Magazine Luiza

sábado, 7 de novembro de 2015

Desastre em Mariana/MG - Diferenças na narrativa.

Essa história infelizmente é a continuação desse post:

Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

Nesse post eu faço uma comparação da situação da Petrobrás com a situação da Vale pouco antes de ser privatizada.


Secretário de Estado classifica a Samarco como vítima do rompimento

(Jornal Hoje em dia)

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, classificou a Samarco como vítima do rompimento de sua barragem ocorrido na tarde dessa quinta e que já tem pelo menos duas vítimas fatais confirmadas e um número ainda incalculável de vítimas totais, entre feridos e mortos. O representante do governo mineiro também defendeu que a fiscalização ambiental deixe de ser realizada pelo Estado, e passe a ser responsabilidade da iniciativa privada.
As declarações foram dadas pela manhã em um Fórum de mineração realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.

“A empresa (Samarco) é uma das que mais se preocupam com segurança e com meio ambiente. Todas as licenças da empresa estão devidamente corretas e tudo foi feito para que isso não ocorresse. Em um primeiro momento nossa ação é com as pessoas, e depois com o tempo, serão feitas as análises para ver o que ocasionou esses problemas. Neste primeiro momento temos que ser solidários, tanto com a empresa, que também é uma vítima, como com a população e os trabalhadores”, disse.Questionado sobre eventual falta de rigor no licenciamento ambiental e da falta de estrutura do governo para fiscalizar as barragens existentes em Minas Gerais, que chegam a 754 unidades distribuídas pelo Estado, ele defendeu a concessão dessa responsabilidade para a iniciativa privada.
“Discordo que não haja rigidez no licenciamento ambiental, pelo contrário. Afirmo com toda tranquilidade que existe excesso de rigidez no licenciamento e um excesso de órgãos envolvidos. Por isso temos até uma proposta para mudar esse sistema. Alguém precisa fiscalizar, não precisa ser o Estado, que pode delegar a outros. Uma empresa pode ser contratada para fazer isso”, disse.
BARRAGEM MARIANA
A prefeitura informou que já recebeu um grande número de colchões, cobertores e roupas e que novas doações desses objetos não são mais necessárias. A prioridade agora é recolher doações de escovas de dentes, toalhas de banho, copos, talheres e pratos descartáveis, além de água potável.
Os materiais devem ser entregues no Centro de Convenções Alphonsus Guimaraens, localizado na Avenida Getúlio Vargas, s/n, centro. Para receber doações de fora de Mariana, a prefeitura abriu uma conta no Banco do Brasil, com o CNPJ 18.295.303/001-44. A agência é 2279-9 e a conta corrente, 10.000-5.


Barragem que se rompeu passava por obras, afirma Samarco

Empresa disse que abriu um procedimento de investigação para checar as causas da tragédia. Barragem passava por obra de preparação para aumentar capacidade

(Jornal Estado de Minas)
A empresa Samarco confirmou em coletiva na tarde desta sexta-feira que uma obra para aumentar a capacidade de uma das represas acontecia no momento do rompimento em Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Porém, afirmou ainda que não tem explicação para a tragédia e que uma investigação foi aberta para checar as causas. Já foi confirmada uma morte e o desaparecimento de pelo menos 13 funcionários que trabalhavam para a empresa. Número de moradores que ainda não foram encontrados está sendo computado pela Defesas Civil do município. 

De acordo com o presidente da empresa, Ricardo Vescosi, o rompimento da primeira barragem ocorreu por volta das 15h e que todos os procedimentos do plano de emergência foram realizados. “Entramos em contato com as autoridades, conforme o plano. Em seguida, tivemos o rompimento da Santarém (segunda barragem), que é de água e fica após a barragem de Fundão. Esse rompimento da barragem de rejeitos, em seguida, provoca uma onda que se propaga e atinge a comunidade de Bento Rodrigues”, explica. 
No momento do acidente, operários de empresas terceirizadas e da Samarco faziam obras no local. O presidente confirmou que 13 trabalhadores seguem desaparecidos. Eles realizavam um serviço para aumentar a capacidade da represa. “A obra é natural para operações de rotinas da barragem e o alteamento da barragem de Fundão, que é um alteamento licenciado dentro de todos os protocolos do Estado de Minas Gerais”, disse. 

O presidente também informou que as operações aconteciam sem nenhum impedimento. “Importante relatar que essas operações das barragens de Fundão e Santarém são regulares, licenciadas, monitoradas dentro do melhor padrão que a gente conhece, dentro do que a técnica preconiza”, comentou. 

A empresa já abriu um procedimento de investigação para tentar chegar até as causas da tragédia. “Não temos condições de afirmar nada neste momento. Estamos inciando o processo de investigação técnica para chegar as causas”, afirmou o Germano Silva, gerente-geral de projetos e coordenador do plano de ações emergenciais da Samarco. 

Segundo o gerente, no momento do rompimento das barragens, 
funcionários estavam construindo um dreno interno em uma das estruturas. “A obra que esta sendo feita é uma preparação para o alteamento da barragem. A barragem é alteada com próprio rejeito. Ela possui licenciamento e atende as normas técnicas brasileiras e internacionais. No momento, estávamos construindo um dreno interno”, comentou.

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A um tempo atrás nós iriamos nos contentar com essa cobertura feita pela nossa mídia tradicional...
Mas hoje a internet nos proporciona um pouco o que chamamos de "democratização da mídia", e temos acesso a outros pontos de vista da tragédia.

Esses eu peguei no facebook:
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Sobre a tragédia da barragem de rejeitos da Samarco que se rompeu em Mariana eu gostaria de dizer algumas coisas. Trabalhei ali ao lado, na mina de Timbopeba durante um ano. Ainda tenho amigos lá.
Em primeiro lugar é importante dizer que a Samarco pertence à Vale. Essa notícia em geral não aparece nas matérias que li. Aliás, a notícia é tratada na imprensa como uma catástrofe natural, como um furacão ou um terremoto. Chamadas como "Barragem se rompeu" ou "Distrito foi inundado por lama" parecem tentar encobrir a responsabilidade que é da Samarco/Vale. Na sequência virão analistas dizer que a empresa é séria e monitorava as barragens com tecnologia de ponta.
Conversa, uma barragem de rejeitos a rigor é uma bomba química prestes a explodir a qualquer momento. O acúmulo de material tóxico durante anos é um dos grandes ônus da mineração, o lixo embaixo do tapete, para além de todo o impacto ambiental decorrente das escavações das minas e do transporte do minério propriamente ditos. O que vai parar na barragem de rejeitos é o que sai dos tanques de flotação com reagentes químicos para separar o minério de ferro dos demais componentes por decantação. É lama extremamente tóxica.
Em segundo lugar, é necessário dizer que a atividade mineradora em Minas é predatória e altamente periculosa. As mineradoras não monitoram as barragens, elas empurram com a barriga. O que elas monitoram mesmo é a informação que sai quando acontece o inevitável. No período em que trabalhei na Vale em Timbopeba, que teve seu mineroduto também atingido pela lama, vi pelo menos três acidentes graves que foram abafados. Esse de Bento Rodrigues, pela dimensão e alcance não pôde ser amordaçado. Mas barragem de rejeito é isso, uma hora acaba rompendo, como tantas outras romperam e continuam rompendo todos os anos. Não existe segurança, é uma bomba relógio. A mineração em Minas devia ser interrompida e revistas as leis, porque essa exportação de commodities só gera riqueza para as empresas. Vendemos minério para a China a preço de banana e o que ganhamos com isso? Um impacto ambiental e social irreversível nas comunidades próximas; a degradação das condições de trabalho; o esgotamento do lençol freático precipitando uma crise hídrica sem precedentes e tragédias periódicas e previsíveis como o rompimento de barragens.
Enquanto isso o governador deu entrada na Assembléia Legislativa semana passada num Projeto de Lei (PL 2.946/15) em caráter de urgência propondo a reestruturação do Sistema Estadual do Meio Ambiente (Sisema) para agilizar os pedidos de licenciamento ambiental em Minas Gerais.
Estou acompanhando as notícias em busca de informações sobre as vítimas e vai dando um misto de revolta e tristeza. Toda solidariedade às famílias das vítimas fatais do acidente, à comunidade de Bento Rodrigues e Camargos e aos operários atingidos. Muitos ainda estão desaparecidos, soterrados ou ilhados pela lama. Torço para que sejam resgatados com vida!
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Pensar em tudo que se perdeu... não só as vidas, os meios de vida, as formas de vida, as tradições, as vidas que ali viveram... não existe mais ali... é muito difícil, dói muito. É um pouco de nós que morre junto. Era mina, era Minas... até quando seremos buracos escavados e depois soterrados?
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Vamos combinar algumas coisas: a dona da barragem é a Vale. A Vale foi privatizada no governo FHC. Até então, era uma das melhores empresas do Brasil para trabalhar. Hoje acumula processos trabalhistas em todo o mundo e se tornou campeã de desrespeito ao meio ambiente. Ela investe milhões em seus campos de mineração. Pelo tamanho do investimento, é possível imaginar o tamanho do lucro. A barragem não ruiu por uma fatalidade. A hipótese mais provável é falta de manutenção - portanto, de investimento no que não dá lucro, mas protegia a população. A água poluída de minério e química vai apodrecer aquele lugar por anos. O governo estadual que permitiu que isto tudo acontecesse foi o de Aécio Neves, do PSDB. E o governo atual, do PT, está tentando flexibilizar ainda mais as licenças ambientais.
A tragédia de ontem tem um none, privatização, é um sobrenome, capitalismo. A exploração das riquezas minerais, finitas, de um país é obviamente estratégica demais para ser entregue em mãos particulares. Quem conclui pela Lava jato que seria melhor privatizar a Petrobras deveria avaliar se sequer haveria investigação caso ela tivesse um dono com lobby no congresso, e imaginar o tamanho dos desastres que ocorreriam então. E quem defende que o aumento de produção e lucros da Vale (lucros que não nos beneficiam) serve de compensação para estes estragos que são decorrência direta de sua privatização, ou os consideram efeitos colaterais inevitáveis, me desculpem a franqueza, são cúmplices. Nada menos.
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O que aconteceu em Mariana, gente... não dá nem pra resumir.
O distrito de Bento Rodrigues não existe mais. Sobre ele, toneladas de lama tóxica. A região, produtora de pimenta biquinho, não produz mais nada. Animais e plantações, desapareceram. Moradores relatam que ouvem gritos nas partes ainda soterradas. Fala-se em uma vítima fatal, mas aqui em Minas, a imprensa é bancada pela Vale e anda bem tímida pra relatar o fato.
A lama tóxica já atingiu o Rio Doce e há previsão de chuva na região, pra espalhar ainda mais veneno.
Essas barragens são como fossas a céu aberto, retendo todo tipo de material tóxico usado na mineração. É água altamente poluída. A Vale, em questões ambientais, não vale nada. Está destruindo Minas Gerais. Não tem responsabilidade nenhuma, ambiental. Ora torna cidades de Minas só buraco e desmatamento, ora usa e abusa de lençol freático, ora traz uma tragédia dessa magnitude pras pessoas que vivem perto dela. Pras pessoas e pro meio ambiente. Quem limpa uma tragédia dessa? Não limpa.
Pode chamar Governador, polícia, bombeiro que não há força-tarefa que detenha todas as consequências que essa tragédia ainda trará, além da que já trouxe. São consequências ambientais que tratarão de esconder de todos nós, com propagandas caríssimas na TV que venderão a imagem da Vale como 'exemplo de sustentabilidade e preservação ambiental".
Mais triste é saber que a Samarco (mineradora responsável pela barragem) é da Vale e da australiana BHP. Os australianos sabem preservar toda espécie vegetal e animal do seu país. Vem é pro nosso, trazer destruição.
Irresponsabilidade, desrespeito com Minas Gerais e desamor - esse é o slogan da mineração. Privatizaram a Vale pra que os responsáveis por essa tragédia, paguem bem caro pelo silêncio de todos os abusos permitidos. E esse negócio predatório da mineração privada, com aumento de lucro de 729% por ano (como foi o caso da Vale, em 2014), é feito sob encomenda pra dar tragédia. Tragédia, amanhã. Lucro, hoje.

