Magazine Luiza

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Acompanhando a CPI do Futebol IX - Os presidentes de federações fazem sua defesa em meio ao nascimento da Liga...

 



Nós não vamos mais assinar contrato que a gente não pode mostrar para ninguém?!
É o que disse o atual presidente da federação paulista, que é o sucessor do Marco Polo del Nero, falou na 14ª Reunião da CPI do Futebol.

Contrato que não podemos mostrar... 
Cada um pensa uma coisa diferente...
A minha interpretação é:
CBF=GLOBO=CBF=GLOBO=CBF=GLOBO=CBF=GLOBO=CBF=GLOBO=CBF=GLOBO=CBF


Na 14ª Reunião da CPI do Futebol no dia 21/10/2015 foi uma Audiência pública com Presidentes de Federações com os participantes:
Reinaldo Carneiro Bastos (Presidente da Federação Paulista de Futebol)
Roberto Góes (Presidente da Federação Amapaense de Futebol)
André Luiz Pitta Pires (Presidente da Federação Goiana de Futebol)
Mauro Carmélio Costa Júnior (Presidente da Federação Cearense de Futebol)
Gustavo Vieira (Presidente da Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo)
Heitor Luiz da Costa Junior (Presidente da Federação de Futebol do Estado de Rondônia)
Evandro Carvalho (Presidente da Federação Pernambucana de Futebol)

Os presidentes das federações mostraram o trabalho que tem feito. O mais aplaudido foi o presidente da federação pernambucana. Ele apresentou um material do que foi feito pela federação na sua gestão: Projeto de segurança nos estádios com câmeras e software de inteligencia preventiva que monitora redes sociais, seguro de vida aos atletas e torcedores, competição de base com 750 equipes e mais de 21mil atletas(números quase iguais aos apresentados pela federação paulista!) onde o prêmio maior é o encaminhamento dos 11 melhores atletas para equipes do futebol profissional, inclusão social através de uma parceria com comunidades carentes (a Cufa - Central Unica de Favelas ),  para competição com jovens de 13 a 15 anos, afastando assim os jovens da vida do crime... 
  


Fiquei feliz com o que ouvi... Reforça a minha mudança de opinião que explicitei aqui: Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!   
Antes de começar a CPI minha opinião era que o ideal fosse acabar com as federações e que em substituição surgissem pelo Brasil ligas tipo "clube dos 13"(que já tinha mais de 40 filiados e foi desmontada em 2011). 
Agora acho que o ideal é que as federações existam, porém cumpram corretamente as suas funções: fomentar o futebol no estado. Mal sabia eu que existem federações que já cumprem o seu papel... Eu mudei de opinião vendo o pouco que a federação mineira fez com um ano de gestão, que não é nem a metade do que foi apresentado pela pernambucana...

Fiquei feliz pois não sabia nada disso... Quando o assunto é futebol nós acompanhamos só o que envolve o nosso time do coração e não presta atenção no resto... Culpa minha não saber disso... Posso culpar também a falta de democratização da mídia pois não chega aos meus ouvidos vozes que diferem da "mídia hegemônica".
Parte do sucesso da "Copa Nordeste" e "Copa Verde" tem um nome: Esporte Interativo. Empresa de comunicação nacional que com toda a dificuldade de enfrentar um grande monopólio nacional conseguiu encontrar um nicho de mercado (onde a Globo chega só pontualmente em algumas regiões) e com o sucesso conseguiu os direitos da Champions League - copa dos campeões da Europa. (Tá bom, não é mais 100% brasileira, pois teve a ajuda de uma rede americana que concorre com a Fox, mas ao reclamar democratização da mídia queremos apenas a quebra do oligopólio nacional: quanto mais redes, melhor!) Coloquei mais abaixo uma coluna de Guilherme Coelho sobre o canal.


Já a federação capixaba falou que metade de seus clubes não conseguirão cumprir a lei sancionada recentemente e não conseguirão participar do próximo campeonato capixaba(pois não conseguirão o atestado negativo de débitos). Pediu tempo para  conseguirem quitar seus débitos sob pena de parar o futebol no estado e desempregar toda a "cadeia produtiva" do futebol.

Que contraste: um mostra seus feitos, outro pede mais tempo para ficar devendo...

Não gosto também do discurso de alguns dizendo: "não queremos caçar bruxas e sim achar soluções..."
A moralização do futebol passa também por punir aqueles que fizeram mal-feitos (para não dizer crimes). Ou devemos esperar o FBI fazer todo o trabalho por nós?! O interessante que esse discurso sai da boca dos mesmos que elogiam a atual gestão da CBF...

O presidente da federação paulista explicou o porque fechou proposta de patrocínio para a publicidade estática com o grupo recorrente mesmo tendo proposta maior que esta:

"(...) não havia propinas garantias suficientes de quem ofereceu um pagamento maior. A Federação chamou os clubes e apresentou as duas propostas. Como eles iriam decidir? E os clubes decidiram por ter garantia de recebimento em vez de ter um valor maior maior sem propina garantia. E o contrato foi feito. (...)"

Todas menores federações reclamam da falta de preenchimento do calendário durante o ano inteiro e reclamam também da  lei do passe que tira do clube formador o direito da venda de uma revelação...
Quero lembrar que a atual legislação foi feita devido a inúmeros casos onde o atléta pertencente a um clube, sem espaça para jogar nesse clube não podia trabalhar, pois não aparecia ofertas para o seu passe e sua carreira (que é curta para um jogador de futebol) ia se esvaindo...
Deve-se então encontrar um meio termo que não prenda um jogador para sempre em um time e que remunere a categoria de base... Uma saída é uma porcentagem do salário do jogador acima dos 21 anos seja revertida para os clubes em que ele jogou entre os 16 e 20 anos(Exemplo: 5% do salário do jogador vai 1% para cada equipe em que ele jogou 1 ano durante a categoria de base. Se for o mesmo time então esse time leva os 5%, todo mês).  

 E antes de terminar o nosso "RRR está em todas" (Randolfe Rodrigues da Rede, veja aqui), pede a palavra para estranhar o absurdo da isenção tributária para a FIFA na Copa do mundo para a saída do dinheiro do país e os valores de contrapartida para a construção dos centros de treinamento seja o valor bruto e não o líquido depois de descontado os impostos...


Presidentes de federações pedem 'futebol para todos' na CPI do Futebol


A CPI do Futebol recebeu nesta terça-feira (21) os presidentes de sete federações estaduais de quatro regiões do país. Eles relataram a realidade de seus estados, pediram unidade nos esforços para melhorar o futebol brasileiro e argumentaram que a administração e a legislação que orientam o esporte não dão suficiente atenção aos times pequenos.
- Precisamos entender que a legislação é feita para todos os clubes. Um clube grande pode se adequar, mas um humilde não tem essa estrutura. Há presidentes de clubes menores e organizados que estão desistindo. Precisamos ter exigências, mas de formas diferentes para grandes e pequenos – defendeu Reinaldo Carneiro Bastos, da Federação Paulista de Futebol (FPF).
Os dirigentes criticaram a Lei Pelé, que segundo eles, enfraqueceu os clubes ao retirar deles muitos direitos nas negociações de contratos de jogadores e garantias de retorno financeiro que davam segurança à formação de atletas. Gustavo Vieira, da Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo (FES), disse que isso tornou o modelo brasileiro insustentável.
- O desenvolvimento esportivo no Brasil se dá exclusivamente através dos clubes, e não através das escolas e universidades, como em outros países. Temos que aprimorar o mecanismo de proteção aos clubes formadores, que hoje é praticamente inexistente. Eles são, talvez, a única chance de inclusão social de jovens de áreas de risco - disse.
Vieira questionou também algumas das exigências do recém-sancionado Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), que refinancia dívidas de clubes mediante o cumprimento de normas administrativas. Algumas dessas práticas, como a regularidade fiscal e a negativa de débitos com a Receita, são exigidas de todos os clubes do país, mesmo aqueles que não aderirem ao Profut. Para Vieira, isso será o “genocídio” de agremiações de menor porte.
André Luiz Pitta Pires, da federação Goiana de Futebol (FGF), rejeitou a possibilidade de fim dos campeonatos estaduais, que tiraria atividade dos clubes menores, e também reforçou que o futebol nacional precisa “alavancar” as categorias de base, para manter no país atletas jovens que, hoje, vão muito cedo para o exterior. Mauro Carmélio Costa Júnior, da Federação Cearense de Futebol (FCF), defendeu o estímulo à formação esportiva nas escolas, de modo a aliviar os clubes.
O presidente da Federação Amapaense de Futebol (FAF), Roberto Góes, pediu atenção para a realidade dos estados menores. Segundo ele, a atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) melhorou esse aspecto. Góes elogiou o presidente Marco Polo Del Nero e disse que o caminho para a evolução institucional do futebol brasileiro não é através de críticas.
- Nosso objetivo é melhorar o futebol brasileiro, não caçando as bruxas ou apontando defeitos, mas sim buscando soluções - afirmou.
Heitor Luiz da Costa Junior, da Federação de Futebol do Estado de Rondônia (FFER), e Evandro Carvalho, da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), completaram a mesa da audiência.
Perguntas
O presidente da CPI, senador Romário (PSB-RJ), questionou os dirigentes a respeito de vários aspectos de suas relações pessoais e profissionais com a diretoria da CBF. Romário perguntou aos presidentes das federações goiana, capixaba, rondoniense e amapaense sobre o andamento da construção de centros de treinamento – uma promessa da CBF aos estados que não sediaram a Copa do Mundo de 2014.
Em Rondônia, o terreno para a obra já foi adquirido e a previsão de inauguração do centro é dentro de seis a oito meses. No Amapá, a CBF ainda trabalha na documentação de compra do terreno, mas ele já está escolhido. Goiás e Espírito Santo ainda estão avaliando possíveis locações. Os centros de treinamento serão inicialmente administrados pela própria CBF, mas os dirigentes acreditam que a entidade buscará parceiros para isso em um segundo momento.
Romário quis saber também sobre a proximidade dos presidentes da FPF, FPF-PE e FGF com o presidente Marco Polo Del Nero, tanto em termos pessoais quanto de negócios. Carneiro Bastos (da FPF), Carvalho (da FPF-PE) e Pitta Pires (da FGF), negaram envolvimento com o mandatário da CBF.
Ao presidente da FFER, Costa Junior, Romário indagou a respeito de sua longevidade à frente da federação. Costa Junior é o único presidente da história da federação rondoniense desde sua fundação, em 1989. O dirigente garantiu que já trabalha na modificação do estatuto para limitar o número de reeleições. Essa é uma das exigências do Profut para entidades de administração do futebol.
Próxima audiência
Romário anunciou que a próxima audiência pública da CPI do Futebol será na próxima quarta-feira (28) e também receberá presidentes de federações estaduais. Os convidados serão os chefes das federações de Acre, Alagoas, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Roraima.


Em meio a essa CPI a liga Sul-Minas-Rio continua a gestação de sua primeira competição: nascerá no início do ano que vêm. A liga nasce exatamente devido ao vácuo deixado pelas federações e CBF ao não cuidar do futebol, mais preocupada em cometer crimes... Nessa semana o CEO da liga, Alexandre Kalil ao responder se a CBF não vem cuidado do futebol devido ao escândalo da FBI    

A Liga Sul-Minas-Rio já tem os três grupos definidos. A competição, cuja primeira edição será no ano que vem - com início previsto para o fim do mês de fevereiro -, contará com 12 times participantes.

A Sul-Minas-Rio recebeu o aval da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no último dia 9, quando o executivo-chefe da liga, Alexandre Kalil, esteve na entidade. 
Confira os grupos:
Grupo 1: Cruzeiro, Fluminense, Avaí, América-MG
Grupo 2: Grêmio, Internacional, Atlético-PR, Chapecoense
Grupo 3: Atlético-MG, Flamengo, Figueirense e Coritiba
São 15 os clubes integrantes da liga, mas apenas 12 participarão da primeira edição, com início marcado para fevereiro do ano que vem – a final também já tem data: 30 de março.

Acompanhando o nascimento da Liga Sul-Minas-Rio através do blog do Juca kfouri

O inferno de Marin


Juca Kfouri(19/10/2015)
José Maria Marin, prestes a ser extraditado para os Estados Unidos, mas ainda de sua cela na Suíça, manda recados e se preocupa com uma crise familiar.
 
Ao parceiro avisa que não pagará sozinho os cerca de 40 milhões de reais que a Justiça americana quer para que ele possa ficar em prisão domiciliar em Nova Iorque.
Suas contas nos Estados Unidos já estão bloqueadas e ele sabe exatamente quanto o parceiro ganhou nas negociações que fizeram juntos.
 
Se não bastasse, Marin segue um pote de mágoas com Marco Polo Del Nero por ele não ter dado a assistência que prometeu dar, no momento da prisão, à Neusa Marin, sua mulher.
Que anda cuspindo fogo em São Paulo porque, ao mexer na papelada do marido, descobriu um apartamento que não conhecia.


CBF recua e tenta barrar a Liga Sul-Minas-Rio


Juca Kfouri(19/10/2015)

Em situação de extrema fragilidade política, a CBF recuou diante da posição da FERJ e avisou a Primeira Liga que será preciso fazer uma assembleia geral para aprovar o torneio dela.
Rubinho, o presidente da FERJ, mandou uma carta exigindo que a CBF se posicionasse contra a Liga.
Ao saberem da nova posição da CBF, os presidentes dos clubes fundadores da Liga, aí incluídos as duplas Fla-Flu, Gre-Nal e Atle-Tiba, Cruzeiro e Galo, além dos clubes de Santa Catarina, já se manifestaram para repudiar a intenção da CBF, que não fez assembleia alguma, por exemplo, para aceitar a Liga do Nordeste.
“Nosso torneio sairá queira a CBF ou não, provavelmente em 19 datas e, se for o caso, apenas com os árbitros da Federação Catarinense, caso as demais se curvem e nos neguem árbitros”, disse um dos presidentes dos clubes fundadores ao blog.
Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 20 de outubro de 2015, que você ouve aqui.


Nova Liga vai à luta e CBF não sabe o que a espera


Juca Kfouri(20/10/2015)

A CBF recuou, não quer mais a nova Liga Sul-Minas-Rio e arrumou uma briga pra mais de metro, uma briga que não está em condição de comprar.
Porque com um presidente tão fragilizado que nem sair do país pode, investigado pelo FBI e por uma CPI no Senado, tudo que Marco Polo Del Nero deveria evitar seria brigar com Flamengo, Fluminense, Galo, Cruzeiro, Inter e Grêmio, Coritiba e Atlético Paranaense.
Ainda mais se quem os representa na Liga é Alexandre Kalil, um mineiro que, ao contrário da máxima, dá um boi para entrar numa briga e uma boiada para não sair.
Nero nem teve coragem de estar na reunião, ontem à tarde na CBF, para informar a Kalil da decisão da entidade, que agora quer reunir sua assembleia geral para aprovar a Liga, no próximo dia 27, coisa que não fez em relação à Liga do Nordeste.
Os fundadores da nova Liga, chamada de Primeira Liga, dizem que não abrem mão de fazer seu torneio e que vão fazê-lo com mais datas, mesmo sem apoio da CBF.
Marco Polo, que adora viajar, tem nome de viajante, mas não viaja, está cercado de diretores neófitos, que não sabem o tamanho da confusão em que se meteram.
Não bastassem o FBI e a CPI, Nero agora tem oito clubes populares para enfrentar.
Fraco como está, periga levar outra goleada não de 7 a 1, mas de oito.


Federação gaúcha apóia Primeira Liga. A mineira também


Juca Kfouri(20/10/2015)

A Federação Gaúcha acaba de anunciar o apoio aos seus filiados Grêmio e Inter.
O presidente Francisco Noveletto da FGF garantiu botar toda a estrutura da entidade para a realização do torneio.
A CBF errou o cálculo.
Às 16h20:  A Federação Mineira de Futebol também anunciou ao Atlético Mineiro e ao Cruzeiro o seu apoio.

7 a 1 foi pouco


Juca Kfouri(21/10/2015)
Por saber que o governo federal não tem a menor simpatia pela CBF, a entidade busca a bancada da bola como aliada contra a Primeira Liga.
Por saber que o governo federal não tem a menor simpatia pela CBF, a Primeira Liga busca o governo como seu aliado.
Também neste embate a CBF deve perder de goleada.

Bom Senso FC apoia a nova Liga e quer mais


Juca Kfouri(21/10/2015)

POR BOM SENSO FC
O futebol brasileiro esperava há tempos que os seus principais clubes saíssem da inércia, se reunissem e organizassem um campeonato livre da desordem da CBF e de suas federações.
O momento de crise no comando da CBF é propício, e nesse sentido a articulação dos clubes é mais do que bem-vinda, fundamental para que o futebol brasileiro evolua.
Porém não se pode ignorar que a criação de mais um campeonato no já turbulento calendário brasileiro gera problemas, sobretudo aos clubes menores, dependentes, quase que exclusivamente, dos falidos campeonatos estaduais.
Já dissemos incontáveis vezes que os estaduais no formato atual não resolvem os problemas de ninguém, são apenas uma sobrevida dolorosa aos clubes do interior, que nesse modelo atual vão fechando aos poucos as suas portas. A esses clubes, é necessário criar competições que ofereçam estabilidade e previsibilidade de datas ao longo da maior parte do ano.
A conclusão:
Criar a Liga Sul-Minas-Rio apenas para romper com a federações estaduais, arrecadar mais por meio da venda dos direitos de transmissão de jogos para a TV e competir com os desinteressantes campeonatos estaduais é sacramentar de uma vez o fim dos clubes do interior nesses estados.
A empreitada da criação da Liga só vale se for o embrião de algo maior, de uma Liga Nacional que seja capaz de reorientar o futuro do esporte mais popular do país. Uma Liga que possa a médio prazo desenvolver um campeonato de ponta para os clubes de elite e, ao mesmo tempo, estabelecer novos parâmetros às competições dos clubes do interior.

STJD promete julgar os casos da Primeira Liga


Juca Kfouri(21/10/2015)

O executivo da Primeira Liga, Alexandre Kalil (ele detesta ser chamado de CEO) disse agora pouco ao blog que obteve do STJD a garantia de que julgará os casos que venham a ocorrer no torneio agendado para o começo da próxima temporada.
A Primeira Liga já havia recebido a garantia de que a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) efetuaria os exames de praxe, assim como tem a garantia das federações que respaldam seus filiados que o quadro de árbitros delas estará à disposição do torneio.
A CBF está derretendo.



O triênio mais aguardado da história do Esporte Interativo  

Coluna de Guilherme Coelho #12



Esporte Interativo

Adquirir os direitos de transmissão da Champions League para o próximo triênio (2015/16, 2016/17, 2017/18) foi significativo para o canal Esporte Interativo. É a maior competição de clubes no mundo. O desafio agora é criar empatia entre o canal, a competição e o fã do esporte – principal interessado no assunto. Exatamente o que ocorreria na emissora concorrente, a ESPN. A Turner, que se tornou sócia do E+I em 2013, com um investimento de R$ 80 milhões, já trabalha para inserir o canal nas duas principais operadoras de TV paga do país – Sky e Net. 

