movimentos sociais, ONGs e os demais órgãos governamentais”, de “cunho ideológico ou não”.

Da mesma maneira a tutela do “poder militar’ é revelada pelo fato de a Comissão da Verdade, aprovada na Câmara e sancionada pela presidenta da República, não passar de uma Comissão “para inglês ver”, ou seja, para dar uma satisfação à opinião pública mundial, expressa através das exigências apresentadas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Como disse a então deputada Luiza Erundina, “o objetivo expresso do texto do projeto é resgatar a memória para ver a verdade histórica e fazer a reconciliação nacional. Sem tocar em justiça. É incrível, pois todos os países que sofreram ditaduras tiveram comissões da verdade com perspectiva de fazer justiça: Argentina, Uruguai, África, Alemanha”[111]. Na realidade, o “poder militar” continua impedindo a apuração dos crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura e, principalmente, a punição dos torturadores.

Como Prestes sempre destacava, tal situação só poderá ser modificada com a mobilização e a organização dos setores populares.







[1] Luiz Carlos Prestes, Carta aos comunistas (São Paulo, Alfa-Ômega, 1980).

[2] Jornal clandestino editado pelos “comunistas que se alinhavam com as posições revolucionárias de L. C. Prestes”, publicado de 1980 a 1983.

[3] “Regime tira a máscara e mostra seu caráter fascista”, Voz Operária, n. 175, dez. 1981, p. 1-2, 11.

[4] Idem; grifos meus.

[5] Florestan Fernandes, Poder e contrapoder na América Latina (Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1981), p. 31-2.

[6] Luiz Carlos Prestes, “Carta a Aloyzio Neiva Filho”, Rio de Janeiro, 7 maio 1984, arquivo particular da autora; grifos do original.

[7] Idem, Proposta para discussão de um programa de soluções de emergência contra a fome, a carestia e o desemprego: por ocasião do 60o aniversário de fundação do PCB, mar. 1982, folheto impresso, 12 p.; e Voz Operária, n. 178, mar. 1982, p. 1-11. Ver ainda Edgard Carone, O PCB (1964 a 1982), v. 3 (São Paulo, Difel, 1982), p. 339-52.

[8] Luiz Carlos Prestes, Proposta para discussão de um programa, cit.

[9] Voz Operária, n. 176, jan. 1982, p. 9.

[10 Com a reorganização partidária promovida no governo Figueiredo, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) transformou-se no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e a Aliança Renovadora Nacional (Arena), no Partido Democrático Social (PDS).

[11] Corrente liderada por Chagas Freitas, que atuava como “cavalo de Troia” da ditadura no PMDB do Rio de Janeiro.

[12] Voz Operária, n. 180, maio 1982, p. 1-4.

[13] Idem.

[14] Ibidem, n. 182, jul. 1982, p. 1-3.

[15] A “Lei Falcão” proibia a propaganda eleitoral paga e eliminava a propaganda gratuita, substituindo-a pela ridícula exibição de retratinhos com os respectivos nome e número dos candidatos.

[16] Voz Operária, n. 184, set. 1982, p. 1-2; cf. noticiário da imprensa nacional de junho a novembro de 1982.

[17] Luiz Carlos Prestes, Declaração, 21 out. 1982, boletim impresso original, arquivo particular da autora, 4 p.; Voz Operária, n. 185, out. 1982, p. 1-2; Folha de S.Paulo, 22 out. 1982.

[18] Idem.

[19] Idem.

[20 Cf. as edições de Tribuna da Imprensa, Última Hora, Jornal do Brasil e Folha de S.Paulo do dia 28 out. 1982.

[21] Arquivo particular da autora.

[22] “O momento político e as eleições vistos por Luiz Carlos Prestes”, Tribuna da Imprensa, 30 nov. 1982; Voz Operária, n. 186, nov. 1982, p. 4-7.

[23] Idem.

[24] Idem.

[25] Idem.

[26] Folha de S.Paulo, 14 dez. 1982; Jornal do Brasil, 14 dez. 1982.