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Chico Alencar adicionou
18 h
TRAGÉDIA ANUNCIADA
Ontem (quinta-feira) no final da tarde, duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco se romperam, atingindo cerca de 200 casas e mais de 500 habitantes do município de Mariana, em Minas Gerais. A mineradora Samarco é atualmente controlada pelas gigantes do setor Vale (50%) e a anglo-australiana BHP Billiton (50%)
Como convocou o Comitê em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, em nota divulgada à imprensa, exigimos das autoridades cabíveis a devida apuração e punição às empresas Samarco, Vale e BHP, pela responsabilidade deste acontecido. Como repetem os trabalhadores das minas, isto não foi um acidente. Poderia ter sido evitado, mas a ganância por lucro e por retirar nossos minerais é tamanha que vidas são secundarizadas. A contagem atual revela centenas de mortes. A Vale, assim como a BHP, tem a obrigação de se responsabilizar por todos os danos causados à cidade, aos seus moradores e ao meio ambiente.
Coincidentemente - ou não, nas últimas semanas deputados vem tentando uma manobra para aprovar o Novo Código da Mineração. Dos 37 deputados já indicados para integrá-la, entre titulares e suplentes, 17 tiveram doações de empresas ligadas à mineração. Não por acaso, o projeto tem sido criticado por ativistas, por eliminar proteções ambientais presentes no texto anterior, de 1967, e por prefeitos, que temem perdas na arrecadação. Já o setor produtivo tenta evitar cobranças maiores sobre a extração mineral. Nós estamos nessa batalha.
Mais informações na excelente reportagem da Agência Pública:
http://apublica.org/…/truco-manobra-tenta-aprovar-codigo-d…/
Toda solidariedade à população da região e a todo(a)s os trabalhadores das mineradoras. O Novo Código da Mineração deveria oferecer mais garantias à população e responsabilização total das empresas em casos de acidentes e mau uso, e não o contrário, como se tem tentado aprovar. Tragédias como essa são um alerta da irresponsabilidade dos nossos representantes.




Quando vejo a palavra "mineradora" nas manchetes de jornais, já fico pensando em quem é o cliente da imprensa que a faz não nominar os responsáveis pelo acidente em Minas Gerais.
Alguém consegue imaginar se fosse a Petrobras? Acham que sairia acidente em "petrolífera"...
A mineradora é a Samarco, privada, cujos donos são a BHP Billiton e a Vale do Rio Doce.

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Em nenhum momento dos vários noticiários sobre o rompimento de uma barragem em Mariana, MG, a GLOBO citou que a SAMARCO é uma empresa da VALE. A exceção de um ou outro repórter que se comove com a situação dos desabrigados, das vítimas de um modo geral, a tônica são lágrimas de crocodilo. A explicação de abalos sísmicos não convence. Há tecnologias para detectar esse tipo de fenômeno e determinar construções que resistam a eles. A engenharia brasileira é das mais adiantadas do mundo e essa não é justificativa. É mais ou menos como matei porque o revólver disparou sem querer. As licenças ambientais em Minas são compradas ao Instituto do Meio-ambiente, onde a corrupção é generalizada na cúpula. Ou era, nos governos Aécio e Anastasia, eles próprios envolvidos em mineração de nióbio. A região está inapelavelmente atingida por um desastre ecológico de grandes proporções. O rio das Velhas, um histórico rio de Minas, cuja água abastece cidades e seus distritos, está contaminado. O que se espera do Ministério Público, dominado em sua maioria por aecistas, é, no mínimo, uma investigação transparente e que vá além do desastre, mas busque todo o roteiro de corrupção que cobre e protege o setor. Um pente fino nas licenças ambientais concedidas em todo o estado nos últimos 12 anos. O que se quer do governador Fernando Pimentel é ação para desmontar as quadrilhas do setor, qualquer que seja o preço. As vidas perdidas, as casas, os bens de pessoas que viviam do trabalho, da luta cotidiana, essas estão perdidas e recuperá-las é dever do estado, mas junto com o combate à corrupção. Uma política de meio-ambiente que não leve um poeta a chorar sua Itabirito, onde as montanhas desapareceram pela avidez predadora das empresas de mineração. E que se dê nome aos bois. VALE, que nunca ligou para seres humanos, os considera desprezíveis, onde quer que ponha seus tentáculos.


Bento Rodrigues, 23 quilômetros de Mariana, no Centro de Minas Gerais sumiu do mapa. Uma mar de lama tóxica da barragem do Fundão, que se rompeu na tarde de hoje avança sobre várias regiões próximas. O número de mortos até agora chega a 17, mas a previsão do Corpo de Bombeiros é de que possa chegar a 60. Muitas pessoas estão soterradas e outras ilhadas. A dona da barragem é a VALE, através de uma de suas empresas, a SAMARCO. O fato tem extrema gravidade ambiental e a recuperação da área será difícil e demorada. Um dos procuradores designados para investigar o caso disse que uma barragem não se rompe por acidente. A tragédia serve para mostrar ao governador Fernando Pimentel a necessidade de uma devassa no Instituto do Meio-ambiente do estado, onde a corrupção é generalizada e as concessões de licenças ambientais são dadas a mineradoras, locais para lixo, sem qualquer cuidado, desde que recheadas de propina. Um dos procuradores do órgão, deve estar no cargo ainda, Joaquim não sei das quantas é notório corrupto e conhecido como Joa/quinzinho, o valor das propinas, 15%.. Ja foi condenado num estado do norte a devolver dinheiro aos cofres públicos. Presidiu a companhia de águas e meteu a mão. O que aconteceu e cuja extensão só se vai saber dentro de alguns dias, foi crime. Descaso. É prática comum da VALE e suas empresas em todos os lugares onde opera. Mariana é uma cidade histórica de Minas. O rompimento da barragem tem a cara do desgoverno Aécio e a corrupção dele e seus assessores, como Joa/quinzinho.

O jornalista não julga, denuncia. É evidente que o rompimento de duas barragens de dejetos em Mariana poderia ter sido evitado. Há um laudo de um instituto contratado pela própria SAMARCO, que alerta sobre os riscos do que aconteceu. Isso não é julgamento, é fato. O laudo é de 2013, portanto, há dois anos. Os entendidos no assunto, como se costuma dizer, também não julgam, emitem pareceres sobre as causas e apontam eventuais falhas. Acusar o Instituto Estadual do Meio-ambiente de Minas de corrupção generalizada na cúpula não é julgamento. É denúncia. Ainda no governo Aécio Neves, corrupto até o último fio de cabelo, as licenças ambientais para a área de mineração foram objeto de exame da Assembléia Legislativa e o procurador do instituto o tal Joa/quinzinho apontado como corrupto de carteirinha. O governo de então abafou o relatório da Assembléia por uma simples razão – as empresas contribuíam para as campanhas de Aécio e seus comparsas. Isso não é julgamento, é denúncia. A verdade é que além das distorções costumeiras da mídia brasileira, que não teve como evitar dar notícias do que aconteceu. A repercussão foi mundial, teve que ceder e existe a tradicional vocação puritana de boa parte dos leitores transformados em cordeiros dóceis ao longo de anos de mentiras e distorções. Isso também é denúncia. Como por exemplo, em todos os acidentes em qualquer área, empresas emitem comunicados dizendo que tudo farão para ajudar as vítimas e indenizá-las em seus prejuízos. Outra mentira. E isso também é denúncia. Ou se vai à justiça e leva-se anos para resolver a questão e nem sempre com decisões favoráveis (afinal é o Judiciário brasileiro), ou não se resolve, o jogo de enrolação acaba sendo eterno. Caso, outro exemplo, do avião da TAM que explodiu em São Paulo. A TAM soltou uma nota igual, já devem ter prontas essas notas e nada mais, só enrolação ou acordos que não reparam nada. Há crime de responsabilidade da VALE e da SAMARCO nessa história toda. Empresas como essas não contam o ser humano a não ser como objeto de lucro.
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Wanessinha Santos