Profissionais qualificados e uma cobertura de alto nível serão o chamariz do canal, que parece entender o tamanho do produto que têm em mãos. Segundo o diretor de conteúdo da emissora, Fábio Medeiros, o E+I fará a maior cobertura da competição na história do país. “Desde que adquirimos os direitos, em outubro do ano passado, começamos a nos planejar para fazer a maior a maior cobertura que a Liga dos Campeões já teve no Brasil”. As palavras são ambiciosas, e não é por menos. A Turner investiu muito dinheiro para adquirir os direitos da competição, venceu fortes concorrentes e espera pelo retorno: a audiência.
A presença nos locais dos jogos é um ponto destacável. O canal terá equipes fixas em 9 cidades da Europa (veja aqui), além de uma equipe numerosa no Brasil para transmissões simultâneas. André Henning e Vitor Sérgio Rodrigues se completam nas transmissões e formam uma bela dupla, como narrador e comentarista, respectivamente, ambos são muito qualificados. A chegada de mais profissionais gabaritados deve ocorrer em breve, algo que foi prometido desde o anúncio da compra dos direitos de transmissão. O fã do esporte aguarda ansiosamente para que tudo, de fato, seja posto em prática.


21/10/2015 - 14ª Reunião da CPI do Futebol - 2015
Horário 14:40
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Boa tarde a todos.
Havendo número regimental, declaro aberta a 14ª Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito criada pelo Requerimento nº 616/2015, com a finalidade de investigar a situação do futebol brasileiro. Conforme convocação, a presente reunião destina-se à realização de audiência pública com presidentes de federações estaduais de futebol, nos termos do plano de trabalho proposto pelo Relator, Senador Romero Jucá, e do Requerimento n. 14/2015, de minha autoria.
Estão presentes os seguintes convidados, os quais peço que componham a mesa: Sr. Reinaldo Carneiro Bastos, Presidente da Federação Paulista de Futebol; Sr. Mauro Carmélio Costa Júnior, Presidente da Federação Cearense de Futebol; V. Exª, Deputado Rogério Góes, Presidente da Federação Amapaense de Futebol; Sr. André Luiz Pitta Pires, Presidente da Federação Goiana de Futebol; Sr. Evandro Carvalho, Presidente da Federação Pernambucana de Futebol; Sr. Gustavo Vieira, Presidente da Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo; Sr. Heitor Luiz da Costa Junior, Presidente da Federação de Futebol do Estado de Rondônia.
Vou fazer uma correção aqui: é Deputado Roberto Góes.
Esta audiência pública será realizada em caráter interativo, com a possibilidade de participação popular. Por isso, as pessoas que tenham interesse em participar, com comentários ou perguntas, podem fazê-lo por meio do Portal e-Cidadania, no endereço www.senado.leg.br/ecidadania, e do Alô Senado, através do número 0800 61 22 11.
Para organizar nossos trabalhos, esclareço que após a exposição inicial dos nossos convidados, a palavra será concedida aos Senadores na ordem de sua inscrição. Terão preferência para uso da palavra, na seguinte ordem, o Relator, o Presidente, os membros e os não membros.
Com o fim de organizar o tempo disponível desta audiência pública, sugiro que cada convidado tenha dez minutos para sua exposição.
Antes de iniciarmos a nossa reunião, agradeço a presença dos senhores. Infelizmente, a mesa acabou ficando um pouco pequena, mas acredito que o que vale, o mais importante nesta reunião de hoje é o que os senhores irão dizer, principalmente porque os senhores estão aqui como testemunhas, pois vivem há muito tempo no futebol.
Eu tenho certeza de que os senhores passarão coisas importantes, interessantes e relevantes para o objetivo desta CPI, que é principalmente moralizar esse nosso futebol brasileiro, que ultimamente tem atravessado momentos bem tristes e caóticos.
Começamos, aqui, por conceder a palavra ao Sr. Reinaldo Carneiro Bastos, Presidente da Federação Paulista de Futebol.
O SR. REINALDO CARNEIRO BASTOS – Boa tarde, Senador Romário. Boa tarde, Srs. Senadores.
Sou Reinaldo Carneiro Bastos, Presidente da Federação Paulista de Futebol, há cerca de pouco mais de cem dias. O futebol é uma entidade que congrega 140 clubes profissionais, 60 ligas amadoras
60 ligas amadoras. Temos por volta de 500 árbitros. Fazemos em torno de 3,5 mil jogos por ano.
Nesse curto espaço de tempo, já tomamos algumas atitudes na entidade. Contratei um Vice-Presidente Executivo para a Federação Paulista de Futebol. Criamos junto com ele, por sugestão dele, novos departamentos, um deles é a Vice-Presidência de Integração do Atleta Profissional, que está ocupada pelo Mauro Silva, nosso campeão do mundo e um grande parceiro. Ele é um homem que tem feito uma inteiração da Federação com atletas, treinadores e gerentes de futebol. Ele tem ido aos clubes, visitado os clubes e trazido uma representação dos atletas, dos treinadores e dos gerentes à Federação. Estamos ouvindo todos os segmentos.
Criamos um departamento de desenvolvimento da arbitragem que vai cuidar de tratar da deficiência exclusiva de cada um. Hoje, o treinamento é feito para todos de forma igual. Vamos pegar possíveis deficiências de cada um e tratar especificamente cada deficiência.
Estamos atualizando nosso sistema de gestão. Nomeamos uma comissão independente para reforma e modernização do estatuto. Assim que chegamos, contratamos uma grande empresa especializada em recursos humanos para fazer o trabalho de valorização de cargos e salários da Federação Paulista de Futebol.
Pela primeira vez, um fato inédito no Brasil, tivemos exame antidoping na última divisão no futebol de São Paulo, na quarta divisão, que chamamos de Série B. Em todos os campeonatos da Série A1, Série A2 e Série A3 e segunda divisão, fazemos controle de dopagem.
Fazemos 16 campeonatos por ano. Temos mais de 60 clubes disputando Sub 15 e mais de 70 clubes, Sub 17. Temos competições Sub 11, Sub 20 da primeira e da segunda divisão. Tivemos 28,4 mil atletas inscritos em 2014.
Mas temos a consciência de que precisamos melhorar e evoluir muito ainda no futebol brasileiro. Vivemos um momento difícil, de falta de credibilidade no nosso esporte. Estou no futebol porque amo esse esporte. Gosto dele. Eu vivo... A forma que vi de colaborar com o futebol foi sendo dirigente. Não tinha nenhuma habilidade com a bola, então, resolvi ser dirigente de futebol. Então, gosto muito do que faço.
Estamos no início de uma caminhada. Na Federação temos um caminho longo a percorrer. Na segunda-feira agora, vamos apresentar aos clubes e à imprensa um novo projeto de marca e de valorização do campeonato paulista. Em resumo, temos um trabalho muito grande pela frente. Temos tido a parceria e a colaboração dos clubes de uma forma que me deixa muito feliz e emocionado. Tenho a presença e o apoio de clube humilde a clube grande, de clube rico, de clube menos rico. Temos um contato frequente e apoio para a decisão. Temos decisões duras para serem tomadas. Temos decisões difíceis. Temos uma legislação muito difícil. Precisamos entender que a legislação é feita para todos
a todos os clubes. E um clube que tem um grande potencial, ele tem uma estrutura, ele tem até um suporte financeiro para se adequar a essa situação.
Um clube humilde, um clube da última cisão, um clube do interior de um Estado, ele não tem essa estrutura, não tem essa bagagem, não tem essa forma de se adequar. Nós vamos sofrer muito com o fomente do futebol. A gente precisava, eu penso em futebol o tempo inteiro, e às vezes eu fico pensando se não está na hora de se criar uma legislação para o micro e pequeno clube, que simplifique a vida deles. É muito difícil, é quase impossível, eu tenho presidentes de clubes menores, clubes corretos, organizados, que estão desistindo, por conta das exigências. E precisamos ter exigências, eu quero deixar bem claro que a gente precisa cobrar muito gestão, transparência, qualidade, e nós vamos fazer isso, mas de formas diferentes. Nós temos grandes empresas e temos pequenas e micro empresas; as exigências das grandes empresas são diferentes das das micro e pequenas empresas.
E é esse apelo que eu deixo aqui, que a gente consiga sensibilizar os senhores, o Senador Romário conhece o futebol como atleta e até como dirigente, que a gente olhe a possibilidade de os clubes serem tratados, sim, de uma forma moderna, de uma forma clara, de uma forma transparente como empresa, mas, como as empresas são. Um micro e um pequeno clube, um clube pequeno do interior, que ele tenha uma legislação em que a burocracia seja mais simples, que a burocracia seja mais fácil para que ele possa fomentar.
Se os senhores analisarem, em 2010, quando o Luiz Felipe Scolari convocou a seleção, nós, a imprensa toda questionou se o Neymar e o Ganso não iam. De lá para cá, não há mais questionamentos, nós não produzimos mais nenhum craque fora de série, nós não temos, porque o fomento diminuiu, diminuiu a quantidade de camisas disponíveis para o moleque jogar. E o moleque, para aparecer, ele não precisa de uma camisa de time grande não, ele precisa de uma camisa, ele precisa disputar uma competição, uma competição humilde ou uma competição milionária, mas ele precisa de uma camisa para disputar uma competição, porque ele vai ser visto por alguém e ele vai galgar o caminho que a competência dele lhe permitir.
São essas as minhas palavras e esse é o apelo que eu deixo: de a gente preservar o micro e o pequeno clube. Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem, Presidente, muito obrigado aqui pelas palavras.
Eu passo a palavra agora ao Sr. Mauro Carmélio Costa Júnior, Presidente da Federação Cearense de Futebol.
O SR. MAURO CARMÉLIO COSTA JÚNIOR – Boa tarde a todos, cumprimento V. Exª, Senador Romário, e os demais Senadores presentes, e agradeço o convite para colaborar com esta Comissão, falar do futebol brasileiro, mais especificamente da realidade do futebol cearense, uma realidade tão distinta da dos Estados mais aquinhoados de receitas, pondo-me, desde logo, à disposição para quaisquer questionamentos nesta ou em qualquer oportunidade. Queria pedir permissão para discorrer o tempo que me for permitido sobre o futebol cearense.
Sou advogado, especializado em Direito Bancário, Securitário e Desportivo, tenho 53 anos de idade, sou casado e tenho três filhos. Assumi a Federação Cearense de Futebol em 2010, tendo, portanto, cinco anos à frente da entidade regional.
Recebi do meu antecessor uma federação sucateada, parada no tempo, sem informática, com máquinas de escrever espalhadas nas salas, com uma estrutura arcaica, seja estrutural, seja de capacitação dos funcionários. Infelizmente, tive que fazer uma grande renovação de quadros, uns por aposentadoria, outros por incapacidade de adaptação, e hoje tenho uma federação enxuta, mas eficiente. Tive que investir em mobiliário e em terminais de computação, que eram inexistentes.
Recebi uma federação que fazia campeonatos estaduais em duas divisões e duas copas nas categorias Sub-18 e Sub-16. Desde 2011 a Federação Cearense realiza quatro competições profissionais: Série A, Série B, Série C e a Taça Fares Lopes, competição profissional do segundo semestre que indica o representante cearense na Copa do Brasil, na qual se homenageia um ex-esportista e ex-presidente da federação local e dá calendário para os clubes cearenses ao longo do ano, notadamente para os que não disputam o Campeonato Brasileiro.
aos que não disputam o campeonato brasileiro. Com isso, movimentamos aproximadamente 30 clubes profissionais por ano; dois clubes bem estruturados, o Ceará Sporting Clube e o Fortaleza Esporte Clube; e o restante, um misto de clubes emergentes e sobreviventes.
Para as categorias de base, saímos de 60 jogos ao ano para 400 jogos. Realizamos cinco competições anuais, bancando toda a despesa de arbitragem, delegado, bolas, gandulas, ambulância e, às vezes, até aluguel e marcação de campo e transporte dos próprios clubes. E como foi feito e é feito isso? Qual é o milagre? A Federação Cearense de Futebol não recebe nenhuma verba estatal, seja municipal, seja estadual, seja federal. Nenhum convênio de verba passa pela federação. Mesmo assim, realizamos, nas categorias de base, o sub-20, o sub-17, o sub-15 e o sub-13, além do estadual feminino, esse com muita dificuldade, pela pouca adesão dos maiores clubes cearenses.
Investi na arbitragem cearense trazendo instrutor FIFA para qualificar nossos árbitros. Realizo cursos periódicos para renovar e treinamento para aprimorar nossos 120 árbitros. Eles possuem acompanhamento de nutricionista, psicólogo, preparador físico, médico, ambulância etc. Espero que esse investimento seja recompensado com a revelação de talentos.
Tenho muito orgulho do trabalho que realizei. Muito foi mudado no futebol cearense. Muito ainda eu gostaria de realizar. A engenhosidade combatendo a falta de recursos tem limites e barreiras que busco suplantar.
Fui um dos primeiros a apoiar a volta da Copa do Nordeste, que é um produto vitorioso, visto ser o nordestino apaixonado pelo futebol.
Acredito que o calendário atual, apertando as datas para o estadual, é danoso ao futebol cearense, ao futebol nordestino. Nossa realidade é diferente. Um Estado como o nosso não pode sobreviver de apenas dois clubes. A realidade de Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul é diferente da nossa. Somos a décima federação no ranking nacional, em que o futebol de Pernambuco, Bahia, Goiás, Santa Catarina e Paraná está muito à nossa frente. O Brasil, Senador Romário, é grande demais, tem realidades distintas. Tirar uma federação ou um Estado como retrato do País é um erro.
O que penso sobre o futebol atual? Acho que o País precisa investir mais nas categorias de base. Deveria voltar a obrigatoriedade da prática esportiva nas escolas, local onde nascem futuros atletas. Pleiteio a volta do Brasileiro de seleções estaduais nas categorias sub-20 e sub-17, em que haveria maior oportunidade de visão dos atletas fora do eixo Sul-Sudeste. Entendo também que deveriam ser revistos os custos do futebol profissional, com uma maneira de se desonerar sua prática. Esporte é saúde, futebol é a prática esportiva mais barata do mundo, para ser praticado na rua, na porta de casa, mas, infelizmente, é muito oneroso para quem o leva a sério. Temos talento nato, mas precisamos de apoio.
Estou à disposição dos senhores para colaborar com esta Comissão.
Muito obrigado pela oportunidade.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Presidente Mauro Carmélio.
Passo a palavra agora ao Deputado Federal Roberto Góes, Presidente da Federação Amapaense de Futebol.
O SR. ROBERTO GÓES – Primeiro, agradeço pelo convite para estar aqui. E agradeço a presença de todos os colegas Deputados: Andres Sanchez que está por aqui; nosso Vice-Presidente e Deputado Federal Vicente Candido; e outros Deputados que estão aqui junto conosco.
Sou Presidente da Federação Amapaense de Futebol, uma federação pequena, mas organizada.
E, aqui, eu queria colaborar com o que foi dito pela Federação Paulista, o Dr. Reinaldo.
Existe esta CPI, e eu acho que, aqui, do limão devemos fazer uma limonada, Senador Romário, e devemos trabalhar de forma muito clara, principalmente na reforma das leis para os clubes. Há clubes grandes, há clubes pequenos, como foi dito. Infelizmente, os nossos clubes
já foi dito. Infelizmente, nossos clubes são profissionais, mas têm uma estrutura de amador e ainda pagam um imposto muito pesado para se manter. A minha federação tem 10 clubes profissionais, 13 clubes amadores e 16 ligas. Estou à frente da Federação de Futebol já há mais de 10 anos. Tenho trabalhado incansavelmente para a melhoria do futebol no País. Não é fácil fazer futebol neste País, o senhor sabe disso, pois já foi jogador de futebol, já foi ídolo da Seleção Brasileira, já teve uma boa relação com a própria CBF, já foi dirigente de clube e sabe que a situação do futebol brasileiro, mesmo com todos os problemas, nós somos os melhores ainda.
Quero me colocar à disposição da CPI, como convidado, e agradecer a presença de todos os nossos presidente de federação, que estão aqui, junto com V. Exª, junto com o Relator Romero e junto com todos os Senadores, no melhor objetivo, que é fazer com que melhoremos o futebol brasileiro, não caçando as bruxas, não apontando defeitos, mas, sim, buscando a solução, que é isso que nós queremos.
Faço parte de uma comissão de esporte que está tratando sobre a questão da violência nos estádios, que é um problema grave no Brasil, como é em outros países também. Tive a oportunidade de visitar outros países. Estamos trabalhando a questão das leis que possam garantir melhores condições para os clubes, para os atletas.
Quero também parabenizar aqui a Presidente Dilma, que encaminhou um projeto à Câmara, onde foi discutido. O Deputado Jovair, aqui presente, teve oportunidade de trabalhar, como Relator, na comissão, que, com certeza, vai melhorar muito, fazendo com que os clubes que estão endividados possam ter tempo para sanar as suas dívidas e melhorar o seu plantel, o seu centro de treinamento, melhorar ativamente o futebol brasileiro.
No mais, agradecer o convite de V. Exª e me colocar à disposição da Comissão.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Deputado, Presidente Federação Amapaense, Roberto Góes.
Antes de passar a palavra ao próximo, gostaria de agradecer a presença dos Deputados Federais aqui, hoje, nesta comissão: Deputado Andres Sanchez, Deputado Marcus Vinícius, Deputado Vicente Cândido, Deputado Jovair Arantes, e todos os presentes, e os Senadores que vêm participando sempre desta CPI.
Passo a palavra, agora, ao senhor André Luiz Pitta Pires, Presidente da Federação Goiana de Futebol.
O SR. ANDRÉ LUIZ PITTA PIRES – Boa tarde, Boa tarde, Senador Romário; boa tarde a todos os Senadores e Deputados Federais aqui presentes.
Meu nome é André Luiz Pitta Pires, 38 anos, sou nascido em Santos e fui criança para Goiás ainda. Assumi a Federação Goiana de Futebol há cerca de 7 anos. A Federação Goiana de Futebol, no momento em que assumi, vivia algumas dificuldades em relação a problemas tributários, trabalhistas. Nós viemos, ao longo desses anos, buscando a melhoria e a limpeza do nome da Federação, para que nos desse uma condição de um futuro promissor, conseguirmos buscar convênios, parcerias e uma forma de ajudar os clubes Goianos.
Hoje, a Federação Goiana de Futebol detém todas as certidões tributárias e trabalhistas, sem nenhum tipo de pendência. Não temos processos judiciais, nenhum tipo de problema na Justiça. Estamos buscando fomentar principalmente o futebol de base, o futebol das equipes mais fracas, até porque nós entendemos que temos que respeitar os grandes clubes do futebol brasileiro e também de Goiás, mas eles já se encontram dentro de uma estrutura muito boa, com uma torcida muito forte e uma condição financeira muito maior do que os pequenos clubes do futebol, não só goiano, mas também brasileiro.
No futebol goiano, hoje, nós temos em atividade 29 clubes profissionais envolvidos em primeira, segunda e terceira divisão. Nós temos 120 clubes não profissionais divididos em 9 competições, sendo sub-20 sub-17 sub-15, sub-14 e futebol feminino, que nós realizamos todos os anos. Estamos buscando parcerias, ações sociais, buscando movimentar as categorias de base, porque o futebol brasileiro, hoje, sem dúvida nenhuma, precisa alavancar a base. Nós estamos vendo vários garotos indo embora do Brasil, sem mesmo passar por nossos clubes. Eu acho que
... passar para os nossos clubes. E acho que é importante a presença de V. Exªs, Senadores e Deputados, todos abdicando do seu tempo para podermos estar aqui juntos, buscando melhorias para o futebol, não só dos nossos Estados, mas também para o futebol brasileiro. Preocupa-nos muito quando falamos no fim da possibilidade dos estaduais, onde nós mataríamos cerca de 500 clubes do futebol brasileiro. Onde não há um clube grande jogando, o pequeno não tem força financeira nem política para conseguir disputar as competições.
Agradeço poder estar presente aqui hoje e espero esclarecer tudo que for colocado a mim e ao futebol. Que eu possa ajudar, para que nós possamos melhorar o futebol brasileiro, que carece de muitas melhorias.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, presidente.
Agora, passarei a palavra ao Sr. Evandro Carvalho, presidente da Federação Pernambucana de Futebol.
O SR. EVANDRO CARVALHO – Boa tarde a todos.
Senador Romário, Srs. Deputados, Srs. Senadores, demais colegas, presidentes de federações, minhas senhores e meus senhores, meu nome é Evandro Barros de Carvalho, presidente da Federação Pernambucana de Futebol, sendo que o primeiro processo eleitoral a que me submeti foi em janeiro deste ano, em complemento a um período de dois anos de presidência por força do óbito do ex-presidente.
Eu gostaria, nesta oportunidade, de agradecer o convite para comparecer a esta sessão. Entendo que poderemos contribuir, efetivamente, com exemplos, com sugestões e com ideias que possam melhorar e qualificar melhor as gestões das federações, a disputa dos jogos e o desenvolvimento e o fomento do nosso futebol.
Eu gostaria, Senador Romário, de me ater, especificamente, a um programa em Pernambuco, motivo pelo qual faço uma referência elogiosa ao ex-Governador Eduardo Campos, falecido num acidente quando ainda em campanha na disputa da Presidência da República. O Governador Eduardo Campos implantou em Pernambuco um projeto que visava – e visa, porque nós o temos ainda; está provisoriamente suspenso devido a essa crise econômico-financeira pela qual passamos e que, conjunturalmente, também atinge o Estado de Pernambuco, ainda que nosso Estado tenha tido, nos últimos oito anos, o melhor índice e pico de desenvolvimento em termos de economia estadual. Esse programa foi que possibilitou a Pernambuco ter o único clube do Norte e do Nordeste na Série A atualmente; possibilitou ter dois clubes na Série B; possibilitou ter um clube na Série C e dois na Série D; possibilitou realizarmos o que, evidentemente, a grande mídia nacional não divulga. Mas, Srs. Senadores, Srs. Deputados, Sr. Presidente, Pernambuco – e eu me orgulho de dizer isso – é o único Estado do Brasil em que o torcedor em campo tem um seguro médico que permite a ale, em uma emergência ou uma urgência médica, ser atendido nos hospitais privados, seja em cirurgia ou em UTI.
