Magazine Luiza

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa? (Golpe militar de 64 e Ditadura Militar)

Continuando a série: "É tudo um assunto só" (Comunidade no Google+ ), eu iria escrever sobre o Golpe de 64 e a ditadura militar... A vontade de falar sobre o assunto vem de alguns(poucos) pedidos de intervenção militar nas manifestações e panelaços atuais...

Mas são 21 anos de ditadura, mais acontecimentos anteriores que explicam o golpe, mais conseqüências sobre nossa redemocratização, o post começou a ficar muito extenso e incompleto... Então vou dividir para conquistar... farei 4 ou 5 post e no final um sobre o Golpe e a Ditadura que farão referencia a esses primeiros...

Vou começar com esse documentário Dossiê Jango por duas razões (A mesma estratégia do filme "Cidade de Deus"): Porque não é melhor começar do começo, é melhor começar do auge! O  João Goulart foi o auge do movimento que agiu antes e assumiu após o golpe. E por causa das similaridades daquele período com nossa atual realidade! É impressionante!!... Portanto é um bom incentivo! Não se enganem! Estou falando do nosso tempo atual!



João Goulart havia sido eleito democraticamente presidente do Brasil, mas foi expulso do cargo após o golpe de Estado de 1 de abril de 1964. Depois do fato, o ex-presidente se refugiou na Argentina, onde morreu em 1976, quando estava planejando voltar ao Brasil. Imediatamente após a morte de João, ele foi enterrado, assim deixando as circunstâncias de sua morte no país vizinho sem muitas explicações até atualmente. Hoje em dia, acredita-se que foi um assassinato premeditado. Dossiê Jango traz o assunto de volta à tona e tenta esclarecer publicamente alguns fatos obscuros da história do Brasil.




Você viu a quantidade de similaridades com os nossos fatos atuais?! Não?!
Então vamos participar de um debate recente sobre o filme:

Após a exibição de Dossiê Jango, o crítico Pablo Villaça (http://www.twitter.com/pablovillaca) discute o filme e a situação política contemporânea no país durante evento promovido em Belo Horizonte pelo Café com Cinema, organizado pelo ator e produtor Léo Quintão.


Ele começa com a piada de humor negro: Querem intervenção militar?! Vão ser professores no Paraná...

O Pablo diz que só cego diria que o PT não é um partido corrupto. E é taxado de Petista!
O Pablo se diz socialista: E é taxado de comunista!

Mas o melhor é quando ele compara a mídia da época e a nossa atual, as estratégias de diminuir a popularidade do Jango da época e a atual... Os xingamentos da época e as atuais...
"Nem se atualizaram"!
"O Jango é Comunista!"
Que absurdo! O Jango era latifundiário! Seria o primeiro latifundiário comunista da história!
Na reforma agraria seria dado a propriedade para os agricultores: Toma, a posse da terra é sua! Que comunismo é esse?!

O Jango na década de 60 foi para a China fazer negócios... Coisa que o resto do mundo só foi enxergar décadas depois... Imagina se fizéssemos as reformas de base e modificássemos nossa política externa naquela época como estaríamos hoje?

E os protestos com a camisa da seleção nacional? E quem participou da ditadura hoje é assessor do candidato à presidente dos EUA derrotado pelo Obama.

Coisa bem atual!

É um debate... Podem contra-argumentar...

Esse documentário de 2012 utiliza imagens e alguns fatos desse outro produzido em 1986, narrado por José Wilker:


E lança suspeita sobre culpa a da morte de Jango à Operação Condor, que é mostrado nesse outro documentário:

"Uma operação chamada Condor" mostra as feridas deixadas por alguns órfãos da operação. Não entra em sua organização ou planejamento, só mostram suas consequências:

Condor foi o nome dado à sinistra "Operação Condor", conexão entre as ditaduras do cone sul nos anos 70 entre governos militares sul-americanos e com o apoio da CIA, que culminou com a morte de cerca de 30 mil pessoas nos anos 70. Outros 400 mil foram presos e 4 milhões exilados. Roberto Mader conta essa história através de depoimentos emocionantes e surpreendentes de generais e ativistas políticos, torturadores, vítimas e parentes dos desaparecidos. Condor foi filmado em quatro países e traz um material de arquivo, acompanhado de belas composições de Victor Biglione. Vencedor dos prêmios de Melhor Documentário no Festival do Rio e Prêmio Especial do Júri em Gramado em 2007.




Mas aí mais um detalhe da atualidade dos fatos...
Sabe esse jornalista americano que aparece no documentário? O nome dele é John Dinges.
Ele que fala que hoje ainda os Estados Unidos ainda agem nos mesmo moldes da época...
Essa reportagem/entrevista é de 2014!!