Infelizmente, o BRASIL ainda não sabe o que está acontecendo em Minas Gerais e no Espírito Santo. Mas, infelizmente, uma das empresas que operam a Samarco no Brasil é a gigante Vale, a maior mineradora do Brasil, grande financiadora de campanhas publicitárias e políticas, é grande demais para se esconder. Os veículos de "des-informação", também grandes beneficiadores de verbas publicitárias da empresa e do Governo continuam omitindo fatos e números importantes para amenizar a tragédia. Sugiro que aqueles que tem amigos virtuais em outras cidades, estados e países, informem melhor e alertem o Brasil de que são centenas de milhares de pessoas afetadas pelo fato. Toda a economia dos municípios está comprometida. As escolas suspenderam as aulas, a agricultura está comprometida, porque não tem chuva, o comércio já quase parou, pois não tem água, nem para os banheiros; bares e restaurantes estão adotando material descartável para servirem, mas não existem panelas descartáveis e essas precisam ser lavadas. A construção civil também foi afetada; não há água para o banho das pessoas. Hospitais e asilos, presídios e serviços essenciais estão sendo abastecidos por caminhões pipa, que precisam ir a outros municípios para se abastecerem de água, o que está onerando os cofres públicos com o alto consumo de combustível - isso quando conseguem passar pelas estradas bloqueadas pela manifestação de caminhoneiros.
O Rio Doce, um dos MAIORES DO BRASIL, está morto! As populações, desde Mariana-MG até Linhares-ES (e depois no Oceano Atlântico) estão sofrendo as consequências do que talvez seja a maior tragédia ambiental, ecológica, econômica, hídrica, já ocorrida no país. E as consequências serão sentidas por muitas décadas. Somente em Governador Valadares são 260 mil pessoas afetadas. Alguém já imaginou uma cidade de 260mil pessoas totalmente sem água? E o pior: a água está correndo no Rio Doce, mas completamente envenenada por arsênico, mercúrio e outros metais.
Todos - eu disse todos - os peixes morreram envenendos e já se pode sentir o "cheiro" a kms de distância. Esse é o quadro que o BRASIL precisa saber. Divulguem para que outras tragédias possam ser evitadas. Talvez a próxima seja a dos lixões, ou das enormes pastagens que avançam derrubando as florestas, ou quem sabe, as imensas lavouras de soja??? Informem, manifestem a indignação pacífica, sem revolta ou violência. Chega de violência contra povo Brasileiro, menos ganância, é o que precisamos. Obrigado por me ler! É apenas o desabafo de um brasileiro e ... ser humano.
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"Vamos agora aos destaques sobre o desastre ambiental em Mariana", anuncia locutor de uma rádio de Belo Horizonte.
Aumentei o volume. Será que falariam sobre as consequências trágicas para a população da comunidade destruída pela lama? Abordariam as responsabilidades óbvias da Samarco/Vale? O que falariam sobr...
"A presidente Dilma Roussef foi vaiada em Governador Valadares durante viagem para visitar a região do desastre.", completou o sujeito.
Claro. Como posso permanecer ingênuo assim?
A lógica da mídia corporativa é clara: se há alguma questão envolvendo uma estatal, ataque a estatal; se envolve uma empresa privada, ataque o governo. Não é à toa que a maior parte das matérias produzidas pela velha mídia se concentra em desculpas em nome da Samarco/Vale: teria sido um abalo sísmico? A lama não era tóxica, vejam que bom. Acidentes acontecem; seria precipitado atribuir responsabilidade à EMPRESA RESPONSÁVEL PELA BARRAGEM QUE ROMPEU. Certo? Certo? Certo?
Por outro lado, se o heróico e ilibado juiz Moro diz que a Lava-Jato SUPÕE um valor de 40 bilhões de prejuízo no esquema (isso depois de - igualmente na base da suposição - chutar 20 bilhões), as manchetes imediatamente assumem o valor como fato a fim de martelar na cabeça dos leitores mais um dos vários boatos que visam enfraquecer a empresa a fim de facilitar uma eventual privatização (ou, no mínimo, uma abertura para a exploração de reservas por parte de empresas privadas estrangeiras).
A matemática do capital não é sutil, basta descobrir os olhos: as mesmas empresas que compram mandatos parlamentares com financiamento de campanha a fim de aprovar legislações que facilitam suas ações, desregulamentando o setor, agora contam com o apoio da mídia para tentar isentá-las de culpa ou para fazer um terrorismo acerca dos "prejuízos" que o PAÍS teria caso as multas e outras penalidades impostas pelo governo sejam severas demais.
Não à toa, semana passada o Diário de São Paulo, ao noticiar a queda no número de fatalidades no trânsito graças às medidas adotadas pela prefeitura de Haddad, mancheteou "Redução nas mortes do trânsito tem um preço alto".
Esta é a lógica corporativista: o lucro vale mais do que a vida. Uma lógica que, inacreditavelmente, muitos parecem adotar - tanto que já criaram uma página chamada "Somos Todos Samarco".
E a partir do momento em que um desastre provocado pela barragem de uma empresa que destrói toda uma comunidade desperta, como resposta, manifestações de solidariedade À EMPRESA... bom, podemos começar a repensar todo o nosso conceito de "humanidade".
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P.S.: Querem uma ilustração clara do que estou falando? "Deputados da comissão de barragens receberam R$ 587 mil de mineradoras"http://www.otempo.com.br/…/deputados-da-comiss%C3%A3o-de-ba…



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"Era uma vez a Cia Vale do Rio Doce que primeiro tirou o Rio Doce do nome... Depois do Mundo. Fim."
De um morador de Governador Valadares - MG:
"Infelizmente, o BRASIL ainda não sabe o que está acontecendo aqui em Minas Gerais. Os veiculos de "des-informação" continuam omitindo fatos e numeros importante para amenizar a tragédia. Sugiro que aqueles que tem amigos virtuais em outras cidades, estados e paises, informem melhor e alertem o Brasil de que são centenas de milhares de pessoas afetadas pelo fato. Toda a economia dos municipios està comprometida. As escolas suspenderam as aulas, a agricultura está comprometida, porque não tem chuva, o comercio já quase parou, pois não tem água, nem para os banheiros; bares e restaurantes estão adotando material descartável para servirem, mas não existem panelas descartáveis e essas precisam ser lavadas.A contrução civil também foi afetada; não há àgua para o banho das pessoas. Hospitais e asilos, presidios e serviços essenciais estão sendo abastecidos por caminhões pipa, que precisam ir a outros municipios para se abastecerem de àgua, o que está onerando os cofres públicos com o alto consumo de combustível - isso quando conseguem passar pelas estradas bloqueadas pela manifestação de caminhoneiros.
O Rio Doce, um dos MAIORES DO BRASIL, está morto! As populações, desde Mariana-MG até Linhares-ES (e depois no Oceano Atlântico) estão sofrendo as consequências do que talvez seja a maior tragédia ambiental, ecológica, econômica, hídrica, já ocorrida no pais. E as consequencias serão sentidas por muitos décadas. Somente em Governador Valadares são 260 mil pessoas afetadas. Alguém ja imaginou uma cidade de 260mil pessoas totalmente sem água? E o pior: a água está correndo no Rio Doce, mas completamente envenenda por arsênico, mercúrio e outros metais.
Todos - eu disse todos - os peixes morreram envenenados e já se pode sentir o "cheiro" a kms de distância. Esse é o quadro que o BRASIL precisa saber. Divulguem para que outras tragédias possam ser evitadas. Talvez a próxima seja a dos lixões, ou das enormes pastagens que avançam derrubando as florestas, ou quem sabe, as imensas lavouras de soja??? Informem, manifestem a indignação pacífica, sem revolta ou violência. Chega de violência contra povo Brasileiro, menos ganância, é o que precisamos. Obrigado por me ler! É apenas o desabafo de um Valadarense, mineiro, brasileiro e ... ser humano."
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DOMINAÇÃO
As mineradoras responsáveis pelo crime ambiental em Mariana (MG) controlam financeiramente a maioria dos deputados da comitiva que irá fazer a vistoria do rompimento das barragens da Samarco.
Além disso, as empresas têm interesse direto na tramitação do Código de Mineração. Na sua comissão especial, o relator é justamente o líder no "patrocínio", Leonardo Quintão (PMDB/MG).
Só a Vale, uma das controladoras da Samarco, "doou" R$4,2 milhões aos deputados.
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Marcelo Branco
E eis que no ano passado o valor que ficou em Mariana não chegou a 1% do lucro líquido da Samarco! Ou seja, o benefício que a comunidade obtinha dessa mineradora nunca foi nem perto de justo.
"O prejuízo que houve não tem preço que pague. O momento também é de repensar essas licenças ambientais, de rever a distância que essas comunidades precisam estar dessas barragens" ‪#‎NãoFoiAcidente‬ viaVanessa Zettler

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Chico Alencar
QUANTO VALE A NOSSA VIDA?
A presidente do Ibama, Marilene Ramos, anunciou ontem (quarta) à noite que multará a mineradora Samarco/Vale/BHP. A princípio serão duas multas, cada uma de R$ 50 milhões: uma por perda de biodiversidade e outra por lançamento de dejetos nos rios. O valor pode ser superior, bem como podem ser mais de duas multas.
Multa é o básico. O mínimo do mínimo. E o valor (100 milhões) é muito pouco. É pouco porque dinheiro nenhum vale uma vida. Dinheiro nenhumtrará de volta as pessoas e animais que morreram. Dinheiro nenhum vai recuperar, a curto-médio prazo, as perdas ambientais (especialistas falam em no mínimo 100 anos). Ao que tudo indica, teve até espécies que entraram em extinção. Não foi acidente. Não foi desastre. Foi desrespeito. Foi irresponsabilidade. Foi crime.
Precisamos rediscutir o Código da Mineração - não como está sendo feito atualmente no Congresso, mas para criar regras mais rígidas e tornar a atividade independente de conglomerados internacionais. Vale a pena explorar as minas de minério com um risco como esse?
Por coincidência (ou não), a Vale doou mais de 20 milhões de reais na última campanha eleitoral. Também por coincidência (ou não), a Vale produz campanhas milionárias nos principais veículos de imprensa do país. Quem paga o DJ escolhe a música!
Em tempo: Por que mesmo uma empresa que vende minério, prioritariamente para o exterior, precisa anunciar em jornal e revista? Não conheço ninguém que tenha visto um anúncio no jornal e pensado em encomendar uma tonelada de ferro...
‪#‎NãoFoiAcidente‬ ‪#‎EquipeChico‬


As autoridades silencia o caso, pois são cúmplices; a grande mídia não enfatiza, pois é também cúmplice. É nossa realidade de país constantemente sugado pela grande máquina global.