[27] Relatório Reservado, n. 839, citado em Voz Operária, n. 187, dez. 1982-jan. 1983, p. 8.

[28] Voz Operária, n. 187, dez. 1982-jan. 1983, p. 8.; Tribuna da Imprensa, 19 e 20 fev. 1983.

[29] Luiz Carlos Prestes, “Carta a Aloyzio Neiva Filho”, Rio de Janeiro, 16 jan. 1983, arquivo particular da autora; grifos meus.

[30 Ver as edições de Jornal do Brasil, Jornal do Comércio, Tribuna da Imprensa e Última Hora do dia 5 mar. 1983.

[31] Ver as edições de Tribuna da Bahia e A Tarde do dia 16 abr. 1983 e as de Jornal da Bahia de 16 e 17 abr. 1983.

[32] Jornal da Bahia, 17 abr. 1983; grifos meus.

[33] Luiz Carlos Prestes, Intervenção na Conferencia Continental por la Paz y la Soberania en Centroamérica y Caribe, Manágua (Nicarágua), 22 abr. 1983, documento datilografado, 4 p., arquivo particular da autora.

[34] Idem; grifos meus.

[35] Idem, entrevista concedida à Cristina Serra, Resistência, Belém do Pará, n. 56, 1o-15 jun. 1983, p. 6; grifos meus.

[36] Idem, “Mensagem aos meus amigos de Ribeirão Preto”, Rio de Janeiro, 19 set. 1983, documento datilografado, 2 p., arquivo particular da autora.

[37] Idem, entrevista concedida a Maria Carolina Falcone, Tribuna da Imprensa, 23 nov. 1983.

[38] Luiz Carlos Prestes, “Mensagem aos meus amigos de Ribeirão Preto”, cit.

[39] Folha de S.Paulo, 8 dez. 1983.

[40 “Uma alternativa democrática para a crise”, Jornal do Brasil, 12 fev. 1984.

[41] Ibidem, p. 7.

[42] Folha de S.Paulo, 11 fev. 1984; Jornal do Brasil, 12 fev. 1984.

[43] Os “renovadores”, afastados do PCB desde setembro de 1983, criticaram publicamente as decisões do VII Congresso; cf. “Entrevista de A. Guedes”, A Esquerda, 1o-15 mar. 1984.

[44] Trata-se de Giocondo Dias.

[45] O título do artigo de Giocondo Dias era “Negociar é preciso, mudar é preciso”, Folha de S.Paulo, 16 jul. 1983, p. 3.

[46] Luiz Carlos Prestes, “Carta a Aloyzio Neiva Filho”, Rio de Janeiro, 21 jan. 1984, arquivo particular da autora.

[47] Diário do Povo, Campinas, 10 mar. 1984.

[48] Ver as edições de O Globo, Última Hora, Jornal do Comércio, Jornal do Brasil, Tribuna da Imprensa, e Folha de S.Paulo do dia 22 mar. 1984.

[49] Tribuna da Imprensa, 10 abr. 1984; O Estado de S. Paulo, 11 abr. 1984.

[50 Correio do Povo, Porto Alegre, 14 abr. 1984.

[51] Emenda à Constituição que decretava a adoção de eleições diretas para a presidência da República, que acabou sendo derrotada no Congresso Nacional em 25 abr. 1984.

[52] Pasquim, 26 abr. a 2 maio 1984; grifos do original.

[53] Cf. Alzira Alves de Abreu, Israel Beloch et al. (orgs.), Dicionário histórico-biográfico brasileiro pós-1930 (Rio de Janeiro, Fundação Getulio Vargas, 2001), 5 v.

[54] Luiz Carlos Prestes, Luiz Carlos Prestes ao povo. Contra a conciliação com a ditadura! Diretas já!, manuscrito original, 23 jul. 1984, 1 folha; folheto impresso, 23 jul. 1984, 4 p., arquivo particular da autora.

[55] Luiz Carlos Prestes, “Declarações em Belo Horizonte”, Jornal do Brasil; Folha de S.Paulo, 14 nov. 1984.