EUA operam hoje nos moldes da Operação Condor, diz jornalista norte-americano

A afirmação é do jornalista investigativo John Dinges, uma referência internacional sobre as atividades da Operação Condor na América Latina. @DarioPignotti


Arquivo

O jornalista investigativo John Dinges, uma referência internacional sobre a Operação Condor, assunto sobre o qual escreveu para o Washington Post e para a revista Time, afirma que, após os atentados de 11 de setembro, as operações clandestinas ordenadas ou consentidas pelos presidentes George Walker Bush e por Barack Obama repetiram o mesmo formato do terrorismo de Estado exercido na década de 1970 pelo grupo do qual Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia faziam parte.
 “Quando leio as notícias sobre sequestros de suspeitos em qualquer lugar do mundo que são levados a centros de detenção clandestinos no Egito, na Polônia ou em algum país da Ásia, onde são torturados por especialistas que chegam dos Estados Unidos, parece que estou vendo a Operação Condor outra vez em uma escala maior, com mais recursos do que há 40 anos”, compara Dinges durante uma entrevista exclusiva concedida à Carta Maior.
Em 1975, o chefe da polícia secreta chilena, Manuel Contreras, voltando de uma viagem aos Estados Unidos, coordenou a primeira reunião da Condor em Santiago de Chile, onde participaram dois enviados brasileiros com aval do ditador Ernesto Geisel e do então chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações), João Baptista Figueireido (ver abaixo: Reprodução/documento disponível no Centro de Documentação e Arquivo para os Direitos Humanos - Paraguai)
“A ideia que o Contreras tinha era criar uma Interpol contra as organizações guerrilheiras, contando com o mesmo tipo de coordenação usadas pelas policias para atuar rapidamente. Isto supunha sequestrar, torturar e, se fosse o caso, matar, mas com uma diferença em relação à Interpol: tudo feito sem ordem judicial e fora do Estado de Direito e contra o Estado de Direito. Ao fim e ao cabo, é o mesmo que está acontecendo atualmente com as operações secretas na Guerra ao Terror, que viola o Estado de Direito nos países onde opera. Quando leio notícias de como a NSA (Agência Nacional de Segurança) interceptava comunicações da presidenta Dilma Rousseff, isto repete a maneira de operar nos anos da Condor, quando a CIA entregava aparelhos de Télex e uma rede de rádios FM aos agentes dos países sul-americanos e assim podia espiar seus próprios sócios.
Sempre aqueles que dominam tecnologicamente as comunicações jogam com vantagem. Isso acontecia nos anos 70 e se repetiu agora, claro que a NSA não organizou sabotagens terroristas contra Dilma. Essa diferença é importante ressaltar”.
Dinges observa que, ao completarem 50 anos do golpe contra o presidente João Goulart, a revisão histórica dos fatos constata a influência norte-americana no Brasil, desde a queda de 31 de março de 1964 até a cumplicidade com a ditadura de Médici e a desestabilização das democracias que continuavam de pé, como a uruguaia e a chilena, vistas com receio por Washington e por Brasília.
“Eu acredito que a participação do Brasil na queda de Salvador Allende, talvez, não estou em condições de afirmar algo definitivamente, foi até maior do que a dos Estados Unidos, apesar de tudo o que Richard Nixon e Henry Kissinger fizeram a favor do golpe de Pinochet”.
Goulart pode mudar a história
Dinges respeita escrupulosamente as regras do jornalismo investigativo: “nosso trabalho se baseia fundamentalmente em documentos, as entrevistas têm sua importância, a interpretação é necessária, mas o essencial é contar com documentos”.
No mês passado, a Justiça argentina, por meio do procurador Miguel Angel Osorio, abriu um processo sobre a morte suspeita do presidente João “Jango” Goulart em sua estada na província de Corrientes em 6 de dezembro de 1976, a que seus familiares atribuem um possível envenenamento por parte de agentes dela Condor.
A Procuradoria argentina resolveu iniciar sua investigação depois de ser informada sobre uma mensagem secreta, do III Corpo do Exército brasileiro, com representação na fronteira com Argentina, em que se solicitava seguir o “subversivo” Goulart e outros brasileiros refugiados no país vizinho, vários dos quais ainda estão desaparecidos.
“Não li esse documento do III Corpo do Exército, se você puder me enviar, eu agradeceria, aparentemente é um papel realmente importante porque motivou a Procuradoria de Buenos Aires a iniciar um processo. Sinceramente eu não concordo com a hipótese de que Goulart tenha sido envenenado, não conheço nenhuma evidência sólida”, afirma Dinges.