Pernambuco – e eu me orgulho disso também – é o único Estado em que os atletas, a partir de 13 anos, têm seguro de vida nas disputas das competições amadoras, inclusive os profissionais em que a lei não determina à federação arcar com esse custo. É um custo que a lei determina ao clube de futebol, mas os clubes pernambucanos não precisam arcar com esse custo, porque a federação o faz.
E tudo isso decorreu, Sr. Presidente, da visão do nosso ex-Governador e do atual Governador em fomentar e em entender que a arrecadação do ICMS poderia, na medida em que ela é projetada e alavancada com números superavitários, poderia ter um percentual destinado aos clubes de futebol.
Então, nós realizamos hoje, Presidente, uma competição que eu calculo, estimo que seja a maior do mundo. Nós temos hoje mais de 700 clubes, com mais de 20 mil atletas, na faixa de 15 a 17 anos, jogando anualmente. E nós nos orgulhamos de ter implantado o primeiro programa. que nós chamamos de Primeiro Emprego. A federação qualifica, através de uma comissão, os 11 melhores jogadores abaixo de 17 anos; a federação os contrata como profissionais e os insere em cada clube profissional do Estado. E tudo isso só é possível não por mérito deste Presidente, não por qualificação de sua diretoria; pela visão do ex-Governador em ter um projeto que permitiu alavancar e direcionar os clubes de Pernambuco o montante...
de Pernambuco o montante... E eu vou passar à mão de V. Exª, para que possa, naturalmente, também ser objeto de análise por todos. Nós conseguimos repassar aos clubes de Pernambuco R$51,4 bilhões. Isso permitiu, nesse período do programa, fazer com que os clubes se fortalecessem, com que um clube do interior, como o Salgueiro, ultrapassasse o Clube Náutico Capibaribe, um clube de história de um século, de cem anos, e disputasse por duas vezes a Copa Nordeste. Permitiu que tivéssemos clubes do interior. Nós temos hoje nove estádios com qualificação para jogos de Série B e Copa Brasil. Permitiu que nós tivéssemos estádio próprio em Salgueiro, estádio em Petrolina, estádio de Caruaru, com capacidade para 22 mil pessoas.
Então, toda essa estrutura do futebol, toda essa capacidade a Federação teve, junto com os clubes, de se desenvolver como entidade de fomento, que é como nós que fazemos a Federação Pernambucana nos vemos. E procuramos estabelecer esse parâmetro que nós somos uma entidade de fomento que visa descobrir oportunidades que possibilitem o fortalecimento dos nossos clubes.
O programa, que foi desenvolvido em Pernambuco a um custo ínfimo de R$30 por usuário, quando nós comparamos com o programa da nota fiscal paulista, que é outro modelo e não visa o futebol, que tem um custo de R$833 por usuário... Nós conseguimos implantar um programa em Pernambuco, ao custo de R$30, que arrecadou mais de R$50 milhões para os clubes e as instituições amadoras de prática de futebol.
A minha proposta, Senador, se é que me é permitido formular alguma proposta, seria que tivéssemos uma ação do Governo da União visivelmente projetada para os Estados e Municípios, com a qual nós buscássemos criar condições de projetos como este, que tem um cunho pedagógico, que faz com que, na ponta, naquele pequeno comércio que ainda não é integrado on line, em real time, com a nota fiscal eletrônica, que possibilite o comprometimento do pequeno comerciante e de toda a população de buscar que essas ações revertam em recursos para os clubes. Porque, sem dúvida, a colocação do Presidente Reinaldo, de que nós temos que verificar e estabelecer a discrepância de relação entre um clube grande, como no meu Estado o Sport Club do Recife...
O Sport Club do Recife, para que os senhores dimensionem o que é hoje, o Sport está, parece-me, entre os três ou quatro do Brasil que não possuem um passivo de ordem trabalhista, previdenciária, fiscal ou comercial; que possui um patrimônio de mais de R$1 bilhão em área física em construção. Possui estádio próprio e está em vias de iniciar a construção de uma arena para 50 mil pessoas.
É evidente que a realidade de um clube deste não pode ser comparada à realidade do Central de Caruaru, do Salgueiro. O Salgueiro tem centro de treinamento com quatro campos. O Porto, de Caruaru, é um clube pequeno na estrutura e na dimensão do futebol brasileiro, mas um clube que já colocou quatro jogadores da Seleção Brasileira formados na sua base. E tudo isto não cai do Céu. Tudo isto não é possível se alcançar se não existirem recursos, se não prevalecerem metas e projetos públicos que viabilizem, com discernimento, com objetividade, o incentivo ao desenvolvimento do futebol nessa malha básica que é o futebol formado do interior e das pequenas comunidades.
Então, eu gostaria de dizer que, no meu Estado, o nosso orgulho não resulta apenas do desenvolvimento e da performance dos nossos clubes profissionais, como o Sport, na Série A. Mas é muito mais pela nossa relação com a prefeitura e com o Estado em projetos sociais como este.
Muito obrigado. Estou à disposição para, nesta audiência, ou em qualquer outra, responder e prestar quaisquer esclarecimentos em prol do futebol.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Sr. Evandro.
Passo a palavra agora ao Sr. Gustavo Vieira, Presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo.
O SR. GUSTAVO VIEIRA – Boa tarde a todos. Cumprimentando o Senador Romário, eu cumprimento os demais Senadores e Deputados presentes.
Agradeço o convite de V. Exª, Senador Romário, e me coloco à inteira disposição no sentido de contribuir com os trabalho desta Comissão durante esta reunião e, se necessário, em uma próxima.
Eu sou capixaba, tenho 40 anos, sou empresário, administrador, especializado em gestão esportiva. Assumi a Presidência da Federação no dia 27 de abril deste ano, exatamente há seis meses. E faço um alerta aqui, em nomes dos clubes e profissionais do meu Estado, aos Senadores...
esportivos presentes nesta sala e aos demais que estão nos assistindo, para que seja revista a questão da obrigatoriedade de apresentação para participação nas competições profissionais das CNDs, assim como a apresentação do certificado de regularidade do FGTS e a comprovação de pagamento dos salários e contrato dos demais atletas, agora, então, exigidos pelo Estatuto do Torcedor, após o Profut ter sido sancionado pela Presidente Dilma.
Isso certamente irá ocasionar a impossibilidade de participação de inúmeros clubes profissionais em competições no próximo ano em todo Brasil. Somente no meu Estado, em um levantamento fizemos semana passada, metade dos clubes, ou seja, cinco clubes da nossa primeira divisão, não poderiam hoje participar do nosso campeonato. O que representa, aproximadamente, uma redução de 200 empregos diretos e inúmeros atletas de categorias de bases que não terão onde desenvolver suas atividades esportivas. Será um verdadeiro genocídio de clubes, postos de trabalhos e sonhos em todo o Brasil.
Srs. Senadores, faço esse apelo em nome dos clubes e atletas do meu Estado, como a Desportiva Ferroviária, que tem 50 anos de existência e que descobriu e formou atletas como Sávio, que passou pelo Flamengo, Real Madrid e seleção brasileira; Giovani Silva, que jogou com o Senador Romário no Vasco, seleção brasileira e que, atualmente, é nosso vice-presidente; além do Kieza, que é o artilheiro do Brasileiro da série B pelo Esporte Clube Bahia.
Nesse contexto também entra o Rio Branco Atlético Clube, clube centenário, e o Estrela, de Cachoeiro Itapemirim, cidade do Rei Roberto Carlos, que exercem importante papel na sociedade capixaba e na formação de jovens atletas, além da inclusão social que, infelizmente, o Estado deveria, mas não consegue realizar.
Temos que rever este ponto específico urgentemente. Concordamos que temos que evoluir no que se refere à gestão dos clubes e das federações. Mas não será matando, principalmente os clubes de pequeno e médio porte, que iremos avançar. Muito pelo contrário, são esses clubes, talvez, a única chance de inclusão social de um número de jovens de áreas de risco e áreas rurais, no caso, o meu Estado.
Visto que o modelo de desenvolvimento esportivo no Brasil se dá exclusivamente através dos clubes, e não através das escolas e universidades públicas, como em países como Estados Unidos, Canadá, China e Austrália, verdadeiras potências esportivas.
Temos que ajudar os clubes de pequeno e médio porte, para que eles possam continuar a exercer seu importante papel na sociedade brasileira. O futebol capixaba gera atualmente mil empregos diretos e renda para inúmeros fornecedores.
Com essa nova exigência apresentada pelo Profut, através da alteração do art. 10 do Estatuto do Torcedor, iremos simplesmente desmobilizar toda a cadeia produtiva do futebol do meu Estado que, em números, representa, em média anual, três mil atletas participando de todas as competições; ingresso anual de 800 novos atletas através das categorias de base; 14 competições oficiais entre amadores e profissionais, destacando aqui a Sub 17 Nacional, que realizamos desde 2008. Em 2008, ela teve a participação do Neymar. Nada mais nada menos que um terço da seleção brasileira sub 20, que esteve no Espírito Santo semana passada, passou pelo Espírito Santo nessa nossa competição.
Realizamos 700 jogos no ano/média. Nossa federação possui todas certidões e somos a única federação no Brasil a ter um projeto aprovado, executado e com prestações de contas aprovadas pelo Ministério do Esporte.
Faço outra sugestão: aprimorar o mecanismo de proteção aos clubes formadores, hoje praticamente inexistente.
Boa tarde a todos. Coloco-me à inteira disposição de V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Presidente.
Agora, como último expositor, o Sr. Heitor Luiz da Costa Júnior, Presidente da Federação de Futebol do Estado de Rondônia.
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – Sr. Senador Romário, Srs. Senadores, Srs. Deputados, quero, na oportunidade, congratular especialmente os Exmos Srs. Senadores do Estado de Rondônia, Valdir Raupp, Ivo Cassol e Acir Gurgacz, que, durante todo esse período que nós estamos frente à Federação, nunca se omitiram em ajudar a desenvolver o futebol do Estado de Rondônia.
Na oportunidade, meu nome é Heitor Costa, sou mineiro, estou em Rondônia há 40 anos e sou odontólogo. Fui ajudar a desbravar, à época, o Território Federal de Rondônia, V. Exª
Federal de Rondônia. V. Exª, que administrou muito bem o Estado do Amazonas... Jorge Teixeira foi o nosso primeiro governador na época. E na ocasião passou a Estado. Hoje é um Estado jovem, um Estado com alguns problemas, pois ainda está na fase de implantação dos Poderes, Deputado Romero Jucá. E eu assumi a Federação, eu exerci o mandato de deputado estadual por quatro legislaturas...
Eu fui convidado na época pelo Presidente da Assembleia, o Prefeito Chiquilito – que infelizmente faleceu. Na época o Jerônimo Santana era o governador –, para assumir a nossa Federação, que estava sob intervenção, Senador Romário. E nós começamos uma vida nova.
Então, Rondônia é um Estado tipicamente diferente. Rondônia tem uma miscigenação muito grande. São – como se diz – brasileiros de todo o Brasil, que estão ajudando a desenvolver aquela região. Mas a Federação cumpriu e cumpre religiosamente, transparentemente, as suas funções. Hoje a Federação realiza todos os seus campeonatos, fomenta a base e tem um relacionamento muito bom com os clubes. E conseguimos colocar Rondônia no cenário nacional, participando das atividades da Confederação Brasileira de Futebol, tais como Copa do Brasil, Copa Verde e Série D. Também participamos de competições de base: Copa São Paulo, Copa Promissão, Copa Espírito Santo – para a qual recebi convite do ilustre colega Gustavo Vieira.
Então, rapidamente, nós vamos estar aqui, à disposição de vocês.
Conforme o cronograma da Federação, ela mantém um calendário anual com competições que vão desde as categorias de base – Sub-16, Sub-17, Sub-20 –, incluindo o Campeonato Estadual Feminino, culminando com o Campeonato Rodoniense de Futebol da Primeira Divisão. É desnecessário dizer que a nossa Região é muito carente de recursos. Portanto, é muito difícil conseguir qualquer tipo de ajuda do Poder Público aos clubes e ligas filiados.
Quanto às categorias de base, anualmente temos os campeonatos dessas categorias, como os do Infanto-Juvenil Sub-17 e Sub-20 Femininos. Nós temos nossos calendários, que já foram publicados, para o ano de 2016.
A Federação mantém um programa de ajuda simples, simbólica, aos clubes e às ligas, extrapolando a sua verdadeira função, Senador, que seria somente organizar as competições, em razão das dificuldades financeiras na nossa Região.
Então, nós fornecemos bolas, material esportivo e as transferências de atletas em comum acordo com os colegas de outras federações. Então, a Federação fornece bola para todas as competições e tem conseguido – com muita luta, por sinal – patrocínios junto às empresas de renome, que vêm ajudando os clubes filiados, principalmente do campeonato profissional, no pagamento de despesas, tais como as referentes a arbitragem e premiação.
Não temos... Isto é um apelo que eu vou fazer, Srs. Senadores: não temos, em todo o Estado, um só estádio à altura de recebermos grandes competições em nível nacional. O sonho da população de Rondônia, de quase dois milhões de habitantes, é termos, lá, grandes clubes na Copa do Brasil. Mas infelizmente, na capital do Estado, temos o velho Aluízio Ferreira – se não me engano V. Exª já jogou lá... Se eu não me engano... (Risos.)
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – Ficou no banco.
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – Ficou no banco? (Risos.)
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – Isso aí é uma coisa...
Presidente, primeiro eu já gostei do senhor de primeira. Estou falando a verdade.
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – Obrigado. Obrigado.
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – O Romário outro dia deu uma entrevista dizendo que era o maior finalizador do futebol brasileiro. Liguei para ele e falei: "Romário, você se esqueceu de mim". Ele disse: "Ô rapaz, eu esqueci
eu esqueci mesmo!"
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Então, desculpa!
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – Mas deixa eu lhe dizer uma coisa: joguei, fiz dois gols lá.
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – Então, vamos prestar homenagem a V. Exª.
Concluindo, principalmente no campeonato profissional, nós só temos um estádio. Grandes cidades, a nossa Capital hoje com quase 500 mil habitantes ou mais, com as duas hidrelétricas que foram recentemente inauguradas, eram mais de 70 mil homens lá trabalhando. Então, Rondônia e Porto Velho crescem acelerados e desordenados.
Então, nós precisamos, aproveitando o convite do Senador Romário, para que aqui viéssemos, para que pudéssemos dispor, realmente contribuir para ajudar a desenvolver a realidade do nosso futebol nacional. Eu me coloquei à disposição, como bom mineiro que sou, para aqui vir e realmente estar junto com vocês, para que nós realmente possamos achar essas soluções que são muito interessantes.
E, concluindo, não há incentivo do Poder Público, tampouco da iniciativa privada, os clubes e ligas. A iniciativa privada não vislumbra o retorno, a falta de estádios, com a devida infraestrutura. Então, realmente eles ficam preocupados, não ajudam, fogem, porque nós não temos um estádio à altura. Para nós recebermos, que é o maior orgulho receber o Corinthians lá, o Cruzeiro, e muitos cruzeirenses lá.
E, evidentemente, essa falta de estádio com infraestrutura para sediar os jogos e que recebem público... A exemplo deste ano, a nossa média foi muito baixa, do nosso campeonato, mas conseguimos concluir. A federação faz o seu balanço religiosamente, anualmente, tanto que é publicado no nosso site, no site da Confederação Brasileira de Futebol, nós temos todas as certidões, não tem uma vírgula de problema com o INSS. Então, com esse período, eu consegui, graças a Deus, dar uma mentalidade numa federação humilde, pequena, mas que pertence ao nosso País.
Então, Srs. Senadores, muito obrigado pela atenção. Muito obrigado, Senador Romário. Estamos aí à disposição de V. Exª. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Presidente.
De acordo com o que foi dito aqui, por mim, anteriormente, vamos seguir com a reunião. Nosso Relator, o Senador Romero Jucá, encontra-se presente. Parabéns pelo casamento.
Gostaria de falar alguma coisa?
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB - RR) – Gostaria, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Eu passo aí a palavra ao Relator, Senador Romero Jucá, para que faça suas indagações que entenda necessárias.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB - RR) – Primeiro, eu quero saudar os nossos convidados, presidentes de federações, o Reinaldo Carneiro Bastos, da Federação Paulista de Futebol; o Mauro Carmélio Costa Júnior, da Federação Cearense; o André Luiz Pitta, da Federação de Goiás; o Evendro Carvalho, meu conterrâneo, da Federação de Pernambuco; o Gustavo Vieira, do Espírito Santo; Heitor Costa Júnior, da Federação de Rondônia, e Roberto Góes, Presidente da Federação do Amapá.
Quero dizer que, para nós, a presença de vocês aqui é muito importante porque, ao aceitar essa relatoria, sabemos que toda CPI surge de fatos negativos, ela surge de pontos fora de curva que, efetivamente, precisam ser avaliados, investigados. Se houver regularidade, punidos, mas, na verdade, a boa CPI é a CPI que usa a experiência errada para construir um novo destino correto. E a minha intenção na relatoria da CPI é exatamente procurar, junto com quem faz o futebol brasileiro – e aí o Presidente Romário tem uma experiência muito maior do que eu de vivência do outro lado do balcão, vamos dizer assim, do campo de futebol –, usarmos a experiência do Senado, usarmos a bagagem de vocês construirmos efetivamente uma legislação que possa melhorar o futebol brasileiro.
O futebol brasileiro é muito diferente, porque o Brasil é muito desigual. Aqui não está o meu companheiro Zeca
Aqui não está o meu companheiro Zeca Xaud, de Roraima. Vai estar, animado do jeito que ele é. Mas uma coisa é você discutir a federação do Amapá, de Roraima, de Rondônia, outra coisa é você discutir a federação de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais. Uma coisa é você discutir a federação e os clubes de capital, outra coisa é você discutir, como falou aqui o presidente de Pernambuco, a situação do Salgueiro, do Porto, enfim, de clubes do interior que têm outra realidade.
Então, qual é o nosso desafio? Modernizar a legislação, dar mais transparência ao futebol, criar mecanismos de sustentabilidade do futebol e dos clubes. Falou-se aqui na questão da CND. Eu me preocupo com essa questão, porque se a gente colocar os clubes no regime normal de arrecadação e pagamento, é um processo que sabemos que não vai dar certo. Então, o que podemos fazer?
Eu estava aqui conversando com o João Avaí, com o André Sanches. Nós temos que usar até a tramitação do que ocorreu e o típico do que deu certo e do que deu errado e procurar, aqui na CPI, propor alguns projetos que ajustem a legislação vigente, que começou a funcionar, apresenta alguns acertos e algumas dificuldades.
Então, a gente tem esse desafio. Nós queremos efetivamente verificar como melhorar a questão do cadastramento dos clubes, a participação dos times de futebol, a questão das receitas, como ampliar as receitas dos clubes. Como é a relação dos clubes com a CBF. O que pode melhorar? Como pode melhorar, não é?
A gente vê essa questão da violência nos Estados. Existem experiências inovadoras e positivas em alguns Estados. Em outros, nós temos dificuldade. Então, o que eu queria? Eu não tenho pergunta direta, aqui, porque aqui nós temos experiências...
Vocês vão falar? Os Senadores vão perguntar. Mas eu queria pedir, solicitar a contribuição de vocês, para que efetivamente contribuam com esse trabalho que a gente pretende fazer para modernizar o futebol brasileiro.
Como vocês podem fazer isso? Encaminhando para mim sugestões, temas, dificuldades. A gente quer conhecer a fundo o detalhe. E quem conhece o detalhe são vocês. A gente quer ir a fundo conhecer o detalhe, para ver como a gente constrói uma alternativa usando a política, usando a experiência das Senadoras e dos Senadores do Senado da República, para a gente poder ter um relatório que efetivamente seja algo construtivo.
Nós vamos punir quem tiver feito errado, vamos atuar onde houver a necessidade de atuar para corrigir rumos. Mas a gente tem que olhar o futebol brasileiro para o futuro. E discutir efetivamente com os clubes e com as federações: qual é o modelo melhor? Aqui já se discutiu que deveria ter campeonato estadual, deveria ter campeonato nacional, como é em alguns países. Mas os países que têm campeonato nacional não são do tamanho do Brasil, nem há diferença de região, como tem o Brasil.
Uma coisa é fazer um campeonato nacional na Espanha, na Itália, na Inglaterra, na própria Alemanha; outra coisa é fazer um campeonato único, ou dois ou três, no Brasil! Isso atende à formação de atletas? Isso atende à questão das categorias de base? Como a gente vai fazer para formar atletas e voltar a ser efetivamente o melhor futebol do mundo? O que a gente tem que fazer para isso?
Então, eu queria registrar a importância do depoimento de vocês. Pedir essa colaboração. Eu estarei à disposição para conversar pessoalmente, para receber questões por escrito, para serem colocadas dificuldades, para fazer reuniões com segmentos de federação, não aqui na CPI, mas no meu gabinete, chamando mais algum Senador que tenha interesse.
Enfim, a gente sentar e aprofundar os problemas. Essa é a minha intenção. É a gente sair aqui desse trabalho com uma condição de apontar uma direção melhor para o futebol brasileiro. E a contribuição dos senhores vai ser muito importante.
Eram essas as minhas palavras.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem.
Nós somos, na verdade, cinco Senadores que iremos fazer perguntas. Vamos fazê-las, então, por blocos. Acredito que eu serei o primeiro, como Presidente. Depois, o segundo será o Senador Wellington Fagundes. Terceiro, o Senador Omar Aziz. Quarto, o Senador Davi Alcolumbre. Quinto, o Senador Zeze Perrella. Até o momento foram os que apareceram aqui.