[56] Ver as edições de Jornal do Brasil, Última Hora, Tribuna da Imprensa e Jornal do Comércio de 17 jan. 1985.

[57] Ver as edições de Jornal do Brasil, Jornal do Comércio, Última Hora, Tribuna da Imprensa de 18 jan. 1985.

[58] Luiz Carlos Prestes, Manifesto, 1o maio 1985, panfleto impresso, arquivo particular da autora.

[59] Ver as edições de Jornal do Brasil, Última Hora e Tribuna da Imprensa, 2 maio 1985.

[60 Naquele momento cogitava-se nos meios políticos realizar as Diretas em 1988; como é sabido, aconteceram somente em 1989.

[61] Luiz Carlos Prestes, entrevista a Lenira Alcure, Fatos, 27 maio 1985.

[62] Idem.

[63] Idem, Discurso na Conferência sobre a Dívida Externa, Havana, 3 ago. 1985, documento datilografado, 6 p., arquivo particular da autora; PRESTES – Dívida externa, folheto impresso, arquivo particular da autora.

[64] Idem; grifos meus.

[65] O Estado, Florianópolis, 4 e 5 set. 1985; Jornal de Santa Catarina, 4 set. 1985.

[66] Luiz Carlos Prestes, Declaração, 10 out. 1985, volante impresso, 2 p., arquivo particular da autora; ver ainda as edições de Jornal do Brasil, Última Hora, Tribuna da Imprensa e Folha de S.Paulo, 12 out. 1985.

[67] Jornal de Hoje, Duque de Caxias, 18 jan. 1985.

[68] Idem.

[69] Juntamente com outros decretos editados naquele período, ficou conhecido como “Plano Cruzado”.

[70 Folha de S.Paulo, 10 fev. 1986.

[71] Luiz Carlos Prestes, Contra a fome, a carestia e o desemprego, Rio de Janeiro, 15 mar. 1986, panfleto impresso, 1 p., arquivo particular da autora; ver também as edições de Jornal do Brasil, Jornal do Comércio e Gazeta de Notícias, 16 mar. 1986.

[72] Prestes faleceu no Rio de Janeiro, a 7 mar. 1990.

[73] Luiz Carlos Prestes, Manifesto – Centenário do 1o de Maio, Dia de Luta!, Rio de Janeiro, 1o maio 1986, volante impresso, 1 p.; Manifesto – 1o de Maio, Dia de Luta!, 1o maio 1987, volante impresso, 1 p.; [1886-1988 – 1o de Maio, Dia de Luta!, 1o maio 1988, volante impresso, 1 p.; [1o de Maio, Dia de Luta!, Rio de Janeiro, 1o maio 1989, volante impresso, 1 p., arquivo particular da autora.

[74] Embora Prestes, naquele momento, apoiasse a CUT, a direção da central cedeu à exigência da CGT de vetar sua fala no ato público.

[75] Ver as edições de Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo e Última Hora de 2 maio 1986.

[76] Luiz Carlos Prestes, Manifesto – Centenário do 1o de Maio, Dia de Luta!, cit.

[77] Idem, [1o de Maio, Dia de Luta!, cit.

[78] Jornal do Brasil, 7 jul. 1987.

[79] Cf. Folha de S.Paulo, 10 fev. 1986.

[80 Luiz Carlos Prestes, Aos companheiros bancários, meus amigos e correligionários, Rio de Janeiro, 13 abr. 1988, volante impresso, 1 p., arquivo particular da autora.

[81] Cf. Jornal do Brasil, 21 jul. 1987, 12 mar. 1988 e 26 jul. 1988.

[82] Folha de S.Paulo e O Globo, 3 jan. 1988.

[83] Luiz Carlos Prestes, “Entrevista”, Tribuna de Minas, 7 jun. 1987.