Autor de um livro referência, “Os anos do Condor, uma década de terrorismo internacional no Cone Sul” Dinges comenta que o Brasil, único país da região que proíbe que a Justiça abra processos contra criminosos de Estado, ainda é um “capítulo aberto da Condor que me desperta muita curiosidade. Eu suspeito que possam surgir elementos muito importantes dos arquivos já abertos, ainda que os militares escondam o mais importante para eles, e que também pode haver informações que sejam obtidas pela Comissão da Verdade”.
"Se pudéssemos provar documentalmente que Goulart foi assassinado, ou se pudéssemos obter provas de que havia um plano para assassiná-lo, teríamos elementos de peso para revisar nossa perspectiva geral sobre o Plano Condor”, argumenta.
Dinges marca uma fronteira entre interpretação e dados: “não podemos confundir nossa perspectiva dos acontecimentos, do que realmente aconteceu”. Então, ele desenvolve uma teoria provisória em que liga as mortes do ex-ministro do governo de Salvador Allende, Orlando Letelier, assassinado em Washington em 1976 e do ex-senador uruguaio Zelmar Michellini, ambas ocorridas naquele mesmo ano em Buenos Aires.
“O Plano Condor tinha um inimigo bem claro, que era a coordenação de organizações guerrilheiras, entre as quais estavam o ERP argentino, os Tupamaros do Uruguai, o ELN da Bolívia e o MIR do Chile. Sabemos que Orlando Leteilier era um homem moderado, mas matinha boa relação com o MIR e que Zelmar Milechillini também conversava com os Tupamaros, ainda que ele não participasse da luta armada”.
“O segundo inimigo, que também era importante para a Condor, ainda que se saiba menos sobre isso, eram os dirigentes moderados, como Michellini, como Letelier, porque eles causavam muito  desgaste com suas denúncias internacionais, graças a seus contatos diplomáticos e com setores progressistas da Europa e dos Estados Unidos. Eu suponha que nesta mesma lista de dirigentes moderados pudessem estar o ex-presidente Goulart, o ex- presidente Juscelino Kubistcheck,  e também o ex-presidente chileno  Eduardo Frei, que era um homem de centro-direita, democrata-cristão, mas que incomodava Pinochet e por isso mandou matá-lo”.
“É muito prematuro dar como certo que Goulart e Kubitscheck foram assassinadoa. Eu não tenho em minha posse nenhum documento que sequer insinue isso, o que também não me impede de estar interessado em saber mais. É importante se aprofundar nesses casos, já me falaram deles. Se algo fosse descoberto sobre Goulart, que faleceu fora do Brasil, aí sim seria uma revelação explosiva que modificaria algumas ideias que temos até agora sobre a Condor”.
A pista uruguaia 
Seis anos atrás João Vicente Goulart declarou a este repórter que, segundo informações não confirmadas, em 1976, o repressor Paranhos Fleury viajou a Montevidéu onde se encontrou com o chefe do escritório da CIA, Frederick Latrash, e eles conversaram sobre Jango, que morreria poucos meses depois em circunstâncias não esclarecidas.
“Eu conheço muito bem a história de Latrash, antes de ir para o escritório da CIA no Uruguai, tinha trabalhado no Chile, nesses anos, a CIA fazia os trabalhos mais sujos. Lembro do assassinato do general Scheineider, em Santiago. Eles estavam envolvidos diretamente, foi uma operação desastrosa do ponto de vista técnico, porque permitiram que armas chegassem a grupos radicais de direita que agiam selvagemente”, lembra.
“Eu sei muito bem o que a CIA fez no Chile, e conheço alguma coisa que fizeram no Cone Sul, ainda que nunca tivesse conhecimento de uma ligação de Latrash com um possível plano contra Goulart. Isto me parece muito pouco provável. Porque depois da desastrosa operação contra Schneider no Chile, a CIA tirou uma lição, a de não se envolver diretamente nos crimes. E eu não acredito que seja realista que a CIA participasse de uma ação para matar Goulart, se é que esta ação existiu. Agora, a CIA recebia muita informação de tudo o que acontecia na Condor, e os relatórios chegavam rapidamente. Isto significa que não se pode descartar que Latrash tenha se reunido com gente dos serviços brasileiros para conversar sobre vários assuntos no escritório de Montevidéu. O que descarto ou acredito ser impossível é que a CIA tenha atuado diretamente contra Goulart. Isso me parece impossível”, conclui Dinges.
Tradução: Daniella Cambaúva 