O Senador Hélio José também fará
(...) suas peguntas.
Eu aqui formatei algumas perguntas, específicas para os Srs. Presidentes, e vou começar com o Presidente do São Paulo, o Sr. Reinaldo Carneiro Bastos.
Há 14 anos, a Propaganda Estatica Internacional detém o contrato de placa do campeonato paulista. Nós temos informações de que, pelo menos em duas oportunidades, a Federação Paulista fechou por um contrato menor do que outro oferecido. Por que a Federação Paulista nunca abre uma concorrência?
Esta é a primeira pergunta que eu tenho a fazer ao senhor.
A segunda – se o quiser anotar –, o senhor está entre os cotados para substituir o Marco Polo Del Nero nas reuniões da Conmebol. Se não em engano, é isso o que tem saído na imprensa. O senhor não acha meio complicado o Presidente da CBF descumprir as suas obrigações internacionais por medo de ser preso? E os demais dirigentes, como o senhor, por exemplo, fazendo de conta que ainda as coisas não estão definidas? O Brasil inteiro sabe que Marco Polo Del Nero não sai do País por medo. O ato de substituí-lo no exterior não pode ser considerado pelas pessoas como cumplicidade?
O que recebe a Federação Paulista de Futebol no contrato com a General Motors, valores em dinheiro, no caso, e se for em veículos também.
Quais são os outros contratos de patrocínio e de prestação de serviços mantidos pela Federação Paulista de Futebol? E quanto a Federação recebe por eles?
Marco Polo del Nero era Presidente da Federação paulista e por anos manteve o contrato de patrocínio com a GM, ao chegar à CBF substituiu a Volkswagen pela GM em contrato de patrocínio por empresas, .... empresas automobilísticas. O que o senhor poderia atribuir a essa substituição?
Quanto foi que a CBF, que a Federação Paulista recebeu da CBF no ano de 2014?
Essas são as perguntas ao Sr. Presidente da Federação Paulista.
Passo agora ao Sr. Mauro Carmélio Costa Júnior, Presidente da Federação do Ceará.
No dia 27 de maio, quando estourou a Fifa Case, o senhor estava em Zurique e deu a seguinte entrevista: O estrago foi grande e precisamos juntar os cacos internos e externos do futebol brasileiro. Qual foi o objetivo e a intenção dessa frase, por favor?
O senhor considera que a situação está superada com a permanência de Marco Polo del Nero como Presidente?
O senhor é tão fiel à cúpula da CBF que em setembro ao responder ao primeiro convite da CPI copiou a correspondência para o Srs. Walter Feldman, Vandemberg e outros lobistas da CBF. Essa providência foi exigida pela cúpula da CBF ou foi de sua própria iniciativa?
Ao Sr. Roberto Goés, da Federação do Amapá, Deputado.
Pelo acordo do legado da Copa, os Estados, que não foram sedes da Copa, receberam cada qual um centro de treinamento de alto nível. A CBF já começou a construir o CT do seu Estado conforme tinha sido acordado? Em caso afirmativo, quem será o proprietário desse CT?
Esta é a primeira pergunta.
A segunda: em caso de resposta negativa, há informação da CBF que as obras não começaram e se não começaram o motivo de não terem começado.
Ao Sr. André Luiz Pitta Pires, de Goiânia, de Goiás: pelo acordo do Legado da Copa ...
Na verdade, essa pergunta, Presidente, que acabei de fazer para o Deputado e Presidente, ela é para os cinco, para os quatro Presidentes das federações que não receberam, não foram sede da Copa do Mundo. Por favor, se puderem anotar.
Pelo acordo Legado da Copa, os Estados que não foram sede da Copa receberiam
Copa, Estados que não foram sedes da Copa receberiam, cada um, centros de treinamento de alto nível. A CBF já começou a construir o CT do seu Estado, conforme tinha sido acordado? Em caso afirmativo, quem será o proprietário do CT? O senhor foi um apoiador, desde a primeira hora, de Marco Polo Del Nero. Logo após o estouro da FIFA Case correu a informação de que o senhor vendeu uma fazenda, gerando muitos comentários de seus colegas. O senhor, hoje, confirma essa venda? Em caso afirmativo, qual é a relação entre esses dois fatos?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO (Fora do microfone.) – Essa é para quem?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Para o Presidente da Federação de Goiás, Sr. André Luiz Pitta Pires.
Presidente Evandro Carvalho, antes da minha pergunta eu gostaria de parabenizar pelo que foi colocado aqui pelo senhor e pelo que está sendo realizado hoje em Pernambuco pela sua Federação, onde – o senhor mesmo afirmou – esse projeto é um projeto que começou com o nosso falecido Eduardo Campos, que está tendo o segmento agora com o atual Governador Paulo Câmara. Parabéns!
Nesse ano o senhor conseguiu, junto à CBF, um adiantamento de dois milhões para o Santa Cruz. A explicação foi de que a TAM havia dado dois milhões. Na mesma semana, entretanto, a TAM demitiu 600 pessoas. Qual o tipo de relação que o senhor tem com o Del Nero que lhe permite conseguir esse tipo de ajuda?
  Sr. Gustavo Vieira, do Espírito Santo: qual a situação da Desportiva? O que a Federação capixaba fez em defesa daquele clube na década passada quando foi rebaixado pela CBF? Essa é a primeira pergunta. A segunda: o senhor tem conhecimento de que a Desportiva vem ganhando da CBF algum processo judicial em todas as instâncias que já se pronunciaram? Saiu agora há pouco, na versão on-line da Folha de S. Paulo, a notícia de que para evitar o pagamento de indenização à Desportiva capixaba, a CBF, a Federação e a Ferroviária tentaram um acordo judicial. Esse acordo acaba de ser declarado nulo pelo juiz, sob o argumento de falsidade. O documento apontado como falso foi assinado por: José Maria Marin, ex-Presidente da CBF; Carlos Eugênio Lopes, diretor jurídico da CBF; pelo Deputado Marcos Vicente, então Presidente da Federação do Espírito Santo; e por um representante da Ferroviária, que já não mais integra a Desportiva capixaba. Além de trazer essa notícia, eu gostaria de ouvir do senhor qual a posição da Federação e se o senhor pode declarar alguma coisa sobre esse julgamento.
E... é a mesma pergunta que eu fiz para os outros, acerca do legado da Copa.
Passaremos agora ao Sr. Heitor Luiz de Costa Junior, Presidente da Federação de Rondônia. A pergunta é igual para o senhor, acerca do legado da Copa e dos CTs. O senhor é o único Presidente da história da Federação rondoniense. Assumiu em abril de 1989, quando a entidade foi fundada. Montou a sede dentro de sua propriedade. Vinte e seis anos de mandato. Em minha opinião, eu gostaria de saber do senhor se não é um pouco de exagero todo esse tempo dentro da Federação. A Federação Rondoniense de Futebol foi acionada na justiça várias vezes pelo Ministério Público do Estado de Rondônia. São ações sobre segurança, meio ambiente e segurança de edificações.
Por gentileza, eu gostaria que o senhor pudesse nos dar algum tipo de explicações sobre essas ações.
Bem, essas são as minhas perguntas.
Agora passo a palavra ao Senador Wellington Fagundes.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) – Sr. Presidente, Romero Jucá, quero saudar a todos os companheiros Senadores.
Eu gostaria de também ir um pouco na linha do... eu acho que saudei o Senador Romário como sendo o Senador Romero Jucá. (Risos.)
Eu gostaria de ir aqui na linha do Senador Romero Jucá, porque entendo que é importante – principalmente vocês que têm a experiência do dia a dia – trazer para esta Comissão exatamente as angústias que vocês vivem, de que forma vocês entendem que se pode melhorar o futebol brasileiro. Porque é o objetivo de todos: vocês que militam e o nosso aqui no Parlamento também, porque representamos a população brasileira que, sem dúvida nenhuma, o futebol
sem dúvida nenhuma, o futebol é a paixão brasileira. Então, nós temos uma responsabilidade também com esse público que tanto idolatra o futebol. É nessa linha que eu gostaria, da mesma forma que o Senador Romário, de elogiar o Evandro, porque apresentou aqui um trabalho que está sendo feito e inclusive o entregou. Eu gostaria que esse material, Senador, fosse distribuído a todos nós. Pelo menos eu gostaria de tê-lo.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Será feito.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) – V. Sª demonstrou que está procurando organizar uma federação, que tem um propósito. Eu acho que isso é extremamente bom. Nós estivemos aqui em outra audiência e me estranhou ter ouvido daqui um presidente de um dos times dizendo que as federações são mais organizadas do que os times. Não entendi bem o porquê de ele dizer daquela forma. Mas é claro que a federação tem esse papel, realmente, de ajudar a organizar, dentro de cada unidade, os clubes.
É nessa linha que gostaria de perguntar realmente quais são os maiores problemas ou dificuldades de todo o sistema organizacional do futebol, que vocês entendem que seja necessário mudar, avançar, modificar. É uma pergunta bastante ampla. Eu acho que vocês podem respondê-la aqui sucintamente, mas de repente vocês podem mandar, como sugeriu o Senador Romero Jucá, essas sugestões de uma forma mais ampla, com a visão de cada um, até porque nosso País é muito grande, as diferenças realmente são muito grandes.
Eu estive aqui pensando, enquanto vocês falavam: será que a gente tinha que criar também um fundo de desenvolvimento do futebol, em que todos poderiam contribuir para que a gente pudesse ter uma harmonia maior dentro do País? Quem sabe seja uma sugestão a ser analisada.
O presidente Heitor falou muito da angústia do seu Estado, de não ter um estádio de futebol. Eu sou do Mato Grosso. Lá no Mato Grosso nós tivemos a oportunidade de ser subsede da Copa do Mundo. Aquilo foi uma euforia muito grande, para a população e para todos da classe política, de Mato Grosso conquistar ser uma subsede. Mato Grosso do Sul disputou bastante essa possibilidade, porque se falava muito do Pantanal. Então, por que Mato Grosso, e por que não Mato Grosso do Sul? Enfim, Mato Grosso ganhou a "parada", como dizem. E aí fomos trabalhar exatamente aquilo que exigia a FIFA para cumprir com as obrigações. Claro, houve uma euforia por parte do governador também. Muitas obras foram começadas, muitas obras concluídas, mas antes tudo dizia que ficaria pronto até o início da Copa do Mundo. A gente sabia que muitas delas eram impossíveis, mas o fato é que Mato Grosso conquistou muitas obras em função da Copa do Mundo. Mas também houve muitas críticas àquela época, porque nós votamos aqui uma lei, a lei da FIFA, e certas regiões passaram a ser praticamente um território internacional, se o Brasil estava correto em se submeter àquelas exigências da FIFA. Claro, para nós, tudo era padrão FIFA. O padrão FIFA era um padrão a ser copiado por qualquer um, porque era um padrão sem defeito. Passada a Copa do Mundo, observamos que, além de levar 7 a 1, ainda tivemos todos esses problemas que começam a aflorar agora, no mundo inteiro, em relação ao futebol. Mas, especificamente no caso do estádio, construímos um estádio exemplar, um estádio cuja arquitetura ganhou prêmio, e no evento da Copa do Mundo, não tivemos nenhum incidente. Portanto, aquilo que parecia até impossível para um Estado do interior, organizar o evento, foi organizado a exemplo. Passada a Copa do Mundo, hoje há outro Governo. Critica-se muito o Estado ter realizado a Copa do Mundo, porque nos submetemos a alguns endividamentos. Mas o mais importante
endividamentos, enfim.
Mas o mais importante é a questão do estádio, que está lá. E muitos cobram o motivo de se construir o estádio, e o Estado ter que se endividar, para construí-lo. Eu penso que, inclusive, é uma coisa que a gente poderia aqui, Senador Romário, discutir um pouco melhor em outra oportunidade também: de que forma a gente pode viabilizar para que não só o estádio de Mato Grosso tenha viabilidade, como também que o de Rondônia na sua construção seja um projeto para dar mais estatura à questão do futebol.
Tenho só três perguntas preparadas aqui, gostaria de ler. Uma dirigida ao Sr. Reinaldo Carneiro Bastos: o senhor tornou-se Presidente da Federação Paulista de Futebol a partir de maio deste ano, quando o Marco Polo Del Nero, de quem o senhor era Vice-Presidente..., assumindo, então, a Direção da CBF. Mas antes o senhor presidiu a Federação Paulista por cerca de 12 anos. Não é isso?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) – Não, ele presidiu por 12 anos.
Antes de Del Nero, a Federação Paulista contou com a Presidência de Eduardo José Farah por 15 anos. Aí podemos concluir que o senhor aguardou muito para assumir o protagonismo dos trabalhos.
Duas perguntas: o que pensa no processo de renovação da direção das federações com mandatos prefixados? A Federação Paulista conta com clubes da série A1, 2 e 3 da segunda divisão e das ligas municipais filiadas à Federação. Além do desequilibrado repasse de receitas da Federação para os clubes da série A1 e A2 que só recebem 6% da cota, o senhor poderia apontar quais outros graves problemas que a federação deve enfrentar para que os clubes de menor expressão não desapareçam? Essa é a primeira pergunta.
A segunda pergunta é para o Sr. Mauro Carmélio. Recentemente o Tribunal de Contas do Estado do Ceará condenou a Federação Cearense de Futebol a arcar com os prejuízos causados ao Estádio do Castelão. O TCE em regra não é competente para auditar entidades privadas que não estão sob sua jurisdição. Contudo, por intermédio de uma parceria com o Poder Público decorrente do termo de permissão de uso do bem público firmado entre a Secretaria de Esporte e a federação, o Tribunal encontrou irregularidades nas contas da federação.
O que o senhor pensa da obrigatoriedade de autoridades externas mais frequentes nas contas da federação? Acredita que com isso a transparência e a segurança seriam ampliadas em benefícios dos associados?
Ao falar, eu vi que o senhor fez uma expressão de retração. Como eu disse aqui, essas perguntas foram preparados pela assessoria e, claro, se houver alguma incongruência, V. Sª tem toda a condição de questioná-las.
Agora a terceira aos demais, todos Presidentes de federação presentes. No início do mês, a CBF apresentou um pacote de inovação a todos os Presidentes de federação de futebol aqui presentes. Os senhores poderiam em breves palavras tratar sobre o trabalho apresentado pela Ernest & Young, assim como sobre o programa de modernização de gestão e de responsabilidade fiscal do futebol brasileiro? Ficaram satisfeitos com o pacote? Acreditam que a CBF vem cumprindo com excelência o papel de representar todas as federações de futebol do Brasil?
Bom, essas são as perguntas.
O assessor está me corrigindo, afirmando que eu falei autoridade em vez de auditorias. Mas isso é apenas...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) – Eu quero só dizer que o essas perguntas, todas elas, claro, vão ficar nos Anais, porque nós temos aqui compromissos. Eu mesmo tenho que sair, daqui a pouco, para uma consulta médica. Isso não quer dizer que eu não queira a resposta de cada uma delas, enfim, e ter acesso a outras considerações que vocês fizerem, porque também cada uma aqui está com assessoria, e tudo isso aqui a gente vai depois compilar, para poder embasar o nosso trabalho.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Senador Wellington.
Passo a palavra agora ao Senador Omar Aziz.
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – Sr. Presidente, Senador Romário, Relator Senador Romero Jucá, em nome dele quero cumprimentar os outros Senadores e quero cumprimentar os Presidentes das federações...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Senador, antes de começar, qual é o número real de gols, só para a gente
Qual é o número real de gols? Só para a gente...
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – São 1.742.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Está anotado.
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – E, se você quiser, eu mando mostrar onde foram feitos os gols.
Eu tive um problema no menisco, se não eu seria o titular, do lado do Bebeto. Você nem apareceria naquela Copa, Romário. (Risos.)
Nem estaria lá.
Mas, tendo você como Presidente, um dos maiores artilheiros do futebol brasileiro...
E mais: o que ele disse no Globo Esporte de duas semanas atrás é verdade: não houve ninguém para finalizar como o Romário. Ninguém. Não apareceu no futebol brasileiro, nem no mundial, alguém finalizar isso tão bem como você.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Nem V. Exª?
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – Não, porque eu me machuquei. Eu me machuquei. Nesse aspecto, eu perco para você, não há problema.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) – Por isso que ele vai finalizar bem a CPI, contribuindo para a melhoria do futebol.
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – Bem, eu tenho umas posições. Eu fui dirigente de futebol, sou nacionalino, e, como governador – já disse isso aqui para outros convidados –, tive que construir uma estrutura toda para a Copa do Mundo. Tive que construir uma arena, que é um estádio muito bonito, tive de construir dois centros de treinamento, mas não há futebol no meu Estado. Nós estamos na Série D, capengando. O Estado tem uma estrutura fantástica para absolutamente nada.
Mas não é uma discussão para se travar agora; essa discussão nós tínhamos de ter travado quando o Brasil quis se credenciar para ser sede da Copa do Mundo. Ninguém obrigou o Brasil a ser sede da Copa do Mundo. Ninguém obrigou o Brasil a ser sede da Copa do Mundo! Eu não culpo a FIFA por isso, porque a FIFA disse: "Quer ser? Tem que ser assim. Se não for assim, não é."
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT. Fora do microfone.) – E nós votamos.
O SR. OMAR AZIZ (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PSD - AM) – E nós aceitamos.
Então, se alguém cometeu alguma improbidade lá atrás, com certeza, não foram os governadores que tiveram que construir. E, naquele momento de euforia, o bairrismo era muito grande. Todo mundo queria ser sede da Copa. Quem não queria ser uma das subsedes, para ter quatro jogos? – quatro jogos era o mínimo. E ainda tive a felicidade de ter tido grandes jogos no Estado na primeira fase. Houve Inglaterra e Itália, Portugal e Estados Unidos e mais dois jogos muito bons. Quer dizer, os quatro jogos na Copa, em Manaus, foram jogos bons.
E eu dizia há pouco ao Deputado Andrés o seguinte: eu construí, saí no final de março para ser candidato ao Senado e, em junho, na Copa, nem convidado fui. Eu não recebi um convite para ir. Mas isso faz parte do que eu vivo.
Qual é o meu interesse aqui na CPI? – e já coloquei isso para o Senador Romário. Nosso interesse é mais menos aquele de que falou o Senador Romero Jucá: não estou aqui pra condenar ninguém, nem para botar o dedo na cara de ninguém. Ninguém está aqui para isso. Queremos questionar algumas coisas.
Eu sei que a grande maioria das federações brasileiras sobrevivem das taxas percentuais que recebem de jogos: quanto mais renda tiver, melhor para as federações; quanto menos renda tiverem, pior para as federações. Então, a federação é a maior interessada em que haja bons jogos, que haja um bom futebol e um bom público, para que possa haver recursos para a federação. E sobrevivem também de um repasse que a CBF faz para algumas federações, da ordem de R$50 mil por mês, parece-me, ou algo assim; eu não sei o quanto está hoje, mas era isso.
Agora, uma coisa eu queria pedir aos senhores: quando nós temos uma entidade com que não estamos satisfeitos, nós procuramos mudá-la, não criar outra. Imaginem que grande parte da população brasileira não está com a Presidente; como não conseguem tirá-la, "não, vamos criar agora uma liga para presidir o País". É uma liga. E essa liga coloca um dos que perderam a eleição para Presidente para ser presidente daquela liga.
Hoje, quem propõe uma liga não têm nenhum respeito pela grandeza deste País em relação ao futebol, porque só está pensando nele! Está pensando em três, quatro Estados, quando nós temos 27 Estados, pois somos uma federação! Então, um alguém que não é... O cara dizer "ah, sou ligado ao futebol"? Qualquer pessoa é ligada ao futebol, estando à frente de um grande clube. Eu quero saber se o cara realmente é ligado ao futebol estando dirigindo um clube pequeno brasileiro.
Para os senhores terem uma ideia, a Confederação Brasileira de Futebol, há anos, tem
tem priorizado o futebol de cem clubes. Isso existe no Estado de São Paulo. Acho que existem mais clubes participantes das séries A1, A2, A3 lá do que em todo campeonato que a CBF organiza, porque, na série A, há vinte clubes; na série B, há vinte clubes; na série C, há vinte clubes; e, na série D, há 40 clubes. Acabou. São cem.
Senador Romário, não há liga que sobreviva sem a ajuda das televisões, porque, hoje, o maior investidor em um clube não é a renda, não. Ontem, cheguei em casa ainda cedo e estava assistindo a Botafogo e Ceará, no Rio de Janeiro. E R$170 mil não dão para pagar o treinador, a renda todinha do Maracanã ontem – sei lá onde foi o jogo – não paga o treinador do Botafogo. Um jogo não paga o treinador do Botafogo. E aí o que acontece com Náutico e com Santa Cruz, de Pernambuco? Porque o nosso querido Evandro só coloca coisa boa. Lógico. Com a colaboração do Governo, se fez lá uma promoção em que tinha um percentual – como, em meu Estado, já fez com o Eu quero a nota – que ia para os clubes. São questões paliativas, porque, quando chega o momento em que não há esse recurso, o clube volta à mesma. A iniciativa é boa, mas a consolidação é melhor ainda.
Do ponto de vista organizacional, eu digo que o futebol brasileiro não pode ser chamado de desorganizado, porque, se marcar um jogo no Amapá, do Presidente Roberto Góes, às 16h, vão estar lá um árbitro, dois bandeirinhas, mesários. Vai estar tudo organizado, o jogo vai acontecer, o jogo vai começar às 16h. Faça chuva, faça sol, vai haver jogo. Só a organização nossa é que permite isso em todos os cantos do Brasil em qualquer momento. Marcar um jogo no Rio de Janeiro, no Maracanã, às 16h, começando no horário, é normal, porque as televisões todas estão lá, mas eu quero que vocês entendam o seguinte: no interior do Estado do Amazonas, se marcar um jogo às 16h e ele começar às 16h, estando presentes lá a federação, a arbitragem, o mesário, todo mundo, há organização.