[84] Idem,“Entrevista”, Jornal do Comércio, 9 jun. 1986; “Entrevista”, Folha Macaense, Macaé, 11 abr. 1986; “Entrevista”, Folha de S.Paulo, 4 maio 1986, p. 14; A Gazeta, Vitória, 16 abr. 1986”; e “Entrevista na rádio Roquete Pinto”, Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, 8 set. 1986.

[85] Idem, “Entrevista”, Tribuna de Minas, 7 jun. 1987.

[86] Idem, “Entrevista”, Tribuna de Minas, 9 jun. 1987.

[87] Idem, “Um ‘poder’ acima dos outros”, Tribuna da Imprensa, 28 set. 1988.

[88] Idem.

[89] Idem; grifos meus.

[90 Idem.

[91] Edson Teles, “Restos da ditadura: por que as Forças Armadas de hoje temem a punição dos torturadores de ontem”, O Globo, 30 jan. 2010, p. 5.

[92] Os candidatos eram Darcy Ribeiro para governador, Cibilis Vianna para vice-governador e Marcelo Alencar e Doutel de Andrade para senadores. Antes, Prestes lançara, também pelo PDT, as candidaturas de dois companheiros seus: Bolivar Meirelles para deputado federal e Accacio Caldeira para deputado estadual; cf. Luiz Carlos Prestes, Prestes indica e apoia Bolivar Meirelles e Accacio Caldeira , Rio de Janeiro, 5 jun. 1986, panfleto impresso, 2 p., arquivo particular da autora.

[93] Tribuna da Imprensa, 23 e 24 ago. 1986.

[94] Luiz Carlos Prestes, Prestes indica e apoia [seguem os nomes de todos os candidatos], Rio de Janeiro, 1o set. 1986, panfleto impresso, 2 p., arquivo particular da autora; Jornal do Brasil, 26 out. 1986.

[95] Idem.

[96] Luiz Carlos Prestes, Por que votar em Florestan Fernandes (PT), Rio de Janeiro, 17 set. 1986, panfleto impresso, 2 p., arquivo particular da autora.

[97] Idem, Ao povo fluminense! Aos meus companheiros e amigos!, Rio de Janeiro, 9 dez. 1986, panfleto impresso, 2 p., arquivo particular da autora.

[98] Idem.

[99] Os outros dois foram Eduardo Jorge e Roberto Gouveia.

[100 Luiz Carlos Prestes, Ao povo fluminense!, cit..

[101] Idem, Declaração, Rio de Janeiro, 14 jun. 1987, fotocópia de documento datilografado, 1 p., arquivo particular da autora; Tribuna da Imprensa, Última Hora e O Dia, 17 jun. 1987.

[102] Idem, “Entrevista”, Correio Brasiliense, 30 out. 1988.

[103] Idem, Discurso no Centro Cultural Lombardo Toledano, Cidade do México, 8 set. 1998, fotocópia de manuscrito, 12 p., arquivo particular da autora; grifos meus.

[104] Idem, Carta aos meus amigos e companheiros – Contra o terceiro “pacote” do governo Sarney, fev. 1989, fotocópia de documento datilografado, 4 p., arquivo particular da autora.

[105] Idem.

[106] Idem

[107] Idem, A meus amigos e companheiros! Ao povo brasileiro!, Rio de Janeiro, 10 jun. 1989, panfleto impresso, 2 p., arquivo particular da autora.

[108] Idem.

[109] Idem, Apelo a meus amigos, companheiros e ao povo brasileiro!, Rio de Janeiro, 23 nov. 1989, panfleto impresso, 1 p., arquivo particular da autora.

[110 CartaCapital, n. 668, 19 out. 2011.

[111] Idem.