Essa séria de reportagens da EBC Brasil sobre a Operação Condor também detalham as suspeitas do assassinato de Jango devido a Operação...

Uma série de 4 reportagens, da TV Brasil, sobre um dos temas mais marcantes da história recente do Brasil. A operação chamada Condor é o resultado da articulação das ditaduras dos países do Cone Sul, na década de 1970, para reprimir opositores. 
A série de reportagens mostrara: a história de uma militante uruguaia que escapou de um destino trágico, e também o drama de um militante catarinense sequestrado na Argentina e que nunca mais foi visto; a polêmica sobre a morte do ex-presidente João Goulart; a história do gaúcho que lutou ao lado de Che Guevara e sumiu na Bolívia; e, finalmente: a Comissão da Verdade vai investigar a aliança entre as ditaduras do continente na década de 70.



Leia a íntegra da entrevista inédita de Jango ao historiador John Dulles

A Folha publicou no dia 2/abril/2014 uma entrevista inédita de João Goulart, o Jango, feita pelo historiador americano John W. Foster Dulles (1913-2008). O depoimento, realizado em 15 de novembro de 1967 em Montevidéu, foi encontrado na Universidade do Texas e estava desconhecido desde então.

  O ex-presidente João Belchior Marques Goulart via sua queda no golpe de Estado de 1964 como resultado de uma campanha de "envenenamento" da opinião pública contra o seu governo. "Meu maior crime foi tentar combater a ignorância", dizia ele.
Para Jango, criou-se uma confusão entre justiça social (que ele disse ter buscado) e comunismo (que não compartilhava), e que após o assassinato do presidente americano John Kennedy, em 1963, os EUA começaram a derrubar governos constitucionais na América Latina, entre os quais o dele.
Três anos e sete meses depois de deixar o país, era assim que Jango via o painel da crise que o depôs.
A Folha encontrou na Universidade do Texas uma entrevista inédita do ex-presidente feita pelo historiador americano John W. Foster Dulles (1913-2008). O depoimento, realizado em 15 de novembro de 1967 em Montevidéu, permaneceu desconhecido desde então.
Foster Dulles não a utilizou nos livros que escreveu sobre o Brasil ou personagens brasileiros, como Castello Branco e Carlos Lacerda. O historiador Jorge Ferreira, autor de uma biografia de Jango, disse desconhecer a entrevista. O mesmo foi dito por João Vicente Goulart, filho e responsável pelo instituto que leva o nome do ex-presidente.
Filho e sobrinho de dois dos americanos mais influentes do século 20, que ajudaram a moldar o poder dos EUA, o historiador Foster Dulles contou com a influência familiar para se encontrar no Brasil e no exterior com os principais personagens do golpe de 1964. A biblioteca Nettie Lee Benson, da Universidade do Texas, onde o americano lecionou, guarda as centenas de entrevistas realizadas por ele.
No encontro com João Goulart, segundo o relato de Dulles, o ex-presidente comentou a influência dos EUA e o antiamericanismo no Brasil.
"Não há no Brasil um sentimento contra o povo dos EUA", disse. "O Brasil quer que a América Latina tenha independência em suas discussões, o país quer que os brasileiros, e isso inclui as classes populares, comandem o próprio destino. O país às vezes sente que há um excesso de interferência dos EUA, que falam muito em democracia, mas deveriam permitir a democracia."
Jango creditou sua queda e a de governos democráticos na região, como Argentina e Bolívia, à influência de Lyndon Johnson, presidente que assumiu a Casa Branca após o assassinato de Kennedy.
A visão do ex-presidente não era correta, mas ele não viveria para ver as revelações sobre a participação americana no golpe: Johnson apenas seguiu o script planejado pelo antecessor, que teve relação amistosa com o brasileiro enquanto eram presidentes.
Sobre o envenenamento da opinião pública, Jango relembrou a feroz posição da imprensa contra o seu governo. "As pessoas na América Latina não são inclinadas ao comunismo. Justiça social não é algo marxista ou comunista", ressaltou.
O ex-presidente alegou ter feito " grandes concessões a grupos políticos" para promover as reformas de base, uma de suas bandeiras, sem sucesso. À época, seu governo não conseguiu aprovar as reformas, como a agrária, num Congresso de maioria conservadora. "Eram reformas a favor da independência, do desenvolvimento, do bem-estar e da justiça social."
Como reconheceu, a lei que regulamentou a remessa de lucros de empresas estrangeiras "causou grande perturbação ao governo". "As companhias estrangeiras estavam preocupadas. Quando o capital estrangeiro entra e sai, não há vantagem para o Brasil. Ao contrário, esse capital prejudica. Todo capital estrangeiro deveria ser bem-vindo se colaborasse com o desenvolvimento do país."
Conforme registrado por Foster Dulles, Jango não queria que as declarações fossem atribuídas a ele, tratando-se apenas de "sentimentos pessoais", para ajudá-lo a compreender o Brasil.
O presidente deposto lembrou que o golpe ceifou a oportunidade de o Brasil dar "um grande impulso para o processo democrático" na América Latina. E ainda citou, ao que parece se referindo ao clima político de sua queda, que "o excesso de liberdade é ruim, mas o excesso de oposição também é ruim".
ENTREVISTA DE JOHN W. FOSTER COM JANGO EM 15/11/1967
João Goulart disse que estava em Cingapura quando recebeu a notícia da renúncia de Quadros. De Cingapura ele foi a Paris, onde os meios de comunicação com o Brasil eram bons. Goulart disse que tinha passado um ou dois meses fora do Brasil. De Paris, ele falou ao telefone com muitas pessoas no Brasil.
De acordo com Goulart, Auro de Moura Andrade não foi eleito pelo Congresso para o cargo de primeiro-ministro do Brasil durante o regime parlamentar. Goulart disse que o nome de Santiago Dantas foi submetido ao Congresso e analisado por ele. Goulart descreveu Crockatt de Sá como um assessor que ele tinha para assuntos trabalhistas.
Goulart disse que não há no Brasil nenhum sentimento contra o povo dos Estados Unidos. O Brasil quer que os latino-americanos tenham independência em suas discussões. O Brasil quer que os brasileiros, e isso inclui as classes populares, comandem seu próprio destino.
O Brasil sente que já houve por vezes um excesso de interferência por parte dos Estados Unidos. Embora o povo brasileiro não seja contra o povo dos Estados Unidos, pode se dizer que os governos dos Estados Unidos cometeram erros com relação à América Latina.
Sob John Kennedy, os Estados Unidos recuperaram sua perspectiva positiva da América Latina. Os Estados Unidos tiveram então uma política correta, uma que estava em comunhão com o povo. Kennedy era favorável à autonomia dos governos da América e era a favor dos benefícios sociais para a população.