--- Agnaldo Tavares

O Maior Trem do Mundo, do poema de Drummond, corta o país deixando o rasto desastroso de seu serpentear.

O maior trem do mundo
Leva minha terra
Para a Alemanha
Leva minha terra
Para o Canadá
Leva minha terra
Para o Japão

O maior trem do mundo
Puxado por cinco locomotivas a óleo diesel
Engatadas geminadas desembestadas
Leva meu tempo, minha infância, minha vida
Triturada em 163 vagões de minério e destruição
O maior trem do mundo
Transporta a coisa mínima do mundo
Meu coração itabirano

Lá vai o trem maior do mundo
Vai serpenteando, vai sumindo
E um dia, eu sei não voltará
Pois nem terra nem coração existem mais.

--------- Carlos Drummond

DESABAFO DE UM MINEIRO

"Infelizmente, o BRASIL ainda não sabe o que está acontecendo aqui em Minas Gerais. Os veiculos de "des-informação" continuam omitindo fatos e numeros importante para amenizar a tragédia. Sugiro que aqueles que tem amigos virtuais em outras cidades, estados e paises, informem melhor e alertem o Brasil de que são centenas de milhares de pessoas afetadas pelo fato. Toda a economia dos municipios està comprometida. As escolas suspenderam as aulas, a agricultura está comprometida, porque não tem chuva, o comercio já quase parou, pois não tem água, nem para os banheiros; bares e restaurantes estão adotando material descartável para servirem, mas não existem panelas descartáveis e essas precisam ser lavadas.A contrução civil também foi afetada; não há àgua para o banho das pessoas. Hospitais e asilos, presidios e serviços essenciais estão sendo abastecidos por caminhões pipa, que precisam ir a outros municipios para se abastecerem de àgua, o que está onerando os cofres públicos com o alto consumo de combustível - isso quando conseguem passar pelas estradas bloqueadas pela manifestação de caminhoneiros.

O Rio Doce, um dos MAIORES DO BRASIL, está morto! As populações, desde Mariana-MG até Linhares-ES (e depois no Oceano Atlântico) estão sofrendo as consequências do que talvez seja a maior tragédia ambiental, ecológica, econômica, hídrica, já ocorrida no pais. E as consequencias serão sentidas por muitos décadas. Somente em Governador Valadares são 260 mil pessoas afetadas. Alguém ja imaginou uma cidade de 260mil pessoas totalmente sem água? E o pior: a água está correndo no Rio Doce, mas completamente envenenda por arsênio, mercúrio e outros metais.

Todos - eu disse todos - os peixes morreram envenendos e já se pode sentir o "cheiro" a kms de distância. Esse é o quadro que o BRASIL precisa saber. Divulguem para que outras tragédias possam ser evitadas. Talvez a próxima seja a dos lixões, ou das enormes pastagens que avançam derrubando as florestas, ou quem sabe, as imensas lavouras de soja??? Informem, manifestem a indignação pacífica, sem revolta ou violência. Chega de violência contra povo Brasileiro, menos ganância, é o que precisamos. Obrigado por me ler! É apenas o desabafo de um Valadarense, mineiro, brasileiro e ... ser humano."
(Vinícius Cabral)

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Imagem Google




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E esses aqui vi em uma mídia alternativa, o site/blog Brasil de fato:

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Rompimento de barragens da Samarco “não é um acidente”, diz membro do MAM

Foto: Frente em Defesa de Ouro Preto e Região
Marcio Zonta diz que vistoria nas barragens não é feita pelo órgão público, mas exclusivamente pelas empresas, que a fazem “conforme sua lucratividade não seja abalada”
06/11/2015
Por José Coutinho Junior*
Da Redação
“Não é um acidente”! É assim que o militante do Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM), Marcio Zonta, classifica o rompimento de duas barragens na cidade mineira de Mariana, na noite desta quinta-feira (5).
Foto: Frente em Defesa de Ouro Preto e Região
Zonta critica o fato de que nenhum órgão público faz de fato uma vistoria nas barragens e que, pelo ritmo da extração mineral, isso acaba ficando por conta das próprias empresas.
“Não há uma auditoria externa que possa dizer, 'é necessário isso e aquilo e o gasto será de tanto'. A empresa faz conforme a lucratividade dela não seja abalada. Há um descontrole total da mineração no Brasil e todas as políticas de ritmos de extração,  armazenamento de rejeitos e escoamento dos minérios são especialmente monitorados e feitos pela própria empresa”, critica.
Leia a entrevista na íntegra:
Brasil de Fato: Como o MAM avalia esse incidente que ocorreu na barragem de Bento Rodriguez?
Marcio Zonta: A gente tem avaliado que, primeiro, não é uma catástrofe e, segundo, que não é um acidente. É um acontecimento de total responsabilidade das empresas. A mineração é uma coisa que se expande sobre a natureza e as comunidades, só que não há um planejamento da empresa para que você tenha a possibilidade para prever este tipo de acidente.
Por exemplo, a empresa faz este tipo de barragem mas não há uma fiscalização constante pelo próprio descumprimento com a legislação local, com as comunidades e com as questões ambientais. E ai você tem um acontecimento dessa proporção, que se você tivesse um mínimo de planejamento não poderia acontecer em uma região que é mineradora há mais de 300 anos, como é Minas Gerais. A Vale está lá há quase 70 anos. Há experiência o suficiente para conter este tipo de acontecimento, então a opinião do MAM é que as empresas podem coibir este tipo de acontecimento e, ao não fazer isso, ela é a principal responsável pelos mortos e desaparecidos.
A Samarco disse que licenças ambientais da barragem estavam em dia com os órgãos competentes e que ela faz o monitoramento constante…
Este é o problema, a empresa faz a própria vistoria. Não há uma auditoria externa que possa dizer “é necessário isso e aquilo e o gasto será de tanto”. A empresa faz conforme a lucratividade dela não seja abalada. Então ela faz o próprio planejamento a partir do que pretende gastar. 50% (das ações) da Samarco é da Vale. A Vale mais uma vez é a grande responsável por este acontecimento. Isso é uma coisa que acontece no Brasil. Quem faz a licença ambiental dessas mineradoras? Elas contratam as empresas que fazem, ou seja, elas mesmas fazem para apresentar os laudos para a Secretaria de Meio Ambiente, Ibama, Instituto Chico Mendes, mas é um laudo próprio. A Vale para instalar qualquer projeto contrata as empresas que formularão os laudos, não há um contraponto.
A barragem estava em obra para aumento de capacidade. Alguns jornais disseram que a barragem já tem mais de 20 anos. Essa obra resolveria o problema?
Quando a gente vai discutir o ritmo de extração mineral, não estamos falando só quanto de minério você irá retirar do solo, mas o quanto cada região aguenta as especificidades da mineração, extração, a barreira de rejeitos e escoamento é feito em uma plataforma só. Quando há irresponsabilidade ou um planejamento péssimo você tem esse tipo de acontecimento. Nós estamos falando de uma barreira de vinte anos e uma empresa como a Vale não tem um técnico que avalie os riscos? Uma empresa com o “know how” que ela tem no ramo da mineração não consegue prever que a barragem poderia romper? Então ela sabe que há esses riscos, o problema é que ela não tem compromisso nenhum com as questões ambientais e com as comunidades. Como a lógica é de exaurir a todo vapor, nós teremos vários outros casos assim, a quantidade de rejeitos que vai se formando no dia a dia é muito maior que há 20 anos. Se essa explodiu com 20, outras com menos tempo, quatro ou cinco anos, também correm o mesmo risco porque o ritmo da mineração é outro.
O corpo de bombeiros chegou a dizer que nenhuma barreira de rejeitos é segura no Brasil…
Veja bem, o corpo de bombeiros ele chega na hora do acontecimento, o prejuízo já foi. E o antes? E o planejamento anterior à exploração? Ele não existe! A empresa é unilateral nas decisões, pouco o governo inibe. Uma notificação do Ibama ou outra coisinha, mas fica totalmente a cargo da empresa o que ela faz ou não. Você tem o Ministério Público que pode incidir, fazer uma denúncia, mas é mínimo. Há um descontrole total da mineração no Brasil e todas as políticas de ritmos de extração, armazenamento de rejeitos e escoamento dos minérios são especialmente monitorados e feitos pela própria empresa. Como a empresa esta com a cabeça no lucro, ela fará de tudo que barateie os custos.
E como deveria ser esse planejamento de mineração que respeitasse as comunidades o meio ambiente?
O novo Código de Mineração, que está sendo debatido pouco, toca nessas questões. O que teríamos que ter hoje, minimamente: elaboração de um projeto de mineração, quem senta para discutir o projeto de mineração, a comunidade local, a mineradora, o governo federal, estadual e municipal e determina conjuntamente como deve ser este plano de mineração para cada região, levando em consideração as especificidades de cada lugar.
Então, se você tivesse estes vários atores sociais que são impactados pela mineração decidindo o projeto. Acontece que é pura balela a consulta pública feita pelas empresas. Eles reúnem a comunidade, apresentam e ficam duas ou três horas dos engenheiros falando e abrem para duas perguntas. Ou seja, já estava definido. Como a legislação pede que você tenha audiência pública, eles fazem isso.
E o Brasil é signatário da convenção da OIT que cobra a consulta sobre os povos, principalmente indígenas, quilombolas e tradicionais, se você pode implantar determinado projeto ou não naquela região. E o país não segue isso. Tudo é aprovado em Brasília. A Vale quando quer aprovar algo faz direto de lá, isso é antidemocrático e antipovo.
Quem morreu em Bento Rodrigues não foi o dono da Vale, foi o trabalhador que é sempre explorado. Os atingidos foram as comunidades. Nossa opinião é, nós temos que descentralizar o poder das empresas nas decisões sobre os bens naturais, eles são finitos. Tem que acabar com essa falácia de que bens finitos são sustentáveis. Sustentável é renovável.
Os trabalhadores e alguns especialistas dizem que a lama que atingiu as casas pode estar contaminada. A Samarco disse que não, que é somente areia…
É impossível ser só areia, a mineração é um processo químico e os rejeitos são tóxicos. Não tem como dizer que é só areia, não existe isso. Há um processo minerador e usa diversas químicas e de várias outras contaminações que surgem pela mecanização. Se fosse só areia não morreria mata ao redor da barreira. Isso vira um colapso não só para as vítimas, mas também ambiental, contamina o solo, contamina as águas e rios e é uma situação que não se resolve fácil. Não sou especialista nisso, mas você vai levar muito tempo para estabilizar ambiental, social e culturalmente. Mariana é uma cidade pequena e o impacto é ainda maior.
*Colaborou: Victor Tineo e Bruno Pavan