No fim do post ainda vou colocar o livro do Fernando sobre a Olga, o filme da Globo que conta a história dela, um documentário da tv senado sobre a atuação do Prestes no senado, tem muita coisa ainda para ser lido e visto... Mas agora vou concluir o raciocínio do post:

Luiz Carlos Prestes, o mais autêntico comunista, afirma: Lula não é comunista. Falta muito estudo a ele para conseguir esse título (o mesmo valia para o Brizola)

Luiz Carlos Prestes não quis em vida matar 100 milhões de pessoas e nem comer criancinhas... (teve 10 delas fora os netos e quando pode ser afetuoso foi)

Luiz Carlos Prestes queria que o Estado tivesse como prioridade dar a sua população educação e saúde (incluindo aí a proteção contra a fome). Luiz Carlos Prestes queria um modelo cubano para o Brasil somente no que tange a atuação do governo na saúde e a educação pública. E não a ditadura e a censura de imprensa. Quem tinha ditadura e censura à imprensa era o Brasil entre 64  e 85 (com níveis diferentes de censura e ditadura durante esse período)

Luiz Carlos Prestes se aliou a um grande adversário político que deportou sua primeira esposa para o governo alemão sabendo que lá ela seria morta como foi. Ele fez tal aliança pois tinha convicção que seu drama pessoal é menor que os interesses da humanidade da época que era se aliar contra o fascismo estrangeiro.

Luiz Carlos Prestes ainda em vida sabia que não poderia alcançar um comunismo com um golpe do dia para noite: a solução mais democrática é caminhar por um capitalismo socialistas, com melhores salários, direto a greve quando a situação de trabalho for degradante... Pequenas conquistas para ir diminuindo a pirâmide da diferença social... O comunismo é uma conquista final desse processo.

Do capitalismo, Luiz Carlos Prestes criticava não o seu liberalismo, mas a sua tendência de acumulação de capital sempre para cada vez menos pessoas e a proliferação da miséria para cada vez mais pessoas. Ele passou anos rodando 25.000kms pelo Brasil por 13 estados diferentes e viu um povo capacitado, com mérito, com toda as potencialidades do ser humanos, todos na absoluta miséria. Essa situação da década de 20 permaneceu por quase um século, incluindo aí os 21 anos de ditadura militar. Pequenas mudanças só ocorreram a partir de 2002, com o aumento do salário mínimo e política de proteção social... Essa melhorias são insuficientes: só resolveu o problema da fome... Falta a educação e a saúde pública como almejava Prestes.

Luiz Carlos Prestes sabia que para o estado conseguir os objetivos de prover educação e saúde para sua população, o Estado não pode agir a interesses de outros países, não poderia funcionar como uma colônia enviando capitais recebidos de seus impostos para os impérios estrangeiros no mais autêntico imperialismo/colonialismo moderno. Essa situação até hoje não foi resolvida. Ele sabia que para conseguir esse objetivo os monopólios e os oligopólios deveriam ser combatidos. Essa situação até hoje não foi resolvida.


 E o mais importante: na ditadura Militar foram perseguidos, presos, expulsos do país ou torturados e mortos, quaisquer pessoas que pensava dessa forma, ou que se suspeitasse que pensava dessa forma, ou não pensava assim mas já tinha dado uns beijos em alguém que pensasse assim...






Luiz Carlos Prestes, defensor do ideal comunista, colocou suas convicções acima das questões pessoais em busca de uma sociedade mais igual. Nas vozes de filhos, da viúva, de historiadores e do próprio Prestes, este documentário da TV Senado revela a vida de privações e de tormentos do político, em prol de mais comida, educação e qualidade de vida para os brasileiros. (2014. Dir.: Maria Maia).
Publicado pela primeira vez na internet em 30/04/2014


Filme Olga



(
O filme completo foi retirado do Youtube... Está aqui Abelhas.pt:
http://abelhas.pt/jmfigueiredoster/CINEMA/CINEMA+DO+BRASIL/Olga+(2004)
)