Após a morte de Kennedy, três governos constitucionais na América Latina foram depostos. O governo constitucional do Brasil foi deposto. O governo constitucional da Bolívia foi deposto. O governo constitucional da Argentina foi deposto.
Goulart disse que é verdade que os governos militares possuem algumas vantagens. Mas o povo é democrático. Os Estados Unidos falam muito sobre democracia. Mas os Estados Unidos deveriam permitir a democracia.
Goulart disse que um excesso de liberdade é prejudicial. Mas disse que um excesso do oposto também é prejudicial. O Brasil poderia dar grande ímpeto ao processo democrático. Existe uma ligação entre os governos da América Latina e o governo dos Estados Unidos. Os Estados Unidos precisa do apoio do povo da América Latina.
Tanto Goulart quanto o povo da América Latina pensam que o povo dos Estados Unidos é bom e admiravelmente ativo. Não se deve confundir o povo dos Estados Unidos com os grandes grupos econômicos norte-americanos, que são repudiados pelo povo da América Latina.
Goulart disse que em seus esforços para promover reformas estruturais, ele fez concessões demais a grupos políticos no Brasil. A finalidade dessas reformas estruturais era promover a independência do Brasil, o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar do povo brasileiro. Essas reformas são tratadas nas mensagens de 1963 e 1964 que Goulart enviou ao Congresso.
A mensagem de 1963 menciona todas as reformas. Estas foram reformas em prol da independência, do desenvolvimento, do bem-estar do povo e da justiça social. A justiça social não era algo no sentido marxista ou comunista.
O Brasil possui grande potencial. Mas uma reestruturação se faz necessária. Existe no Brasil um grupo pequeno e rico. As massas brasileiras são analfabetas, pobres e vivem em grande miséria.
Hoje a luta está sendo levada adiante de modo inteligente pela Igreja Católica. O povo latino-americano não tem tendências comunistas. O Brasil é católico em sua maioria avassaladora. O Brasil possui a maior porcentagem de população católica no mundo. O Brasil é o principal país católico do mundo.
Hoje, com o uso amplo de rádios e televisores, o povo pobre vê as condições melhores que existem em outros lugares. O grande problema é a justiça social. Não é um problema de comunismo. Mas a insatisfação pode se converter em revolta se as condições não melhorarem. 92% da América Latina se encontra na condição mais precária possível.
Goulart é a favor da concessão do direito de voto aos analfabetos. O analfabetismo não é culpa deles. As pessoas que podem ser chamadas a pagar impostos (e que são chamadas a fazer outra coisa –a palavra usada não está clara em minhas anotações) devem ter o direito de votar.
Goulart disse que, paralelamente à extensão do sufrágio aos analfabetos, os analfabetos devem ser ensinados a ler e escrever. Disse que durante seu governo foram criadas escolas populares para essa finalidade. O programa foi descrito como comunista pelos inimigos do regime. Chegaram a ser montadas escolas de alfabetização em praças públicas.
O ministro da Educação, Paulo de Tarso, foi tachado de comunista e sofreu muito devido ao que fez. Paulo Freire, que também sofreu pelo que fez, é um idealista. Ele é uma espécie de missionário, muito progressista. Seu crime foi tentar combater o analfabetismo. Quando mencionei o MEB, Goulart disse que a Igreja Católica ajudou muito com o programa de combate ao analfabetismo. Ajudou patrocinando aulas que eram ministradas pelo rádio. Goulart disse: "Meu governo deu a maior ajuda" a esse movimento. Goulart disse que, devido à ajuda dada por seu governo aos programas de rádio de aulas de alfabetização, Dom Hélder Câmara ficou muito amigo dele.
Houve uma campanha para envenenar a opinião pública contra "meu governo". Goulart disse que a imprensa estava contra seu governo. Ele acrescentou que a imprensa tem problemas financeiros e é influenciada por grandes grupos empresariais. Os produtos de empresas estrangeiras são anunciados na mídia de comunicação. A maior firma de relações-públicas, ou agência de publicidade, no Brasil é a McCann-Erickson, uma empresa americana. As empresas americanas no Brasil tanto manufaturam produtos no Brasil quanto recebem royalties por produtos produzidos no Brasil.
Goulart disse que seu governo foi acusado de ser um governo incapaz. Mas apontou para a participação de homens como Celso Furtado e Waldir Pires (que tem apenas 33 ou 34 anos e foi o procurador geral da República). Esses homens hoje são professores de universidades na França, tendo conquistado seus cargos em concursos competitivos. Waldir Pires, que está na França há um ano, conquistou seu posto de professor sem dificuldade, tendo ficado em primeiro lugar.
Com relação às remessas de lucros para o exterior, Goulart mencionou que a lei que afeta isso foi aprovada pelo Congresso e que o regulamento foi emitido pelo Executivo. Ele disse que um teto de 10% é um teto alto. É mais alto que os de outros países que têm tetos. O teto na Índia é de 8% a 9%. Existe no Brasil uma questão relativa à avaliação do capital original.
A regulamentação da lei de remessas de lucros no Brasil causou grande perturbação para o governo Goulart. As empresas estrangeiras reagiram mal. Goulart disse que o Brasil queria que parte do capital estrangeiro fosse como o capital nacional. Ele disse que o capital estrangeiro deve cooperar com o povo brasileiro. Disse que, quando o capital estrangeiro chega e depois retorna por completo de onde veio, não há vantagem para o Brasil – pelo contrário, o fato de todo o capital partir prejudica o Brasil.
Goulart disse que todo o capital estrangeiro deve ser bem recebido, mas deve colaborar. Não é interessante se ele vem simplesmente para especular e depois retorna integralmente ao exterior. Goulart disse que o capital estrangeiro é "absolutamente útil". Que ele deve ajudar o país para onde vai.
Mencionei o nome de Amauri Kruel. Goulart disse que Kruel tinha feito recentemente um discurso no Congresso em que disse que a revolução de 1964 foi feita com a finalidade de dar liberdades ao povo, mas que, como resultado da Revolução, houve a suspensão das liberdades. A Revolução, disse Kruel, foi para garantir liberdades, não para suprimi-las. Não foi feita para cancelar eleições. A Revolução foi traída, segundo as palavras de Kruel, conforme elas nos foram ditas por Goulart.
Goulart nos disse que as declarações que estava nos dando não eram declarações que deveríamos atribuir a ele. Disse que nos estava dando seus pontos de vista para ser prestativo; que suas opiniões representam seus sentimentos pessoais. O que eu deveria fazer era investigar e ver se suas opiniões estavam certas ou erradas.