O drama não noticiado de Mariana,

 em Minas Gerais


dom, 08/11/2015 - 20:13
Foto de Bruno Bou - mar de lama
Jornal GGN - As duas barragens que se romperam no dia 5, última quinta-feira, são de responsabilidade da empresa Samarco, coligada da Vale. Até agora, os números oficiais de mortos beira a casa de 30. As causas do rompimentos das duas barragens ainda não foram divulgadas, ou esclarecidas, mas muita coisa não está indo bem no local.
Thiago Nepomuceno é morador da região de Mariana, onde romperam as barragens da Samarco, e enviou áudios para que pudessem ser conhecidas, não as razões do desastre, mas a situação da população da área. São relatos fortes, que evidenciam um descaso grande das empresas envolvidas e um apuro maior pela enormidade do problema.
A primeira coisa que Thiago destaca é que o acidente, no noticiário das TVs Globo e Bandeirantes, não parecia ter uma proporção tão grande. Parecia um caso sério, mas não tão caótico. Quando voltou à região, que estava ausente resolvendo questões pessoais, se deparou com coisa muito diferente. O acidente representava um impacto ambiental e social muito grande, com muito mais mortes do que TVs falam, uma cidade em choque. 
Se é certo que as doações estão mais do que suficientes para atender aos desabrigados, é certo também que a situação é muito triste com relação aos desaparecidos. "Só o pessoal do resgate pode entrar na região, a Samarco não deixa ninguém entrar, uma pessoa viu vários corpos boiando e não está tendo resgate por terra, somente por ar". 
Thiago, que já trabalhou para as mineradoras da região, explica que a lama é muito densa. "Estamos falando de rejeitos, não é água, é aquilo que sobra depois da lavagem do minério", e por ser muito densa, é capaz que muitos dos corpos não boiem, "vão ficar perdidos", diz ele. "Rejeito de minério é uma lama impossível de nada, não se nada num tanque de lama", explica ele, "e nem barco consegue navegar por aquela lama, pois o motor do barco não dá conta da matéria espessa".
Segundo ele, a prefeitura está dando um grande apoio aos atingidos, mas o apoio social, conseguindo lugar para ficar e distribuindo alimentos e colchões.  E está agindo dentro das possibilidades. Já o resgate está por conta da Samarco, mesmo porque é responsabilidade dela.
Por relatos na região, Thiago diz que um outro distrito afastado estava ilhado até ontem e ele não tinha ainda notícias do resgate ter sido feito.
Ouça os áudios enviados.


Da Vale ao caos, do caos à lama


A Vaidapé entrou em contato com um ex-funcionário da Vale no município de Mariana, em MG, local que foi varrido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da empresa, na tarde da última quinta-feira (5). Ele conta sobre a violência que a região vive há décadas, hoje inundada de lama tóxica


Por Henrique Santana e Patricia Iglecio
Foto em destaque: Antonio Cruz/Agência Brasil
Infografia: Henrique Santana
Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)
“Eu vejo publicações dizendo que a barragem estourou por causa de um tremor da terra, como se fosse uma catástrofe natural. Isso já está embutido nas próprias chamadas dos jornais. A imprensa fala: ‘Rompeu-se a barragem’. Quem rompeu-se meu amigo? ‘O distrito foi inundado pela lama’. Como foi inundado? Brotou lama do solo e inundou? A mídia fala como se não tivesse responsáveis, mas a Samarco e a Vale são as responsáveis por isso.”
A frase acima é de Makely Ka, ex-funcionário da Vale S.A, vivido e crescido em Minas Gerais. Atualmente, não trabalha mais no ramo. Após cursar algumas faculdades, sem concluir nenhuma, passou a se dedicar exclusivamente à música, profissão que exerce até hoje. O emprego na Vale veio logo após sua formação como técnico em eletrônica, em meados da década de 90. Na época, morava no município de Mariana, região central de MG, hoje soterrado pela enxurrada de lama que se iniciou após o rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco, empresa controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Biliton desde 2000.
A história da tragédia de Mariana já se desdobrou pelo país e deixou imagens de arrepiar a espinha. Os números também assustam. Até o momento, são ao menos 21 pessoas desaparecidas, seis mortes, dois corpos que não foram identificados e centenas de residências destruídas. Mais de 600 pessoas estão desabrigadas e alojadas no ginásio da cidade e em hotéis. A lama também chegará ao Espírito Santo e deve afetar o abastecimento de água de Baixo Guandu, Colatina e Linhares, ameaçando as atividades rurais das cidades e espécies de peixes dos rios.


“Eu vi pelo menos três acidentes. Eles não foram divulgados e essas notícias ficaram ali dentro. As mineradoras tem um controle muito grande sobre a informação que sai. Tem muito dinheiro em jogo”


INFOS BARRAGEM 4-01
A Samarco é a décima maior empresa exportadora do país e opera um grande complexo de mineração na região de Mariana. A poucos quilômetros de Bento Rodrigues, região em que o vazamento se iniciou, quase na divisa do distrito, está a Mina de Timbopeba – que também pertence à Vale. Foi lá que Makely trabalhou em 1994 e presenciou outras “catástrofes” que não viraram notícia. “Eu vi pelo menos três acidentes. Eles não foram divulgados e essas notícias ficaram ali dentro. As mineradoras tem um controle muito grande sobre a informação que sai. Têm muito dinheiro em jogo, eles são muito poderosos”, denuncia.
Uma das fatalidades vista por Makely chegou a virar pauta na imprensa local, em Mariana. Dois trens da Vale colidiram em cima de uma ponte na região e despencaram desfiladeiro abaixo. Os maquinistas que operavam a locomotiva morreram na hora. “Esse foi divulgado porque o pessoal do sindicato conseguiu fazer foto, mas não saiu nada em nenhum jornal do estado”,  conta.
INFOS CARAJAS 001-01
Os outros dois acidentes caíram no esquecimento da história. Em um deles, conta o ex-funcionário, um caminhão Haulpak passou em cima de um carro dentro da mina e matou as pessoas que estavam dentro. O ocorrido mal havia sido digerido e, no mesmo ano, outro trabalhador caiu dentro de um britador primário e “virou minério”.
“Essas notícias nunca saíram de dentro da mina. Claro que as famílias comentam, mas não vira notícia. E se isso tudo aconteceu no período de um ano e meio que eu passei lá, imagina o número de acidentes que vieram depois e foram abafados”, ressalta.
|  Veja também: A jornalista Laura Carpiglioneesteve recentemente na região de Mariana. Ela denunciou uma estranha movimentação na condução das operações de resgate, sugerindo uma possível ocultação de cadáveres como forma de preservar a imagem da Samarco. Leia a reportagem aqui
Com o rompimento das barragens em Bento Rodrigues, uma amostra do descaso da Vale com as regiões exploradas pela mineração vazou para o mundo – mesmo que com o sujeito oculto pelas manchetes jornalísticas (veja mais abaixo).





Bombeiros buscam sobreviventes no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana  - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Bombeiros buscam sobreviventes no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana – Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) soltou uma nota após o ocorrido, denunciando que “as empresas Vale e BHP são responsáveis pelo rompimento. Há muitos anos, a comunidade vem alertando sobre os riscos. Ontem, na hora do almoço, trabalhadores ouviram estrondos, mas as atividades continuaram. Suspeitas de que um terremoto teria provocado o acidente não se sustenta visto que foi um tremor de baixíssimo impacto. Não havia nenhum mecanismo de aviso e socorro à população, como exigido em lei (…) A negligência das empresas é total”.
Para Makely, o desastre que tomou conta de Mariana e o descaso das empresas são só mais uma pegada de um dramático projeto de destruição que ele acompanha desde sua infância.






