Magazine Luiza

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Projeto Compaixão e Cidadania. Acorda Brasil! Diga Não ao BBB - Brasil Bem Burro




Aproveitando o grande sucesso de público do BBB12 que está se iniciando, estou entrando na campanha compaixão e cidadania.Se tiver mais charges pode colocar nos comentários que eu incluo.


Vale a pena ver de novo? 
 Tô Falando do Big Brother BrasilDedo no OlhoIdiotizacao Coletiva - Brasil Bem BurroNNão tem coisa pior?Quem disse que pior não fica?duas desistencias - duas não, três!suicidio do livrosuicidio da televisãosuicidio do publiconão penso, não existo, só assistobig bundas brasil

Segue abaixo o link de um "abaixo assinado" que será enviado p/ o ministério publico, referente a retirada do programa BBB do ar.
                                    

DECADÊNCIA DA CULTURA BRASILEIRA
Por Luis Fernando Veríssimo

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…. , estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… ,•visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.


“Ser humano é lutar pela plenitude da vida.” Frei Betto
“Haverá maior solidão do que a ausência de si?” Clarice Niskier, em “A Alma Imoral”
“A televisão leva o homem ao esquecimento e à perda de si mesmo...” Adauto Novaes
“Salve, salve!

Vamos dar aquela espiadinha!”
“Pode bisbilhotar. É a fofoca em horário nobre, e em escala nacional. Não fique de fora, espie à vontade!”

“Vamos começar mais um ano com a habitual baixaria e futilidade.”
“Educação, arte ou cultura? Pra que servem?
Ninguém precisa delas pra virar subcelebridade!”
A televisão amolece o corpo; a televisão amolece a mente. A televisão amolece a alma.
Entra ano, sai ano,  e a manipulação e degradação televisiva
se agravam. E a Globo comemora a compra dos direitos do BBB até o ano 2020.

Um programa fútil, – vazio de valor ou conteúdo. O horário é nobre,
 mas quão podres os (des)valores que a televisão brasileira dissemina.
Quão baixo pode chegar a miséria moral humana?
A produtora holandesa ‘Endemol’, criadora do reality show Big Brother, manifestou sua surpresa diante do fato de que o programa continue ocupando o horário nobre no Brasil.
Segundo a produtora, após uma década, o Big Brother praticamente foi banido
da grade horária dos demais países. E por que o reality show continua
ocupando o horário nobre no Brasil? Será que o telespectador brasileiro é mais passivamente bovino do que outros? Será que os marqueteiros globais são os mais eficientes na manipulação das massas?
Ou será a fala mansa do apresentador?
A atriz Betty Faria declara acerca do Big Brother:
“Eu acho um desserviço à população. Mas eu entendo por que o povo gosta:
porque foi mal educado, teve escola fraca, pouca cultura.”
E o ator Paulo Betti afirma:
“A televisão tem uma função educativa, cultural e informativa.
O que se oferece na tevê aberta, no entanto, são produções pobres.
As pessoas são tratadas de forma meio infantil.”

Em ciclo promovido pelo Centro Cultural Banco
do Brasil (CCBB) para abordar a situação da arte e da cultura no país,
um roteirista da Rede Globo que participava como debatedor foi categórico ao afirmar:...
Sempre que a cúpula televisiva está para começar uma reunião de trabalho para tratar dos detalhes da programação, o encontro é iniciado com a seguinte frase:

“Está na hora de emburrar.
Está na hora de tornar os outros burros!”
Segundo o roteirista, somente tem vez na televisão brasileira quem compactua com a disseminação da burrice. E não é difícil visualizar Bial e Boninho iniciando uma reunião para tratar dos detalhes do seu programa:...  “Está na hora de emburrar. Está na hora de tornar os outros burros!”
“O perfil do telespectador brasileiro é triste. A massa é desinformada, portanto
fácil de iludir.” José Bonifácio Sobrinho, o Boni
“A maior parte do público não tem ideia do que está fazendo em frente da TV.” Boni
“O nível mental das pessoas que assistem à TV no Brasil é por volta dos nove anos.” Miguel Falabella
“Você não perde por espiar! Pode bisbilhotar à vontade!...” Pedro Bial
“Admitir ver o ‘Big Brother Brasil’ significa cada vez mais confessar uma falha de escolaridade, passar recibo de fútil, solitário, imaturo. Fuja de gente viciada nisso.”  Jornal ‘Folha de São Paulo’
Uma notícia boa é a de que a última edição do programa teve a pior audiência registrada,
– o que demonstra que a paciência e passividade do telespectador brasileiro também têm seu limite. 
No entanto, apesar desta audiência decadente, o faturamento comercial da última edição do BBB,
conforme divulgado pelo site UOL, foi de aproximadamente 500 milhões de reais.
Meio bilhão de reais embolsados, – fazendo da disseminação da burrice e da anti-cidadania um lucrativo negócio.  500 milhões de reais para distrair uma nação inteira durante três meses com futilidade.
“Para eliminar fulaninho, ligue... Para eliminar fulaninha, ligue...
 Tá esperando o quê?”
Para a TV aberta, o Código Brasileiro de Telecomunicações prevê um limite de 25% da grade de programação para veiculação de publicidade. Mas os marqueteiros televisivos deram um jeito de driblar a lei, com ações de merchandising que tornam o BBB uma imensa vitrine comercial,
 – com os participantes fazendo o papel de garotos-propaganda. 
Diante do que foi exposto até aqui, talvez seja interessante retomarmos a campanha

“Quem financia a baixaria é contra a Cidadania.”
Vejamos como funciona tal campanha:...
Toda vez que nos depararmos com anunciantes que se aproveitam de programas de baixo nível
para promover suas marcas, dedicamos alguns minutos para acessar o site da empresa, e deixar uma mensagem no campo destinado a ouvir o cliente.
Lembramos à empresa de que quem recorre à futilidade e à mediocridade para promover sua marca e alavancar os lucros está atentando contra a Cidadania.
Na verdade, em tempos de crescente conscientização social, associar a marca ao que é baixo e fútil é uma
anti-propaganda para a empresa.
Em geral, as empresas que gastam milhões com anúncios em programas fúteis são as grandes multinacionais,
 sem nenhuma responsabilidade social, sedentas de lucros a todo custo, sem nenhum compromisso com
o bem do país.Se tais multinacionais começarem a receber centenas, quiçá milhares, de mensagens
e reclamações,...
...quem sabe não irão modificar suas ações publicitárias, assumindo sua parcela de responsabilidade social.
As redes sociais também são uma importante ferramenta para divulgarmos a campanha...
“Quem financia a baixaria é contra a Cidadania.”
A internet pode servir como um importante instrumento de conscientização, e de exercício de cidadania.
Cabe, ainda, lembrar que existem empresas que divulgam suas marcas por meio da promoção da Cidadania e da Dignidade:...
O Centro Cultural Banco do Brasil e a Caixa Cultural, por exemplo, promovem eventos culturais de indiscutível qualidade. O banco Itaú, num louvável exercício de cidadania, promove sua marca por meio da doação de kits de leitura infantil.
Alguns exemplos apenas de como é possível divulgar uma marca com responsabilidade social,
sem apelar para a mediocridade.
Sem educação não vamos a parte alguma.
Sem um espírito cidadão e solidário, como
haveremos de mudar a triste realidade que nos cerca?
Um outro Brasil é possível.
Um outro mundo é possível.
Compete a cada um de nós fazer a sua parte.
A Vida ainda há de triunfar sobre a morte.
O futuro depende do que fazemos hoje...
Projeto “Compaixão e Cidadania”
Um espaço para refletirmos sobre temas essenciais.
compaixao_cidadania@hotmail.com
Compartilhe esta mensagem com professores e educadores,
com jovens, adolescentes e estudantes, – e outros amigos
interessados em promover a Educação e a Cidadania.
Verifique meios de divulgar e participar da campanha
“Quem financia a baixaria é contra a Cidadania.”
“Só a participação cidadã é capaz de mudar esse país.”
Betinho