Luiz Carlos Prestes (Porto Alegre, 3/1/1898 - Rio de Janeiro, 7/3/1990) foi um militar, líder político e revolucionário brasileiro. Filho de Antonio Pereira Prestes, capitão do exército, e de Leocádia Felizardo Prestes, professora primária. Com o pai morto durante sua infância, Prestes recebeu influência marcante da educação da mãe na composição de sua personalidade. Levou vida pobre, sendo educado em casa pela mãe, depois entrando para o Colégio Militar em 1909. Concluídos os estudos neste, segue na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, atual Academia Militar das Agulhas Negras, contribuindo com o sustento da família com o seu soldo. Aluno brilhante, chegaria à patente de segundo-tenente.
Ao tomar conhecimento das "cartas falsas" atribuídas a Artur Bernardes, começa a envolver-se em questões políticas, dedicando-se ao combate ao futuro presidente que estava sendo programado pelos militares. Já como capitão, lidera o foco da primeira revolta tenentista na região das Missões, em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Suas metas eram o combate à oligarquia, estabelecimento do voto secreto, e convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.
Ao unir-se a um contingente paulista de militares revoltosos em Foz do Iguaçu, rompendo as linhas de defesa do governo, Prestes passa a liderar tal grupo que como outros de militares revoltosos, entre eles Miguel Costa, resolvem fazer oposição armada ao governo. O grupo formado no Paraná logo seria batizado de Coluna Miguel Costa-Prestes (popularmente Coluna Prestes), que ao longo de dois anos e cinco meses percorreu, com 1500 homens cerca de 25000 km no interior do país, passando por (na época) 13 estados brasileiros. Desgastados, os remanescentes da Coluna Prestes iriam buscar asilo na vizinha Bolívia. Deslocando-se à Argentina, é neste país, ao dedicar-se a leituras das mais diversas, é que surgirá no militar Prestes a convicção da eficácia das ideias marxista-leninistas.
Em 1931 já é comunista convicto, viajando para a União Soviética, retornando ao Brasil em 1934 com a esposa, Olga Benário, judia alemã, membro do partido comunista alemão. Os dois, sob o comando da facção Aliança Nacional Libertadora, ligada ao Partido Comunista Brasileiro, comandaria o fracassado golpe de 1935 conhecido como "Intentona Comunista", que visava derrubar o governo de Getúlio Vargas. Prestes foi preso, sendo que sua mulher, grávida, foi deportada e entregue à Guestapo (a polícia política da Alemanha nazista), morrendo em 1942 em um campo de concentração.
Solto em meio ao processo de redemocratização, o "Cavaleiro da Esperança" elege-se senador pelo PCB em 1945, para logo ver a cassação do registro de seu partido sob a administração Dutra, em 1947. Além disso, decretou-se sua prisão preventiva, o que o forçou a entrar para a clandestinidade. Sua prisão seria revogada em 1958 pelo presidente Kubitschek, mas, com o Golpe Militar de 1964, novamente torna-se um clandestino. Deixa o Brasil novamente rumo à União Soviética em 1971, voltando com a anistia decretada em 1979, sendo que a partir daí, passa a se distanciar do PCB, deixando a secretaria-geral do partido em 1983, cargo que ocupou por décadas. Crendo que o PCB desviara-se do ideal marxista, seu novo partido será o PDT, legenda sob a qual pedirá votos a Brizola e a Lula nas eleições de 1989.
Bibliografia:
CHAVES, Lázaro . Luis Carlos Prestes . Disponível em: http://www.culturabrasil.org/prestes.htm Acesso em: 12 jul. 2011.
Luis Carlos Prestes . Disponível em: http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_899.html Acesso em: 12 jul. 2011.
Luis Carlos Prestes . Disponível em: http://educacao.uol.com.br/biografias/luis-carlos-prestes.jhtm Acesso em: 12 jul. 2011.



                   
       
Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância ímpar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, propina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o Banestado,  o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...




A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?


Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

10 anos de Zeitgeist o documentário mais polêmico do 3° Milênio. (Projeto Vênus) 
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O Oswaldinho está morando nos Estados Unidos, deve ser vizinho do Pateta!

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O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*

As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.

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Democratizando a mídia:

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Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!



Questões de opinião:

Eduardo Cunha - Como o Brasil chegou a esse ponto?



Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

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CPI da Previdência


CPI da PBH Ativos


Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.

Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.

Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.

Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países? 

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Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos

Acompanhando o Caso HSBC VIII - Explicações do presidente do banco HSBC no Brasil

Acompanhando o Caso HSBC IX  - A CPI sangra de morte e está agonizando...