Manchetes jornais-01
Em 20 reportagens pesquisadas pela Vaidapé no portal G1, da Rede Globo, quatro mencionavam a Samarco na manchete. O nome da Vale não apareceu em lugar algum. Tirando uma chamada que carregava o nome da empresa, nas outras 19 matérias a palavra “Vale” apareceu apenas uma vez. Até mesmo na notícia que abordava o encontro do prefeito de Mariana com dirigentes da mineradora, a redação do G1 se limitou a dar apenas os nomes da Samarco e da BHP Biliton


O RASTRO DE DESTRUIÇÃO DA VALE


O município de Mariana compõe o chamado Quadrilátero Ferrífero, região mineira responsável por 60% de toda a produção nacional de minério de ferro. A área também engloba a cidade de Itabira, berço de dois expoentes brasileiros de bastante contraste: o poeta e escritor Carlos Drummond de Andrade e ela, a Vale do Rio Doce, fundada em 1942.





Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)
O Tsunami de lama que saiu de Bento Rodrigues – Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil


“Quando a Vale começou, Itabira era para ser uma cidade polo, com universidades de ponta, de pesquisa. E lá não tem nada. É uma cidade com alto índice de suicídio, inclusive porque a atividade mineradora é cada vez menor”


A história da Vale em Itabira marcou a carreira de Drummond, sobretudo pelo primeiro feito da empresa na região, quando o Pico do Cauê, cartão postal da cidade, se transformou em uma verdadeira cratera de extração de minério. O poeta eternizou a melancolia Itabirana em “A montanha pulverizada”, de 1973, época em que a Mina do Cauê já se consagrava uma das maiores frentes de extração da América:
Pico do Cauê-01
Esta manhã acordo e não a encontro,
britada em bilhões de lascas,
deslizando em correia transportadora
entupindo 150 vagões
no trem-monstro de 5 locomotivas
– trem maior do mundo, tomem nota –
foge minha serra vai,
deixando no meu corpo a paisagem
mísero pó de ferro, e este não passa.”
— Carlos Drummond de Andrade

Makely partilha do sofrimento de Drummond. Nascido em Valença do Piauí, sua infância foi em Minas Gerais, estado que mora até hoje, sempre em áreas diretamente impactadas pela exploração de minério. Ele também relembra a trajetória da Vale em Itabira, que tem um começo tão trágico quanto seu final.
“Quando a Vale começou, Itabira era para ser uma cidade polo, com universidades de ponta, de pesquisa. E lá não tem nada. Digo isso porque minha família é de lá. É uma cidade com alto índice de suicídio, inclusive porque a atividade mineradora é cada vez menor, já que a lavra [extração de metais] está diminuindo”. A previsão é que nos próximos 20 anos a extração de ferro na mina se esgote e a cidade fique sem perspectivas, já que, nas últimas décadas, a economia de Itabira girou quase que exclusivamente em torno da Vale. A lógica da empresa é “simples”, conta Makely, “termina a lavra, a Vale vai explorar outras áreas e acabou. Em Barão de Cocais, onde vive minha mãe, a Vale chegou há 10 anos causando muita comoção. Mas eles vão lá explorar o minério. Depois que acabou, tchau!”, conclui.

O IMPACTO SOCIOAMBIENTAL NAS ÁREAS DE MINERAÇÃO


Após o Tsunami de lama que varreu Mariana, o coordenador de fiscalização de pesquisa mineral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão responsável pela fiscalização das barragens, declarou que o rejeito de minério de ferro é classificado como inofensivo à saúde. Para ele, mesmo que haja contato com a água do rio, o consumo desta não será prejudicado. A Samarco reiterou a afirmação.
No entanto, outros municípios afetados pela enxurrada não partilham da mesma opinião. Os rejeitos das barragens de Bento Rodrigues desceram vale a dentro, atingiram o leito do Rio Doce e já chegam no Espirito Santo. Em grande parte das cidades atingidas pela onda de lama, o abastecimento de água foi suspenso, depois que órgãos fiscalizadores detectaram substâncias como mercúrio e alumínio nos rejeitos. Biólogos e ambientalistas já alertam para milhares de quilômetros de oceano que serão impactados quando o líquido chegar ao litoral – isso sem contar as extenções de terra já atingidas. Uma catástrofe ambiental sem precedentes no Brasil.
BB-Barragem-Mariana-20151106-1
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O tsunami tóxico que escorre pelos vales mineiros – Foto: Corpo de Bombeiros

“Essa lama é extremamente tóxica. Eu acho muito irresponsável dizer que não é, porque você sente o cheiro. Claro que é tóxico! Se você entra em uma área de flotação de uma mineradora você já sente o ar pesado. Então manda quem disse que não é tóxico entrar, tomar banho de lama, porque eu tenho certeza que nenhum deles faz isso”, ironiza Makely, fazendo referência as afirmações da Samarco e do DNPM.

“Manda quem disse que não é tóxico entrar, tomar banho de lama. Porque eu tenho certeza que nenhum deles faz isso”


A área de flotação, citada pelo músico, consiste em grandes tanques, onde o minério britado passa por um processo de decantação através de reagentes químicos, que separam o ferro que será extraído de outros componentes. O rejeito que vai para o fundo do tanque é escoado para a barragem e toda a área do entorno dessa tem o acesso proibido.
Makely explica que, inclusive, existe um grave problema de saúde pública. Por conta da quantidade de ouro que fica no rejeito, são muitos os casos de pessoas que entram ilegalmente nas barragens para garimpar e acabam parando nos hospitais por doenças ou intoxicações.
No terceiro semestre deste ano, algumas semanas antes do rompimento das barragens, a Vale anunciou seu recorde histórico de produção de minério: mais de 88 milhões de toneladas, O feito ocorreu mesmo em um período de desaceleração da economia, sobretudo pela queda nas exportações para a China, principal consumidora do Brasil. O preço do recorde, por outro lado, é alto. A mineração exige uma enorme captura de água para a extração e escoamento do minério. Nesse processo, a água é contaminada com uma série de reagentes químicos e substâncias tóxicas, tornando-a inutilizável.





Moradores observam a catástrode do alto - Foto: Gustavo Ferreira- JL
Mar de lama: moradores observam a catástrofe do alto – Foto: Gustavo Ferreira- Jornalistas Livres

Na região de Mariana e do Quadrilátero Ferrífero, a principal fonte de água provem de duas das mais importantes bacias hidrográficas de Minas Gerais, responsáveis, inclusive, por grande parte do abastecimento de Belo Horizonte. Essa água é desviada da população e de comunidades de pequenos agricultores para os dutos sedentos das mineradoras.

“Conceição do Mato Dentro é uma situação de calamidade pública. Pessoas chegam em situação análoga à escravidão. Aumentam os índices de prostituição, de violência, de gravidez na adolescência, de uso de drogas. Uma situação trágica que vem a reboque da mineração”


Makely atenta que, para além dos impactos ambientais, os danos sociais causados pela mineração brasileira são imensuráveis. Um caso que marca a vida do músico é a história de Conceição do Mato Dentro, também em MG. A cidade tem cera de 20 mil habitantes e hoje vive em uma situação de miséria, com altos índices de uso de drogas e violências de todos os tipos.
“É uma situação de calamidade pública. As mineradoras trabalham com empresas terceirizadas, que, por sua vez, contratam mão de obra de regiões pobres no norte e nordeste. Essas pessoas chegam, muitas vezes, em situação análoga à escravidão”, conta Makely, que descreve a cena de um filme de horror. “Você não acredita o número de casos de gravidez que acontecem nessas regiões. O cara passa ali, engravida uma, engravida duas e vai embora, porque ele é funcionário de uma empreiteira terceirizada. É uma situação muito dramática. Aumentam os índices de prostituição, de violência, de gravidez na adolescência, de uso de drogas. Uma situação trágica que vem a reboque da mineração.”
INFOS Trabalho escravo 0001-01
Ele completa a narração do cenário: “Parece uma paisagem de guerra, de guerra civil lunar. Um lugar dos infernos. Parece que passou uma draga ali, um furacão”.
Para Makely, os impactos causados pela mineração extensiva no Brasil são mais do que necessários para repensar as políticas de exportação. “Existe esse grande mito de que o minério sustenta a economia, de que sem a exportação do minério o PIB ia cair, ia gerar muito desemprego. É uma questão que a gente deve pensar. Qual é o custo real disso? São commodities vendidos muito barato. Você arranca o minério e vende ele para os chineses produzirem os eletrônicos e eletrodomésticos que a gente consome por um preço muito mais caro em relação ao que a gente vendeu para eles”, questiona. Ele completa problematizando o tipo de emprego gerado pela atividade mineradora, que segundo ele é, na realidade, um “subemprego”.