Do ponto de vista da desorganização, os erros que nós estamos cometendo estão, cada vez mais, afundando o futebol brasileiro. Primeiro, a Lei Pelé é o maior erro que se cometeu dentro deste Congresso Nacional. Apresentou-se uma lei em que se beneficia empresário de jogador e não se beneficiam os clubes. O menino tem dez anos, e estão pedindo para a mãe e o pai: "Assinem aqui". Se lá na frente der certo, ele vou ficar milionário com o filho deles – ele não diz isso para a mãe. E o clube não leva vantagem nenhuma.
Quando falamos em base, a base é importante para o clube, porque o clube vai formar aquele jogador, vai colocá-lo para jogar e, mais tarde, vai poder negociá-lo e ter lucro. Hoje, o único cara que não tem lucro é o clube, só se ele for proprietário do passe. E, na grande maioria dos clubes hoje, você não conversa mais com o presidente do clube para adquirir um jogador, você conversa com o empresário do jogador. Culpa de quem? Culpa do imediatismo, porque aqui, no Brasil, ninguém pode dizer que era...
Qual foi o legado da Copa? Nada, zero. Os Estados se endividaram. Em todos os Estados que tiveram que fazer a Copa, como o meu, como Mato Grosso, como Rio Grande do Norte, houve endividamento. Não houve recurso a fundo perdido para os Estados, para fazer a Copa ou fazer a mobilidade urbana ou coisa parecida. Houve financiamento que o Estado está pagando hoje.
O que eu quero dizer aqui, Senador Romário? Essa dificuldade que nós temos no Brasil todo em relação às federações... Ser Presidente da Federação do Amapá ou do Amazonas não pode ser um... Não se pode dizer: "Vou ser Presidente da federação". É importante? É, mas o futebol que praticamos... Por exemplo, o Vilhena, de Rondônia. Vilhena é um clube estruturado, que, no ano passado, formou um grande time
formou um grande time. Este ano, somente 11 ou 12 jogadores poderiam entrar em campo porque ele não renovou o contrato e estava com problema na regularização. Não havia jogador para jogar, para substituir. Foi para para campo com 12 jogadores: 11 em campo e um reserva. Não tinha 12. Não é que estavam machucados, não havia como fazer contrato. Essa é a realidade do futebol brasileiro na grande maioria
A referência não pode ser esses 20 clubes. Você pega o Esporte, que está fazendo um bom campeonato na Série A. Mas veja o Náutico, onde foi parar, veja o Santa Cruz, que foi para a Série D. Sabe por quê? Porque o cara se endivida todo para chegar à Série A, chega lá e não fica um ano, volta, e volta todo quebrado. O time volta todo quebrado financeiramente.
Você pega a Federação Paulista de Futebol. Todos os grandes clubes de São Paulo estão endividados. O São Paulo, que eu achava que era um time todo organizado, quando veio aqui, expuseram quase 800 milhões de dívidas. O São Paulo! O São Paulo não paga o mês do jogador. Está dando uma parte do salário e aquele negócio do direito de imagem não paga. Nós não estamos falando de um time lá do interior de Goiânia, estamos falando no São Paulo, um clube que tem um estádio próprio. Então, nós estamos numa situação...
Eu queria fazer uma pergunta para vocês. Ninguém vota em ninguém porque a pessoa tem que se comprometer a alguma coisa. Eu quero saber qual foi o compromisso do Del Nero com a Federação Cearense de Futebol, com as federações goiana, capixaba, amapaense, pernambucana, rondoniense e paulista. Se vocês votaram. Eu não sei quem votou em quem, mas, quando eu fui ser candidato, eu tive que me comprometer com algumas coisas com o povo do meu Estado. Ninguém ganha uma eleição sem assumir compromisso. Alguma coisa ele deve ter dito. Ou não? Ou porque ele é bonito e vocês foram lá e votaram nele? Qual foi o compromisso que ele assumiu com as federações brasileiras, com vocês aí? Por exemplo: olha, com a Federação do Amapá, ele assumiu o compromisso de que faria um esforço para a gente ter um campeonato.
Senador Romário, no futebol do Norte, o campeonato estadual é três meses. Nos outros nove meses, o clube fica fechado, não tem nenhuma atividade. Ele tem um dinheirinho para fazer um campeonato estadual, esse campeonato estadual dá direito a quem foi campeão representar o Estado na Copa Brasil. O cara está lutando para estar na Copa Brasil, para receber uma cota de R$50 mil a R$100 mil. Na Copa Brasil, qualquer clube da nossa região forma um time para disputar a Copa Brasil, faz um investimento, joga um jogo. Se perder de 2 a 0 no Estado já não tem nem direito a ir a outro Estado jogar. A CBF faz isso com a gente, e nós temos que aceitar.
Então, você não faz planejamento no futebol do Norte, na grande maioria dos Estados, com algumas exceções. Hoje, o Remo está indo para a Série C. Estamos torcendo muito para o Paysandu ir para a Série A. É de um Estado vizinho. Nós torcemos pelos Estados vizinhos, quando há alguém disputando, e torcemos muito para que isso aconteça, porque isso também melhora a competitividade dentro da região.
Então, a situação é essa. A situação do futebol brasileiro não é só a questão da corrupção. A questão é muito mais profunda do que a corrupção. A corrupção é uma coisa muito séria que nós temos de banir de qualquer lugar. A organização do futebol tem que ter critérios. Eu fico rindo, como brasileiro, que o presidente da federação de não sei onde queira criar liga. Eu quero que ele crie uma liga com os times do Amapá, Amazonas e Rondônia, para ver o que é bom para tosse. Ele quer criar a liga e ele pega o Flamengo, porque agora...
Meu amigo, ninguém faz isso por nada! Alguma coisa tem por trás. O futebol já está capengando, dividido
... futebol já está capengando, dividido ficará pior. E, se a gente realmente não criar...
E a minha proposta, Senador Romero – eu já lhe coloquei –, é que a gente proíba a saída de jovens antes dos 23 anos do Brasil. A gente precisa conhecer quem joga na Seleção pelo menos. O cara pelo menos tem que saber falar português. Daqui a pouco, nem português o jogador da Seleção vai falar. Tem que proibir! Simples! Não dá para a gente pegar um garoto de 16 anos, e ele ir embora daqui e jogar na Rússia, na China. Não; tem que proibir.
É isso, Senador Romário.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem, Senador. Também temos que proibir que essas pessoas da CBF, Gilmar Rinaldi e companhia, façam essa sacanagem com as convocações, que nós estamos vendo aí. E o nosso treinador está indo pelo mesmo caminho, infelizmente. O exemplo maior é o goleiro que agarrou no último jogo. Piada, não é?
Mas, enfim, antes de continuar aqui, gostaria de agradecer e dizer que é uma honra e um prazer ter aqui o meu companheiro, campeão do mundo e hoje amigo, Mauro Silva.
Guerreiro, obrigado pela presença.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Esse aí...
O SR. DAVI ALCOLUMBRE (Bloco Oposição/DEM - AP) – Mas agora, Presidente, o Senador Romário também jogou mais que todo mundo.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Esse aí segurava o piano para mim lá atrás. (Risos.)
Obrigado pela presença, Maurão.
Agora...
O SR. DAVI ALCOLUMBRE (Bloco Oposição/DEM - AP) – Senador...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Senador Davi Alcolumbre.
O SR. DAVI ALCOLUMBRE (Bloco Oposição/DEM - AP) – Presidente, eu tinha falado com o Senador Omar e tinha pedido a ele a inversão por conta de uma audiência que eu tenho agora no Ministério às 16 horas. E o Senador Omar, empolgado com o debate, me disse: "Davi, calma, não vamos fazer a inversão, porque eu vou falar apenas dois minutos". E aí eu fiquei, em respeito. Como um bom jogador, eu imaginava também que ele seria um bom orador e resumiria tudo que ele falou agora em dois minutos.
Mas eu queria agradecer, Senador Romário – não vou poder me alongar aqui na CPI –, queria cumprimentá-lo pelo trabalho que vem realizando à frente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Futebol, registrar a presença do Senador Romero Jucá e agradecer a confiança de, na ausência de S. Exª, na relatoria da Comissão, designar-me, com o apoio de todos os membros desta Comissão, Relator interino naquele período da transição...
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB - RR) – Relator interino e adjunto permanente. V. Exª, pela boa postura, continua firme ao meu lado.
O SR. DAVI ALCOLUMBRE (Bloco Oposição/DEM - AP) – Eu queria agradecer ao nosso Relator Romero Jucá, mas eu me sinto, Presidente Romário – cumprimento todos os dirigentes de federações em nome do Deputado e presidente da Federação Amapaense de Futebol, Deputado Roberto Góes; cumprimento todos que vieram aqui fazer as suas ponderações e as suas colocações a respeito do futebol brasileiro –, eu me sinto contemplado, totalmente contemplado na fala do Senador Omar Aziz, porque falou da nossa Região, da Região Amazônica, do Norte; falou do meu Estado, o Amapá, Estado que represento nesta Casa; e fiquei muito feliz com as colocações do Senador Omar, quando coloca que o futebol brasileiro são vários "futebóis" e que a Região Norte, infelizmente, hoje, não tem o devido apoio.
Então, se há uma coisa que quero pedir ao Senador Romero, que é o Relator desta CPI e que é do Norte também, de um Estado vizinho ao nosso, é que a Confederação Brasileira de Futebol possa olhar com carinho para o Norte do Brasil e para o futebol da nossa Região, especialmente do Estado do Amapá. Não posso fazer a defesa do Estado de São Paulo, do Estado do Rio, do Estado de Minas Gerais, porque já acho que estão muito bem contemplados pela Confederação Brasileira de Futebol. Acho que nós é que estamos com esse crédito com a CBF.
Mas eu queria... A única pergunta que tenho – e volto a dizer que me senti contemplado pelas palavras do ex-Governador e Senador Omar Aziz – é dirigida ao presidente da Federação Amapaense de Futebol, em relação a uma pergunta que o Presidente da Comissão, Senador Romário, fez aqui, na questão do centro de treinamento que foi proposto pela CBF.
Eu queria saber de V. Sª em que pé se encontra esse compromisso assumido pela confederação pelos Estado que não tiveram a felicidade de ter eventos da Copa do Mundo, que é o caso do nosso Estado, o Amapá. Queria ouvir do nosso presidente em que pé está essa questão do centro de treinamento proposto e saber dos questionamentos feitos pelo Senador Romário, de quem vai manter, de quem vai administrar, se já há uma área...
administrar se já há uma área, se há um projeto, em que pé está a situação da construção do centro de treinamento do Estado do Amapá.
Muito obrigado, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem, Senador.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Essa pergunta ele pode responder agora, já que vai ter que se ausentar.
O SR. ROBERTO GÓES (PDT - AP) – Senador Davi Alcolumbre, na verdade, a pergunta é muito boa, porque nós tivemos, eu como Presidente da Federação tive oportunidade de participar, junto com o ex-Presidente Ricardo Teixeira e com a maioria dos Presidentes na organização da Copa do Mundo no Brasil. Participei de varias reuniões e com o próprio Presidente Marco Polo Del Nero.
E o Amapá foi agraciado ou foi contemplado com centro de treinamento. Nós recebemos, através da federação de futebol, um documento da CBF, dentro das especificações. Já foi uma equipe técnica da CBF olhar os terrenos, com a presença de alguns membros da federação – já olharam os terrenos! –, estamos trabalhando na legalização e a CBF, juntamente com o comitê organizador, vai tratar da questão da construção da obra.
Na última reunião que eu tive na CBF, o Amapá está contemplado, como estão contemplados já outros Estados. Como o Pará já foi contemplado, outros vão ser contemplados ainda este ano. E o Amapá vai ser contemplado este ano ainda, com a compra do terreno, que é um compromisso da CBF juntamente com a interlocução.
E está faltando só a questão, como o projeto é muito complexo, tem campo de futebol, vai ter academia, vai ter sala de reunião ou vai ter sala de aula, e vai atender mais ou menos, que eu saiba, mais de 300 pessoas crianças por dia, de manhã e de tarde... Há o compromisso, ainda, depois, de que esse patrimônio montado, esse patrimônio fique à disposição da CBF. E a CBF vai colocar à disposição das federações, através dos governos ou prefeituras; estão se organizando nesse sentido.
A CBF ainda não definiu, depois da obra pronta, quem vai manter ou se ela vai manter por um tempo determinado, 1 ano, 2 anos, 3 anos, 4 anos, 5 anos, ou vai buscar alguns parceiros, ou parceiros através de patrocínio, patrocinadores da própria confederação, ou se vai haver alguma participação efetiva do Governo Federal, das prefeituras, do governo dos Estados. Mas que o Amapá foi contemplado, foi, dentro das especificações do legado da Copa do Mundo. E, com certeza, esse patrimônio que vai se colocar à disposição do Município de Macapá vai atender muitas pessoas, as crianças carentes, principalmente aquelas que mais precisam.
Então, eu me sinto contemplado. Lógico que temos outras promessas de outros centros de treinamento, principalmente para Santana. E pedi que a gente pudesse viabilizar outras questões para o Laranjal e Oiapoque, mas sabemos também do compromisso que a CBF tem com outros Estados e outros Municípios.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem.
Temos aqui, agora, mais um Senador, o Senador Zeze Perrella. Então, depois da fala do Senador, os senhores, por favor, poderão responder às perguntas.
O SR. ZEZE PERRELLA (Bloco Apoio Governo/PDT - MG) – Eu não vou, Senador Romário, fazer perguntas, porque acho que já foram feitas várias perguntas. Eu queria só fazer um comentário com relação ao que disse o Presidente da Federação do Espírito Santo, Gustavo, porque acho que a sua preocupação com relação à CND não se justifica. A partir do momento em que os clubes aderir ao Profut, o clube que aderir ao Profut obviamente vai ficar em dia com as suas obrigações tributárias. Não é?
O Sr. Andres Sanchez (PT - SP) – Senador, V. Exª me permite um aparte, por favor?
O SR. ZEZE PERRELLA (Bloco Apoio Governo/PDT - MG) – Pois não.
O Sr. Andres Sanchez (PT - SP) – O problema da CND não é estar em dia, porque, às vezes, pela burocracia que há, você está com tudo em dia, pagou, mas demora-se, mesmo assim, 60, 90, às vezes, 120 dias para ser possível pegar a CND. Então, acho que tinha que ser, quanto à CND, quem a tem e quem não pagar, deveria mostrar que está com o recibo pago. Seria uma solução.
O SR. ZEZE PERRELLA (Bloco Apoio Governo/PDT - MG) – Mas são situações, Deputado Andres, fáceis de serem resolvidas, porque, a partir do momento em que você entrou com pedido de CND, você pode participar. Se você não conseguir esse documento em 90 ou em 100 dias, você é excluído. Então eu acho que ninguém aqui que não esteja em dia com as suas obrigações vai pedir uma CND para receber uma negativa. Então, eu acho que isso é factível de ser resolvido.
Eu acho que tínhamos que resolver o problema mais sério do futebol brasileiro. E eu falo isso como ex-Presidente de clube que fui, que refere-se à questão da gestão temerária, que realmente é uma questão difícil. A maioria dos senhores ou aqueles que não estão nos seus mandatos há muitos anos talvez pegaram as suas federações com muita dificuldade
talvez pegaram suas federações com muita dificuldade, de outros gestores que às vezes não tiveram a responsabilidade que vocês estão tendo. E são situações, às vezes, intransponíveis. A Federação Mineira, por exemplo, é totalmente falida. Vem ao longo dos anos... E eu não estou, obviamente, criticando nenhum deles, até porque eu tinha uma relação muito boa com todos eles e sei das dificuldades que cada federação passa. Não se tem recurso para nada, principalmente as federações pequenas, que têm um percentual da renda dos jogos; mas essa renda, no Estado de vocês, inexiste na maioria das vezes. Às vezes, os clubes pagam para jogar. E o único recurso que talvez a grande maioria das federações tenha é esse recurso que a CBF manda para vocês no final do mês.
Eu acho que nós tínhamos que ter, na verdade, uma gestão mais profissionalizada mesmo. Eu acho que as federações deveriam ser prestigiadas, sim. Eu defendo sempre, e já falei isso ao presidente da CBF; falava lá desde o tempo do Ricardo Teixeira. Eu sempre defendi – e não estou inventando nada, é no mundo inteiro assim – que se libere a criação das ligas. Não ligas estaduais – Minas Gerais tem uma liga, outros Estados não têm –, mas uma liga brasileira de futebol. E a CBF deveria cuidar da Seleção Brasileira. Seria até um desgaste muito menor para o presidente da federação. A cada jogo em que o clube se sente roubado pelo juiz, ou prejudicado por uma arbitragem, ele bota a culpa no presidente da CBF. Então, não sei qual é a vantagem da CBF querer fazer o campeonato brasileiro.
O próprio presidente da CBF que aí está, o Marco Polo, disse-me que a maioria dos clubes não querem a liga. Mas isso não é verdade!
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Senador, só uma colocação.
O que o presidente da CBF não faz hoje é tomar conta da Seleção Brasileira. Nem viajar ele viaja, por medo de ser preso.
O SR. ZEZE PERRELLA (Bloco Apoio Governo/PDT - MG) – Sim, mas, se fosse a única obrigação, talvez ele fizesse.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – A ideia é interessante, a partir do momento em que ele cumpra a sua obrigação.
O SR. ZEZE PERRELLA (Bloco Apoio Governo/PDT - MG) – Verdade. Mas isso aí...
O que eu defendo, Senador Romário... Na Europa é assim, nos Estados Unidos é assim. Eu acho que nós temos que copiar aquilo que dá certo. Eu não estou defendendo o fim das federações estaduais não, porque os clubes locais têm que ser cuidados sim, tem que haver um cuidado especial. De repente, seria o caso de criarmos as ligas estaduais. As federações estaduais também se transformariam em ligas. E vamos nós cuidar do campeonato a gente, vamos deixar a CBF cuidar somente da Seleção Brasileira. O desgaste do presidente, obviamente, seria muito menor – desde que cuidasse, como diz o Senador Romário. Isso aí eu deixo a juízo de cada um.
Mas eu acho inexplicável onde a CBF, às vezes, cuida da Copa do Brasil. O direito de televisão da Copa do Brasil é todo da CBF. Ela distribui para os clubes.
Eu, como clube, gostaria de negociar os meus contratos. Eu acho que os clubes deveriam... E eu tenho certeza de que o Deputado Andrés concorda com o que eu estou falando aqui. A liga é uma reivindicação antiga dos clubes. O Clube dos Treze quase que era uma liga quando surgiu. E o futebol melhorou muito pós-criação do Clube dos Treze, que, de repente, poucos anos atrás, implodiu, por causa da questão da televisão e tudo o mais.
A situação hoje dos clubes não está fácil não. A própria televisão está procurando os clubes agora para renegociar os contratos, reduzindo em até 25%, porque a crise pegou todo mundo.
Outra coisa que eu digo: quando eu disse isto aqui no Senado, Senador Romário, que eu era contra criar esses estádios... Um estádio de futebol em Brasília que custa R$1,2 bilhão, e ninguém jogar? É estádio para fazer shows nos fins de semana.
Com todo o respeito ao Senador Omar, eu sei que ele fez com a melhor das boas intenções, mas um estádio de R$600 milhões... E, no estádio dele, não houve superfaturamento não! O estádio dele foi um dos mais baratos. Mas num Estado que não existe um futebol que justifique um investimento desses!
Aí eu digo: estádio de futebol só é viável hoje no Sul e no Sudeste. Sabemos disso! O Mineirão foi uma redenção para o Cruzeiro. As receitas do Cruzeiro quadruplicaram depois do Mineirão. Mas lá há dois grandes clubes. Não se justifica gastar milhões de reais para construir estádio para ninguém jogar, alugado hoje para cultos evangélicos, com todo o respeito, e para shows musicais, porque futebol mesmo não existe.
Então, eu acho que nós deveríamos ter mais responsabilidade com tudo isso.
E sou absolutamente solidário a vocês, presidentes de federações, porque eu sei o que cada um de vocês passa e sei a dificuldade que é. Não o Reinaldo, que é presidente de uma federação rica – e, acredito eu, bem administrada.
Mas não se faz nada sem dinheiro. Infelizmente é assim. Vocês vivem numa penúria danada. Nós tínhamos realmente que profissionalizar isso para fazer com que o futebol brasileiro realmente evoluísse. Era só copiar o que está dando certo lá fora. Existe liga na Europa, existe liga nos Estados Unidos, existe liga para todo lado, menos aqui, que é a terra do futebol.
Eu não vou fazer perguntas, só queria fazer esse comentário.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Senador Zeze Perrella.
Eu não vou fazer pergunta, eu só queria fazer este comentário.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Senador Zeze Perrella.
Eu volto a palavra, agora, para o Presidente de São Paulo, para responder às perguntas, por favor.
Com a palavra o Sr. Reinaldo Carneiro Bastos.
O SR. REINALDO CARNEIRO BASTOS – Senador Romário, a questão da publicidade estática é verdade, sim. Eu não sei há quantos anos atrás – três, quatro, cinco; eu não era presidente à época –, a Federação e os clubes receberam uma proposta em dinheiro superior a da estática. A Federação, como de praxe – seus departamentos –, exigiu as garantias de pagamento e entenderam os departamentos que não havia garantias suficientes de quem ofereceu um pagamento maior. A Federação chamou os clubes e apresentou as duas propostas. Como eles iriam decidir? E os clubes decidiram por ter garantia de recebimento em vez de ter um valor maior maior sem garantia. E o contrato foi feito. A Federação como anuente e todos os clubes assinando.
Eu substituí o Marco Polo uma única vez na CONMEBOL. Eu faço parte do comitê de competições da CONMEBOL. Tinha uma reunião um dia antes do comitê executivo, eu fiquei no dia seguinte e repeti. Depois, eu fui uma segunda vez na Rússia; dois casos seguidos, porque havia de novo que se tratar de assuntos da eliminatória, porque a minha comissão é que tinha trabalhado... A minha comissão faz parte da federação chilena, da federação paraguaia e da federação uruguaia, que tratava do assunto.