Acompanhando o Caso HSBC X - Hervé Falciani desnuda "Modus-Operandis" da Lavagem de dinheiro da corrupção.


Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!

Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.

Acompanhando a Operação Zelotes IV (CPI do CARF) - Apresentação da Polícia Federal, Explicação do Presidente do CARF e a denuncia do Ministério Público.

Acompanhando a Operação Zelotes V (CPI do CARF) - Vamos inverter a lógica das investigações?

Acompanhando a Operação Zelotes VI (CPI do CARF) - Silêncio, erro da polícia e acusado inocente depõe na 5ª reunião da CPI do CARF.

Acompanhando a Operação Zelotes VII (CPI do CARF) - Vamos começar a comparar as reportagens das revistas com as investigações...

Acompanhando a Operação Zelotes VIII (CPI do CARF) - Tem futebol no CARF também!...

Acompanhando a Operação Zelotes IX (CPI do CARF): R$1,4 Trilhões + R$0,6 Trilhões = R$2,0Trilhões. Sabe do que eu estou falando?

Acompanhando a Operação Zelotes X (CPI do CARF): No meio do silêncio, dois tucanos batem bico...

Acompanhando a Operação Zelotes XII (CPI do CARF): Nem tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser...

Acompanhando a Operação Zelotes XIII (CPI do CARF): APS fica calado. Meigan Sack fala um pouquinho. O Estadão está um passo a frente da comissão? 

Acompanhando a Operação Zelotes XIV (CPI do CARF): Para de tumultuar, Estadão!

Acompanhando a Operação Zelotes XV (CPI do CARF): Juliano? Que Juliano que é esse? E esse Tio?

Acompanhando a Operação Zelotes XVI (CPI do CARF): Senhoras e senhores, Que comece o espetáculo!! ("Operação filhos de Odin")

Acompanhando a Operação Zelotes XVII (CPI do CARF): Trechos interessantes dos documentos sigilosos e vazados.

Acompanhando a Operação Zelotes XVIII (CPI do CARF): Esboço do relatório final - Ainda terão mais sugestões...

Acompanhando a Operação Zelotes XIX (CPI do CARF II): Melancólico fim da CPI do CARF. Início da CPI do CARF II

Acompanhando a Operação Zelotes XX (CPI do CARF II):Vamos poupar nossos empregos 


Sobre CBF/Globo/Corrupção no futebol/Acompanhando a CPI do Futebol:

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K

A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!

Revolução no futebol brasileiro? O Fim da era Ricardo Teixeira. 

Videos com e sobre José Maria Marin - Caso José Maria MarinX Romário X Juca Kfouri (conta anonima do Justic Just ) 

Do apagão do futebol ao apagão da política: o Sistema é o mesmo


Acompanhando a CPI do Futebol - Será lúdico... mas espero que seja sério...

Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!

Acompanhando a CPI do Futebol III - Está escancarado: É tudo um assunto só!

Acompanhando a CPI do Futebol IV - Proposta do nobre senador: Que tal ficarmos só no futebol e esquecermos esse negócio de lavagem de dinheiro?!

Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!

Acompanhando a CPI do Futebol VIII - Eurico Miranda declara: "A modernização e a profissionalização é algo terrível"!

Acompanhando a CPI do Futebol IX - Os presidentes de federações fazem sua defesa em meio ao nascimento da Liga...

Acompanhando a CPI do Futebol X - A primeira Liga começa hoje... um natimorto...

Acompanhando a CPI do Futebol XI - Os Panamá Papers - Os dribles do Romário - CPI II na Câmara. Vai que dá Zebra...

Acompanhando a CPI do Futebol XII - Uma visão liberal sobre a CBF!

Acompanhando a CPI do Futebol XIII - O J. Awilla está doido! (Santa inocência!)

Acompanhando a CPI do Futebol XIV - Mais sobre nosso legislativo do que nosso futebol



Acompanhando o Governo Michel Temer

Acompanhando o Governo Michel Temer I