Goulart disse que Djalma Maranhão antes era prefeito de Natal. Ali ele criou escolas em espaços públicos. Algumas dessas escolas foram construídas com materiais muito baratos. Essas escolas em Natal usavam o sistema de ensino de Paulo Freire.





Dossiê Jango, documentário sobre a morte de João Goulart



Recado para a Comissão da Verdade
Mário Augusto Jakobskind

Dossiê Jango, documentário de Paulo Henrique Fontenelle, que concorre a prêmio no Festival de Cinema do Rio deste ano deveria ser visto pelos integrantes da Comissão da Verdade. A película mostra que quase 36 anos depois da morte do Presidente João Goulart ainda pairam dúvidas se ele foi ou não assassinado com a troca de remédios para o coração por uma substância contendo veneno. É lamentável que depois de tanto tempo nenhum dos governos brasileiros se dispôs a seguir adiante com a investigação que tem por objetivo acabar de uma vez por todas com a dúvida.
A Justiça argentina, para vergonha do Brasil, solicitou a exumação do  corpo de Jango, que está enterrado em São Borja. Desta forma se poderia verificar se procede ou não a hipótese. Há indícios fortes no sentido de que Jango foi mesmo assassinado.
Por coincidência ou não, num espaço de poucos meses, além de Jango, dois outros políticos brasileiros morreram em circunstâncias no mínimo duvidosas. A morte de Juscelino Kubitschek na estrada Rio- São Paulo, na altura do município de Resende, voltará a ser investigada pela Comissão da Verdade. Há denúncia de que o motorista de JK teria sido baleado.
Logo após o acidente desapareceu o diário que JK escrevia e falou-se que o empresário Guilherme Romano, muito ligado ao Coronel Golbery do Couto e Silva e também amigo do ex-presidente, teria se apossado do material que poderia sinalizar muitos fatos importantes.
Uma semana antes da morte, quando JK estava em seu sítio em Luiziânia, no Estado de Goiás, cerca de 60 quilômetros de Brasília, correu o boato segundo o  qual o ex-presidente teria morrido em um acidente da automóvel ao se dirigir à capital federal. Os repórteres foram acionados e encontraram Juscelino no seu sítio. Realmente é muito estranho que depois dessa falsa informaçao tenha ocorrido o acidente em Resende.
Já Carlos Lacerda, o terceiro participante da Frente Ampla (uma tentativa política institucional, em 1968, para acabar com a ditadura) estava gripado e preventivamente foi a um hospital se tratar onde morreu, o que é também muito estranho. Lacerda, como Jango e JK era uma das lideranças em condições de numa abertura política voltar a atuar politicamente com destaque, o que desagradava a setores do regime ditatorial.
Tais lembranças de um período que antecedeu a abertura lenta e gradual desenvolvida a partir do governo do general de plantão Ernesto Geisel, com o apoio de Golbery, encontram-se no documentário Dossiê Jango, que merece ser visto por todos os brasileiros interessados em consolidar o processo democrático. E para que isso aconteça é necessário esclarecer de uma vez por todas os fatos nebulosos do passado. Está aí a Comissão da Verdade, que se espera cumpra o papel histórico nesse sentido.
No caso de Jango é absolutamente necessário convocar o agente da CIA, área de Montevidéu, em 1976, Frederick Latrash, que mais tarde tornou-se assessor do então candidato republicano, em 2008, John Mccain. Latrash teria informações a prestar já que, segundo informam várias testemunhas, teve participação ativa no esquema que culminou com a morte (assassinato?) de Jango.
Em 2002, portanto há 10 anos, o ex-agente da inteligência uruguaia, Mario Neira Barreiro fez uma série de denúncias sobre as circunstâncias da morte de Jango em Las Mercedes, na Argentina. Barreiro acusa agentes da CIA de serem os responsáveis pela montagem de “uma farsa para ocultar um infame assassinato político instigado e patrocinado pelos Estados Unidos”. Ele conta em detalhes fatos relacionados com João Goulart que só quem teve acesso direto a ele poderia conhecer. Mesmo sendo um marginal, como sempre foi e posteriormente envolvido em estelionato, o depoimento de Barreiro pode servir de roteiro inicial para a própria Comissão da Verdade. Ele seria ouvido pelo que fez quando era agente da inteligência uruguaia.
O jornalista uruguaio Roger Rodriguez investigou a fundo as denúncias e concluiu que há indícios claros sobre o assassinato de Jango. Rodriguez garante que tudo o que foi informado por Barreiro se confirmou em suas investigações. Poderia também ajudar a Comissão da Verdade a esclarecer os fatos.
Lamentável em toda esta história, conforme mostra o documentário Dossiê Jango, é que a Justiça brasileira tem criado obstáculos para se investigar a morte do único Presidente do País que morreu no exílio. E agora chegou ao ponto de a Justiça argentina, que investiga a denúncia de que Jango foi assassinado com a troca de remédios, pedir que se faça a exumação.
Diante de fatos ocorridos durante o período da ditadura no Brasil que estão sendo conhecidos, se for comprovado mesmo o assassinato de Jango, o acontecimento se somará a uma série de outros protagonizados pelos generais de plantão que conduziram o país durante 21 anos.
Não se trata de ação isolada de psicopatas, como alguns preferem que seja, exatamente para não culpar o sistema surgido depois de 64, mas sim pela política de Estado, que optou pelo terrorismo institucional, capitaneado por generais nomeados.
Figuras como Brilhante Ustra, major Curió, entre outros, são peças dessa engrenagem hedionda e responsáveis por comprovadas violações dos direitos humanos que estão aí mesmo para serem julgados com todo o direito de defesa. Exatamente ao contrário do que faziam com os presos políticos da época da ditadura quando comandavam corporações  militares.
Xxoxoxoxox
A direita venezuelana e latino-americana tentou de tudo para derrotar oi Presidente Hugo Chávez. A mídia de mercado e os analistas de sempre chegaram a fazer previsões indicando a vitória de Capriles Radowsky. Mas na hora da verdade ao serem conhecidos os resultados, não restou dúvida com a diferença de cerca de um milhão e 300 mil votos em favor do líder bolivariano.