Então, foram as duas únicas vezes que eu estive representando a CBF e o Presidente Marco Polo. Depois, houve outras reuniões e eu não fui mais. Acho muito ruim não comparecer. Creio que estar presente é muito importante. Em estando presente você ocupa espaço, defende os interesses do seu País. Torço. Acredito que o Presidente deve resolver esse assunto o mais rápido possível.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Em relação à primeira pergunta, Presidente, já que o senhor agora é o Presidente da federação, existe a possibilidade de abrir uma concorrência?
O SR. REINALDO CARNEIRO BASTOS – Senador, nós estamos num processo de mudança na federação. A situação do País é um desastre. Nós não temos investimento de nenhum lugar. Uma situação muito difícil.
O Presidente do Santos me trouxe uma proposta dessa mesma empresa para este ano. Para o senhor ter uma ideia, é inferior à que nós temos com a correção do que a gente tinha o ano passado, com a correção desse ano, mas é inferior.
Nós estamos pensando nisso... Eu estou pensando nisso. Nós vamos mudar a forma de fazer as coisas. Eu tenho pouco tempo lá, mas tenho a consciência de que as coisas têm que ser feitas claramente, com transparência, apesar de nesse caso, especificamente, os clubes assinarem junto, serem pressionados. Mas nós podemos e devemos fazer melhor. Nós estamos, ainda, longe do ideal. Mas vamos fazer! Vamos fazer!
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Eu só quero dizer para o senhor que tenho consciência desse momento em que o senhor está conduzindo a federação. Como eu falei, o meu amigo e ex-companheiro Mauro Silva esteve aqui comigo, em Brasília, há dois meses passados. Conversamos muito. Ele também entende que a federação... Com a presença do senhor, hoje, à frente da Federação, a Federação Paulista vai ter uma nova cara. E eu espero que realmente isso aconteça, pelo bem do futebol brasieleiro.
Quando se fala de futebol brasileiro, não tem como não falar do futebol paulista e principalmente dele.
O senhor poderia responder também às outras perguntas, por favor?
O SR. REINALDO CARNEIRO BASTOS – Sim.
A questão dos contratos da CBM, IGM e depois Volks é um assunto da CBF e eu não
da CBF e eu não participo. Eu não tenho conhecimento de como essa transição aconteceu.
Sobre os valores de patrocínio da Federação ou de cotas da CBF. Pelo modo de pensarmos, do que queremos apresentar, do que queremos fazer... Queríamos mostrar, apresentar, mas temos decisões judiciais, temos sigilo fiscal, temos sigilo bancário, que nos impedem, neste momento, de falar sobre esses assuntos.
Sobre o valor da CBF com a Federação, para o senhor ter uma noção, Senador, não tem um significado muito importante para a Federação Paulista, não, mas, para as federações menores, é uma questão de sobrevivência.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Mas dentro dessa nova transparência da Federação sobre a qual o senhor mesmo acabou de falar, que acredito que acontecerá, não seria importante também colocar para todos os valores que são recebidos pela Federação Paulista não só da CBF, mas também pelos contratos que existem?
O SR. REINALDO CARNEIRO BASTOS – A respeito da Federação Paulista, Senador, eu acho importante, sim. Como você deve ter conversado com meu Vice-Presidente, o Mauro, nós estamos descentralizando, estamos dando poderes aos departamentos. Eu tenho um departamento jurídico que me diz que eu não posso falar sobre isso, mas nós podemos, sim, e falamos muito, falar que nós não vamos mais assinar contrato que não podemos mostrar para ninguém. Nós estamos nos organizando... Eu não sei quando, mas, no ano que vem, agora, em janeiro, daqui a 60 dias, a partir de agora... Nós já estamos nos arrumando para que tudo que nós fizermos seja claro, transparente e divulgado. Agora, quanto ao que eu herdei, ao que eu tenho, eu tenho que cumprir a orientação do meu departamento jurídico.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem.
Quanto à posição real do senhor hoje dentro da Federação Paulista, o senhor é o Presidente por direito ou está apenas ocupando um espaço interino que foi deixado pelo Presidente Marco Polo Del Nero?
O SR. REINALDO CARNEIRO BASTOS – Senador Romário, ele entregou a carta de renúncia dele no dia 16 de abril e eu fiz uma reunião de diretoria no dia 17 de abril. A posse foi lavrada em ata e já está registrada. O mandato é meu. Eu sou responsável. O que acontecer na Federação é de minha responsabilidade, única e exclusivamente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem, Presidente.
O senhor poderia responder as duas últimas perguntas, por favor?
Na verdade, estão relacionadas... O senhor disse que sua parte jurídica pediu para que o senhor não respondesse.
Então, vamos passar agora à pergunta para o Sr. Mauro Carmélio Costa Júnior, Presidente da Federação Cearense.
Muito obrigado, Presidente, pela resposta.
Quero dizer que o senhor está em boas mãos com o seu Vice-Presidente.
O SR. REINALDO CARNEIRO BASTOS – Estou muito feliz. Ele é firme.
O SR. MAURO CARMÉLIO COSTA JÚNIOR – Senador, vamos aqui para as perguntas.
Primeiro, a do Senador Romero Jucá.
Com toda certeza, eu vou encaminhar à CPI sugestões para modernizar o futebol brasileiro. Com toda certeza.
Com relação às suas indagações, Excelência, eu queria que o senhor repetisse a frase que eu disse lá em Zurique.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – "O estrago foi grande. Precisamos juntar os cacos internos e externos do futebol brasileiro."
O SR. MAURO CARMÉLIO COSTA JÚNIOR – Realmente. Se nós temos um ex-Presidente da CBF sendo preso em Zurique, é mais do que correta essa frase. Isso está superado? Não, tanto que estamos aqui tentando modificar, modernizar o futebol brasileiro. Com toda certeza. Quanto a isso, não há nenhuma situação.
Quanto à correspondência que eu encaminhei... Não fui eu que encaminhei, mas minha secretária, que mandou, por zelo, por cuidado. E, quando ela me mostrou uma resposta da sua assessoria, da CPI, eu, imediatamente, respondi, pedi desculpas pelo zelo, por ela ter feito essa indagação
ter feito essa indagação, sem nenhum problema. Eu pensei até que esse assunto não seria tocado aqui na CPI.
Vamos lá. O Senador Wellington pergunta qual é o maior problema que a Federação enfrenta.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Presidente, em relação a essa situação, quero deixar bem claro aqui para o senhor e para todos que esses senhores, aqui nesta CPI, não têm nenhum tipo de relação. Eles não têm nem autonomia para nada.
O SR. MAURO CARMÉLIO COSTA JÚNIOR – Sim, foi um erro, e eu admiti isso.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Eles são lobistas da CBF, ou seja, o Sr. Walter Feldman, Sr. Vandenberg e outros.
Quero deixar isso bem claro aqui.
O SR. MAURO CARMÉLIO COSTA JÚNIOR – Sim, tranquilamente, peço desculpas, agora em público também. Já o fiz por e-mail e estou pedindo desculpas em público por um erro.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Está desculpado, Presidente.
O SR. MAURO CARMÉLIO COSTA JÚNIOR – Qual é o maior problema que a Federação cearense enfrenta?
Excelências, tenho um grande problema no futebol: os clubes pequenos dependem muito das prefeituras municipais. Quando o presidente de um clube não é do mesmo partido ou da mesma coligação do prefeito, fatalmente, o clube não vai jogar no Município a que está ligado. E vou ter que mudá-lo de cidade, de local. É esse grande sofrimento. Quer dizer, há uma dependência muito grande dos meus presidentes de clubes em relação à situação de seus estádios e suas acomodações. Assim, sempre, no começo de um campeonato, peço um documento do administrador do estádio e, se possível, faço uma visita ao prefeito para ver a responsabilidade dessa situação, porque os clubes não podem, Senador, ficar dependendo de partido político, de agrados e da situação... Estamos fomentando e estamos levando o futebol a cada interior, a cada cidade, seja da Primeira Divisão, seja da Segunda Divisão ou Terceira Divisão.
Queria também acrescentar... O Senador Wellington também falou de uma condenação do TCE. Esse fato ocorreu em 2007. Quero relembrar que assumi a Federação em 2010. Não havia ainda a orientação do Estatuto do Torcedor, de que o clube se responsabiliza pelo estádio, e o presidente da época, de boa-fé, assinou um termo de compromisso com a Secretaria de Esportes. Houve uma quebradeira grande em um jogo do Fortaleza ou do Ceará – não me lembro bem, pois foi em 2007. Pode ter sido dos dois. E fomos condenados pelo TCE, dentro do TCE. No entanto, com toda certeza, já estamos recorrendo, e vai-se mostrar a não participação da Federação nesse episódio e, sim, dos clubes de futebol.
Ernst & Young está fazendo realmente um levantamento na CBF e nas federações. Acho que, pela experiência que tem no mercado, poderá trazer grande contribuição ao futebol brasileiro.
O Senador Omar Aziz perguntou o que Marco Polo prometeu aos presidentes? A mim, prometeu modernizar o futebol brasileiro, e estou vendo internamente algumas mudanças sendo feitas.
O Senador Davi não fez nenhuma indagação e muito menos o Senador Zeze Perrella, grande Presidente do Cruzeiro.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Na verdade, a vez agora seria do Deputado Federal e presidente, há alguns anos, Sr. Roberto Goés.
Deputado, uma pergunta bem direta: na sua concepção, V. Exª entende que essas atitudes do Presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, de não se ausentar do País por medo de ser preso têm sido danosas ao nosso esporte, ao nosso futebol?
O SR. ROBERTO GÓES (PDT - AP) – Senador, com relação à atitude do Presidente da CBF, é uma decisão pessoal dele participar ou não de qualquer evento fora do País. Lógico que nós temos como Presidente da Federação Amapaense de Futebol e pela relação que temos até com o próprio presidente, vimos acompanhando isso passo a passo. Já participei de algumas reuniões dentro da própria CBF com os presidentes de federações, em que o próprio Presidente Marco Polo se colocou à disposição de todos, buscando alternativas para melhorar.
Agora, a partir do momento em que houver qualquer denúncia ou que a própria CPI, ao final de seu trabalho, tenha qualquer denúncia, qualquer situação que diga que o Presidente Marco Polo teve algum desvio de conduta, lógico, que cabe à assembleia geral tratar desse assunto. Mas a saída do Presidente cabe, logicamente, ao Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Então, na concepção de V. Exª o futebol brasileiro, através de Marco Polo del Nero, está em boas mãos?
O SR. ROBERTO GÓES – Melhorou bastante. Eu, como Presidente da Federação, já estou indo para o terceiro mandato. Com a vinda do Presidente Marco Polo para a CBF, houve uma aproximação muito grande com as federações, principalmente com as federações menores, uma integração dessas federações, uma competição que há muitos anos não se via na Região Norte, que é a Copa Verde, antigo Copão da Amazônia, quando todas as federações dos Estados se congregavam. Hoje, há uma participação efetiva da CBF nessas competições regionais que fazem essa integração.
O Brasil é um país muito grande, de dimensões continentais. Quem mora na Amazônia sabe a distância que é de um Estado para o outro e as dificuldades existentes. Os nossos clubes, principalmente os clubes mais carentes da nossa região, sobrevivem, lógico, com um apoio pequeno ainda – muito pequeno –, mas que realmente ajuda muito e contribui com o futebol, principalmente com o futebol do meu Amapá, que tem clubes profissionais, mas ainda com estrutura de amador ou de time de várzeas.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – V. Exª sabe que, para ser presidente de uma entidade como a CBF, existem algumas obrigações. Uma delas, por exemplo, é participar de algumas reuniões da FIFA, da Conmebol e acompanhar a nossa seleção brasileira nos jogos no exterior. E essa ausência do Marco Polo Del Nero e do Presidente atual da FIFA, na sua concepção, não mancha o futebol brasileiro?
O SR. ROBERTO GÓES – Com relação à FIFA, eu acho importante a presença do presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Com relação ao jogos da própria seleção brasileira, eu, particularmente, já tive a oportunidade de ser chefe de uma delegação brasileira por duas vezes representando o Presidente da CBF, à época, Ricardo Teixeira. Eu fui chefe da delegação brasileira na Copa América em 2004, no Peru...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Mas ele foi lá.
O SR. ROBERTO GÓES – Foi. Foi ele, foi o Ministro dos Esportes. E, depois, fui chefe da delegação brasileira na Venezuela, com o Dunga, com o Jorginho, com os outros. Fomos campeões. Tivemos a participação, depois no Brasil, do presidente da CBF juntamente com o Presidente do Brasil, que foi uma grande honra para o País. Então, nessa relação dos jogos, há geralmente ou um presidente de clube ou um presidente de federação acompanhando a seleção brasileira nesses eventos, muitos deles oficiais, outros não oficiais.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Na verdade, eu posso afirmar que V. Exª tem razão: sempre há outra pessoa, que é o chefe da delegação, até porque eu vivi muitos anos isso aí. Só que o presidente da CBF, desde quando eu comecei a jogar futebol, sempre acompanhou a seleção.
Muito bem. Agora, eu gostaria que o Sr. André Luiz Pitta Pires, Presidente da Federação Goiana respondesse as perguntas. A primeira é aquela que...
O SR. ANDRÉ LUIZ PITTA PIRES (Fora do microfone.) – Do legado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Exatamente.
O SR. ANDRÉ LUIZ PITTA PIRES – Senador Romário, em relação ao legado da Copa, primeiramente, a CBF solicitou que iria dar prioridade a alguns Estados que tinham maior necessidade, até porque esse recurso é oriundo da FIFA e vem por etapas. Então, iniciou-se por alguns Estados que tinham necessidade maior desse centro de treinamento e agora, há poucos dias, a CBF encaminhou um ofício circular a todas as federações que vão participar desse legado para que iniciássemos uma busca por uma área, de preferência, que apresentássemos três opções com valores, quem são os vizinhos da área, se tem asfalto, se não tem asfalto, se tem condição de saneamento, todas as condições da área, se a área é liberada ou não para que possa ser feito um complexo esportivo. Então, ela pediu para nós buscarmos essas condições.
Nós estamos procurando, lá no Estado, uma condição para que nós possamos apresentar (....)
possamos apresentar esses terrenos para, daí para a frente, começar a construção.
Em relação a quem será o proprietário, acredito que a CBF, e não sei como é essa relação com a FIFA dessa questão de ser proprietário ou não... Sei que não serão as federações.
Em relação à pergunta... O senhor poderia ler, por favor, Senador Romero, a segunda pergunta em relação à fazenda?
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB - RR) – Centro de Treinamento...
O SR. ANDRÉ LUIZ PITTA PIRES – Não, embaixo.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB - RR) – Depois:
– Em caso de resposta negativa, a informação da CBF sobre se a obra não começou ou se começará; e
– O senhor foi apoiador da primeira hora de Marco Apolo Del Nero. Logo após estouro do FIFA Case, correu a informação de que o senhor vendeu uma fazendo gerando muitos comentários de seus colegas. O senhor confirma essa venda? Em caso afirmativo, qual a relação entre os dois fatos?
O SR. ANDRÉ LUIZ PITTA PIRES – Até me estranha muito essa questão da fazenda, porque nunca tive fazenda, chácara, sítio, nada! Nunca tive anteriormente. Não vendi e não adquiri. Então, essa informação nunca existiu. Não tem essa informação.
Dando prosseguimento ao que o Senador Wellington deixou, a pergunta em relação ao crescimento, às melhorias da CBF através da Ernest Ong, acho que é uma empresa que tem um profissionalismo muito grande, uma empresa muito bem preparada no mercado para que possa estruturar a CBF. Tivemos algumas reuniões com pessoas da Ernest Ong, que está fazendo um levantamento geral de como funciona, primeiro, a CBF, os seus departamentos, as suas diretorias e também a relação com as federações e, automaticamente, com os clubes. Efetivamente, ainda não tem... Um planejamento não foi apresentado para nós, mas, de qualquer forma, o levantamento é extremamente importante para que ela possa nos traçar um planejamento de futuro promissor, de melhorias, de transparência e de um melhor futebol para atender a todos.
O Senador Omar Aziz, que, infelizmente, não está presente, no momento em que ele estava falando, me deu até vontade de interrompê-lo para aplaudir, porque são importantes as palavras que ele colocou em relação ao que estamos vendo no futebol brasileiro a partir do momento da Lei Pelé. Vimos que, a partir do momento da Lei Pelé, todo novo jogador que se destaca é capitaneado por um clube de fora do País ou pelos grandes clubes, sem que o clube menor, que, na maioria das vezes, é o formador, tenha qualquer benefício com isso. Então, acho que, e é até uma sugestão, temos que buscar alternativas para suprir, até porque os clubes, a partir do momento da Lei Pelé, perderam aquele grande interesse na formação da base, na formação dos atletas, principalmente os pequenos.
A partir do momento em que o Goiás começa a formar, apesar de o Goiás ser um clube grande dentro do nosso Estado, sabemos que qualquer jogador jovem que nasça no Goiás, tem vontade de jogar no São Paulo, no Flamengo, no Corinthians e em vários outros clubes. Então, o Goiás sabe que, com a formação desse atleta, pode vir rapidamente um grande clube desse e levar esse atleta embora, sem o Goiás ter nenhum tipo de benefício financeiro por tudo que ele fez por aquele atleta durante a sua situação, a sua manutenção na base do clube. Por incrível que pareça, o Goiás faz um trabalho excepcional. É um clube com certificado formador, tem vários centros de treinamento. Ele preza muito por isso, mas, infelizmente, perde muitos jogadores nesta condição.
Acho que seria fundamental buscarmos algumas alternativas para forçar um pouco mais os clubes a trabalhar suas categorias de base em todas as categorias, dos 14 aos 20 anos, e alternativas, como o próprio Senador falou, para a saída desses garotos jovens para fora do Brasil, através dos empresários, sem que os clubes tivessem nenhum benefício financeiro sobre isso. Cansamos de ver vários nomes de jogadores fora do Brasil que nunca vimos jogar no Brasil. Então, acho que temos que ter um cuidado com isso. O futebol brasileiro vem perdendo muito com isso. Acho que é importantíssimo que possamos buscar alternativas para essa questão.
Em relação ao que ele falou da Liga, eu concordo. Acho que temos que fazer futebol para todos, os grandes e os pequenos. Em relação à própria Liga Sul-Minas-Rio, que tem se colocado agora, não há nada contrário a ela, só que pegou Sul, pegou Minas, pegou Rio, tentou pegar São Paulo, que não teve interesse, mas e o Espírito Santo, que pertence àquela região? Será que, porque ele não tem um grande clube, não pode participar? Então, é isso que buscamos. Temos que fazer futebol para o grande e para o pequeno, principalmente, porque os pequenos são os maiores formadores de atletas no futebol brasileiro.
Então, acho que temos que rever alguns pontos. Acho que é importante termos a Liga. É importante termos os clubes grandes fortes, mas, se não dermos condição de os clubes pequenos também se manterem, sobreviverem e poderem fomentar, tirar a criança da rua, formar atletas, para que a gente tenha, como já cansamos de ter
e poder fomentar, tirar criança da rua, formar os atletas para que a gente tenha... Como nós já cansamos de ter grandes jogadores no futebol brasileiro, eu acho que nós vamos ficar em dificuldades. Eu acho que o Senador Omar Aziz foi perfeito nas colocações dele e eu acho que servem para a gente buscar alguma melhoria, alguma medida que possa contribuir para a não saída desses atletas e também para a valorização do futebol das equipes menores.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem, Presidente.
Agora passo a palavra ao Presidente da Federação Pernambucana, Sr. Evandro Carvalho. O senhor poderia responder à pergunta que foi feita por mim?
O SR. EVANDRO CARVALHO – Pois não, Senador.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Eu não lembro, não sei se os outros Senadores fizeram alguma outra pergunta...
O SR. EVANDRO CARVALHO – Eu anotei. Eu anotei.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – É sobre os 2 milhões da TAM.
O SR. EVANDRO CARVALHO – Pergunta direta, específica, a de V. Exª, e que eu estranho, primeiro, porque o valor não é esse, é maior. Na verdade, essa informação foi equivocada. E eu entendo que é uma obrigação do presidente da federação buscar o fomento. Eu captei empréstimo de R$1 milhão para o Santa Cruz junto à CBF e a federação pagou, captei empréstimo de R$1 milhão para o Náutica e de R$400 mil para o Salgueiro, como ano passado também captei R$500 mil para um, R$600 mil para outro. Então, entendo que isso é obrigação do presidente, na medida em que ele tem capacidade financeira e contratos que garantam.
Em relação à TAM, eu estranho, porque nós não temos nenhuma relação comercial com a TAM...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Esse dinheiro não saiu da TAM?
O SR. EVANDRO CARVALHO – Não, é pelo...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Nem um real?
O SR. EVANDRO CARVALHO – Nem um real. Não tenho nenhuma relação com a TAM, nunca tive contrato com a TAM, não temos nenhum patrocínio da TAM. O que nós temos é da Coca-Cola, Pênalti, Rede Globo, enfim, patrocinadores locais.
Quanto às outras ponderações que foram feitas, eu gostaria de ressaltar que, em relação a todos os Senadores, basicamente, para não me alongar muito, de fato, o grande problema que nós temos hoje na visão de Pernambuco é a questão da violência no futebol.
Senador Romário, o senhor imagine que, em uma federação como a de Pernambuco, nós investimos R$300 mil de recurso próprio e captamos R$2,7 milhões – isso foi matéria nacional e internacional, inclusive no UOL – e desenvolvemos, há três anos, o primeiro software de monitoramento de rede social para segurança do torcedor. Ou seja, nós criamos e fizemos um convênio com o Governo do Estado, com custo zero para o Governo do Estado. A federação investiu R$300 mil e captamos, junto a uma série de empresas de tecnologia, capitaneadas pela Sucinta, o aporte de 2,7 bilhões. Investimos no desenvolvimento de um software que monitora todas as redes sociais, que trabalhou, que buscou informações.