A MINERAÇÃO E O LOBBY POLÍTICO


Além da influência na mídia, já citada por Makely no início desta matéria, o setor da mineração e metalurgia é um dos mais ativos financiadores de campanhas eleitorais. Em 2014, o setor repassou R$ 47,7 milhões de seus cofres para parlamentares. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, no Congresso de hoje, 166 dos 513 deputados federais e 14 dos 81 senadores eleitos em outubro de 2014 foram beneficiados pelo montante.
Os dados das últimas campanhas eleitorais são reveladores. A Vale Energia doou R$ 2,5 milhões para a atual presidenta Dilma Rousseff (PT). Já o governador de MG, Fernando Pimentel (PT), recebeu R$ 1,8 milhão provenientes da Vale Energia e Vale Manganês.
A Comissão Especial para o Novo Código da Mineração, que tramita no Congresso, tem como relator o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). Reeleito em 2014, o parlamentar recebeu R$ 380 mil de empresas de extração mineral.
Guilherme Mussi (PP-SP), outro integrante da comissão que discute o novo código, recebeu R$ 3,1 milhões da Indústrias Brasileiras de Artigos Refratários (Ibar) e R$ 250 mil da Vale. Também ocupa uma cadeira o deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG), que registrou R$ 1,4 milhão em contribuições de oito empresas do ramo. A maior é da Vale, que doou R$ 800 mil.
Outro destaque da comissão é a deputada federal Rose de Freitas (PMDB-ES). Eleita também à uma vaga no Senado, Rose tem como primeiro suplente de sua cadeira na Câmara o empresário Luiz Pastore(PMDB), dono da Copper Trading, que doou um montante de R$ 1,2 milhão para a pemedebista. A parlamentar que no total arrecadou R$ 2,9 milhões de empresas do setor, recebeu também da Indústria Brasileira de Metais (Ibrame), Bramagran Mármores e Granitos e Vale.
Makely dá um exemplo mais concreto da interferência de empresas do ramo da mineração no poder público. O caso se deu na criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela, em Minas Gerais, no final de 2014. Após uma batalha de anos travada por geólogos e ambientalistas, o projeto de criação do parque foi encaminhado para o governo federal. Resultado? A proposta original, de 38,2 mil hectares de mata preservada, foi para 31,2 mil. As áreas amputadas do plano original fazem parte, justamente, do perímetro destinado a extração do ferro do projeto Apollo da Vale, um dos maiores da mineradora no Quadrilátero Ferrífero, que é orçado em 4 bilhões de reais.

O NOVO CÓDIGO DA MINERAÇÃO


A maioria das cadeiras da comissão responsável pela votação do projeto são ocupadas por parlamentares que receberam verba de empresas do ramo da mineração. O novo código foi elaborado para alterar regras que foram estabelecidas durante a ditadura militar. Entre os critérios que devem ser alterados estão: o regime de prioridades, que significa que o primeiro a entrar com o pedido de pesquisa tem o direito de lavrar posteriormente, e o tributo que incide sobre a extração, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFM), o chamado “royalty da mineração”.
A mineração no Brasil é sinônimo de ferro, principal produto de exportação do país, praticamente 70%. Além disso, é o maior recolhedor de impostos. O segundo é o ouro, mas, mesmo assim, os valores são discrepantes. Enquanto o ferro arrecada US$30 bilhões anualmente, o ouro alcança U$2,3 bilhões, seguido pelo nióbio com US$1,8bi e o cobre US$1,5bi.
As indefinições sobre as novas regras que passarão a vigorar sobre o setor de mineração não pretendem comprometer as arrecadações da CFEM, permitindo que continue como uma atividade predatória e neoliberal.
Desde 86, Minas Gerais já sofreu com 6 rompimentos de barragens, ainda que nenhum tenha tomado as proporções do último desastre. Para Makely, o Estado brasileiro carrega uma responsabilidade histórica pelo ocorrido em Mariana e tantas outras atrocidades cometidas pela extração predatória, que tem na Vale, a maior mineradora do Brasil e a segunda do mundo, o símbolo máximo desse processo. “A gente tem uma política desenvolvimentista que é a mesma que foi implantada em 1940, baseada na exploração dos recursos naturais. Nós somos hoje o grande exportador de commodities, não só minério, mas outros recursos, como a soja. A gente não tem desenvolvimento em tecnologia, em indústria de transformação, em nada. É o mais baixo grau de produção humana”, afirma.
Músico que é, Makely encerra suas considerações citando um colega de profissão: “O Tom Zé costumava dizer que a bossa nova elevou o país de exportador de commodities a exportador de música, o mais alto grau de elaboração do intelecto humano. E a gente de repente voltou para o período pré-bossa nova. Como se a única forma de manter a balança comercial e o PIB do país fosse a exportação desses recursos esgotáveis. Porque é isso, acabou a exploração acabou tudo.”





Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

Mariana: desastres viram chance de ganhar dinheiro sobre o sofrimento

Quem sabe a próxima oportunidade para vampiros de desastres ecológicos será em Parauapebas, centro do projeto Carajás

por Felipe Milanez — publicado 12/11/2015 04h21, última modificação 12/11/2015 16h41 Antonio Cruz/Agência Brasil
Quanto vale as vidas abruptamente transformadas, sem a possibilidade de alternativa em decorrência da violência do desastre?
Quanto vale as vidas abruptamente transformadas, sem a possibilidade de alternativa em decorrência da violência do desastre?
Tragédias ecológicas de proporções catastróficas, logo quando ocorrem, rompem o silêncio da mídia sobre situações de riscos que estavam marginalizadas e dão grande atenção aos espetáculos – sensacionalizando os aspectos macabros.
No caso da cobertura da catástrofe em Mariana, essa atenção da mídia tem sido parcial, baseada em informações prestadas pela Samarco, que se tornou inclusive a "sede" do governo de Minas para uma coletiva de imprensa.
A culpa da catástrofe, um crime socioecológico, tem sido naturalizada, transferida para a natureza, enquanto as responsabilidades de empresas e governos são diluídas em meio ao caos e desespero.
A urgência nas respostas para salvar vidas – humanas e não humanas – logo transforma-se em um emergencialismo. Planos preventivos que deveriam ter sido realizados e não passam a ser cobrados, como agora em Mariana, com decisão judicial para que um plano seja apresentado em cinco dias, ou que seja pago um salário mínimo para as famílias atingidas. Tudo curto e rápido, como panos quentes para aliviar.
Respostas rápidas são necessárias para aliviar o sofrimento imediato. No entanto, podem servir apenas para dar conta de uma pressão inicial do espetáculo do desastre, e deixar para aqueles que são mais atingidos um longo e perene sofrimento.
O desastre industrial que aconteceu em Bhopal, na Índia, em 1984, e Chernobyl, em 1986, não ficaram no passado, produzindo efeitos terríveis da contaminação ao longo do tempo para milhares de pessoas e para o ambiente.
O desastre em Mariana provocado pela mineradora Samarco, da Vale e da australiana BHP, também terá uma longa duração no tempo, seja no ambiente, seja na vida das pessoas. A resiliência, que é a capacidade de reconstrução e recuperação do trauma, pode ser impossível.
Em um relatório de 2011, a ONU afirma: "Não pode haver dúvida alguma de que a redução da vulnerabilidade aos riscos é infinitamente preferível à luta contra o sofrimento humano e as consequências econômicas das crises".
Essa perspectiva tem sido pesquisada com foco na redução dos custos e mensuração técnica e operacional da vulnerabilidade, mais do que em questões de cidadania, qualidade de vida, segurança.
A tragédia em Mariana é social e ambiental, pessoas e meio ambiente foram expostos a um risco absurdo. E no que se refere à vulnerabilidade, que é a exposição ao risco, a suscetibilidade ao impacto, Mariana, palco de um desastre, pode ser um grande alerta para outras situações.
Enquanto ainda se procuram os corpos, surge a questão de quem paga por isso e como esse pagamento é feito.
Pela lei brasileira, a priori, as responsabilidades desse crime socioecológico (que deve ser investigado) recaem sobre a Vale e a BHP em razão do princípio do poluidor-pagador instituído pela Lei nº 6.983 de 1981: "É o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade".
Tal percepção atingiu os investidores dessas duas grandes empresas e as ações da BHP despencaram 7% após a catástrofe. A BHP escreveu em um e-mail ao Wall Street Journalafirmando que não tem nada a ver com a catástrofe e que a Samarco é "inteiramente responsável" e lavou suas mãos na lama.
A Vale também empurrou para a Samarco, igualmente como se não tivesse nada a ver com isso, apenas "apoiando" a empresa, disponibilizando recursos para "auxiliar a Samarco". Um executivo da Votorantim, ex-executivo da Vale, Tito Martins, disse ao Valor que depois de Mariana, "tudo vai ficar mais difícil e mais caro de se fazer no País".
Nessa visão, podem surgir alguns obstáculos a mais para serem superados (ou destruídos), e um pouco de dinheiro a ser pago – que depois pode vir a ser recuperado, por exemplo, com a redução de "custos" de "direitos" trabalhistas.
Acontece que os danos socioecológicos poucas vezes podem ser reduzidos a seu valor monetário. Quanto "Vale" um Rio Doce? Quanto "Vale" as vidas do menino Thiago, da menina Emanuelly, de Valdemir, que deixou esposa e três filhos, das inúmeras pessoas mortas? E quanto "Vale" as vidas abruptamente transformadas, sem a possibilidade de alternativa em decorrência da violência do desastre?
A catástrofe provocada pelas mineradoras Vale e BHP vai gerar muitos conflitos socioecológicos, longos no tempo e no espaço, e como coloca o economista ecológico Joan Martinez Alier: conflitos em torno dos "valores".
Essas empresas e o Estado – seja o governo de Minas ou o federal, ou o Judiciário – vão tentar impor valores de dinheiro para aquelas pessoas cujas perdas, de vidas ou de possibilidades de existência por suas relações com o ambiente, são sentidas muito além do que o dinheiro pode comprar.
E em torno dos valores monetários, o desastre ambiental, para alguns, como o capital da grande mineração, é uma grande oportunidade de acumular. Já para muitos, para os pobres, representam longos anos de muito sofrimento e violência.
Na forma como são feitos hoje – e pelos novos projetos do governo federal, a tendência é piorar –, os estudos de impacto ambiental tentam reduzir tudo a algum valor que o dinheiro pode pagar. Isso significa uma violência tremenda para os mais pobres de dinheiro, e uma vantagem descomunal para o capital na Vale, na BHP, ou mesmo em Belo Monte...
Como essas empresas ricas têm mais dinheiro, podem comprar mais barato a vida e o ambiente dos pobres, protegidas pela violência colonial do Estado. Não há nenhuma outra solução possível para romper esse ciclo, além da básica consulta direta: aqueles afetados devem ser ouvidos, e ao serem consultados de forma informada, devem ter o direito de, livremente, decidir sobre o futuro de suas vidas e sobre o projeto em si.
Ainda assim, essa consulta, elemento fundamental da cidadania que não consta nos relatórios de impacto até agora, apenas poderia garantir o direito de algumas pessoas, já que as futuras gerações e a natureza só podem ser "consultadas", em tese, por algum tipo de representação.
Mineração, agronegócio, barramentos de rios e outros são projetos de "desenvolvimento" autoritário, chamados por autores latino-americanos, como Maristela Svampa, Alberto Acosto, Eduardo Gudynas, de "extrativismos" (ou "neoextrativismo" dentro do quadro populista): algo como uma síndrome de extrair massivamente e mandar para longe e receber um pouco por isso, que fica concentrado em poucas mãos.
Extraem massivamente recursos naturais para exportação, deixando para trás um buraco e um rastro de saque, um ambiente destruído junto de vidas humanas e não humanas.
Essa destruição é motivo para ganho e acumulação, uma oportunidade para expansão e circulação do capital. É difícil imaginar que a Vale ou a BHP vão pagar o que deveriam se os cálculos fossem realmente feitos numa perspectiva ampla de diálogo com todos aqueles e aquelas que foram atingidos e atingidas.
Se os custos não fossem externalizados, colocados para fora, empurrados para os mais fracos ou para o ambiente comum, como o rio. Ambiente comum, ou bem comum, dizem respeito a todos e todas, e não podem ser cercados, privatizados, como tentam as mineradoras.
O ar, as comunidades, os rios, as florestas, são comuns, e não podem se tornar propriedades cercadas pelas mineradoras para transferir para o comum os custos dos desastres provocados por suas atividades.
Empresas de seguro, advogados, bancos, empresas de serviços ambientais, há uma série de pessoas que planejam formas de ganhar dinheiro sobre o desastre alheio que recai sobre o comum: "É o capitalismo, estúpido!" E não só: é o capitalismo operando em seu tipo mais fundamental, o extrativista, aquele da acumulação primitiva, da acumulação por despossessão, por expropriação, por violência.
A tragédia, oportunidade de acumulação para alguns, pode também ser uma oportunidade de união, de solidariedade, de resistência, de aprendizado e de luta para muitos e muitas. O que a trajetória da mineração fez com Minas Gerais ao longo dos últimos séculos é um desastre. E aqueles mesmos que ganharam com isso hoje já miram novos espaços para ganharem mais, como o Pará.
É para o Pará que a Vale está migrando e em breve vai ganhar mais dinheiro na Amazônia do que em Minas. É para o Pará que migrou a siderurgia de ferro-gusa que estava estabelecida em Minas Gerais, depois que esburacou a terra e transformou em carvão a Mata Atlântica e o Cerrado – e nas últimas décadas transformou também em carvão milhares de hectares da Amazônia, além de ter exportado o sangue de milhares de trabalhadores e trabalhadoras escravizados e escravizadas.
Quem sabe a próxima oportunidade de vampiros de desastres ecológicos, que já sobrevoam Mariana, ganharem dinheiro, será em Parauapebas, centro do projeto Carajás, da Vale. Recentemente, Haroldo Souza, professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), fez uma visita à Barragem Gelado, em Carajás.
Essa é uma das três barragens centrais do Complexo Minerário de Carajás, que inclui também a barragem do Projeto Salobo, que contém ainda mais contaminação, e a Barragem do Sossego, em Canaã dos Carajás, próxima à nascente do Rio Parauapebas.
A água, como em Mariana, é lama, rejeitos de ferro decorrente da lavagem do minério. Em Parauapebas vivem quase 200 mil pessoas (189 mil pelo IBGE em 2015). Se a barragem do Gelado romper, como em Mariana, será uma catástrofe. É difícil de imaginar, muito mais ainda de calcular.
Após o que aconteceu em Mariana, o risco de catástrofe não pode ser minimizado. No caos dessas barragens de mineração que atingem diferentes cidades no sudeste do Pará, todo o plano de controle é feito por agências e órgãos municipais e estaduais sediados em Parauapebas (Prefeitura, Bombeiros, Defesa Civil). A justificativa dessa localização é a logística e o acesso à mina, e não necessariamente a prevenção de uma possível catástrofe.
Acontece que Haroldo Souza, professor curioso, pensou no pior, e perguntou para um engenheiro da Vale durante essa visita o que aconteceria se a barragem rompesse. Teve uma resposta certeira: "Não vai romper!" Souza insistiu: "Mas e se romper?" Ao que o engenheiro retrucou: "Mas não vai romper, foi feita para não romper!" Ignorante do poder da engenharia, mas imaginativo, o professor da Unifesspa insistiu: "Mesmo assim, se romper, o que é que acontece?"
Sem nenhuma planilha na mão, o engenheiro da Vale respondeu: "Não pensemos nisso, é melhor que não aconteça... seria algo muito desastroso pra todos em Parauapebas".
Para a Vale, a BHP, o governo federal, os deputados financiados pelas grandes mineradoras que querem mudar o Código da Mineração, tem coisas que é melhor não pensar – pois pensar demais pode atrapalhar os lucros.
Para aqueles que pensam e que sofrem, como a população de Mariana, como os munduruku, que vivem no Rio Tapajós e querem evitar seu barramento, para os camponeses e camponesas que vivem no sudeste do Pará e são atingidos pela Vale, não há como atribuir um valor de dinheiro para o desastre. Esse valor monetário só é aceito mediante violência.
Como me disse Katia Tonkuré Jonpti, liderança do povo Gavião Akrikatejê, também atingido pela grande mineração de ferro em Carajás: "A Vale deixou conflito. A Vale trouxe o impacto de separação, desunião e desigualdade. É um bicho papão. Um demolidor da natureza, máquina de acabar com tudo".








Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância ímpar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, proprina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o Banestado,  o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...



A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?


Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?


O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*


As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.



Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!


O Mercado de notícias - Filme/Projeto do gaúcho Jorge Furtado


Questões de opinião:

Eduardo Cunha - Como o Brasil chegou a esse ponto?



As histórias do ex-marido da Patrícia Pillar


Luiz Flávio Gomes e sua "Cleptocracia"



Comentários políticos com Bob Fernandes. 


Ricardo Boechat - Talvez seja ele o 14 que eu estou procurando...


Seminário Nacional - Não queremos nada radical: somente o que está na constituição.

Seminário de Pauta 2015 da CSB - É tudo um assunto só...

Como o PT blindou o PSDB e se tornou alvo da PF e do MPF - É tudo um assunto só!


InterVozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social

Ajuste Fiscal - Trabalhadores são chamados a pagar a conta mais uma vez



Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?


Comissão Nacional da Verdade - A história sendo escrita (pela primeira vez) por completo.


Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.


Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.


Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.



Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países? 


Acompanhando o Caso HSBC VI - Pausa para avisar aos bandidos: "Estamos atrás de vocês!"... 


Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos


Acompanhando o Caso HSBC VIII - Explicações do presidente do banco HSBC no Brasil

Acompanhando o Caso HSBC IX  - A CPI sangra de morte e está agonizando...

Acompanhando o Caso HSBC X - Hervé Falciani desnuda "Modus-Operandis" da Lavagem de dinheiro da corrupção.



Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!


Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.



Acompanhando a Operação Zelotes IV (CPI do CARF) - Apresentação da Polícia Federal, Explicação do Presidente do CARF e a denuncia do Ministério Público.

Acompanhando a Operação Zelotes V (CPI do CARF) - Vamos inverter a lógica das investigações?

Acompanhando a Operação Zelotes VI (CPI do CARF) - Silêncio, erro da polícia e acusado inocente depõe na 5ª reunião da CPI do CARF.

Acompanhando a Operação Zelotes VII (CPI do CARF) - Vamos começar a comparar as reportagens das revistas com as investigações...

Acompanhando a Operação Zelotes VIII (CPI do CARF) - Tem futebol no CARF também!...

Acompanhando a Operação Zelotes IX (CPI do CARF): R$1,4 Trilhões + R$0,6 Trilhões = R$2,0Trilhões. Sabe do que eu estou falando?

Acompanhando a Operação Zelotes X (CPI do CARF): No meio do silêncio, dois tucanos batem bico...

Acompanhando a Operação Zelotes XII (CPI do CARF): Nem tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser...

Acompanhando a Operação Zelotes XIII (CPI do CARF): APS fica calado. Meigan Sack fala um pouquinho. O Estadão está um passo a frente da comissão? 

Acompanhando a Operação Zelotes XIV (CPI do CARF): Para de tumultuar, Estadão!

Acompanhando a Operação Zelotes XV (CPI do CARF): Juliano? Que Juliano que é esse? E esse Tio?

Acompanhando a Operação Zelotes XVI (CPI do CARF): Senhoras e senhores, Que comece o espetáculo!! ("Operação filhos de Odin")



Sobre CBF/Globo/Corrupção no futebol/Acompanhando a CPI do Futebol:

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K


A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!



Revolução no futebol brasileiro? O Fim da era Ricardo Teixeira. 




Videos com e sobre José Maria Marin - Caso José Maria MarinX Romário X Juca Kfouri (conta anonima do Justic Just ) 





Do apagão do futebol ao apagão da política: o Sistema é o mesmo


Acompanhando a CPI do Futebol - Será lúdico... mas espero que seja sério...

Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!

Acompanhando a CPI do Futebol III - Está escancarado: É tudo um assunto só!

Acompanhando a CPI do Futebol IV - Proposta do nobre senador: Que tal ficarmos só no futebol e esquecermos esse negócio de lavagem de dinheiro?!

Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!

Acompanhando a CPI do Futebol VIII - Eurico Miranda declara: "A modernização e a profissionalização é algo terrível"!

Acompanhando a CPI do Futebol IX - Os presidentes de federações fazem sua defesa em meio ao nascimento da Liga...