Uma tarefa interessante para professores e estudantes de comunicação é analisar a cobertura dos principais telejornais, jornais e revistas brasileiras sobre o pleito na Venezuela e mesmo depois do pleito. Se fizerem um bom trabalho vão ver quanta barbaridade desinformativa vem à tona com “analistas” chegando a afirmar que a diferença foi só de 10 pontos percentuais, mas sem informar o número de votos que corresponde o percentual. Inacreditável, na TV Globo uma repórter disse que o resultado espelhava o descontentamento do povo contra Chávez em função da votação do candidato derrotado.


    Resenha Crítica: "Dossiê Jango"

 Logo nos momentos iniciais de "Dossiê Jango" somos colocados perante uma narração que nos deixa perante a seguinte afirmação: "Se alguém disser que sabe a verdade absoluta do que aconteceu no Brasil, desde 1964 até 2012, se disser que sabe, ou é um mentiroso ou um ingénuo". Este comentário é antecedido de uma constatação sobre a possibilidade de podermos encontrar novas fontes que podem contribuir para termos percepções distintas sobre acontecimentos históricos que até então tínhamos como verdadeiros. Pronto a embrenhar-se nos meandros algo ocultos da História do Brasil durante o período da Ditadura Militar, "Dossiê Jango" surge como um documentário relevante sobre a morte de João Goulart, um indivíduo que foi eleito democraticamente pelo seu povo, mas acabou expulso do cargo após o golpe de Estado de 1 de Abril de 1964. Fora do poder, Jango foi viver para a Argentina, exilado, onde morreu em 1976, supostamente de ataque cardíaco, embora percebamos que esta pode não ter sido a causa do falecimento. Com depoimentos de Cacá Diegues (cineasta), Zelito Viana (cineasta), Jair Krischke (Movimento de Justiça e Direitos Humanos), João Vicente Goulart (filho de João Goulart), Rafael Michelini (senador do Uruguai), entre outros elementos, "Dossiê Jango" embrenha-se por este período conturbado do Brasil, colocando-nos perante os silêncios das fontes históricas e as fragilidades de algumas versões oficiais, apresentando uma investigação séria sobre um tema ainda quente. João Goulart pretendia efectuar várias reformas estruturais, incluindo agrárias que poderiam alavancar o Brasil para um avanço notório, tendo ainda procurado fortalecer as relações com a China (na época mal vista, embora hoje vários países procurem fazer negócios com a China). A presença de um líder associado ao comunismo não agradou aos EUA, mas também a sua política externa bastante independente, algo que conduziu a um apoiar desta nação à deposição de João Goulart, através de medidas várias como apoio a artigos difamatórios, a políticos oposicionistas de Goulart, onde até a Igreja teve um papel de relevo no Golpe de Estado. Temos ainda a presença do contexto da América do Sul, cada vez mais marcada pela ascensão dos governos ditatoriais, mas também episódios funestos como o "Plano Condor" (descrito por Rafael Michelini como "um plano repressivo entre Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil para, por um lado exterminar as organizações de esquerda, revolucionárias armadas ou pacíficas, que tinham ideias diferentes sobre a Guerra Fria que imperava no Mundo e, por outro lado, matar e gerar um terrorismo de Estado por meio do assassinato dos principais líderes"). 

 Vários elementos, incluindo o filho de Goulart, acreditam que a morte de Jango foi premeditada, inserindo-se no Plano Condor. Diga-se que não faltam acidentes e mortes várias de elementos ligados ao caso a corroborarem esta situação, existindo ainda a estranha decisão de não se efectuar autópsia a João Goulart, para além de algumas testemunhas que parecem corroborar a teoria do assassinato. Quem não se acredita nesta hipótese é o céptico Moniz Bandeira, um historiador que escreveu sobre João Goulart, tendo uma visão algo positivista da história e dos factos, omitindo do seu discurso a "pequena" parte do historiador dever questionar a fonte e os seus silêncios. O próprio estudo histórico tem as suas limitações, entre as quais as assinaladas no início do documentário que passam pela descoberta de novos elementos que podem colocar em causa aquilo que tínhamos como "factos". Nesse sentido, "Dossiê Jango" surge como um documentário informado e informante, abrindo algumas perspectivas sobre este caso embora não dê verdades absolutas sobre o mesmo, oferecendo uma interpretação que pode ou não ser considerada válida consoante cada um de nós. O realizador Paulo Henrique Fontenelle contribuiu para o dinamizar do documentário, apresentando o mesmo como se estivéssemos perante a atmosfera de um thriller de conspiração dos anos 70, marcado por uma banda sonora inebriante e uma mescla interessante de material de arquivo e depoimentos, ao mesmo tempo que entronca este caso da morte de João Goulart com todo um contexto político mais lato. Claro que o documentário tem um objectivo muito próprio e não se procura distanciar do facto de ter uma mensagem latente a transmitir, mas nem por isso deixamos de sentir interesse neste pedaço algo obscuro da História do Brasil que ganha uma nova luz graças a esta intensa obra cinematográfica. No final, fica a certeza que muito continua por responder em relação à História, com "Dossiê Jango" a deixar-nos perante um período fervilhante, onde as incertezas foram muitas e as lacunas sobre os acontecimentos continuam por preencher. Paulo Henrique Fontenelle tem em "Dossiê Jango" um documentário relevante a nível histórico e político, interventivo e pronto a expressar as suas ideias, alicerçando-se numa estrutura narrativa fluída, colocando-nos perante um documentário de pleno interesse.  
Título: "Dossiê Jango".
Realizador: Paulo Henrique Fontenelle.
Publicado por Aníbal Santiago


Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância impar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, proprina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...




A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?


Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*

As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.

Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!

O Mercado de notícias - Filme/Projeto do gaúcho Jorge Furtado

A mídia é o 4° ou o 1° poder da república? (Caso Panair, CPI Times-Life)
Quem inventou o Brasil: Livro/Projeto de Franklin Martins (O ex-guerrilheiro ouve música)


Questões de opinião:
Questão de opinião: Maioridade penal a partir de 16 anos: seria uma boa?
Questão de Opinião: Financiamento de campanha: Público X Privado X Empresarial.
Questão de opinião: Terceirização - Temos que garantir os direitos deles ou dela? (PL 4330) (PCL 30/2015)

Eduardo Cunha - Como o Brasil chegou a esse ponto?




As histórias do ex-marido da Patrícia Pillar

Luiz Flávio Gomes e sua "Cleptocracia"

Comentários políticos com Bob Fernandes.

Ricardo Boechat - Talvez seja ele o 14 que eu estou procurando...


InterVozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social

Ajuste Fiscal - Trabalhadores são chamados a pagar a conta mais uma vez

Como o PT blindou o PSDB e se tornou alvo da PF e do MPF - É tudo um assunto só!






Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

O Brasil Mudou. A Mídia não!

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?

Comissão Nacional da Verdade - A história sendo escrita (pela primeira vez) por completo.

Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.

Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.

Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.

Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países?

Acompanhando o Caso HSBC VI - Pausa para avisar aos bandidos: "Estamos atrás de vocês!"... 

Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos

Acompanhando o Caso HSBC VIII - Explicações do presidente do banco HSBC no Brasil

Acompanhando o Caso HSBC IX  - A CPI sangra de morte e está agonizando...

Acompanhando o Caso HSBC X - Hervé Falciani desnuda "Modus-Operandis" da Lavagem de dinheiro da corrupção.





Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!

Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.

Acompanhando a Operação Zelotes III - Aberto a CPI do CARF - Vamos acompanhar!! 

Acompanhando a Operação Zelotes IV (CPI do CARF) - Apresentação da Polícia Federal, Explicação do Presidente do CARF e a denuncia do Ministério Público.

Acompanhando a Operação Zelotes V (CPI do CARF) - Vamos inverter a lógica das investigações?

Acompanhando a Operação Zelotes VI (CPI do CARF) - Silêncio, erro da polícia e acusado inocente depõe na 5ª reunião da CPI do CARF.

Acompanhando a Operação Zelotes VII (CPI do CARF) - Vamos começar a comparar as reportagens das revistas com as investigações...

Acompanhando a Operação Zelotes VIII (CPI do CARF) - Tem futebol no CARF também!...

Acompanhando a Operação Zelotes IX (CPI do CARF): R$1,4 Trilhões + R$0,6 Trilhões = R$2,0Trilhões. Sabe do que eu estou falando?

Acompanhando a Operação Zelotes X (CPI do CARF): No meio do silêncio, dois tucanos batem bico...

Acompanhando a Operação Zelotes XI (CPI do CARF): Tarólogo bocudo dá corpo à versão da Veja.

Acompanhando a Operação Zelotes XII (CPI do CARF): Nem tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser...

Acompanhando a Operação Zelotes XIII (CPI do CARF): APS fica calado. Meigan Sack fala um pouquinho. O Estadão está um passo a frente da comissão? 

Acompanhando a Operação Zelotes XIV (CPI do CARF): Para de tumultuar, Estadão!



Sobre CBF/Globo/Corrupção no futebol/Acompanhando a CPI do Futebol:

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K

A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!

Revolução no futebol brasileiro? O Fim da era Ricardo Teixeira. 

Videos com e sobre José Maria Marin - Caso José Maria MarinX Romário X Juca Kfouri (conta anonima do Justic Just ) 

Do apagão do futebol ao apagão da política: o Sistema é o mesmo


Acompanhando a CPI do Futebol - Será lúdico... mas espero que seja sério...

Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!

Acompanhando a CPI do Futebol III - Está escancarado: É tudo um assunto só!

Acompanhando a CPI do Futebol IV - Proposta do nobre senador: Que tal ficarmos só no futebol e esquecermos esse negócio de lavagem de dinheiro?!

Acompanhando a CPI do Futebol V - Andrew Jennings implora: "Dont give up"! (Não desistam)!
Acompanhando a CPI do Futebol VI - O Romário é centro-avante ou um juiz?! 

Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!