Tivemos um incidente trágico em Pernambuco com um torcedor morto. Os três responsáveis, os três criminosos foram condenados já pelo Tribunal do Júri graças a quê? Graças aos investimentos da federação no televisionamento dos estádios que nós temos e graças ao software que o permitiu, além, evidentemente, de uma parceria que a Federação Pernambucana tem e mantém com o Disque Denúncia. Para todo evento que ocorre relacionado a futebol, a federação tem um convênio. A federação coloca o que eles chamam de recompensa em dinheiro, em pecúnia, e isso gera também uma participação da população em denunciar esses vândalos, esses criminosos.
Eu entendo que seria indispensável que nós tivéssemos um fundo, nós tivéssemos recursos para que todos os Estados pudessem desenvolver tecnologias, ter ferramenta. E é indispensável a participação do Congresso Nacional no endurecimento dessa lei.
Em Pernambuco, nós temos uma dificuldade enorme de trabalho junto ao Ministério Público e ao Judiciário para tentar interpretar, para tentar tipificar a conduta de torcedores ora como formação de quadrilha, ora como associação criminosa. Porque, eu lhe digo, eu estou cansado...
Eu fui talvez o primeiro Presidente, junto com o do São Paulo, a administrativamente suspender torcida organizada. Respondi a mandado de segurança, a ações de todas as espécies, suspendi a entrada em campo e ganhei todas essas em nível de decisão judicial.
Agora, é preciso que a gente consiga uma legislação que interprete a conduta de agressão, de dano patrimonial particular e público, quando cometida por torcedores, não dentro da ótica de menor poder ofensivo, mas dentro da tipificação penal de formação de quadrilha e de associação criminosa. Só assim, Senador, com ferramenta de tecnologia que propicia a inteligência policial, militar e civil atuar e só assim com a legislação dura, que permita autuação em flagrante desses vândalos por pelo menos 30, 40 dias.
Eu fui delegado, há muito tempo, há 14 ou 15 anos. Eu presidi um flagrante em que encaminhei ao presídio sete torcedores, à época nem existia, acredito, a legislação, por uma interpretação minha, pessoal, e fui criticado, como formação de quadrilha.
Se nós não tivermos uma legislação dura, vigorosa, que entenda que aquele torcedor, quando se junta, quando se reúne, perde a identidade individual e passa a ter uma identidade coletiva criminosa, nós não conseguiremos debelar a violência, mesmo com todo o televisionamento em campo, como Pernambuco tem...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Concordo plenamente.
O SR. EVANDRO CARVALHO – ... ou mesmo
... Isolamento em campo, como Pernambuco tem...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Concordo plenamente com o senhor.
O SR. EVANDRO CARVALHO – ... mesmo com as ferramentas tecnológicas que nós desenvolvemos, foi um sacrifício para uma Federação como a de Pernambuco investir R$300 mil e ainda buscar no mercado privado R$2,7 milhões para desenvolver e implantar um software em convênio com o Estado. É uma tarefa difícil; não é fácil. E não dá o resultado necessário, porque nós temos que, simplesmente, assinar um ato proibindo o torcedor de ir a campo. Aí, eu pergunto: como se controla? Não se controla. Como se mantém essa vigilância para que ele não vá a campo? Não se mantém. Nós não temos essa estrutura.
É preciso que nós tenhamos rigidez, como os ingleses tiveram, para que essas pessoas sejam tratadas como criminosos. Nós estamos, em Pernambuco, com ações de extinção das torcidas organizadas. O Presidente do Sport Club do Recife foi ameaçado de morte, porque se debate permanentemente conosco contra a conduta criminosa de torcedores, e, ainda assim, nós somos punidos no STJD.
O Sport sofreu uma multa de R$50 mil e perdeu dois mandos de campo porque um grupo de 10 ou 20 marginais foram a Curitiba e se envolveram em uma briga. Mas nós não demos apoio, o clube não deu os ingressos, o clube expulsou do quadro societário todos os membros da torcida organizada, o clube proíbe a entrada dos membros da torcida no estádio, nós colocamos o ingresso a R$100,00 para proibi-los de entrar e, ainda assim, nós somos punidos. E por quê? Porque nós temos uma legislação frouxa, uma legislação que não corresponde à realidade da violência que nós vivemos.
Acredito que seriam essas as únicas ponderações que eu tenho a fazer, estranhando só a questão da TAM, porque nós não temos nenhuma relação comercial com ela.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem, Presidente. Muito obrigado.
Passo agora a palavra ao Sr. Gustavo Vieira, Presidente da Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo.
O SR. MARCUS VICENTE (Bloco/PP - ES) – Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Deputado, por favor. Fique à vontade.
O SR. MARCUS VICENTE (Bloco/PP - ES) – Sr. Presidente, pelo companheirismo das duas Casas, só para esclarecer, como notícia complementar: a Federação, há mais de um ano – pelo menos há um ano e dois meses – foi excluída do polo passivo da ação. Esse é o termo técnico. O Dr. Evandro... A Federação foi excluída porque ela não tinha nada a ver com a situação. Então, antes mesmo da fala do Presidente da Federação, só para esclarecer, até para ele ficar absolutamente à vontade, pois estou aqui como Deputado Federal.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Primeiramente, agradeço a presença de V. Exª aqui e ressalto que esse dado foi tirado de uma informação hoje do site UOL, da Folha de S.Paulo.
O SR. MARCUS VICENTE (Bloco/PP - ES) – Sim, sim. Eu estou apenas esclarecendo, até porque eu tenho sete companheiros aqui de Federação, meus ex-colegas – e preciso deixar isso claro –, e já estou requerendo a certidão dessa decisão.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Está o. k. Obrigado pela participação.
Presidente, por favor.
O SR. GUSTAVO VIEIRA – Senador, qual a primeira pergunta? A questão da Desportiva?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – É.
O SR. GUSTAVO VIEIRA – É bom esclarecer que a Desportiva Ferroviária Vale do Rio Doce é um clube de 50 anos, que veio da Vale do Rio Doce. Era um clube financiado pela Vale do Rio Doce. Ocorre que, com a privatização, a Vale perdeu a sua capacidade de investimento, infelizmente. Diante desse cenário, ela fez uma composição com um grupo econômico do Espírito Santo e se transformou em Desportiva Capixaba S/A, que, infelizmente, não obteve êxito esportivo.
De alguns anos para cá – acho que cerca de quatro anos –, voltou a antiga Desportiva Ferroviária, com uma nova diretoria, tendo sido feita uma separação jurídica da Desportiva Capixaba...
Acho que o senhor está se referindo à Desportiva Capixaba S/A, e não...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Exatamente.
O SR. GUSTAVO VIEIRA – ... à Desportiva Ferroviária.
O Deputado já esclareceu a questão do termo técnico que ele usou.
Eu, de fato, assumi recentemente a Federação, há seis meses. Assim, não estou tão por dentro dessa questão, mas vou me aprofundar melhor.
A questão do Legado Fifa já foi esclarecida aqui pelos demais colegas das outras federações. Na verdade, nós recebemos um ofício da CBF no dia 14 de setembro, listando quais são as características dos terrenos a serem adquiridos diretamente pela CBF com recursos provenientes do Fundo Fifa, do Legado Fifa, pode-se dizer assim.
Na sexta-feira, agora, eu iriei iniciar o trabalho de mapeamento desses três terrenos, juntamente com a diretoria da Federação, já definindo o local ou a cidade que irá receber esse centro de treinamento. É um local que abrange um cinturão de área de risco, a fim de atender esses jovens e adolescentes. Então, é basicamente essa a questão do Legado Fifa.
Outra pergunta foi com relação ao pacote de inovação da CBF. Eu venho acompanhando; participei da última reunião; fiquei muito satisfeito com o que eu ouvi. Na verdade, até a gente fez uma proposta à CBF no sentido de padronizar os balanços, as demonstrações financeiras das federações, para que fique tudo bem claro. A Federação capixaba já trabalha há muito tempo nesse sentido. Também foi anunciado o programa de compliance, um programa de...
(...) foi anunciado o programa de compliance, um programa de transparência e anticorrupção na CBF. A Federação do Espírito Santo já contratou também uma empresa especializada nisso. Devemos lançar até o final do ano o programa de compliance.
Acerca da questão do porquê do voto do Marco Polo Del Nero, na ocasião eu não era presidente, então, não posso responder por isso. Não querendo polemizar, volto a falar da CNDs, que foi abordada pelo Senador José Perrella. Acho que dificilmente os meus clubes conseguirão ter agilidade, em virtude da burocracia do Estado, de conseguir as certidões. Lembro que, para se inscrever no campeonato – não é participar; inscrever significa ter o nome constando em tabela – você tem que apresentar as certidões. Então, cinco clubes, no meu Estado, entre os dez, não podem sequer se inscrever nas competições, e isso praticamente ocorre em todas as federações. A sugestão que dou aqui é de que seja implementado isso a partir de 2017 para a Série A do Campeonato Brasileiro; 2018, Séries B e C; a partir de 2019, Série D e demais clubes que não fazem parte da Série D.
Era basicamente isso. Se houver algum questionamento, estou à disposição.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito obrigado, Presidente.
Agora, por último, o Sr. Heitor Luiz da Costa Junior, Presidente da Federação de Futebol do Estado de Rondônia.
V. Sª pode começar pelo legado da Copa, Presidente.
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – Sim, senhor.
Senador, quanto ao legado, o meu já está iniciado. O terreno já foi adquirido, e por quê? Realmente, como disse aqui, não temos estádio. Não quero suntuosidade, mas um estádio em que possamos ter condições de recepcionar grandes equipes,
Então, para esse legado, já existe o terreno, as obras já estão iniciando, e pretendemos, conforma afirmação da própria Confederação Brasileira de Futebol, inaugurar dentro de seis a oito meses. O proprietário do terreno é a Confederação Brasileira de Futebol.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – CBF?
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – CBF.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – E uma pergunta, Presidente: será construído um centro de treinamento e, dentro desse centro, um estádio de futebol. É isso?
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – Não, não, não. Apenas um centro de treinamento pelo fato de não termos um estádio.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Apenas o centro de treinamento. O.k.
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – Dois campos sintéticos.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Ah, este é que é o centro de treinamento: dois campos sintéticos.
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – Agora, a estrutura normal, auditório, academia, refeitório, a parte administrativa, isso é o legado da Copa que estamos recebendo.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem.
O SR. HEITOR LUIZ DA COSTA JUNIOR – A segunda pergunta de V. Exª é referente ao período em que estou à frente da Federação.
No início da minha explanação, eu disse que, à época, eu era Deputado Estadual e recebi um convite para ajudar a resgatar a Federação porque ela estava sob intervenção. E disputei, com apoio das autoridades locais, o Presidente da Assembleia, o próprio prefeito, o Governador.
E começamos a tirar a Federação do ostracismo, porque ela não existia, estava jogada nas escadarias do estádio. De lá para cá, implantei o profissionalismo nesse período todo, e tocamos junto com o estádio. O estádio se implantando; os clubes, novos – hoje, participando do campeonato, não existe clube centenário, o clube que está mais velho ali tem 20 e poucos anos. Com o passar dos anos, os filiados democraticamente, dentro do que determina a legislação em vigor, foram me reconduzindo. Por isso, estou esse período ainda, indagado por V. Exª. Com a nova 671, com a alternância do poder, já estamos alterando o estatuto: uma reeleição mais um. Estou preparando meu sucessor, já contribuí. Implantamos o profissionalismo. Tanto que a CBF já alterou, e já aprovamos a alteração das reeleições como eram antigamente.
Com referência o Ministério Público, de ações, não aconteceram ações, mas, sim, questionamentos. Por exemplo, os estádios pertencem ao Estado, e a responsabilidade é dos clubes. Até por falta de conhecimento, de orientação, o próprio Ministério Público me indagava acerca do estádio de Ji-Paraná. Eu informava que o estádio pertence ao governo do Estado e dava as devidas respostas. Agora, quanto às ações, realmente nunca aconteceram (...)
E o Ministério Público achava que era responsabilidade da Federação. Então, ia lá, orientava, conversava com todos eles e, evidentemente, eles reconheciam.
Mesmo querendo, não podemos pelo fato de ser um bem público. Por isso que eu tenho clamado, Senador Romário, que a CPI busque também esse anseio. O próprio Senador Romero Jucá, que é da nossa região, o Senador Omar, e o Senador do Amapá, porque Rondônia precisa urgentemente de um estádio. Não um estádio nível Copa FIFA, um estádio que preencha os anseios da população da nossa capital. Eu disse e repito que ela tem 500 mil habitantes.
Quanto ao pacote de inovação, o que primou mais foi a transparência; a consultoria que está trabalhando na CBF tem nos orientado principalmente nessa parte de balanço, como disse o colega Ricardo. O compromisso com o atual Presidente Marco Polo Del Nero é este: ele propôs a transparência. Na nossa série D, Senador Romero Jucá, a dificuldade – uma pena que o Omar Aziz não esteja, porque ele acompanhou o problema do Nacional também – é pagarmos as arbitragens, que são muito caras. Então, a CBF assumiu esse compromisso conosco. E isso deu um alívio tão grande que, realmente, está fluindo a competição. E este ano atingiu um patamar muito grande.
Então, eu acredito, Senador Romário, que precisamos fazer esse trabalho na Região Amazônica de apoio aos nossos clubes. O estádio na capital – volto a frisar – muitos pensam que é da Federação, Senador Romário, pelo fato de nós mexermos com futebol. Não é; infelizmente, não pertence à entidade e, sim, ao Governo do Estado.
Eu acho que foi muito interessante, muito importante termos participado aqui. Nós poderíamos também aproveitar a presença de outros Senadores da Região Amazônica, como o Senador Randolfe, para discutirmos, com os nossos colegas dos seis Estados – Acre, Amazonas, Roraima, Amapá – para acharmos uma solução interessante. Como está propondo o Senador Romário, fazermos uma reunião lá no Amapá ou em Rondônia – seriam muito bem-vindos – e contribuirmos com a Comissão.
Agradeço. Não sei se já encerrou, mas agradeço de coração e me coloco à disposição.
Parabenizo o Senador Romário e todos vocês por estarem discutindo, buscando soluções para o futebol brasileiro. Acho que, se todos nós nos unirmos, desarmarmos os espíritos, nós vamos realmente atingir o objetivo ideal.
Muito obrigado. É uma emoção muito grande ter participado aqui no Senado. Esses microfones me deram uma saudade terrível, porque há 15 anos eu deixei a vida parlamentar.
Desejo sucesso ao Senador Romário, que fez uma belíssima administração, com todo respeito, na Câmara, e veio com milhões e milhões de votos ao Senado. Vamos aguardar os próximos passos.
Muito obrigado e desculpem alguma coisa.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Obrigado.
Eu só queria dizer aos Srs. Presidente de federação que, se não me engano, a FIFA deixou como legado, entregará ou já entregou à CBF US$100 milhões, que foi mais ou menos o valor a ser redistribuído nesses centros de treinamentos.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Isso.
Uma coisa que me estranha muito é o fato de apenas dois campos de futebol e principalmente campo de futebol de sete...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Ah, então, os senhores me desculpem, o meu entendimento foi equivocado.
O SR. MARCUS VICENTE (Bloco/PP - ES) – Senador, US$40 milhões já ficaram na Receita.
Estou falando só para dar a informação. É importante a CPI saber disso.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – É bom saber.
O SR. MARCUS VICENTE (Bloco/PP - ES) – Foram US$40 milhões na Receita Federal.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Na verdade, dos US$100 milhões, US$40 milhões foram para impostos, 40%.
É estranho isso, mas enfim.
Segundo divulgou a CBF. É isso?
O SR. MARCUS VICENTE (Bloco/PP - ES) – Isso é claro, é o percentual.
o percentual. Isso é claro. Isso é feito claramente dentro da lei.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Eu queria só saber o que é 40% e qual lei é essa.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Esses cem milhões que a Fifa deixou aqui no Brasil foi como uma doação, não é? Legado. E numa doação, num legado, o Brasil paga 40% de imposto? Eles levam daqui um bi e pouco sem pagar imposto e a gente recebe de volta cem, pagando quarenta de imposto.
Está certo. Bem interessante. Esse é um negócio...
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB - RR) – Deveriam ter colocado na lei de isenção a entrada também, não só a saída.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Parabéns para a Fifa e para a CBF.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – E para a Receita Federal também. É verdade. Tem razão.
Eu sei que alguns dos senhores têm um pouco de pressa, porque segundo informações, já estão saindo.
Só para finalizar, Presidente da Federação Paulista, quatro perguntinhas rápidas. O senhor conhece o Sindafebol (Sindicato Nacional das Associações de Futebol)? O senhor ocupa algum cargo nesse sindicato? Qual a atividade desse sindicato? Esse sindicato recebe algum dinheiro da CBF?
O SR. REINALDO CARNEIRO BASTOS – O Sindafebol, é popularmente conhecido, Senador Romário, como o sindicato do futebol. O Presidente é o ex-Presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi. Eu sou diretor financeiro. Ele recebe, via CBF, a contribuição das federações e dos clubes que fazem parte do sindicato do futebol, que representa entidades de administração do desporto e clubes, em âmbito nacional.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem.
Eu gostaria de agradecer a presença de todos os senhores, os presidentes das sete federações que estão aqui, e dizer uma frase que eu acabei de dizer para o...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE - AP) – Presidente Romário? Senador Romário?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Já passo a palavra, Senador.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE - AP) – Perfeito.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Inclusive, V. Exª merece.
Deputado Federal Roberto Góes, que pessoas estão me vendo como inimigo de A, B ou C. Na verdade, quero deixar bem claro para todos que sou amigo do futebol. Eu sou quem eu sou e sou muito agradecido a tudo que o futebol fez por mim. Na época em que eu joguei, tenho bastante consciência que eu retribuí muito ao futebol o que o futebol me deu. E agora, como Senador da República e principalmente legitimado para estar aqui por quase cinco milhões de votos, e hoje Presidente desta CPI, eleito pelos meus colegas, eu tenho, por obrigação, de continuar sendo amigo do futebol.
Então, aquelas pessoas que infelizmente são inimigas do futebol podem se sentir, sim, inimigas minhas, porque eu sou simplesmente amigo do futebol e quero o futebol do meu Brasil evoluído, modernizado e moralizado. Eu não quero mais o futebol chegar na próxima Copa e tomar de sete a um. Eu não quero mais o futebol, na próxima Copa América, sendo eliminado por uma seleção, porque na verdade, no meu tempo e no tempo do Mauro Silva, com certeza a gente não deixaria isso acontecer.
Então, quero deixar isso bem claro, mais uma vez. Vou continuar aqui lutando com todas as armas possíveis para continuar ajudando o futebol a melhorar. E se aqueles que entendem diferente acharem que eu virei inimigo, cada um na sua guerra.
Por favor, Senador.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE - AP) – Senador Romário, primeiro, só reiterar o apoio à condução de V. Exª desta CPI. E a CPI proposta por V. Exª e legitimamente dirigida por V. Exª é uma CPI para que o futebol brasileiro não passe mais vergonha.
É a melhor forma de evitarmos outros sete a um, outras desclassificações para a toda poderosa seleção do Paraguai, em pênaltis; para evitar outras vergonhas desse tipo, ou evitar que o nosso maior mérito seja ganhar da Venezuela. Para evitar essas vergonhas que o futebol brasileiro está passando, eu não tenho dúvida de que só passando o futebol brasileiro a limpo.
Então, o nosso apoio à sua condução desta CPI é incondicional. E eu queria, Senador Romário... Estamos carentes de uma informação, aqui nesta CPI. Acabamos de deparar, Senador Romero, com uma conta que não fecha: a isenção que houve para a Fifa para a realização da Copa do Mundo e a tributação que houve sobre os dividendos da Fifa aqui para o nosso futebol.
Eu queria sugerir, Presidente, que... Não é nem matéria necessária para convocar o representante da Receita Federal aqui. Acho que a CPI não pode tirar em uma audiência pública com isso. Mas eu creio que seria objeto de um pedido de informações...
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Com certeza.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE - AP) – ...dessa CPI à Receita Federal sobre os procedimentos em relação a isso. É o que encaminho a V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB - RJ) – Muito bem. Mais uma vez, obrigado pela presença dos senhores.
Coloco aqui em votação a ata da 12ª Reunião, solicitando a dispensa de sua leitura. Os Srs. Senadores que aprovam permaneçam como estão. (Pausa.)
Aprovada.
Está encerrada esta reunião.
Nada mais havendo a tratar, agradeço a presença de todos. Convido para a próxima reunião, que será realizada na próxima quarta-feira, 28 de outubro, às 14h30, para ouvirmos, em audiência pública, os Presidentes das federações de futebol dos Estados: Acre, Alagoas, Amazonas, Roraima, Pará, Mato Grosso, Maranhão e Piauí.
Mourão, obrigado pela presença, irmão. Guerra é guerra! 


Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância ímpar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, proprina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o Banestado,  o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...



A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?

Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*

As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.

Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!

O Mercado de notícias - Filme/Projeto do gaúcho Jorge Furtado


Questões de opinião:

Eduardo Cunha - Como o Brasil chegou a esse ponto?




As histórias do ex-marido da Patrícia Pillar

Luiz Flávio Gomes e sua "Cleptocracia"

Comentários políticos com Bob Fernandes.

Ricardo Boechat - Talvez seja ele o 14 que eu estou procurando...


InterVozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social

Ajuste Fiscal - Trabalhadores são chamados a pagar a conta mais uma vez

Como o PT blindou o PSDB e se tornou alvo da PF e do MPF - É tudo um assunto só!






Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?

Comissão Nacional da Verdade - A história sendo escrita (pela primeira vez) por completo.

Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.

Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.

Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.

Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países?

Acompanhando o Caso HSBC VI - Pausa para avisar aos bandidos: "Estamos atrás de vocês!"... 

Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos

Acompanhando o Caso HSBC VIII - Explicações do presidente do banco HSBC no Brasil

Acompanhando o Caso HSBC IX  - A CPI sangra de morte e está agonizando...

Acompanhando o Caso HSBC X - Hervé Falciani desnuda "Modus-Operandis" da Lavagem de dinheiro da corrupção.





Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!

Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.

Acompanhando a Operação Zelotes IV (CPI do CARF) - Apresentação da Polícia Federal, Explicação do Presidente do CARF e a denuncia do Ministério Público.

Acompanhando a Operação Zelotes V (CPI do CARF) - Vamos inverter a lógica das investigações?

Acompanhando a Operação Zelotes VI (CPI do CARF) - Silêncio, erro da polícia e acusado inocente depõe na 5ª reunião da CPI do CARF.

Acompanhando a Operação Zelotes VII (CPI do CARF) - Vamos começar a comparar as reportagens das revistas com as investigações...

Acompanhando a Operação Zelotes VIII (CPI do CARF) - Tem futebol no CARF também!...

Acompanhando a Operação Zelotes IX (CPI do CARF): R$1,4 Trilhões + R$0,6 Trilhões = R$2,0Trilhões. Sabe do que eu estou falando?

Acompanhando a Operação Zelotes X (CPI do CARF): No meio do silêncio, dois tucanos batem bico...

Acompanhando a Operação Zelotes XII (CPI do CARF): Nem tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser...

Acompanhando a Operação Zelotes XIII (CPI do CARF): APS fica calado. Meigan Sack fala um pouquinho. O Estadão está um passo a frente da comissão? 

Acompanhando a Operação Zelotes XIV (CPI do CARF): Para de tumultuar, Estadão!

Acompanhando a Operação Zelotes XV (CPI do CARF): Juliano? Que Juliano que é esse? E esse Tio?


Sobre CBF/Globo/Corrupção no futebol/Acompanhando a CPI do Futebol:

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K

A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!

Revolução no futebol brasileiro? O Fim da era Ricardo Teixeira. 

Videos com e sobre José Maria Marin - Caso José Maria MarinX Romário X Juca Kfouri (conta anonima do Justic Just ) 

Do apagão do futebol ao apagão da política: o Sistema é o mesmo


Acompanhando a CPI do Futebol - Será lúdico... mas espero que seja sério...

Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!

Acompanhando a CPI do Futebol III - Está escancarado: É tudo um assunto só!

Acompanhando a CPI do Futebol IV - Proposta do nobre senador: Que tal ficarmos só no futebol e esquecermos esse negócio de lavagem de dinheiro?!

Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!

Acompanhando a CPI do Futebol VIII - Eurico Miranda declara: "A modernização e a profissionalização é algo terrível"!