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Eu sou fã dos Engenheiros do Hawaii e do músico/escritor Humberto Gessinger... Se você não é pode parar por aqui... Se você faz parte da família EngHaw também isso foi postado no BloGessinger no dia 14/02/2012, é o poema com notas de rodapé número 36 :



eu vivia esperando a vida aparecer no Jornal Nacional
com o olhar preso no vídeo
eu esperava o suicídio de algum boçal
você apareceu e disse:
"cara, eu prefiro outros canais!" 

Como se a vida tirasse férias na entressafra do verão, um reality show da rede de televisão hegemônica toma conta do país. A grosso modo, tudo que vale a pena ser dito a respeito do programa já foi dito há várias edições. As muitas críticas geralmente são mais interessantes do que os poucos elogios. Pelo sabor do exercício, vou tentar fazer um elogio: “talvez seja melhor ver aquilo do que estar morto”. Preste atenção, eu disse TALVEZ! Vai depender da sua crença a respeito do que acontece depois da morte.

A rede de TV hegemônica sempre foi suficientemente escrota para babar ovo dos governos mais escrotos e suficientemente esperta para comprar os equipamentos e a mão de obra mais espertos. Não me surpreende a força que ela tem. Também não me encanta. Ao menos  podemos trocar de canal sem sair do sofá. Se as pilhas do controle remoto não estiverem gastas e se ele não tiver sumido (dica: deve estar entre as almofadas!).

Condenar a TV pelos programas ruins que a dominam é como jogar a criança fora junto com a água suja do banho. Dou um exemplo que aconteceu comigo na semana passada: zapeando, em menos de 40 minutos, tive duas aulas...

(1) ...aprendi um monte numa entrevista com Heraldo do Monte. Ele tocava guitarra e viola caipira no Quarteto Novo, grupo formado para acompanhar Geraldo Vandré. Seus companheiros eram Airto Moreira (bateria e percussão), Théo de Barros (violão e contrabaixo) e Hermeto Pascoal (flauta). Todos músicos extraordinários.

Eles resolveram, ao formar o grupo, buscar novos caminhos: uma sonoridade brasileira, diferente do jazz que os havia influenciado muito. Nesta busca, resolveram ficar um ano sem ouvir música. Só ouviam o que tocavam. Não iam a shows. Não ouviam discos. Quando entravam num táxi, pediam para o motorista desligar o rádio. Que maravilha! Sensacional!

Não me refiro à decisão em si, eles poderiam decidir o contrário: passar um ano ouvindo tudo a toda hora. O que acho incrível é a disciplina, a dedicação. Quem, hoje em dia, faz isso por sua arte-ofício? Quem se joga no escuro, na tentativa de materializar uma visão sem pensar em recompensa imediata? Quem?

(2) ...aprendi outro tanto vendo uma entrevista com o documentarista Sílvio Tendler, diretor de filmes sobre JK, Jango e Os Trapalhões  (os três documentários mais vistos do cinema brasileiro). Muito legal o que ele, um cara de esquerda, fala sobre a experiência de trabalhar com Didi e sua turma.

A grande aula desta entrevista aconteceu quando Sílvio Tendler falou da conversa com o geógrafo Milton Santos, que acabou virando outro documentário. Na época (anos 90) estavam todos embriagados pelas novidades do mercado global. O neo-liberalismo era o pensamento hegemônico. Mais que uma onda, era um tsunami. Mas o velho intelectual baiano não caia neste canto de sereia. Questionado sobre a razão de seu pessimismo quando tudo parecia estar melhorando, professor Milton Santos disse; “Não vai ter pra todos.”

Mestre! Enxergou longe e antes. E nem precisou de câmeras escondidas para dar uma “espiadinha”.